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BBM Lista: 5 títulos da Conrad que deveriam ser relançados

nausicaaA editora que deixou muitos órfãos…

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A metamorfose das adaptações literárias

Olá, navegantes!

Talvez você não saiba, mas desde 2011 a editora L&PM (famosa por sua coleção de livros de bolso) também vem lançando mangás. Esses lançamentos passam meio despercebidos porque a maioria deles pertence a uma coleção chamada Mangá de dohuka, da EastPress, que tem o objetivo de adaptar para o estilo oriental livros clássicos da literatura mundial.

capa-hamlet-lpma metamorfoseObras como Hamlet, A Metamorfose e o Manifesto do partido comunista (a lista completa você encontra em nossa página dedicada à editora) foram lançadas e, pouco a pouco, estão enchendo o catálogo de obras publicadas por aqui. Mas não é apenas o maior número de mangás que está aumentando, é o número de adaptações de obras literárias para os quadrinhos.

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Não é um fenômeno novo no Brasil, e nem no mundo. Desde pelo menos metade do século XX as adaptações de obras literárias para os quadrinhos começaram a ser feitas e, como deve ser óbvio de  concluir, geraram muitas críticas por parte dos pais e educadores que achavam que a leitura dos quadrinhos desestimularia a leitura dos originais.

O tempo passou e o mundo mudou realmente. Agora as adaptações são vistas como uma forma de iniciar o leitor nessas obras. No Brasil, por exemplo, desde mais ou menos 2006 ou 2007, o ministério da educação começou a comprar quadrinhos para, entre outras coisas, ser distribuído para as bibliotecas das escolas públicas brasileiras.

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Essa medida do MEC gerou uma grande produção de adaptações de obras literárias para os quadrinhos. Só para vocês terem uma ideia, o conto O Alienista, de Machado de Assis, foi adaptado quatro vezes em um período muito curto de tempo. Esse aumento de adaptações em território nacional cedo ou tarde atingiria os mangás.

NewPOP_HelenagaleraComo dissemos, a L&PM vem lançando adaptações literárias da coleção Mangá de dohuka. Em 2011, a editora JBC também lançou duas obras dessa mesma coleção (Rei lear e O capital). Por sua vez, a editora Record, pelo selo Galera, lançou algumas adaptações em mangá de obras clássicas com roupagens mais novas (se passando no presente ou no futuro, por exemplo). O mais marcante, no entanto, é que tivemos recentemente até mesmo uma adaptação nacional para o estilo mangá, Helena, feito pelo Stúdio Season e publicado pela NewPop, adaptado da obra de Machado de Assis.

Essa mudança indica um caminho interessante e um tanto quanto controverso para o mundo dos mangás no Brasil. Continuaremos a ter os mangás famosos sendo publicados em banca e consumidos pelo público como tem sido desde o início dos anos 2000, ao passo que teremos adaptações literárias para os mangás sendo apresentada aos leitores mais novos, no meio escolar.

Em nossa concepção, isso tem um lado positivo e um lado negativo. O lado positivo é justamente a apresentação das obras literárias (que todos deveriam ler, diga-se de passagem) na linguagem dos quadrinhos orientais. Porém, isso não ajuda na popularização do mangá como quadrinho independente. Por que o MEC não estimula também o consumo de obras não adaptadas? Há vários mangás com classificação indicativa livre que poderiam facilmente ser incluídos no programa de compra do governo, como Sailor Moon, Card Captor Sakura, K-on e Super onze. A presença de mangás na escola ajudaria na popularização do quadrinho japonês e poderia fazer o mercado nacional crescer. Quantas pessoas não se tornaram fãs de Turma da Mônica com aquelas revistas que líamos nas escolas? Quantas pessoas ainda hoje não se tornam fãs do Cebolinha, do Cascão e da Magali com essas revistas? Infelizmente o mundo não é como gostaríamos…

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Os best-sellers também têm sua vez

Se, por um lado, as adaptações de obras literárias clássicas para os quadrinhos (orientais ou não) são encaradas como uma forma dos leitores mais jovens serem iniciados às histórias canônicas, o mesmo não acontece com adaptações de obras best-sellers. Às vezes nem pensamos nisso, mas tem se tornado constante os mangás adaptados de livros (ou light novels) presentes no Brasil.

capa_so_voce_pode_ouvir_gno game no lifePara citar só alguns temos Another, Feridas e Só você pode ouvir (os três pela JBC), No 6, No game; no life e 1 litro de lágrimas (os três pela NewPop). E, um pouco mais para trás, tivemos Battle Royale (pela Conrad). Todos eles foram adaptados de livros ou light novels e estão no nosso mercado. Independente do gosto de cada um, não se pode negar que essas adaptações são interessantes, pois conhecemos histórias que talvez não conheceríamos na sua versão original.

Em resumo, os mangás adaptados de livros estão aí e vieram para ficar. Se são boas adaptações ou não cabe ao leitor decidir. Pessoalmente, consideramos algumas boas e outras, não. De todo modo, vale a curiosidade. Devemos sempre dar uma chance ao novo, a essas adaptações; e depois porque não dar uma conferida no original?

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Essa não será a única e nem última matéria falando sobre adaptações literárias para os quadrinhos orientais. Esse é um assunto que gostamos muito e queremos explorá-lo mais. Mas por hoje é só, esperamos que tenham gostado e que esta matéria tenha sido de alguma forma útil para vocês.

[Atualização]

Para uma obra ser adquirida pelo governo federal no PNBE (Programa Nacional de Biblioteca na Escola) é necessário primeiro haver interesse da editora, depois o governo decide quais interessados serão selecionados e quais não serão. “Aventuras de menino”, da L&PM, mangá que não é adaptação de obra literária foi selecionada para o PNBE. Então, fica claro que chance existe… fica a dúvida: será que as editoras “grandes” têm interesse em enviar suas obras para concorrer ao PNBE?….