Opinião

Minha birra com mangás nacionais

Os pontos que considero serem muito falhos na indústria nacional

Vou começar ressaltando que está é minha opinião pessoal dos mangás nacionais, do que me incomoda ou me parece mal-aproveitado.

A depender da obra em questão, há muito que dá para discutir, desde artes que parecem “amadoras” demais, completa falta de noção dos detalhes de um mangá (enquadrações e angulações, efeitos visuais, onomatopeias, efeitos de movimento, uso de retículas, uso de estilos de balões) e outros problemas de narração. Muitos desses provenientes da falta de experiência, falta de acesso à informação, falta daquele editor apontando erros e mostrando onde melhorar que os japoneses têm. Mas honestamente, não é isso que mais incomoda, há outros pontos que há muita falha que particularmente acho que já estava na hora de mudar.

Se você não tem o que fazer e fica lendo os posfácios dos mangás, entrevistas e blogs de autores japoneses, o que você mais vai encontrar é posts e textos sobre pesquisas e estudos. A maioria dos artistas e autores brasileiros não parecem entender a importância de estudar e esboçar o mundo em que irão trabalhar. Imagine uma série nos moldes de Card Captor Sakura, que não é necessariamente pesada em ambientes. Mesmo numa série dessa as autoras tiveram que definir a cidade onde aconteceria, esboçaram a escola da menina, definindo exatamente o que teria ou não, tamanho, dimensões; a casa dela foi desenhada de verdade, é a mesma casa em todos os volumes, mesmos móveis, mesmo design, mesma quantidade de quartos; e por aí vai.

A importância disso? Além de uma questão de uso inteligente do ambiente, já prever locais para certos acontecimentos, há toda uma continuidade, a casa não muda todos os capítulos, parece artificial ou vira apenas plano de fundo. Um estudo inteligente do ambiente a ser usado torna a história mais real, os acontecimentos mais lógicos, deixa de ser apenas um fundo de certos quadros e passa quase a figurar como um personagem inanimado. Uma cena de luta numa casa bem pensada  significa movimentos mais fluidos, ao contrário de certos quadrinhos onde no meio da briga o personagem começa a atirar e pegar itens que previamente não estavam ali. Ou o personagem se move e de repente está do lado de fora. Movimento e a sensação cinematográfica é o que significa ser mangá!! Entenda, Tezuka é conhecido por ser o pai do mangá exatamente por essa sacada, simplesmente teletransportar seu personagem de um lugar para o outro te deixa no mesmo nível da Turma da Mônica, não que seja ruim, mas não é mangá.

E não é apenas nesse quesito que há necessidade de estudo, você previamente deve estudar vestimentas, armas, expressões faciais, personagens e qualquer coisa recorrente da sua história. Todos os detalhes, como se movimentarão, como reagirão, temperamentos, personalidade, deve ser tudo pensado. Para fazer todos esses estudos é necessário quilos, não, toneladas de pesquisas.

Essa falta de pesquisa é muito óbvia nos mangás nacionais. Vai fazer uma história com plantas? Tá na hora de pesquisar botânica. Na época vitoriana? Pesquise até a cor do sapato da época. Não que não haja uma liberdade autoral, mas só dizer que aquilo aconteceu em tal lugar e em tal época não funciona. Sem estudos e pesquisas sua história não passará o ar que você almeja, ao invés passará aquele ar infantil e amador. Mesmo que decida criar um mundo e época, você precisa criá-los de fato, definir mapas e áreas. Pegue Game of Thrones, se o autor não tivesse definido as casas e mapas desde o começo a obra não teria a mobilidade e fluidez que tem.

Pesquisa e estudos vão muito além de objetos e localidades, movimentos também são muito importantes. Autores que trabalham com obras de luta, esportes e similares têm coleções absurdas de fotos de atletas e lutadores em milhares de posições, exatamente para passar movimentos verdadeiros, palpáveis, com a emoção do esporte. Slam Dunk não seria o sucesso que foi sem esse detalhe da movimentação fluida dos personagens, da emoção dos jogos.

Além do velho Google, que nem sempre é o bastante, autores devem estar preparados para procurar em bibliotecas, buscar pessoas especializadas naquilo, sair com sua câmera e tirar fotos para todo lado, encontrar pessoas que façam aquilo, como um esporte, e acompanhar treinos, jogos, etc. Infelizmente esse cuidado e trabalho de obra é algo que poucos fazem, ou fazem bem-feito. Um grupo que faz com muito cuidado é o Studio Seasons, isso fica claro em Helena, obra baseada em Machado de Assis, que nos apresenta um mundo palpável, estável e factível para a época. Dizem que o Diabo está nos detalhes, de fato, uma obra bem-feita tem todos os detalhes em harmonia, em Helena os armários e prateleiras dos planos de fundo são autênticos, tem o ar de “casa de vovó”, rs.

Aqui vem minha segunda crítica, a preguiça de estudar e pesquisar acaba criando ambientes e mundos artificiais, irreconhecíveis. Logo não é possível se identificar com aquilo proposto. Isso já é um problema porque os autores insistem em fazer fantasias em mundos inexistentes e totalmente aleatório, sem nenhuma base real ou pelo menos uma base pensada. Só porque o mundo não existe, não significa que não possa ser baseado em algo e logo deva ser estudado. É esse cuidado na criação que criam mundos icônicos e que às vezes fazem mais sucesso que a obra em si. A ideia do mundo Steampunk, por exemplo, você já deve ter ouvido falar, mas que obra deu à luz esse mundo ou pedaços específicos dessa realidade, você sabe?

Fundos baseados em fotos reais da área de Tóquio, clique para ver maior.

Mas voltando ao problema de identificação. Pode ser novidade para você, mas a maioria dos mangás que se passam no Japão acontecem especificamente em certas cidades e ao fundo é possível reconhecer pedaços específicos desses locais. Em Fort of Apocalypse, por exemplo, o autor usa pedaços de Tóquio e suas regiões vizinhas para criar problemas e soluções na movimentação dos personagens. É como criar um mangá acontecendo em São Paulo e usar localidades específicas como o Minhocão e as estações de metrô para navegar a cidade e conseguir soluções.

E por que fazer isso? Porque envolve o leitor. Um ataque zumbi em São Paulo, para um paulista, é uma obra onde ele pode se identificar muito mais e realmente ver os personagens se movimentando. Ele pode acompanhar os personagens utilizando sua própria cidade e localidades para escapar das situações e hordas de zumbi, não simplesmente ficar aguardando a próxima invenção totalmente conveniente que o autor trará para o mapa.

Envolver o leitor com sua própria realidade é uma estratégia batida, porém efetiva. Você encontra em músicas, Luiz Gonzaga, por exemplo, escreveu músicas sobre diversas cidades brasileiras; nos seriados americanos, cada série de detetive se passa em diferentes cidades: Chicago, Nova Iorque, Miami, Washington, etc; o mesmo ocorre nos mangás, em cidades como Tóquio e Quioto. Quem nunca reconheceu uma cidade brasileira num filme estrangeiro e imediatamente se conectou com a obra? Aquele sentimento de familiaridade com o que está sendo mostrado?

Essa identidade cultural e espacial vai além de simples mapas, está na linguagem, nas piadas com nossa língua, costumes e cultura que apenas um mangá brasileiro conseguiria trazer para um brasileiro. E é aqui onde ele tem a vantagem frente aos mangás japoneses ou de sei lá onde; apenas um mangá brasileiro seria capaz de envolver o leitor nesse nível e mergulhá-lo totalmente naquele mundo.

Ironicamente, até hoje, não vi nenhum mangá nacional que se aproveite dessa grande vantagem. Os autores insistem em fazer obras em cidades genéricas, em mundo genéricos, sem nenhuma profundidade ou qualquer detalhe que os torne palpável e factível. Na verdade, é mais fácil até achar mangás brasileiros se passando no Japão, quer dizer, no que ele acha que é o Japão, ou se propondo a por japonês nas páginas sem qualquer razão, apenas pela vibe de “japonês”, cometendo erros óbvios e gravíssimos.

Por quê?! Por que alguém iria se propor a produzir algo num mundo no qual não conhece nada e arriscar produzir uma obra falha e artificial? As melhores histórias saem daquilo que mais temos experiência e afinidade. O autor de Samurai X (Rurouni Kenshin) praticava kendô, o autor de Slam Dunk praticava basquete, o autor de Ajin não sai dos shooters… Quanto maior sua afinidade naquilo que você se propõe, mais preparado estará e mais facilmente trará insights que ninguém mais será capaz. E é esse momento que a sua obra ganha vantagem sobre todas as outras.

Qual a minha birra com os mangás nacionais? Despreparo, desvalorização da pesquisa e estudo, completa artificialidade e falta total de identidade brasileira. Autores que insistem em criar mundos “medievais”, “japoneses” ou lugares totalmente genéricos, sem qualquer originalidade ou memorabilidade.

Se você conhece um mangá brasileiro que faz seu dever de casa direitinho, aproveita e indica aí! 🙂

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53 comentários em “Minha birra com mangás nacionais”

  1. Mangá, mangá mesmo conheço os derivados do RPG de Tormenta (Holy Avenger, Dungeon Crawlers, Dragons Bride, Leds e 20 Deuses), que são em um mundo fictício, mas muito bem ambientados.

    HQ no geral conheço muita coisa nacional como Desengano do Camilo Solano e Monstros do Gustavo Duarte que utilizam desses recursos de ambientação para chamar a atenção do leitor. E por incrível que pareça, tem uma HQ nacional chamada São Paulo dos Mortos!! Que faz exatamente isso que você falou na postagem! Kkkkk

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      1. Danilo “alguma coisa”. cara, chega a dor de quem quer falar de quadrinhos nacionais e não sabe o nome do Danilo Beyruth. Na boa, vc deveria buscar mais fundamentação antes de fazer um post cheio de achismos como esse.

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        1. Olha, você vai me desculpar, mas eu não gravo nome nem de parente, quanto mais de autor. E não vejo como minha incapacidade de lembrar o sobrenome do cara me torna incapaz de escrever sobre quadrinhos.

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          1. Cara, ele é só um dos nomes mais badalados da cena independente. E publicasó um dos graphics novos de maior sucesso de últimos que tá sendo a graphic MSP do astronauta: Magnetar, singularidade e assimetria. Ele não sai da boca das pessoas que fazem quadrinhos ultimamente. E outra, uma googleada não faz mal a ninguém, né.

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        2. Ciro, larga a mão de ser babaca. O cara não está fazendo uma resenha sobre o “baião de dois”, está só fazendo uma menção em uma seção de comentários. E saber nome de autor não te faz melhor q ninguém.

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          1. Não chamei o cara de “alguma coisa”, o alguma coisa é claramente um “não lembro o sobrenome”. Assim como digo mil novecentos e bolinha, o fulano lá, negocinho, trequinho, carinha, coisinha, “what his face”, são palavras que uso na falta do termo e nome correto. Como diabos alguém interpretou um tom de desrespeito quando fiz um comentário de que o trabalho era muito bom os beyond me…

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  2. Excelente texto Roses, como sempre.

    Eu sou um cara que acha que as obras brasileiras mereciam mais destaque, porém não vejo qualidade suficiente para isso em maioria dos autores.

    Comprei os dois volumes do Henshin Mangá e, principalmente no segundo, eu senti que estava lendo um “tributo à Toriyama”. Parecia que todos queriam fazer um mangá igual ao do autor de Dragon Ball, seja com piadas exageradas, ambientação ou mesmo o traço. Claro, sei que muitos tiveram suas inspirações para virarem desenhistas nele, seja por Dragon Ball ou Dr. Slump. Só que eu sinto que faltou personalidade, me faltou sentir o “autor na história”.

    E ai vem outra coisa que me incomoda um pouco nos autores brasileiros que é buscar o sucesso demais. Não que eles não devam, só que a gente consegue diferenciar quando é uma obra bem feita que fez sucesso e quando é uma obra feita exatamente para fazer sucesso. Recentemente eu estava lendo no Facebook uma história chamada “A Vida Cotidiana de um Super Vilão” e a premissa era muito boa, porém o autor foi se perdendo ao querer fazer o que ele via que agradava os leitores ao invés de continuar contando a história dele. E alguns dos que tentam fazer o “padrão Toriyama” é buscando esse sucesso, vejo muitas obras que eu sinto que eles pensaram “Dragon Ball fez sucesso assim, então vou fazer parecido porque o público gosta”. E eu sinceramente canso disso.

    Como o Mugi bem citou, eu amo as obras de Tormenta. E entra aqui o que você bem citou no seu post, é um mundo inventado e fantasioso, mas que faz sentido e a gente percebe a lógica dele. Dá para fazer um mundo medieval com dragões ou espacial com robôs voadores, mas que mesmo assim seja natural para o leitor. E ai entra a pesquisa que você citou.

    Você citou CLAMP, mas na minha cabeça veio o Nihei e os fantásticos cenários de Sidonia e Blame!. Eu compraria fácil um álbum de paisagens do Nihei.

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    1. do “tributo ao toryama” eu acho que um pouco disso é do proprio concurso. ja vi relatos de historias otimas que poderiam até desbancas as vencedoras, mas não tinham “cara de mangá”. ou seja, se alguem tentar chegar com uma boa historia e traços de gantz ou vagabond, vai perder porque a arte parece ocidental demais.

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      1. Tava pensando sobre isso que você falou, STX, e me passou na cabeça que por mais que eles chamem de “concurso” os ganhadores necessariamente devem ser algo que “venda” na opinião da editora. Ou ela arrisca não ver o investimento voltar e possível lucro também. Numa situação assim nãoé incomum que nada “exótico” ou “único” seja selecionado. Ainda mais quando os julgadores são praticamente todos da editora se não me engano.

        No Japão coisas assim também acontecem, lembra do Koe no katachi? Quem avalia e seleciona são autores consagrados, eles escolheram a obra de Koe no Katachi, mas a editora (não lembro qual) se recusou a publicar pois não era um conteúdo “aceitável” para a revista.

        Esse tipo de coisa não acontecerá quando a editora quem julga, mas ainda assim vai acontecer essa coisa de bons mangás “fora do ideal” serem recusados, não é?

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  3. Muito boa a matéria e os comentários complementares do MUGI-CHIN e do HAAG. E o texto pode perfeitamente ser expandido para todos os tipos de “Comics” produzidos no Brasil, pois o que mais tem é esse tipo de problema. Existem quilos e quilos de quadrinhos nacionais sendo publicados, principalmente de modo independente, mas a maioria do que vejo não passa de fanzines bem impressos. Até mesmo obras que saem por editoras tem um nível de qualidade abaixo do medíocre, seja por amadorismo ou preguiça mesmo, tanto em desenhos quanto em história. E é muito difícil achar uma obra nacional que case bem os dois, roteiro e desenhos – e mais ainda que seja uma só pessoa com essas qualidades, como nos casos do Mozart Couto, do Shiko e do Danilo Beyruth, por exemplo.

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  4. Quem leu “Do Inferno” editado pela Devir, viu nos extras o mundo de informações que o Alan Moore estudou para poder escrever o roteiro. Chega a ser algo absurdo o volume de informações que ele pesquisou para escrever o roteiro da obra. Eddie Campbell, que fez a arte, colheu tanto material para pesquisa, que lançaram um livro só com esses extras. Na “Liga Extraordinária”, Alan Moore também se vale de um mundo de pesquisa para roteirizar a obra, ele não é gênio por acaso. Não por acaso são obras primas dos quadrinhos. Seja mangá ou não, qualquer um que queira atuar na área tem que estudar e pesquisar. Scott Mccloud publicou possivelmente o melhor manual de como fazer quadrinhos. O conhecimento tá aí, é algo acessível.

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  5. Exatamente. Eu já li alguns mangás nacionais e você vê amadorismo em vários pontos. Parece que a pessoa estava no ônibus, teve a ideia de uma história, chegou em casa e escreveu, não procurou desenvolver e nem pesquisar sobre o assunto. Se eu não me engano, o autor de Vinland Saga fez até viagens pra Europa pra pesquisar a história dos vikings, visitou museus sobre eles pra conhecer de perto como eles eram, entre diversas outras coisas.

    Isso não acontece aqui no Brasil por uma infinidade de razões… problemas na educação, problemas no mercado, e como resultado temos autores que, em sua grande maioria, parecem não fazer ideia do que estão fazendo.

    Falando especificamente de mangás, acho que os do mundo de Tormenta, como já citados, conseguem se destacar. Nada perto de uma obra-prima, mas têm os seus pontos positivos, ainda que eu torça um pouco o nariz em relação à arte de Khalifor.

    Lembro que eu tinha dado uma olhada rápida em um mangá chamado AYLA, e havia gostado da arte, mas fiquei de ler a história pra ter uma opinião concreta.

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  6. Cara, eu acho muito engraçado esses especialistas de evento de anime, que acham que manjam muito de mangá, fazem comparações esdrúxulas entre quadrinhos aqui e no Japão, ignoram toda produção nacional de quadrinhos independentes hoje por que só leem mangá, são um bando alienados mesmo que merecem pagarem caro pelo produto de nicho que é o mangá aqui.
    Primeira coisa: diferenciar mangá do resto do quadrinho nacional é algo muito, mas muito errado: seja do ponto de vista do que é um quadrinho, seja do ponto de vista das indústrias de quadrinhos em diferentes mercados. Mangá cara, nada mais é do que uma indústria. É uma forma de produzir quadrinho: o produto em si, é o mesmo, mas a forma como ele é vendido e circula no Japão só existe no Japão. Não tem outro lugar do mundo que consuma quadrinhos como no Japão. Da mesma forma, os europeus, a varias pelo país, também consomem quadrinhos de forma distinta, mais é um dos mercados que é mais próximo em termos de formato do Mercado Brasileiro hoje, diferenciando em estatura (o Brasileiro é muito menor). Por sua vez o Americano opera por outra lógica, principalmente pela lógica de comic shop. Em todos esses lugares quadrinhos japoneses são comercializados, mas de forma completamente distinta do Japão. O mangá é vendido como se vende qualquer outro quadrinho daquele país, geralmente para um nicho específico.
    Segunda coisa: as “virtudes do mangá que você desenha, são existentes em qualquer quadrinho de qualidade. Dá uma olhada nas aventuras de Tin Tin, dá uma olhada nos quadrinhos do Will Eisner, John Buscema, Os Fumetti italianos. Todos têm localização, uso de ferramenteiras “cinematográficas”, ambientação. E digo, mas, muitos quadrinhos brasileiros têm essa mesma preocupação. Mesmo os que trabalham com mundo fantasioso criam ambientes reconhecíveis e recorrentes. Claro que depende do quadrinho: se o quadrinho for num estilo aventura, meio “Road movie”, essas qualidades que você falou em relação a cenário são dispensáveis. Por outro lado, você citou clamp para falar de cenário. Logo clamp. Por favor, não força a barra, as histórias de clamp acontecem em um fantástico mundo dos cenários ausentes, inclusive influenciando artista nacional de forma negativa. Tanta referência boa em relação a isso no Japão e você recorrer logo a Sakura, mostra o tamanho do universo que você está partilhando em mangá e quadrinhos no geral. Um universo das mesmas coisas, da zona de conforto, do não aceitar algo diferente do que você está habituado (a). Outro exemplo esdrúxulo. Studio Season. Por favor, Studios Seasons é um atestado de falta de autenticidade, pegar isso como exemplo pra quadrinistas nacionais é muito obtuso. Zucker deles é uma péssima imitação de clamp. Acho até que a desenhista desenhar melhor do que clamp, mas a narrativa é doer, a história é chata auto referenciada. Existem quadrinhistas no cenário nacional, hoje, muito superiores a isso. Você saberia se não ficasse restrita ao “mangá” brasileiro. Se entendem-se que mangá e quadrinho é uma coisa só, como cinema brasileiro, americano, europeu japonês é o mesmo, só muda a cultura e as industrias respectivas.

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    1. Cara, eu acho muito engraçado como sua primeira reação é ofender. Nunca me disse especialista e deixei muito claro que é minha opinião. Talvez você devesse aprender um pouco de humildade e capacidade de discordar de opiniões e ideias sem ofender os outros.

      Não comentei em nenhum lugar sobre mercado, sobre forma de venda e publicação, as ideias e opiniões deste texto falam exclusivamente do processo de criação das ideias e desenvolvimento dos mesmos, das pessoas que se dizem criadores de mangás brasileiros e não de quadrinhos nacionais em geral. Afinal este é um blog de mangá, logo me foquei em mangás, com exemplos de séries que estão saindo agora ou sucessos brasileiros, e Sakura é um deles, não vou fazer um texto cheio de obra “cult” que nada representam para o público comum.

      Mais obviamente, como nunca me disse especialista, também não afirmo já ter lido todos os mangás brasileiros existentes, mas já li vários e todos que falham em pesquisa e estudos. A ideia de um artista achar essa crítica absurda, honestamente, me surpreende.

      No mais, o fato de eu ler só isso ou não pouco interessa ou é importante para a premissa do artigo. Quem assumiu que só vejo anime e compro mangá foi você, baseado apenas no seu preconceito pessoal. No caso, todos os 3 que escrevem aqui são colecionadores de quadrinhos em geral, mas, como disse o Kyon uma vez, acabamos escrevendo sobre mangás pois é a área que mais deixa a desejar em questão de notícias.

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      1. Bem, vc não é especialista, mas o blog se chama de biblioteca brasileira de mangás. Pelo menos induz que vcs se julgam aptos a falar respeito. Se lhe ofendi desculpe, mas a verdade que eu acho essa coisa de se prender só ao mangá uma limitação boba, como se o simples fato de ter um estilização similar a dos japoneses fizesse da publicação um mangá, o que não é verdade. Mangá pra mim é um termo de mercado e só faz sentido nele. o que a gente consome aqui, inclusive é uma rebarba. O mangá é mesmo é japonês. Lá tem pesquisa junto ao consumidor, lá o editor conduz a história. Lá se lança primeiro no periodico barato pra depois lançar as compilações. É isso que distingue o quadrinho japonês dos outros. Olho grandão, arte final em preto e branco com retícula, isso é superficial. A narrativa do mangá, pra quem conhece quadrinho além do mangá, sabe que na maior parte é igual, são as mesmas técnicas. Talvez uma grande diferença seja só na estrutura da história, estruturada em 4 atos, e não 3 como é comum na ocidental (mas aqui também tem exceções). Outra grande diferença é cultural, o mangá retrata a cultura japonesa. No final das contas todos nos boiamos em muitas daquelas piadas, das suas origens, como quem chega em um outro estado brasileiro vai boiar em relação a brincadeiras e girias de lá.
        Os mangá que realmente fizeram sucesso aqui no Brasil e no ocidente foram os mangá que de alguma forma assimilaram bem a cultura ocidental: seja na estética, nos referenciais, nos temas:
        cavaleiros do zodíacos, dragon ball (assimilou muito do kung fu, coisa que já fazia sucesso do ocidente desde a década de 60), nausica (ciberpunk (tema), Duna(referência), Moebius(estética), Akira, Evangelion, todos esses de alguma forma brandiram uma forte influencia ocidental, e de certa forma isso garantiu a grande fanbase que eles criaram por aqui.
        Hoje o mangá (o produto japonês) que chega aqui é uma coisa de nicho: a maioria vai torcer o nariz, não vai entender as referências (acabando pro tornar as obras coisa de iniciados) esteticamente pouco atrativas.
        Como isso reflete nos autores hoje: a maioria tá saindo da influencia do mangá, pq se vc for disputar com nicho que gosta disso, é obvio que você não vai ganhar espaço algum. chuto que mais da metade dos autores de mangás idependentes do brasil começaram emulando mangakas, porém viram que isso não lhe dá espaço algum no mercado e migraram de estilo. Eu dúvido que todo mundo aqui não conheça algum amigo que tenha feito isso. E a bola da vez da galera novinha é o Indie. Então otakada, vocês tão velhos bicho, não tão se renovando. A geração nova consome mangá, mas consome webcomic,gosta de my little ponei, hora da aventura e por aí vai. Então caras, eu acho que vcs se atualizar e não fazer que nem a galera dos comics.

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        1. Vou discordar de você, ninguém espera que bibliotecas e bibliotecários sejam especialistas naquilo que tem em sua coletânea. O nome vem do esforço de se catalogar todas as obras desse naipe publicados no Brasil, como se fosse uma biblioteca.

          Honestamente, eu concordo que autores não deviam se limitar, há muitos mangás japoneses que não são feitos por japoneses, muitos mangás que não acontecem no Japão, vários com cara de comic, ou de tirinha americana ou clássico europeu. Em momento algum foi minha intenção dizer que deveriam se limitar.

          O ponto, entretanto, é que há artistas e autores que querem especificamente emular mangás e dizem o estar fazendo e dizem tratar-se de mangá. E minha crítica é exatamente isso “estilização similar a dos japoneses não faz da publicação um mangá”. Se você se propõe a fazer um mangá, há muita coisa para aprender sobre as ferramentas usadas naquele mercado.
          Mas discordo que mangá é apenas aquilo lá, há vários artistas ultimamente que têm participado de concursos internacionais que não perdem em nada para grandes autores japoneses.
          E só por curiosidade o que você descreveu é a forma Jump de fazer, várias revistas trabalham de forma diferente. Mais e mais há mangás e light novels que não são serializadas. Meu amado e falecido Jiro Taniguchi não serializou várias de suas obras. Não é isso que define o que é um mangá, ou uma parcela significativa de obras de lá não são.
          Eu, por exemplo, não consumo Shoujo, não consumo Shounen, não consumo esses mangás de olhão grande, etc. Os mangás que eu consumo parecem Quadrinhos europeus ou os clássicos e graphic novel americanos, mas mesmo assim, há um quê diferente na estrutura narrativa e artística típica da escola japonesa. Uma delas é a on’yu, os efeitos sonoros, palavras que representam sons figurativos, como o som do silêncio. Isso é algo que não vem do japonês, foi algo criado pelos artistas daquela escola e que não existe em nenhuma outra. Se você tiver saco e algum conhecimento básico de japonês, existem milhares de trabalhos e estudos japoneses sobre a escola de mangá é até faculdades de grandes autores que trabalham isso. Não é só um mercado, não é só o japonês. Assim como na arte você terá várias escolas de épocas diferentes que exploram diferentes visões do mundo.
          A minha impressão é que você confunde mangá com mangá comercial Jump, é muito mais que isso. 🙂

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          1. Olha, eu não confundo mangá como o mangá comercial. O mangá é um produto, e pode ser comercializado. É um quadrinho, que usa narrativa gráfica, como qualquer quadrinho. As diferenças tão mais em termos de estrutura da história, mas o ferramenta que a história se move, é mesma. Tem que ter pelo menos dois quadros pra se ter um quadrinho, mangá ou não. O mangá pode ter certas enfases que não são comuns em todas escolas de quadrinho, porém no final dá mesmo. Painelização, narrativa “cinematográfica”, tudo isso você vai ver em qualquer bom quadrinho.
            Industria, como falei, a a forma, com se produz um produto. E isso é que marca a produção japonesa de forma distinta. Não é só Jump, todos os outros seguem princípios comuns na forma como esse produto é apresentado ao consumidor. E é exatamente isso que faz você e tantos outros gostarem desse produto.
            Quando nós, desenhistas e quadrinhista, percebemos isso, percebemos também que não dá pra ser “mangaká” onde não tem industria de mangá. É muito simples. Você não vai ver nos próximos anos, grandes sagas desenhadas por brasileiros, com continuidade, publicação semanal ou mensal. Tem que ter industria pra isso. Eu preciso remunerar esse profissional pra ele fazer só isso. É por isso que, aqui no Brasil, temos otimos artistas trabalhando aqui, nos EUA, na Europa. Mas aqui, é album fechado, acabou. Se vcs quiserem outra coisa, criem a editora de vocês e apostem nos artista e num bom trabalho editorial. E se querem uma dica de uma editora pra acompanhar, fortalecer, dar sugestões: acompanhem o material da Draco. Sinceramente, Henshin e Panini são umas grandes covardes, não saem da mesmice. Seria legal fortalecer na cena, ainda mais uma biblioteca BRASILEIRA de mangás, quem realmente aposta no quadrinho nacional, pouco importa se for pra criticar ou pra elegiar, ao menos se deêm ao trabalho de conhecer outras iniciativas.

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          2. Cara, mangá pode ser um produto, mas também pode ser arte, assim como qualquer quadro, qualquer quadrinho, qualquer livro. Acho uma visão muito pobre reduzir toda a escola deles baseada em uma forma de produção mais comercial.
            Você pode nunca ter a indústria de mangás no Brasil do Japão. Mas isso não te impede de fazer mangás, pois não é isso que significa ser mangá.
            Por esse lógica, seria impossível emular qualquer arte, receita, produto de outros lugares por não se ter o exato mesmo mercado. Não estou dizendo que não haverá diferenças, a pizza brasileira é diferente da pizza italiana, mas existe algo em comum que a torna pizza. Afinal a definição de pizza não é produto de massa aberta com cobertura de recheio que é feito na Itália. Da mesma forma, mangá não é definido como produto daquela indústria japonesa.
            Obviamente que mangá é quadrinho, mas é um gênero/estilo/escola com características típicas criadas, dentre muitas causas, pela forma de produção dali. Isso não significa que só possa ser produzido lá e dessa forma. O motivo de um mangá no Brasil só vir com volumes únicos e a mesma do motivo de qualquer quadrinho brasileiro raramente ter mais de um volume. O problema não são os estilos, mas a população que lê pouco, que aumenta o valor dos livros, que por sua vez limita ainda mais o acesso já que a maioria da população não tem renda que suporte entretenimento.

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          3. Cara, eu não gosto da discussão do que é arte, pq isso é complicado. Mas independente do “valor artístico” que alguma obra tenha, no caso de quadrinho, ela só é veiculado como produto. Não tem alternativa. E produto não é sinônimo de comercio. é como vc entrega algo que você fabricou, é o final de um processo. Não estou reduzindo as escolas ao mercado que estão inseridas, tou falando é que a industria é a marca mais característica do mangá em relação aos quadrinhos no mundo. Isso não torna o manga algo de menor valor, e na verdade, é uma qualidade que o japão tem em relação a cultura do quadrinho. As tiragem mundiais de quadrinhos em cada nação são fichinha perto das tiragem japonesas. Mas para mim, tirando isso, mangá é sim, qualquer outro quadrinho.
            Gênero: para ser gênero, ele teria que está encerrado em alguma temática, e não tá (é mais fácil o comics ser um gênero, e ele também não é).
            Estilo: Falar mangá como estilo pra mim é reduzir o mangá como aquela idéia do olhão, petro branco com retícula, o que nós dos concordamos que não define o mangá. Estilo de narrativa pra mim também não colaria pq eu adianto que o mangá segue as mesmas premissas do quadrinho com as particularidades da forma como eles estruturam qualquer redação, dissertação: o tal do Yonkoma: a história em quatro atos. Ver mais que isso de diferente na narrativa do mangá pra mim é forçada de barra.
            Escola: pra mim a “escola” do mangá tá nintidamente ligada com sua industria: o editor é um cara que tá na equação do como se faz mangá. O mangá trabalha com personagens autorais, diferente das grandes editoras americanas, só que: o editor no mangá ele dirige a história de forma explícita, aberta. Não é só o autor na sua torre marfim captando os anseios do público. Rola muito one-shot antes de uma franquia decolar. Testam muito o público pra chegar aonde querem. Não tem como você ver o mangá deslocado dessa realidade. Isso não tem nada de “mal’, “capitalista”.É uma forma de fazer, e toda forma de fazer inclui a forma de ganhar dinheiro com ela, isso não é imoral, não artístico. Artista é um profissional, não um filantropo.

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  7. No primeiro Henshin Mangá e me diverti entre erros e acertos e “Entre Monstros e Deuses” realmente me cativou, tanto que comprei o outro trabalho dos autores, mas o segundo caramba só gostei da vencedora e sendo bem generoso, porque do resto, que tristeza.

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  8. Roses, a sua matéria me fez lembrar mesmo de alguns exemplos quanto a isso, em algumas HQ e mangás. HQ, eu posso muito bem citar W.I.T.C.H, em que fizeram um planejamento de como seria o quarto de cada uma das bruxinhas. Planejamento da casa, eu realmente não vi nada relacionado, até porque eu peguei poucas publicações, mas os que eu peguei, tinham o planejamento de cada uma delas e eu achei aquilo muito interessante. Eu ficava vários minutos olhando e analisando aquilo. A mesma coisa com mangás, como Love Hina. Volta e meia, nos volumes da série, você encontrava estudos de cenários da pensão, dos quartoa das garotas, do gerente… E numa revista especializada na época, numa edição especial, foi feita uma enorme matéria citando os lugares que foram usados como referências para a história. No mangá é citado alguns, pelos rodapés que a JBC faz nos mangás que ela publica. Eu lembro que eu fiquei fascinado com aquilo! Eu nem sabia queda para fazer este tipo de coisa, naquela época. Eu achei assim… Simplesmente sensacional! É como você fazer uma viagem sem sair do lugar! é maravilhoso, sério… Rourouni Kenshin, eu acredito que é outro mangá que teve muita pesquisa para poder ambientá-lo. Estes dias, eu estava andando pela rua e olhando a paisagem/o lugar à minha volta, eu pensei em fazer isso: ao invés de ambientar a minha história em um lugar fictício, eu estava pensando em fazê-la ambientada em um lugar real. Falando nisso, Roses,.. Há regras para este tipo de coisa? Inserir ambientes nas histórias? Tem ser algum ponto turístico, lugares famosos… Lugares assim, mais conhecidos ou qualquer lugar serve, dependendo da história? Se você puder me responder, eu agradeço: obrigado.
    (Xi, mais acima, eu respondi a uma pessoa, quando não era para ter feito isso, já que o meu comentário é independente e não tem nada a ver com o dele. Por favor, apague o comentário anterior e só deixe este aqui. Obrigado. ^.^’)

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    1. Regras? Claro que não, rs. Você pode basear onde quiser, usar como quiser, pode ser a casa do vizinho, rsrs. O que há é proteção de direitos autorais de certos designs arquitetônicos ou fotos, mas isso se você copiar na cara dura linha por linha. 🙂

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        1. Viu, lembre-se sempre que existe a liberdade autoral, você não precisa pedir permissão a uma cidade para escrever uma história baseada nela. Isso é mais complicado em relação a pessoas, mas basta ser apenas baseado. Fora isso, sinta-se livre para ser inspirado por tudo e todos ao seu redor. Deve existir pessoas que tenham escrito artigos sobre isso, dá uma procurada! Ah, outra coisa protegida é o direito autoral do outro, né? Não pode fazer um livro sobre Harry Potter e vender, maaaas pode fazer um e não vender, que seriam as fanzines, fanfics e coisas assim, você não pode ganhar dinheiro com aquilo. 🙂

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  9. Mas é isso mesmo que ocorre. Existe nos artistas uma quase sistemática falta de estudo das coisas. Todo mundo quer fazer, mas não querem estudar.
    Uma artista lá do interior de SP, uma época atrás de propôs fazer uma academia de ilustração e desenho online, de grátis, sem cobrar nada. Cadê que o pessoal se interessou?
    Assim fica difícil ajudar.
    Criação de personagens, fichas, ambientação, construção de mundos… tudo isso poderia ser treinado de forma fácil se os autores jogassem e narrassem RPG, mas… Quem joga RPG hoje em dia? E desses que jogam hoje em dia, quantos são artistas com projetos de quadrinhos?
    Assim fica difícil. [2]
    E você comentou problemas de estudo e pesquisa, mas e aquele outro problema ainda relativamente comum da história que tem periodicidade arrastada demais (1 revista a cada 2 anos, por exemplo) e que em muitos casos, acaba abandonada?

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    1. Cara, tem desenhistas, principalmente os mais novos, que não tem noção do nível que tão de traço e muitos também não fazem idéia de como funciona uma narrativa de quadrinhos, e fazem tudo na tora. Mas vc olhando o todo do mercado, o nível dos desenhistas mudou muito: vai no fiq, faz um conta no social comics e olha coisas além de mangá pra você ver. Cara, tem gente muito fera hoje, fazendo projetos próprios, na graphic MSP, webcomics. Não dá pra tirar só pela galera que reinvidica o mangá. E mais, o mangá é algo que não é bem quisto por todos os públicos. Para um desenhista mais experiente, pode não ser uma boa forma de se posicionar no mercado trilhar esse estilo, por isso muita gente migra para outros estilo, para ter espaço no mercado.

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      1. Mas então Ciro, o problema é que tenho achado por aí artista mais velho que tem esse problema também. Concordo que no geral o nível técnico do povo aumentou de uns anos pra cá, mas também pudera, tem um punhado de revistas explicando como desenhar, tem escola de desenho em muitos lugares (em Osasco, perto de onde moro tem uma.) quer dizer, tem como aprender, mas tu vai desovar essa produção onde?
        Em eventos, a maioria.
        E não se engane, até no FIQ tem uma galerinha lá com esses problemas de produção, continuidade, artes e roteiros ruins…
        Produção de HQs (mangás e comics incluídos) no Brasil é cheia de vícios. Os artistas, independente da idade, costumam ser cheios de coisinhas. E isso não ajuda.
        Veja isso: http://estudiotanuki.com.br/publicacoes/dragon-eye/
        Esses caras são de SC, tem escola de desenho, fazem evento anual por lá…
        Mas na hora de ver o ritmo de produção deles é um caos. Essa revista do link saiu em 2015. Cadê a continuação? Não tem.
        Aliás, esse formato de publicação de revista seriada com 20+ páginas deveria ser abandonado sistematicamente, isso não funciona. Pelo menos é o que eu acho.
        E isso que tu comentou que o mangá não é exatamente bem-visto pelos outros eu ouvi comentários de amigos artistas sobre isso. Eu acho que pra quadrinhos feitos no Brasil, o estilo mangá seria melhor.

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        1. O meu ponto é o seguinte: não adianta reclamar dos artistas e bla bla bla que seguem sim melhorando o nível tanto de arte quanto de narrativa, e não ter a noção, pelo menos, de o mercado não absorve esse profissional. A galera quer um nível profissional onde tal profissão não é oferecida. Considerando esse fator, acho que temos os artistas brasileiros no geral acima da média. O mesmo eu não posso falar das iniciativas editoriais. Todas tão jogando na retranca com exceção que conheço é Draco, que tm publicado muita coisa, e Graphic MSP, que tem trazido os albuns coletâneas de grandes quadrinhistas nacionais. As demais, você vai ver, a maioria só publica o que já é sucesso de publico. O autor faz um cartase, faz um o webcomic, e só depois a editora abraça. E sem remuneração, é só por renda das vendas, que é uma minharia ainda. Aqueles meses que o cara tá fazendo HQ, ele podia tá fazendo freela em publicidade, se capacitando pra áreas mais rentáveis,como é o caso da área de games. Enfim, tem artistas excelentes que não se especializam em hq por conta disso. Então, falta, iniciativas editoriais que correspondam ao que o público tá procurando. Sei que o mercado do editorial tem um risco enorme, mas o que eu acho é que muitas pequenas vem se arriscando muito mais que uma panini, por exemplo, que tem muito mais possibilidade de vender um material assim, pelo menos de forma experimental.

          Não vejo por que o estilo mangá (aqui tou falando só da estética) seria o melhor estilo no Brasil. Mangá vende bem, mas para um nicho. Um autor que desenho com essa estética ele tá se colocando pra disputar o dinheiro de gente vai comprar os títulos japoneses. É desigual, é improdutivo até, pq ele poderia muito bem agregar certos elementos para disputar tanto essa base de mangá quanto outros públicos.

          Eu sinto falta, principalmente dessa galera da imprensa especializada pff com diz a Mara, ela inclusa, de que cobrem uma postura mais inclusiva das editoras a respeito do material nacional, por um lado, e por outro, também conhecer hqs de autores nacionais aparentemente não tão dentro da cestinha do mangá, mas que agregam várias influências de mangá sem se encerrar nelas. O tropic toxic, do Hanuka, que ganhou prêmio de melhor mangá estrangeiro pelo ministério da cultura do japão provavelmente ia passar batido aqui “por ser não ser mangá”.
          Se você vê o quadrinho da Júlia Bax você vai ver que um é mangá tanto quanto o tropical toxic (ou até mais, no estilo artístico):

          tropical toxic, do Asaf Hanuka:

          Nina & Tomas

          https://tapas.io/episode/637284

          E the fool véi, dá continuidade ao seu blog lá cara que é muito bom, você de longe é um dos caras que vejo mais agregar conhecimento a respeito do mangá aqui no Brasil, se precisar de uma contribuição no blog eu me disponibilizo cara.

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          1. Por partes Ciro…
            @ Sobre o esforço dos artistas em terem artes boas, concordo. Tem gente que sem curso em escola tira água de pedra. Só que cara, desenho não funciona sozinho. Tem exemplos bons de antigamente de artes boas e história besta, como o Ethora. Tanto é que hoje em dia ninguém mais lembra da obra.
            @ Sobre estilo mangá, eu estava me referindo que o mangá como estilo permite mais liberdade que o traço acadêmico. E isso é bom pros artistas. Quer dizer, eles podem aprender o traço acadêmico pra formação, mas quando tu converte esse estilo em mangá tu pode fazer algo com tua cara.
            @Sobre a imprensa especializada em geral: Eu também acho que tinham que ter mais resenhas de material nacional pelos sites. Pelo que vi, no geral o povo prefere resenhar anime do que mangás. Poucos sites se dedicam a resenhas de HQs e menos ainda de mangás. E dentro desse meio menos ainda a mangás nacionais. Isso é péssimo. Como podemos querer um barulho em torno de um ou mais títulos se ninguém fala deles na prática?
            Olha aqui: http://www.universohq.com/category/reviews/ O Universo HQ tem várias resenhas de HQs, é pedir demais que outros sites tenham isso também? Eu acho que não.
            Por sinal, aqui na BBM tu acha resenhas de mangá e mangás nacionais também. Queria que sites maiores como o Chuva de Nanquim fizessem o mesmo, mas isso tem que partir deles, né?
            Sobre o blog, eu vivo prometendo escrever nele, mas não rola nada… vou ver se rabisco algum artigo.

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          2. Por é bixo, eu tava uma olhada no seu blog, e você tinha postado um quadrinho chamado endhers. É um problema diferente doo Ethora, é caso do traço que também é legal, mas a história parece escrita pelo zack synder, cheio de subtramas, se desenvolver nenhuma.
            Roteiro é realmente é algo mais fraco em artistas nacionais, especialmente os que fazem incursão pelo mangá. Porém, pra mim, esse o aspecto que mais depende de um bom trabalho editorial. Eu tou fazendo uma hq pra uma coletânea percebo como é dificil a gente avaliar sozinho um roteiro, fazer todo um layout de páginas e ver que não ficou bom. Com alguém experiente do lado pra nortear, cortas as arestas, com certeza o material iria ficar melhor. As editoras não querem fazer isso, quando publicam material nacional, simplesmente pegam algo já pronto e colocam em circulação, com raras exceções.
            Quanto a coisa do estilo, a parada não é só isso de mangá vs acadêmico. O quadrinho Americano e europeu tem na maioria desenhistas com traços de estilizados. Com é estilo e o qual próximo é de proporções “clássicas” vária muito, e a variedade que a gente tá vendo no mangá nos últimos anos é mínima. tem um site que é tipo um deviant art japonês, não tou me recordando o nome, e é um bocado de muleque desenhando tudo igual, chega a ser triste.
            E essa coisa da imprensa, é um baita de um vacilo deles, pq sério, é tanta besteira que é noticiada estilo “minha novela”, fazer uma resenha de um material que a galera não conhece com certeza iria agregar na produção de conteúdo deles. Mas o pessoal é um vício de pescar conteúdo da gringa.

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  10. Você pediu uns mangás bons, então deixa eu aproveitar!
    – Spectrus – Paralisa do Sono, da Editora Crás.
    – Quack! Volumes 1,2 e 3, Editora Draco.
    – Mitsar, publicação independente. É do Seasons também.
    – O Príncipe do Best-seller, volumes 1,2,3,4, 5 e 6 da HQM Editora. As artes são boas e é legal.
    – Sigma pi, publicação independente, da Yumi Moony. É um mangá shoujo de uma guria lá que vai prum clube de química de uma escola e tem os rapazes e tal.
    – The Witch who loved, publicação independente, da Ju Loyola. É uma historinha sem falas onde um guri se perde numa floresta e acha uma moça que ajuda ele. Ou pelo menos parece isso. Alias, a Ju Loyola é boa fazendo histórias assim, sem falas.
    – Aventura das Estrelas, independente, também da Ju Loyola. São 3 histórias, cada um com um personagem de fantasia. Uma bruxa, uma menina-estrela (sério, ela caiu do céu!) e um ciclope.
    – Tokyoaki nº 0, simplesmente o melhor fanzine de mangá que eu já vi. Pena que só durou um número. Artes boas em todas as histórias, só uma história da edição tinha continuação, todas eram fechadas ou auto-contidas.
    – Cerulean, da Catharina Balthar. Uma sereia vem parar em terra firme. Muito fofo tudo! E as histórias curtas do fim da edição deixaram ela melhor ainda.
    – Vidas imperfeitas, volumes 1, 2 e 3. Da HQM Editora. A Mary Cagnin fez esse a muito tempo atrás. Mas continua uma boa história.
    – Black Silence, também da Mary. É ficção científica no espaço. Não achei os traços tão bons assim, mas a história sustenta bem a coisa.
    Todos os gibis citados tem no Guia dos Quadrinhos. Até breve!

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      1. É que o Quack da Henshin Mangá padeceu de falta de espaço pra desenvolver a trama.
        As edições posteriores pela Draco sanaram esse problema.
        Aliás, o Kaji Pato tá produzindo páginas novas da história de um jeito que eu pelo menos não vi outros artistas fazendo. Em 1 ano e 1 mês de publicação, ele chegou a quase 300 páginas de quadrinhos.
        Ninguém chega nessa média, é sempre algo perto das 100 páginas. Mais raramente 200.
        Se tu não curtiu a história tá ok, eu também leio muita coisa e não é tudo que eu curto.

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        1. Cara, Eu li o Quack esse fim de semana, numa lapada só. Eu digo que é muito bom, acho que só um clichizinho no personagem principal que ele deveria largar de mão e uma piadas homofóbicas totalmente dispensáveis pro humor que ele desenvolve bem nas tramas. As maiores virtudes que vejo da Quack pra mim em relação aos erros comuns de quadrinhos nacionais são:
          1 – não enche o roteiro de subtramas
          2 – os capítulos, apesar de seriados, tem um “fechamento” de uma idéia, o que dá um ritmo bom pra história
          3 – não usa clichês visuais de mangás (aquelas carinhas com olhão, transformar o personagem em SD, efeitos de cenário) o que contribui pra uma narrativa fluída.
          4 – não tem virtuosismo: aquela prática de muitos artistas de colocar desenhos bonitos, closes inadequados, colocando o visual em detrimento da narrativa.

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    1. Estou lendo, tem onomatopeia em japonês, haha. Não entendo o tesão de enfiar japonês pra todo lado, mas vou relevar como liberdade autoral. XD

      Eu notei sim algumas coisa que eu “achei ruim”. Exemplo: você usa as fontes toda em maiúsculo em um balão, depois todo em minúsculo no outro balão, mas o formato dos balões continua o mesmo, se aquilo é indicativo de algo, não tá dando para sentir a mudança de tom; se não é indicativo de porcaria nenhuma, esse samba do criolo doido mata meus olhos. Fora o fato de todas as fontes estarem em modo italic 😱!!! Why you doing this to me?! 😵 E o mais engraçado é que mesmo imitando tanto o japonês, aparentemente não tentou imitar a mania de usar um milhão de fontes diferentes? Hehe

      Tem uns errinhos bobos de ortografia, tipo porque e não por que; uma vírgula faltando antes de um aposto; um quilo de hífen voando… coisas assim.

      Agora, o que mais está me incomodando de verdade é a… como posso chamar isso… digamos a “enquadração do texto nos balões”. A minha impressão, corrija-me se eu estiver enganada, é que você não faz o balão APÓS o texto estar devidamente posicionado, o que causa quebras de linhas irregulares e “feias” visualmente. Oooouu… você não dá atenção ao formato do texto e deixa irregular mesmo.
      Exemplo, você separou assim:
      Então,
      Porque
      Não
      Falou a
      Verdade
      Para ela?
      Quando todos meus instintos de anos e anos e anos de scanlation me dizem para colocar assim:
      Então,
      Por que
      Não falou
      A verdade
      Para ela?
      Se você comparar a forma dos dois vai notar que o seu parece uma montanha russa, com palavras e linhas órfãs, com artigos longe de seus substantivos e advérbios longe de seus verbos.
      Idealmente você deveria tentar escrever o texto de forma a manter a coesão entre elementos que interferem entre si, isso facilita a leitura, diminui a chance do leitor ler errado ao pular uma linha sem querer, diminui as chances de interpretações erradas.

      Enfim… acho que é isso. Fora isso, achei bem bonitinho o seu traço, uso e conhecimento acurado de fundos, caricaturas e toda aquela parafernália de fundos e texturas. 👍🏼

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      1. Poxa, valeu mesmo hehehe. Concordo com praticamente tudo, aos poucos a gente vai evoluindo. No mais, em relação aos balões, eles são feitos antes são feitos junto com os desenhos e não posteriormente. Sobre ono em japonês, foi mais um feito de liberdade hehehe fiz sabendo das possíveis críticas, penso que é uma opção e não uma necessidade para legitimar um mangá, digamos que foi uma escolha estética/”política.
        Em relação as letras, se não está tudo em maiúsculo, foi algum deslise, é que devera ser corrigido, depois vou revisar, seria demais pedir para você apontar todos os erros, o mesmo vale para ortografia. De tanto ler de tanto revisar as vezes passam, não é desculpa, mas os grandes tem revisores e passam, eu que sou um reles mortal…
        No mais tudo anotado, considerado e tentando sempre melhorar! Novamente muito obrigado pela crítica! Fiquei bastante surpreso com a rapidez e a consideraçãokkkkkk sou fã de vocês aqui!

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        1. A minha impressão é que você emulou a tal ponto que pareceu até… satírico? Não sei se é a intenção.
          Sobre o maiúsculo, você já usa uma fonte que está sempre em letra de forma, deixar em maiúsculo fica com aqueles “I” com serif e outras letras mais espaçadas sem motivação alguma. É pior de ler, fontes são pensadas e designed para serem usadas em minúsculos, há toda uma estratégia de leitura, tacar o maiúsculo simplesmente mata isso. Tá que é algo pequeno e que a maioria pode não perceber, mas é mais cansativo e complicado de ler por causa da quantidade de serifs e detalhes da letra maiúscula que são feitos para dar uma destacada no caractere. Ler em maiúsculo é mais cansativo, ponto.
          Não tive a intenção de denegrir o trabalho, é hobby, se espera um mínimo de revisão, mas fora isso não é algo que desvalide, é o típico de coisa que você investe em revisor num futuro.
          No mais, estou num tédio medonho e tenho um TOC horrível, não me incomoda fazer uma lista de erros se quiser, não prometo pegar tudo, hehe.
          Na verdade eu quase peguei uma página sua e reeditei com as fontes e “formas dos textos” corrigidos para você comparar e ver se conseguia sentir a mudança. Mas me segurei… Eu 1 x 0 TOC
          Última coisa, a história do balão ser feito antes, não sei como é o seu processo de criação. Mas se você já sabe o que vai escrever dentro (e desenha à mão primeiro) tem um autor japonês que imprime as falas e usa elas para moldar os balões, depois digitaliza e realmente insere o texto. Talvez ajuda-de a evitar esses balões que não parecem comportar o texto atribuído?

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          1. Não tem a intenção de ser satírico, é mais uma questão estética e de experiência de leitura, mas essas são questões que geram grandes discussões e por hora vamos deixar assim heheheh, vamos considerar um pouco de liberdade artística rs. Sobre a fonte maiúscula, quando respondi estava ainda sonolento hehehe mas a fonte escolhida não tem variação entre maiúsculo e minúsculo. O itálico foi escolha pessoal baseado em leituras. Sobre a disposição do texto em balões foi por pratica e observacao. Sei que a ideia não era denegrir, tranx! Bom, sobre revisão…Concordo, mas com o prazo semanal sempre nas costas, mesmo com todo cuidado passa, se as editoras tem pessoas só para isso e passam coisas bem absurdas, vou me permitir alguns deslizes e conforme for verificando ou forem me avisando, como já ocorreu, vou editando e retificando. O processo é simples, os balões estão desenhados, depois incluo os textos. Mas o mais importante é que você leu o mangá inteiro hehehe e acho que tenha notado que alguns erros foram sendo retificados conforme os episódios avançavam e as coisas iam evoluindo. Ao menos você deixou transparecer que foi uma leitura agradável e isso é muito importante para mim! Se puder continue acompanhando, garanto que não vai se decepcionar, talvez só a fonte escolhida continue incomodando hehehe e obrigado pelo tempo dispensado!

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          2. Só uma correção, essa fonte tem maiúsculo e minúsculo sim. Só porque ela é uma letra de fôrma não significa que não tenha. O fato de eu reconhecer se está tudo em maiúsculo ou não, prova que existe maiúsculo e minúsculo. Você pode não notar, já eu noto, tipografia é meu hobby/guilty pleasure. Faça o teste você mesmo, você verá que as letras e espaçamentos alteram, continuam de fôrma, mas possuem diferenças.

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      1. Eu acho que ela valoriza demais a pesquisa no texto. A rigor, um desenhista sempre pesquisa, pq a gente não sabe desenhar tudo. A questão é que o fato de ter pesquisa não torna a história boa: Zucker é bom exemplo disso. É lindo, é bem pesquisado, é chato pra caramba. Não acontece nada, tem antagonistazinho forçado, uma trama sobre confeitaria desinteressante (e o problema não é o tema, pq hoje a gente vê o sucesso desses realitys de comida). O problema é que pensaram o visual sem desenvolver bem o roteiro.
        Roteiro é base para qualquer história: não adianta pesquisa, beleza de traço, nem sofisticação narrativa. A casos como o do alguns trabalhos Moebius, que tudo se resume a uma narrativa interessante, como se fosse um clipe, porém na maioria das vezes é enredo que vai nos envolver com história, vai agregar todos os demais elementos e nos fazer satisfazer ou não com a experiência da leitura de uma hq.

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