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Resenha: A história de Buda em mangá

buda-em-mangc3a1Quebrando preconceitos…

Mangás com temática religiosa (ou que remetam a alguma religião) costumam causar repulsa em algumas pessoas. Não tanto pelo mangá em si, mas sim pela imagem da história que temos na cabeça. Se vemos um título como A Bíblia em mangá  (publicado pela JBC) inevitavelmente teremos na cabeça que aquela obra falará apenas as mesmas coisas que ouvimos na igreja. Em outras palavras seria uma obra doutrinária e, portanto, não tendo nada que nos interessasse.

O mesmo acontece com A história de Buda em mangá, de Hisashi Ohta, publicado pela editora Satry, em 2012. O título nos remete a uma doutrinação ao budismo e isso, de cara, tende a afastar muitos leitores.

Entretanto, A história de Buda em mangá não é só uma doutrinação. Muito pelo contrário, o mangá apresenta uma história legal e é entretenimento dos bons. Na verdade, boa parte do mangá é uma narrativa convencional (no sentido de ter todos os elementos de um mangá “normal”) em que você acompanha os dilemas do protagonista e a busca de solução por parte do rapaz. É uma história dura, até certo ponto, que visa nos fazer refletir sobre a condição humana e os infortúnios da vida.

Buda em mangá


Sinopse Oficial


Acompanhe o príncipe Sidarta em sua busca pela verdade. A história de Buda em mangá reconstitui a peregrinação do jovem príncipe que abandona sua vida palaciana para encontrar na espiritualidade o verdadeiro sentido da vida.


História e desenvolvimento


Sidarta é um príncipe, porém em vez de viver alegre e sempre se divertindo, somos apresentados a um sujeito deprimido e que está sempre com enormes inquietações frente à vida.

Seu pai, o rei, deseja que ele se torne o futuro governante e tenta de tudo para alegrar o filho e fazê-lo esquecer suas preocupações, oferecendo uma esposa ou, mesmo, inúmeras mulheres para ele se divertir em uma festa contínua, porém nada consegue sossegar o espírito do rapaz.

A obra nos coloca frente aos problemas reais que afligiram e afligem toda a humanidade, a doença, a velhice, os divertimentos efêmeros e fugazes, a morte e a tristeza. Mais do que esses  questionamentos, vemos a cada página o abatimento do príncipe e a incompreensão de todos. Por mais rico que fosse e tivesse tudo o que qualquer pessoa pudesse desejar, Sidarta não era feliz e não tinha a menor noção do que era a felicidade. Ele não conseguia compreender o porquê de tanta coisa ruim acontecer no mundo. Será que a vida é apenas isso mesmo? Porque se divertir se inevitavelmente iremos adoecer e morrer? Qual é o verdadeiro propósito da vida? Como podemos conseguir a felicidade duradoura?

Torna-se difícil o leitor não se questionar as mesmas coisas. Para que se embebedar para esquecer dos problemas se no dia seguinte eles retornarão? Para que desejar com afinco a riqueza se você não levará nada dessa vida? É até fácil achar que as preocupações do protagonista são típicas de pessoas desocupadas e riquinhas, mas a realidade é que se tratam de questões muito pertinentes à vida e ao modo como a encaramos. As alegrias realmente são passageiras e a grande dúvida é o que restará após o fim delas.

Sidarta não consegue aguentar a pressão de ficar em seu castelo com todas essas preocupações e foge para virar um asceta e buscar a iluminação. E aqui começam os deméritos da obra.

-Deméritos

Os capítulos finais são destinados a mostrar o modo como o príncipe atingiu a iluminação e a passar alguns dos ensinamentos do budismo. Se durante boa parte da obra somos apresentados a grandes questionamentos envolvendo justamente o porquê de estarmos no mundo, os últimos capítulos buscam mostrar a resposta. Entretanto são respostas rasas e com pouco sentido prático para quem não é adepto do budismo. O título não se preocupou em se estender e a explicar de forma mais didática. Não chega a ser um problema muito grande, afinal esse não era o objetivo da obra, mas o nível de qualidade é diferente, bem abaixo da narrativa dos capítulos iniciais.

Outro problema são os desenhos do autor. Algumas vezes é difícil identificar o mesmo personagem, de tão diferentes que eles ficam a depender do ângulo exposto no quadrinho. Isso pode incomodar um pouco no início, mas depois torna-se natural e você acaba até gostando da arte do mangá.


Edição física


O mangá possui formato 13,5 x 20,5 cm (mesma dos mangás da JBC), papel offwhite de qualidade (Polén-soft ou Luxcream), cerca de 240 páginas e capa cartonada com orelhas, tudo isso ao preço de R$ 21,00. A obra teve o projeto gráfico a cargo da editora JBC (que, inclusive, fica localizada no mesmo bairro da editora Satry). Trata-se de um espetáculo visual, com um acabamento idêntico ao de um livro.

Um detalhe curioso é que tempos atrás eu havia lido uma resenha do Gyabbo sobre esse mangá e, por causa dela, nunca tive vontade de comprar, mais pelo aspecto físico descrito como ruim e com páginas com excessiva transparência. Entretanto, ao ir em uma livraria encontrei uma edição não lacrada e pude ver que era uma edição excepcionalmente boa.

Por que essa visão tão diferente? Não saberia dizer. Provavelmente a editora reimprimiu o título e deve ter mudado o material. A minha versão diz que é a segunda edição da obra, datada de maio de 2012 (a primeira edição saiu em março). Ou seja, A história de Buda em mangá parece ter feito bastante sucesso entre o público da editora Satry, tanto que a editora o reimprimiu várias vezes.


Veredicto


Entre pontos positivos e negativos, A história de Buda em mangá é uma narrativa interessante e com grande potencial de agradar quem gosta de obras mais reflexivas. Não é um mangá para todo mundo, mas é um mangá que todos os que tiverem a oportunidade (leia-se: dinheiro sobrando) devem dar uma chance^^.

Ficha Técnica

Título: A história de Buda em mangá

Autor: Hisashi Ohta

Editora: Satry

Acabamento: Papel  offwhite + capa com orelhas

Número de volumes: 1

Preço: R$ 21,00

Onde comprar: Amazon / Americanas / Saraiva / Submarino

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4 thoughts on “Resenha: A história de Buda em mangá”

  1. Recentemente eu adquiri a coleção Buda do Tezuka. Pensei que se eu gostasse dele poderia acabar por comprar esse, mas sempre fica aquela duvida… Será que a história não fica massante por ja ter lido, apesar de que com certeza são bem diferentes? Uma coisa que odeio é ler algo por obrigação, tipo “comprei essa $#¨%&, agora tenho que ler!”, mesma coisa com jogos que só termino para poder falar mal.

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  2. Esse mangá de Buda tem edições com gramatura diferentes. Comprei o meu na LigaHQ e veio bem transparente… Já na livraria aqui perto tem dele com uma gramatura bem maior (inclusiva a edição ficou mais grossa)…

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