Opinião

Citrus será mais um mangá que as editoras perderão o ‘timing’?

Talvez você nunca tenha ouvido falar, mas existe um mangá que é popular entre uma certa parcela do público consumidor de quadrinhos japoness – no Brasil e no mundo – chamado Citrus, de autoria de Saburouta. Citrus conta a história da jovem Yuzu e sua repentina vida nova após sua mãe se casar, indo morar em cidade nova, tendo uma escola nova e, também, uma inesperada nova irmã, Mei, filha do novo marido de sua mãe. A história mostrará, dentre outras coisas, o nascimento de uma paixão fervorosa de Yuzu por Mei.

Citrus é, talvez, o mangá yuri (que mostra o relacionamento amoroso entre duas mulheres) mais popular da atualidade e se encontra em publicação desde 2012 na revista Comic Yuri Hime, da editora Ichijinsha, possuindo atualmente 8 volumes, com o 9º previsto para março. A popularidade da obra fez ela ser licenciada em diversos países como Estados Unidos (dezembro de 2014), Alemanha (janeiro de 2015), França (janeiro de 2016), Argentina (setembro de 2016) e Espanha (setembro de 2016).

No Brasil, porém, apesar da popularidade da obra ser também relevante, sendo o mangá yuri mais pedido nas redes sociais das editoras, a obra permanece inédita até o momento. Isso ocorre pois o gênero yuri em nosso país é muito novo, visto que só tivemos o primeiro mangá em 2017 e o segundo em janeiro de 2018, os volumes únicos Sunset Orange e Philosophia, ambos pela editora NewPOP.

Ao que parece, a editora sabe do desejo por Citrus (ela falou que conhece o “barulho da internet”, embora não tenha especificado o nome da obra^^), mas ela lançou esses dois volumes únicos para testar o mercado e ver a aceitação do público para obras desse gênero. Daí que se você quer Citrus (ou outros mangás yuris com mais volumes) no Brasil, você deveria comprar os dois volumes únicos para “apoiar” a vinda.

A estratégia da NewPOP é muito conservadora, mas compreensível para uma editora pequena que não pode se dar ao luxo de arriscar em uma obra de um gênero poderia não ter aceitação e gerar muito prejuízo. Ainda mais uma obra que permanece em andamento e não tem uma previsão de fim. O problema é que, com isso, Citrus tem tudo para se tornar mais uma obra que as editoras nacionais perderão o timing, a época em que a obra está mais em evidência.

Citrus, animação. Fonte da imagem: Crunchyroll.

Citrus está com a sua adaptação em desenho animado sendo exibida na temporada (tendo episodio novo todo sábado às 14 horas na Crunchyroll) e, positiva ou negativa, está recebendo uma certa atenção. É a época perfeita para o lançamento da obra, pois junta a popularidade que o mangá já tinha com a popularidade vinda do desenho e você tem se não um sucesso de vendas ao menos a expectativa de que venda bem.

Só que não parece que isso que vai acontecer. É pouco provável que JBC ou Panini invistam nesse gênero e ainda é muito cedo para a NewPOP saber se os yuris corresponderam e ela se arrisque com Citrus. Ainda há esperança, obviamente, pois as editoras nunca deixam as coisas claras e pode ser que algumas dessas empresas tenha nos surpreendido e já esteja negociando a obra há tempos.

Entretanto o mais provável é que Citrus entre na grande galeria de obras que só foram lançadas no Brasil muito tempo depois de seu auge de popularidade (como AnohanaYour Lie In April e One Week Friends) ou que talvez nunca sejam lançadas (como Nodame Cantabile, Kuragehime, entre outros)…

***

Você quer que Citrus ou qualquer outro mangá seja publicado no Brasil? Não deixe de expressar o seu desejo para as editoras. Ao clicar neste link você será redirecionado ao Cantinho de Sugestões da NewPOP, local que a editora disponibilizou para o pedido de novas séries. Já ao clicar aqui você será redirecionado para o site da JBC feito com o mesmo propósito. Por fim, ao clicar aqui, você irá ao Onegai Desu!, no Facebook da Panini, também feito para reunir os pedidos por novas obras.

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20 comentários em “Citrus será mais um mangá que as editoras perderão o ‘timing’?”

  1. Realmente,se os Yuris de volume único não venderem bem é muito pouco provável que qualquer editora lance Citrus por aqui,acho que nessa horas elas também devem consultar o número de coleções no Guia dos Quadrinhos.

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  2. Vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com ERASED e outras, assim como poderá acontecer com Haikyuu e Shokugeki no Souma (coitados dos fãs)…

    A única editora que conseguiu aproveitar o hype e fez um lançamento com timing certeiro foi justamente a novata Devir, mas parece que as outras não perceberam que é algo que dá certo.

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          1. Mas não sei se isso é considerado um Timing bom – talvez seja até prejudicial, porque se a pessoa gosta das duas obras, mas só tem dinheiro pra uma, talvez Hokuto seja a que fique de fora – pelo que entendi da postagem, o Timing seria mais no sentido de lançar a obra próximo a data de algum novo filme, por exemplo

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        1. Um jogo para PS4 feito pelo estúdio responsável por Yakuza. Também tem Souten no Ken Re:Genesis, feito pela Polygon Pictures (e que possivelmente irá aparecer na Netflix).
          Deve rolar mais alguma coisa em comemoração aos 35 anos da franquia.

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  3. Um amigo tá acompanhando o mangá de Citrus, segundo ele tá legal a história.
    Também acho que as editoras não vão dar atenção por agora, mas se o anime tiver segunda temporada, talvez tragam o mangá até lá.
    E bem, nada impede que tragam depois que o anime acabar, só ver tipo Jojo e Hokuto, que o povo se matou de pedir na internet e a JBC e Panini trouxeram, depois de um tempo.

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  4. No fim das contas, isso é só gosto pessoal.

    Existem diversos mangás com uma certa popularidade mundo afora que as editoras podiam lançar “acertando o timing”. E diga-se de passagem, mais lucrativos que um mangá yuri. Afinal, editoras são empresas e precisam vender!

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    1. “No fim das contas, isso é só gosto pessoal.”

      Juro que não entendi o que você quis dizer isso O_o. A postagem fala que as editoras não costumam lançar obras populares no momento em que elas estão mais em evidência e que Citrus deve ser mais um deles por uma série de fatores. Não tem nada de gosto de pessoal nessa afirmação e nem em absolutamente nada da postagem. Realmente não entendi o que você quis dizer com isso de gosto pessoal.

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  5. Sei que Citrus foi só um exemplo, mas assisti ao anime e meio que essa obra tem um estupro, no mínimo um assedio. Não sei se quero muito ela por aqui.

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      1. Estupro? Perdão, estou acompanhando o anime e não me recordo dessa cena, talvez eu possa ter pulado o episódio, já que não assisto com regularidade. Você lembra em qual ep isso acorre?
        Também não gosto desses naturalização babaca de violência sexual que muitos mangás/animes acabam pendendo. Digo naturalização porque aparece tantas e tantas vezes que se a ideia era fazer denúncia acaba virando apologia.

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  6. Mas, não é o melhor a editora estudar o lançamento da obra antes de licenciar pra não precisar cancelar, piorar a qualidade do material ou, no melhor dos casos para os colecionadores, aumentar o preço absurdamente como a Panini fez com HDXD?
    O que eu não quero é coleção incompleta e depois que quebrar a cara ser obrigado a ler por Scanlator Mendigo por aí! Drifters já ta a tanto tempo sem volume que quem leu vai ter que voltar do primeiro volume SE houver continuação!

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    1. Sim, mas as editoras podem estudar o lançamento antes de uma dada obra estar em evidência, antes de sua animação estar em exibição. Isso é o que parece ocorrer nos grandes mercados de mangás.

      Um exemplo prático local é o caso da Devir e seu The Ancient Magus Bride. A gente não sabe os reais motivos que levaram a editora a pegar essa obra, se foi sugestão da editora original ou se foi uma decisão interna da Devir, mas com certeza não foi um lançamento à toa. Não foi uma aposta no escuro. Alguém sugeriu e a empresa viu o que o mangá era ou estava se tornando popular, que ganharia animê e a licenciou. Magus Bride é um dos raros casos em que foi publicado no timing perfeito em meio ao hype da animação.

      Não sei como estão as vendas do mangá, mas acredito que deva estar indo muito bem. A notícia do lançamento da obra e, posteriormente, a divulgação da capa do primeiro volume do mangá foram os dias que o blog teve mais curtidas no Facebook em menos tempo, tamanha a popularidade do mangá.

      Agora imagine se não existisse a Devir, provavelmente só teríamos o mangá em 2019, 2020 ou 2021, se é que um dia veríamos.
      ——-
      É claro que você pode estudar o lançamento e acabar publicando uma “bomba”, o que parece ser o caso do Highschool DxD, mas esse tipo de erro também faz parte do trabalho…

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      1. Mas isso não ocorre nos grandes mercados porque são as próprias subsidiarias das editoras japonesas que publicam neles? Como a Kadokawa, Kodansha, Shueisha, todas tem tem um pé no ocidente, não? Isso deve facilitar um bocado, considerando toda a burocracia que, pelo menos atualmente, se tem com os japoneses… Ah, como as coisas eram mais fáceis antes, as editoras brasileiras deitavam e rolavam, como a vez que a Conrad até usou a mesma imagem em duas capas diferentes!

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        1. Não^^. São as editoras de cada país que ficam atentas ao que está fazendo sucesso ou ao que tem potencial de se tornar um. Isso ocorre no Brasil também só que em escala muito, muito menor, sendo mais uma exceção do que a regra.

          Aliás, posso estar enganado, mas acho que a existência de várias subsidiárias só ocorre nos EUA. Na França e na Alemanha até tem, mas só uma, a Kaze que pertence à Viz (Shueisha + Shogakukan). O resto é tudo editora local.

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  7. Eu acompanhei o mangá até um certo ponto, parei porque sei lá e to vendo o anime, eu gosto muito da obra, mas pra mim é para um público bem fragmentado. Citrus é um yuri com assédio em certos momentos, muita gente que curte yuri não gostou, além de que existem pessoas como eu que ainda não são independentes dos pais, então se eu comprar um yurizão com assédio igual esse, meus pais me matam.

    Acho que a única luz é vier pela NewPOP, mas como a própria matéria diz, é bem difícil de vir.

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