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Resenha: o mangá Lábios molhados [ DIGITAL]

labios…..

Se, por ventura, você está lendo este texto após encontrar em uma banca de revista o mangá Lábios molhados e quer saber se vale a pena comprar ou não, eu adianto a você, não vale. Os motivos virão a seguir…

Lábios Molhados é um mangá escrito e desenhado por Neneko Kobato, um artista aparentemente novato e que só possui em seu currículo outras dois mangás, um one-shot de dezesseis páginas chamado Maki-kun’s Disaster e uma série regular intitulada Nikujo no Susume, obra atual do autor (ou autora, não se sabe o sexo de Kobato). Lábios molhados (Junai Toro Trip, no original), portanto, foi a primeira série de Neneko Kobato.

A obra foi publicada na revista Young Comic, da editora Shonen Gahosha,  e foi concluído em dois volumes. O título é mais um dos vários de viés erótico que a editora Alto Astral vem trazendo ao país desde que iniciou com a publicação de mangás em 2014, um nicho de mercado que a editora parece ter encontrado.

No último ano, entretanto, seus mangás vieram com páginas a menos do que o original. Inicialmente eram apenas algumas coloridas, mas no mangá Laços proibidos, a editora retirou quase 40 páginas, excluindo o capítulo final inteiro e o epílogo. A partir desse momento, qualquer coisa poderia ser esperado pela editora. Será que aconteceu isso de novo? Será? …

A resenha desse mangá está sendo feita seguindo a edição digital disponível no site Social Comics. O conteúdo da versão física e da versão digital de todos os mangás da Alto Astral é exatamente igual.

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Sinopse Oficial


Momo-chan é uma jovem com lábios sensíveis e seu sonho é beijar Tetsu-kun. Com a ajuda do casal de amigos Aoko e Natsuki, eles vão perder o medo de se conhecer melhor… Será que o casal conseguirá dar o próximo passo?


História e desenvolvimento 


Lábios molhados é, dentre todos os mangás eróticos da editora Alto Astral, o menos erótico deles^^. Cenas de sexo? São mínimas. Nudez? Quase nada. O que não significa que não exista erotismo. A questão é que nesse título o autor preferiu trabalhar de modo mais discreto, sem expor as partes íntimas do personagens, mas ainda assim mostrando sensualidade e erotismo. E isso foi feito de uma forma muito competente para um autor pretensamente novato, talvez melhor do que em vários mangás publicados no Brasil.

O mangá acompanha Momoko, uma garota que, de repente, descobre possuir os lábios e a boca bastante sensíveis, chegando a ter orgasmo com uma escova de dentes ou o simples toque de dedos. Essa é a característica que faz o autor trabalhar de forma diferente o erótico no mangá. Os dois primeiros capítulos da obra apresentam duas cenas que demonstram bem essa forma como o autor quis passar o lado mais sensual, com a protagonista delirando aos toques que recebe nos lábios. Uma dessas cenas é uma sequência de quadros em que a garota é tocada por sua irmã mais nova (O_o) e que, decerto, farão os fãs de yuri (mangás de romance entre mulheres) adorar…

O grande ponto da narrativa, entretanto, é que Momoko e Tetsu nunca se beijaram, mesmo estando namorando há meses. Porém, com a ajuda do casal de amigos – Aoko e Natsuki – eles resolvem tomar coragem e ir mais fundo no relacionamento e a condição de Momoko faz com que os beijos tornem-se muito mais quentes e sensuais, com closes na boca da protagonista, mostrando a baba e delírio dela O_o. O beijo, portanto, acaba se tornando algo natural e mais natural é eles irem, ou tentarem ir, além de um simples beijo.

Essa é a narrativa da obra. Ainda que de forma simples, a história desenvolve bem e nos instiga a querer continuar a ler…. até que de repente, pára. Assim do nada. E começam duas histórias extras. Sem qualquer aviso ao leitor. Foi um pouco decepcionante. Está certo que o mangá tem dois volumes, está certo que deve ter continuação, mas isso não era algo esperado, mas explico melhor mais para frente o porquê de eu não ter gostado desse fim abrupto…


Histórias Extras


As histórias extras deixam muito a desejar em termos de qualidade. Na primeira, acompanhamos um escritor chamado Hiroky Yoneda e o seu amor por uma garota que ele vê sempre na volta do trabalho. Na segunda, vemos uma narrativa sobre como Aoko e Natsuki – amigos de Momoko e Tetsu – se conheceram. Nada muito elaborado. Para quem gosta de hentai e ecchi, porém, talvez os extras sejam a melhor parte já que na história principal não ocorre nenhuma cena verdadeiramente sexual. Nos extras, embora sejam curtas e não mostrem muita coisa, essas cenas estão presentes, mas não fazem as historietas tornarem-se melhores…


Adaptação e trabalho da editora


-Revisão do texto

Em uma leitura rápida não encontrei nada de grave em termos de revisão de língua portuguesa. Há um balão problemático que falarei mais para frente, mas não acredito ser problema de revisão de texto. De todo modo, ponto para a editora que melhorou muito nesse quesito. Infelizmente talvez seja a única coisa a se elogiar na edição da empresa. De resto, tudo questionável.

-Onomatopeias

As editoras brasileira de mangás costumam seguir um único procedimento em relação às onomatopeias: elas mantém a original e colocam uma legenda ao lado. A Alto Astral nunca agiu desse modo. Inicialmente todos os mangás dela mantinham as onomatopeias, mas não colocavam legenda alguma. Agora a coisa mudou de figura e a empresa simplesmente corta todas as onomatopeias. A Alto Astral já havia feito isso em Laços proibidos e repetiu agora. Vejam a diferença:

Para não dizer que a editora só corta sons, verificamos que ela também inclui alguns que não existiam no original, como um toque de telefone, tirado do nada:

-Honoríficos

Se a empresa agiu de modo pouco usual em relação às onomatopeias, resolveu ser “mais otaku” e utilizou-se de honoríficos em toda a obra. Daí que resultou em uma falta de padrão sem qualquer motivo lógico. Para alguns honoríficos a editora colocou nota, em outros deixou rolar sem qualquer aviso.

Por exemplo, a Alto Astral supôs que -kun e -chan já são de conhecimento público e não colocou qualquer nota para eles. A empresa também não colocou nota alguma para “senpai”. Por outro lado, colocou uma nota para explicar “kouhai”. Qual a lógica? Ainda que “kouhai” seja menos usado, faz parte da “mesma família” que “senpai”, então ambos deveriam ser explicados.

Bem, pensando positivamente, melhor explicar alguns do que explicar nenhum. Nesta edição, a editora também colocou uma nota para explicar o termo “neesan”. Em Laços proibidos, a empresa não havia colocado nada. Significa uma melhoria? Talvez…

-Balão sem sentido

Os problemas vão além de simples onomatopeias e honoríficos. Nos dois casos, mesmo o procedimento da Alto Astral não sendo lá dos melhores, há quem não se importe e não fique prejudicado com a leitura, mas há um ponto agora que as coisas não funcionaram direito.

Na primeira história extra há um balão com uma fala completamente sem sentido. Tal história é completamente à parte e não possui ligação nenhuma com a história principal. O protagonista é uma outra pessoa, com nome diferente e tudo mais, mas aí vem o quadro abaixo:

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Esse balão do último quadro é tão sem sentido que é difícil até explicar. Momo-chan é a protagonista da história principal e esse personagem ao dizer que gosta dela estaria dizendo que ele é Tetsu-kun, o protagonista da história principal. Porém, no início da história extra, o personagem diz se chamar Hiroky Yoneda e que nunca teve uma namorada. Como é que pode? Qual foi o problema?

Infelizmente, não foi possível encontrar a versão original para comparar e dizer que tipo de erro aconteceu. Na Internet há apenas alguns capítulos da obra disponíveis e a página acima não está entre elas. Eu tento entender, mas não consigo. Afinal, há um texto em japonês no balão e que a editora traduziu. Não me passa pela cabeça a ideia de que a editora colocou aquilo ali por vontade própria, mas também não faz sentido achar que essa frase é original. Eu simplesmente não tenho ideia do que aconteceu. Se alguém souber, me avise e me explique, pois tá difícil…

-Falta de aviso

Regra geral, os mangá publicados no Brasil quando possuem uma história extra costumam ter um aviso ou algo facilmente identificável para o leitor de que aquele restante do produto não faz parte da história principal. Em Lábios molhados não há nada disso. Há apenas página(s) em branco e, em seguida, começa a outra narrativa, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Isso ocorre ao fim da história principal e ao fim dos dois extras. Simplesmente não há indicação nenhuma de que acabou. Para piorar, não há também nada que informe que existirá um volume 2. Em Não mexa com minha filha! e O segredo de Natsuki havia inscrições claras de que era o fim do primeiro volume, em Lábios molhados, não havia nada. Isso é só “esquecimento” da editora ou significa algo mais?

-A capa

Para piorar a situação da “falta de avisos”, o mangá simplesmente não tem o número 01 na capa. A editora limou o número, dando a impressão de que quisesse passar o mangá como volume único.

E se pensar bem, isso é uma probabilidade alta. A narrativa principal termina de um jeito que você facilmente acreditaria de que a obra acabou ali mesmo, pois fechou-se “um ciclo” e os extras seriam um tapa buraco ou um complemento para o mangá ter um número de páginas mais extenso.

Vale lembrar que o mangá possui originalmente dois volumes no Japão. Cada um deles tem exatamente 164 páginas, o que, teoricamente, faria com que a editora não precisasse cortar páginas e conseguisse lançar dois volumes sem problemas. Mas a falta de indicação de numeração e a falta de aviso de que a história vai continuar me traz desconfiança de que o próximo volume talvez nunca chegue.

Porém, a edição física do mangá possui o número 1 na lombada, o que indicaria que o título deve sim ser continuado e que no futuro, sei lá quando, existirá um segundo. Ao responder a um leitor, em sua página no Facebook, a editora disse apenas que não há previsão para novos volumes da saga…

-Páginas retiradas?

Como não tive acesso à edição original, não houve como saber se teve ou não páginas cortadas. O que eu posso afirmar é que todas as páginas de história dos dois primeiros capítulos estão presentes, sem qualquer baixa. O restante do volume cabe a nós confiar que a editora não retirou nenhuma página desta vez…


Veredicto


Não costumo “des-recomendar” mangá nenhum. Sempre considero que existe um público para tal ou qual mangá e mesmo que não goste muito indico a qual tipo de pessoa agradará. Acho que as resenhas em que eu não recomendei o título por sua história (ou como foi contada a história) foi Miyuki-chan no país das maravilhas e Fate/Stay Night, de resto tudo tem pontos positivos…

Lábios molhados, porém, não é um mangá bom o suficiente para merecer o dinheiro gasto. A história principal é razoável e até interessante, mas os extras são fracos e só se encontram ali para preencher o volume. Além disso, o mangá custa R$ 16,90 em um acabamento que a gente sabe que não é nada bom. Para pagar esse valor por um mangá em papel jornal, a história tem que ser muito boa, mas não é o caso e, portanto, eu acho que não vale a pena…

Ficha Técnica

Título: Lábios Molhados

Autor: Neneko Kobato

Editora: Alto Astral

Acabamento provável: Papel jornal

Número de volumes: 1

Preço: R$ 16,90

***

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10 thoughts on “Resenha: o mangá Lábios molhados [ DIGITAL]”

  1. -Onomatopeias
    Notei que a versão japonesa (que foi tirada da revista) e a versão melhorada do tankoubon (a que a brasileira usou) são bem diferentes em vários detalhes e efeitos. O trim trim trim me chamou a atenção por ser uma cena típica onde autores colocam som de pássaros, que são “chi” ou “pi”. Imagino eu que o “pi pi pi” de pássaros foi confundido com um “trim trim trim” de alarme.

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    1. Algumas editoras brasileiras dizem que precisam mandar um volume pronto para o Japão (para a editora original e para o autor), mas se os japoneses veem ou se isso vale para todas as editoras eu não sei dizer… Pode ser que nunca descubram mesmo, a não ser que alguém avise…

      Mas existe a remota possibilidade de a Alto Astral ter decidido retirar as páginas e isso esteja no contrato deles. Eu acho que os japoneses não sabem, mas existe chance de saberem…

      Curtido por 1 pessoa

  2. Sinceramente essa editora Alto Astral não faz um trabalho sério. Acho que o problema aqui é numa escala pior do que o amadorismo, errar por não saber é uma coisa mas trabalhar em um padrão errado e pior, menosprezar a capacidade dos leitores é bem diferente. Me recuso a comprar qualquer coisa que venha dessa editora, já que não vou compactuar com gente que menospreza o público consumidor e que trabalha mal feito. Editoras como a Alto Astral me deixam tristes pois poderiam vir a ser um dos concorrentes das grandes e todos sabemos que quanto mais concorrência no mercado, melhor. Mas nessa forma de atuar a Alto Astral está depondo contra o trabalho bem feito e todo o caminho que já foi trilhado e o “status” que o país já conseguiu até o momento. Se é pra fazer mal feito, melhor nem fazer.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Não discordo de nada do que você disse, mas às vezes tem que olhar por um outro prisma. Os mangás que a Alto Astral está trazendo são meio desconhecidos e o único jeito de conseguirmos ler algumas dessas obras é por meio da editora. Se ela não trouxesse, não haveria como ler porque muitos desses mangás sequer possuem scans. E algumas das histórias são até boas… Isso não quer dizer que eu ache que vale a pena comprar.

      Ao menos tem para ler no Social Comics.

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  3. eu acho q a editora alto astral, tinha q consultar Kyon e Rose antes de lançar os mangás kkkkkkk. pra verificar se ele está apto a ser publicado em formato físico, caraca, quantos erros nos mangás dessa editora ultimamente.

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  4. Não comprei nenhum mangá da Alto Astral, mas saber que eles simplesmente decidem tirar páginas, um capítulo inteiro no caso de Laços Proibidos, pra cortar gastos e mesmo assim os mangás deles em papel jornal são mais caros que da concorrência… parece que eles não dão valor pros títulos que publicam e nem pro público, uma coisa são errinhos de revisão pontuais, outra é tirar conteúdo sem avisar, sem falar que a questão dos honoríficos e notas parecem bem confusos… de fato parece pior que trabalho de amador :/

    Curtido por 1 pessoa

  5. A frase da discórdia: http://imgur.com/a/1og27
    E não, ele nem menciona a Momo-chan ali, nem nas frases em volta. O pessoal da tradução inventou mesmo…..
    Se quiser usar a imagem pra fazer um update na resenha, fique à vontade.
    E ainda tem a imagem que saiu com defeito:

    Detalhe que queria comentar: a versão digital que tem o primeiro capítulo em japonês de graça usada na resenha está sem arte-final. Então as imagens estão sem muitas sombras e retículas que existem na versão final. E um detalhe é que na versão final, a cena com ela acordando, tem um PI PI PI ali mesmo.

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