Review

Resenha: o surpreendente mangá Limit

O shoujo de sobrevivência…

Quando a maioria dos otakus houve falar em “shoujo” imediatamente vem à mente a velha imagem do romance escolar, do triangulo amoroso, entre outras. Embora existam shonens e seinens de romance escolar, essa foi a imagem que “pegou” nos mangás shoujo, para o bem e para o mal.

Muita gente deseja que mais obras nesse estilo (romance escolar) sejam trazidas para o Brasil, enquanto outros passam longe só de ouvir falar nessa palavra “shoujo”. Porém, mangá shoujo não é só romance escolar, existindo uma diversa gama de histórias diferentes que vão desde o tradicional mahou shoujo (com romance ou não) até histórias de sobrevivência.

Uma dessas obras diferentes é o mangá Limit, de Keiko Suenobu. Conhecida como “rainha do bullying” por utilizar-se dessa temática em várias de suas obras, Keiko Suenobu cria uma história que mistura uma narrativa de sobrevivência com a densa temática do bulliyng e as consequências dele na vida das pessoas.

Concluído em seis volumes, Limit foi publicado no Brasil no ano de 2015 e, sem dúvida, foi um dos melhores mangás “desconhecidos” lançados naquele ano.

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SINOPSE OFICIAL


Mizuki Konno, uma estudante do ensino médio, quer entrar em uma boa faculdade e, por isso, se esforça para sempre tirar notas altas. Por essa razão, não conta com a simpatia dos seus colegas. Durante um passeio escolar há uma reviravolta na vida de Mizuki: o ônibus do colégio bate, matando quase todos seus colegas de colégio. As cinco garotas que permaneceram vivas não gostam dela, mas para sobreviverem até que o resgate chegue, elas precisarão trabalhar juntas.


HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO


“Nadar de acordo com a corrente” é um lugar comum que indica uma pessoa que vai se adaptando aos acontecimentos e agindo de tal ou qual forma que a correnteza (a multidão) age. Se todos pularem de uma ponte, a pessoa também pulará, para ser “igual” aos demais. Em maior ou menor escala, todas as pessoas são assim ou foram assim em alguma época de suas vidas. Quem não teve aquele colega que era um amigo muito bom quando estava conversando com você, mas era um idiota quando estava em grupo? Quem já não “mudou de personalidade” ou viu alguém mudar a depender do grupo de amigos em que está?

Esse é um lugar comum que perpassa a protagonista da história de Limit. Mizuki Konno é a garota que se deixa levar pela corrente, fazendo de tudo o que as amigas fazem. Se as amigas fazem bullying ela também faz, se falam mal de alguém, ela também fala, e assim por diante. Existe uma razão para ela ser desse jeito. Quando mais jovem, ela não quis ignorar uma amiga a pedido de outras colegas e ela mesma, a própria Konno, acabou sendo vítima de bullying. Para piorar: até a amiga que ela quis proteger acabou ignorando ela. Desde então, ela preferiu “nadar de acordo com a corrente”, para evitar novamente ser alvo de coisas desse tipo.

Konno pode ser considera uma pessoa um tanto, quanto desprezível e visivelmente fraca psicologicamente. Em vez de lutar contra uma condição, ela aceita e passa a fazer parte da galera do mal.

Porém, em Limit essa natação tem um fim. A turma vai participar de um acampamento de verão, mas o ônibus acaba sofrendo um acidente no meio do caminho e quase todos os colegas dela morrem. Enquanto espera o resgate, Konno passará a conviver com outras sobreviventes, algumas delas nutrindo ódio ou desprezo por sua pessoa.

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Konno ao acordar após o acidente…

O desenvolvimento do mangá, a partir de então, passa a ser intenso, apresentando conflitos de natureza humana e colocando os personagens a revelarem a sua verdadeira face. Dito de outro modo, a obra passa a mostrar o quão fracas são as personalidades dos sobreviventes e evidencia que elas podem ser pessoas perigosas a depender da situação.

Uma das personagens mais interessantes nesse sentido é Arisa Morishige. Vítima contante de bullying por parte das amigas de Konno, ela se torna uma líder provisória levando um pouco de medo para os demais sobreviventes. Armadas de uma foice, ela chega a ordenar que Mizuki Konno e Haru Ichinose (do mesmo grupo de Konno) se enfrentassem para ver quem poderia comer e quem passaria fome.

Assim como Konno, há toda uma história por trás de Morishige e, novamente, o bullyinf faz parte dela. Se ela, de fato, é uma vilã em boa parte do mangá, só o é pelas circunstâncias e por tudo o que sofreu, não somente na escola. Vida familiar difícil, sendo sempre surrada pelo pai, Arisa acabou por ter uma vida mais retraída e acabou por ser criticada e alvo de riso constante pelos colegas. Aos olhos do leitor, Morishige é uma mistura de sentimentos, primeiro achamos ela uma vítima, depois uma malvada e, por fim, novamente uma vítima. Sem dúvidas, um personagem interessantíssimo.

Se Morishige é a personagem para vermos em essência o bullying e suas consequências psicológicas estando ou não em uma situação de exceção, Chieko Kamiya é a personagem centrada, a boazinha e que ajuda todos, mesmo parecendo extremamente fria. Assim como Morishige, ela vivia sozinha, mas as pessoas apenas falavam mal dela pelas costas. No acampamento para o resgate era a que mais sabia sobreviver e a ela se deve o sucesso da empreitada de esperar o resgate. Ela é uma dessas personagens clichês que já vimos aos montes e que só existem na história como uma espécie de tábua de salvação. Não é a protagonista, mas tem os conhecimentos necessários para que os demais não morressem de fome ou ao relento. Kamiya também é a personagem que busca apaziguar os ânimos dos demais e evitar que eles se confrontem de forma mais cruel.

Além de Konno, Morishige e Kamiya, há ainda mais alguns personagens, todos eles afetados pelo acidente e, por conseguinte, aptos e tomar atitudes desesperadas por coisas mínimas, até mesmo atacar colegas e planejar a morte delas O-o.

E se a obra tem momentos tensos e tristes, ela apresenta a sua catarse. Konno aprende a não mais nadar a favor da corrente, Kamiya descobre a amizade, Morishige se reconcilia com o mundo, todos os personagens acabam sentindo-se melhor consigo mesmos. A história é feita para isso, para mostrar os verdadeiros sentimentos dos personagens, testar a mente delas em um ambiente desconhecido e vê-los evoluir e ultrapassar as barreiras.

Limit é, decerto, um dos melhores mangás desconhecidos lançados em 2015, mas isso não quer dizer que seja perfeito. Muito pelo contrário, a obra apresenta o seu excesso de clichês e coisas batidas que acabam soando pouco credíveis, em vários momentos: o personagem que se acreditava morto reaparece, a situação que parecia sem solução acaba de maneira muito fácil e benéfica. É tudo muito “bonzinho”. Embora haja mortes e tudo mais, a obra só nos apresenta a velha história de superação, com todos os conflitos sendo resolvidos de forma dramática e após vários choros.  Ainda assim, esses pequenos defeitos são relevados e a história te prende do início ao fim.


VEREDICTO


Limit está longe de ser um mangá perfeito, mas é uma obra de leitura obrigatória para quem acha que shoujo é só romance escolar. Além disso, os temas desenvolvidos na obra, como as consequências do bullying na vida das pessoas tornam o título mais do que recomendado.


***

Ficha Técnica

Título: Limit

Autor: Keiko Suenobu

Editora: JBC

Acabamento: Papel offset

Número de volumes: 6

Preço: R$ 13,90

Onde Comprar: Amazon

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9 thoughts on “Resenha: o surpreendente mangá Limit”

  1. Esse mangá é ótimo, principalmente a primeira metade, antes do menino aparecer, a única coisa que achei ruim é umas partes felizes meio forçadas, como aquela personagem que tinha morrido reaparecer viva :/ também li vitamin e tenho impressão que a autora escreve finais felizes e menos realistas pras pessoas que se vem naquelas situações criarem alguma esperança ou algo assim, me parece que a Keiko já sofreu bullying… ainda tenho que ler Life e ver se lá também é assim, boa resenha!

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  2. Limit foi uma boa surpresa e gostaria que a JBC trouxesse mais shoujos com temáticas diferentes assim (também gosto de romance escolar, mas é bom ter variedade né?).

    Também notei que certas coisas se resolveram de forma simples e tal, mas como a Julia comentou, acho que a autora quer inserir esses elementos de “deu tudo certo no final” pra servir de inspiração para os leitores que estejam passando por uma situação difícil. De qualquer forma, foi um dos meus mangás preferidos de 2015.

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  3. Li Limit e Vitamin e pra mim chega de Keiko Suenobu… Foi uma agonia ver que tinha ler os outros 5 logo após o primeiro! (Apesar que meu interesse no título aumentou um pouco no segundo volume, mas foi ladeira abaixo no terceiro…)

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