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Resenha: Dragon’s Dogma Progress #01

dragons-dogma-progress-01Um manual de um jogo…

Dragon’s Dogma Progress chega ao Brasil com o mesmo “status” de Arakawa Under The Bridge: nosso país é o primeiro do ocidente a publicá-lo ou pelo menos minhas pesquisas não indicaram o título em nenhum dos mercados mais populares. O mangá é uma adaptação de um jogo de sucesso da Capcom e chega ao país alicerçado nesse sucesso.

De minha parte, fora Pokémon Go não costumo jogar qualquer tipo de jogo de vídeo-game ou celular e não conheço quais títulos fazem sucesso e, tampouco, estou antenado nos lançamentos. Daí que, antes do anúncio da JBC, eu nunca tinha ouvido falar do jogo, mas me pareceu interessante a ideia de a editora trazer mais um título baseado em um jogo de vídeo-game.

Mangás adaptados ou baseados em jogos não são novidade no mercado brasileiro. Já tivemos Street Fighter, Alice hearts e Corpse Party, pela NewPOP, bem como PokémonFate/Stay Night pela Panini e Steins; gate, pela JBC, formando um pequeno conjunto de mangás que nasceram nessa outra mídia, apesar de eles serem muito diferentes entre si…

Ano passado, a JBC anunciou dois mangás adaptados de jogos, Sakura Wars (ainda por lançar) e o citado Dragon’s Dogma Progress, lançamento de fevereiro da editora. Como todos os mangás, as adaptações estão sujeitas a serem muito boas, boas, médias, ruins e péssimas. Se Alice Hearts você nem imagina que é adaptação de jogo de tão bem feito que é, em Steins; gate você vê claramente que o autor não soube trabalhar bem o mangá.

Dragon’s Dogma Progress está na categoria de adaptações muito ruins, justamente por você perceber logo de cara que se trata de uma adaptação. Mas será ruim mesmo? Mesmo? Será que não é exagero? Você verá a seguir:

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Sinopse Oficial


Baseado em um dos jogos de maior sucesso da Capcom, Dragon’s Dogma Progress se passa em um mundo tomado por criaturas sinistras. É nessa terra sem lei que um jovem destemido se ergue contra esses monstros. Seu nome é Carrol. No passado, sua vila foi destruída impiedosamente por um gigantesco dragão. Antes de partir, o monstro devora o coração do rapaz, tomando-lhe sua vida. Carrol, então, renasce como o “Desperto”, cujo destino é derrotar a criatura mortífera. Com Elize, sua serva, e outros peões ao seu lado, o bravo guerreiro segue em sua jornada, mas outros monstros sombrios e grandes perigos o aguardam em sua jornada.


História e desenvolvimento


O mangá começa com um grupo de pessoas tentando recuperar o controle de um forte na capital, atualmente dominado por bestas. Nesse ínterim, Carroll (O desperto) e seus peões, liderados por Elize, arriscam-se no combate. O objetivo de Carroll, mais do que recuperar o forte é mostrar sua bravura a fim de obter uma permissão para se encontrar com o Duque Edmun, que poderia lhe dar alguma ajuda em sua missão de encontrar e destruir o grande dragão.

O segundo capítulo é um flashblack mostrando o início da jornada de Carroll, sua vida pacífica em seu vilarejo no interior e o ataque do dragão que matou vários de seus amigos e roubou-lhe (literalmente) seu coração.

Por essa descrição, o mangá aparenta ser uma história de aventuras convencional como outra qualquer e que, portanto, tem seus pontos positivos e negativos. O problema é que Dragon’s Dogma Progress a gente só vê pontos negativos.

O ponto mais negativo é que parece que o autor quis contar uma história ao mesmo tempo em que ensinava os leitores a jogar o jogo. Logo nas primeiras páginas temos a explicação das “Classes” de peões e para o quê eles servem. O mesmo vale para a explicação (ou falta dela) de quem são os peões.

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Na história, os peões aparecem sempre que surge um “desperto” e Carroll sempre pode ir a um “estabelecimento” e escolher sua equipe. Os peões não são humanos e tem como missão proteger a vida do desperto. Caso um deles morra, basta Carroll ir a um dos “estabelecimentos” e fazê-lo renascer. Fica bastante nítido o caráter didático do mangá. Em vez de ser uma história própria baseada no universo do jogo, o mangá realmente parece apenas preocupado em manter todas as dinâmicas do jogo e ensiná-las ao leitor.

A narrativa também não é das melhores. Mesmo quando o mangá deixa de parecer “dicas de jogo”, a história não ajuda pois acontece em um ritmo rápido demais e os personagens não são desenvolvidos a contento. Carroll é o único com motivações e, mesmo assim, elas são colocadas de forma um tanto quanto rasas.

Em resumo, Dragon’s Dogma Progress não me agradou em nada e está longe de ser um título recomendado. Em minha opinião o primeiro volume desse mangá só não é o pior que li na minha vida, pois existe Fate/Stay Night e Ninja Slayer.


A edição física


O mangá veio no formato pocket da JBC (12 x 18 cm) e miolo em papel jornal. Embora possua as capas internas coloridas, não há nada que dê destaque à edição, sendo um volume bastante convencional e com um papel um tanto quanto mais escurecido, diferente de outras obras da editora como Anohana.

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O volume é bem fino, mas isso é devido ao número de páginas, apenas 160 páginas, mas o estado geral dele é bom e não apresenta problemas de encadernação como aqueles mangás recentes da Alto Astral.


Adaptação e outros detalhes


Uma das coisas que eu mais prezo na JBC (e que é constantemente alvo de reclamação dos otakus mais puristas) é sua tradução e adaptação, que eu considero como a melhor das editoras nacionais, por conseguir dar um ar mais casual e local. Mas desta vez não me agradaram algumas escolhas.

A principal delas foi dar o título ao protagonista de “O desperto”. Ficou totalmente anti-natural e tira toda a imersão na leitura. De todo modo, não consigo pensar em algo que possa ser melhor do que isso.


Veredicto


Como deve ter ficado claro Dragon’s Dogma Progress é mais um manual de um jogo do que um mangá. Ele parece estar querendo te ensinar os métodos de batalha e tudo mais que o jogo tem. Guardadas as devidas proporções, é como o animê de Pokémon gosta(va) de ensinar os golpes e estratégias utilizadas nos jogos da franquia, a diferença é que, para uma criança, Pokémon disfarçava isso melhor.

O fato é que o mangá não prendeu a atenção e não se mostrou com uma obra que valha o investimento. A não ser que você conheça o jogo original, goste dele e queria ter tudo relacionado à franquia, creio que é melhor passar longe desse mangá.

Ficha Técnica

Título: Dragon’s Dogma Progress

Autor: Hitoroshi Hirano

Editora: JBC

Acabamento: Papel jornal 

Número de volumes: 2

Preço: R$ 12,90

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4 comentários em “Resenha: Dragon’s Dogma Progress #01”

  1. Nossa concordo Kyon, eu terminei de ler ontem e achei bem mais bem fraco.

    Uma historia totalmente rasa e só serve para fazer Fanservice do jogo e que por sinal não é um dos maiores sucessos da Capcom nem de longe , como informa a sinopse.

    Ultimamente só estou tendo decepções com a JBC kkkk

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  2. Estava a espera de uma analise para comprar… Joguei o jogo e nem ele é só legal de se jogar, mas ignorando a história. Tipo, os Pawns (peões) ajudam o Arisen (despertado?!, acho que poderia ser melhor sim…) PORQUE SIM também.A história é bem rasa também, minha unica diversão foi criar um Guts e uma Casca para sair matando lobos por aí (E por mais que vo^ce tenha uma equipe de 4, você só pode personalizar 2!!!) Possivelmente a melhor coisa do jogo também é a criação de personagens, que nem é tão boa…

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