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Resenha: Chobits (comparação de edições)

chobitsComparando as duas edições nacionais…

Chobits é um mangá seinen escrito e desenhado pelo grupo CLAMP, mesmos criadores de Card Captor Sakura e Guerreiras Mágicas de Rayearth. Na obra, acompanhamos um mundo futurista em que existem robôs de forma humana (persocons), que andam, falam e fazem diversas atividades como se fossem pessoas. A trama gira em torno do protagonista Hideki Motosuwa, sua tentativa de lidar e compreender sua persocon Chi, e a busca dele em saber se ela é o lendário Chobits, o persocom que anda, fala e pensa por conta própria sem necessidade de um programa…

O título foi serializado no Japão entre 2000 e 2002 na revista Young Magazine, da Kodansha, e foi concluído em 08 volumes. No Brasil, a obra foi publicada pela editora JBC em duas oportunidades, a primeira entre 2003 e 2004 em formato meio-tanko sendo concluído em 16 volumes e a segunda em 2015, no formato original, sendo concluído em 8 tomos.

Na postagem de hoje iremos comparar as duas edições brasileiras e ver suas semelhanças e diferenças.


FORMATO (DIMENSÕES)


O formato das edições é diferente. A primeira versão foi publicada em um formato pocket, 13 x 17 cm, já a segunda em um formato maior 13,5 x 20,5 cm, o padrão dos mangás da JBC atualmente.


CAPA E QUARTA-CAPA


A primeira edição foi lançada com o que costumamos chamar de capas espelhadas, isto é, a capa foi repetida na quarta-capa. O motivo todos sabem, para ajudar na exposição do produto. A segunda edição teve um meio-termo. A empresa ampliou a imagem da capa e a colocou na quarta-capa. O resultado é que a quarta-capa acabou ficando mais bonita do que a capa^^.

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Capa
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Quarta-capa

LOMBADA


As lombadas da primeira versão eram bem finas e possuíam uma imagem e muito texto ficando extremamente poluída. As lombadas da segunda versão são bem mais clean, mas ainda assim um pouco poluídas, especialmente pela presença do nome em japonês.

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Chobits, 2003. Lombada. Edições bem velhinhas e acabadas esteticamente…
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Chobits, 2015. Lombada.

Como é possível ver na imagem acima, a segunda versão possui um erro na lombada do volume 5, cuja fonte do título ficou maior do que a dos outros volumes. Um erro bobo e sem sentido e que gerou muita reclamação dos consumidores com TOC.


 PAPEL


O papel utilizado na primeira versão foi o papel jornal. Um papel bem diferente e nitidamente inferior ao usado nos dias de hoje. O papel usado na segunda edição foi o offset. Vejam uma comparação entre as versões:

Chobits. Papel jornal
Chobits. Papel Offset.

O primeiro volume da segunda versão de Chobits foi o primeiro mangá em offset da JBC a ter reclamação de que o papel estava transparente. A reclamação não fazia o menor sentido, pois o volume 01 estava com um papel muito bom, talvez até melhor do que a da elogiada edição de Card Captor Sakura.

As outras edições continuaram com um papel bom, mas com um nível de transparência razoável, existindo uma variação muito grande entre um volume e outro e mesmo dentro de um mesmo volume, com páginas muito boas em que você não notava nada e outras em que era perceptível ver o outro lado da página. Entretanto, não chegou ao nível de Orange ou Gangsta.

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Chobits. Leve transparência…

PÁGINAS COLORIDAS E PÔSTER


Ambas as edições tiveram páginas coloridas, em ambas foram publicadas em papel couchê. Na primeira edição, entretanto, como o mangá foi publicado em meio-tanko, não foram todas as edições que tiveram páginas coloridas, apenas as edições ímpares. A edição final, porém, contou com um mini-pôster encartado. Vejam os dois lados do mini-pôster abaixo.

A segunda versão teve páginas coloridas em todas as edições, mas não teve mini-pôster na edição final.


ADAPTAÇÃO 


Chobits é um caso em que você vê claramente dois modos de pensar diferente no processo de adaptação. A primeira versão possuía algumas escolhas que eram até divertidas, mas totalmente questionáveis. A editora simplesmente trocou várias das referências originais por referências “próprias”, algumas delas trocando o sentido original. Um exemplo claro ocorre já no primeiro volume. Quando o protagonista encontra Chi, ele diz que a garota seria como uma VG (referenciando Video Girl Ai, publicado pela própria JBC), dando um sentido mais “picante” à fala do personagem. Na segunda versão, por outro lado, utiliza-se a fala original, em que o protagonista cita que Chi seria uma versão feminina do Doraemon, o famoso gato robô.

Em outras palavras, a primeira versão fez uma referência a uma garota que ajudaria o rapaz sentimentalmente, sendo que a referência original é apenas a um robô que ajuda as pessoas em tudo. Faz bastante diferença esse tipo de escolha, tanto para o bem, quanto para o mal.

Se, de um lado, a referência alterada fez perdemos a essência do que as autoras queriam passar, por outro ganhamos ao entender que ali havia uma citação. Na segunda versão a editora foi “obrigada” a colocar uma nota de rodapé e explicar quem é o Doraemon para o caso de alguém não saber quem era o gato robô e, querendo ou não, colocar uma nota em um casos desses é uma perda enorme ao leitor…

A primeira versão também teve algumas suavizações óbvias. Quando Hideki comenta sobre o lixo, ele diz que reaproveitá-lo é uma necessidade. Na segunda versão, é citado a questão da dioxina (uma substância tóxica). Novamente as escolhas têm consequências. A segunda versão “exigiu” que a editora colocasse uma nota de rodapé.

Algumas escolhas da segunda versão acabam sendo bem mais questionáveis do que na primeira, embora não afetem de modo drástico a leitura. Quando Dona Hibiya, senhoria do lugar em que Hideki mora, aparece pela primeira vez,  o rapaz diz que ficou sabendo que ela é divorciada. Posteriormente, entretanto, descobre-se que a história não é bem assim. Na primeira versão, por outro lado, a editora colocou “parece que já foi casada”, mostrando uma dubiedade que é importante no decorrer da narrativa.

Outra grande diferença editorial é a presença de alguns honoríficos. Na primeira versão, a JBC utilizou-se da palavra “senpai” , colocando uma nota de rodapé logo em seguida, para dizer que “senpai” significa “veterano”. Se esse era o significado porque não colocar de vez em português? Na segunda versão, esse problema foi solucionado e a editora colocou “veterano”.

Houve mudanças também no modo de grafar algumas palavras. Na versão de 2003, uma confeitaria é chamada de Chiroru, na versão de 2015 ela é chamada de Tirol, passando a seguir o mesmo nome adotado em outras do CLAMP publicadas pela editora, como Kobato.

Por fim, existem algumas outras diferenças menores, entre escolhas de palavras e grafias. Na primeira versão o plural de “Persocom” foi feito em língua portuguesa “Persocons”, na segunda versão o plural ficou “Persocoms”. Outro exemplo, diz respeito a revistas eróticas, chamadas de “sacanagem” na versão de 2013, e de pornô, na de 2015.

Várias escolhas se tornaram melhores na versão de 2015, mais apreciáveis. Por exemplo, em um certo momento o protagonista pergunta à sua professora o porquê de ela não dar aulas no primário e ela responde “O maridão”, na primeira versão, e “O marido aconteceu”, na segunda.

Particularmente, considero a adaptação feita em 2015 muito melhor do que a de 2003, ainda que tenha tido uma ou outra coisa questionável…


DETALHES DE EDIÇÃO


Alguns detalhes no processo de edição do mangá também se fazem visíveis e mostram as escolhas diferentes. Um desses detalhes são os “destacadores de situação”, aquelas palavras em japonês em formato maior, um recurso muito usado pelo CLAMP em Chobits. Parecem como onomatopeias, mas não representam um som, são apenas palavras.

Na primeira edição, a JBC tratou elas como se fossem onomatopeias, deixou o original e colocou uma legenda em baixo. Na segunda edição, a empresa resolveu traduzir. Vejam o exemplo abaixo:

Outro ponto a se comentar é que a segunda versão de Chobits teve um ganho enorme no modo de a JBC tratar as imagens. Na primeira edição, em várias situações, a editora simplesmente borrava de branco uma parte da imagem para colocar o texto. Na segunda, isso não aconteceu mais.

Ainda nesse ínterim, a primeira versão possui alguns erros crassos, como um quadro branco, sem nada, no meio de uma imagem. Um erro que passou batido e não aconteceu na segunda versão.


O VOLUME FINAL


Uma das coisas que chamam a atenção das pessoas é o número de páginas da edição final de Chobits. Ela só possui 130 páginas e houve muita gente reclamando do preço, visto que a edição possuía menos páginas que os outros números e mesmo assim custava o mesmo.

Mas e na versão de 2003? Como dividiram 130 páginas em dois meio-tankos? A editora implementou a edição final. Colocou o mini-pôster (que comentamos mais acima) e ainda fez uma “galeria de capas”, com as capas das 16 edições. Assim, o volume 15 acabou com 84 páginas e o volume 16 com 80.


VEREDICTO


Creio que está claro que a versão de 2015 é praticamente superior em tudo, tanto fisicamente, quanto no trabalho de edição e adaptação. Se você se interessa pela obra, eu sugiro comprar a versão mais nova. Se você tem a antiga sugiro se livrar dela e adquirir a mais recente^^.

***

Ficha Técnica da versão de 2015

Título: Chobits

Autor: CLAMP

Editora: JBC

Acabamento: Capa cartonada. Miolo em Papel offset. Acompanha páginas coloridas em couchê.

Número de volumes: 08

Preço: R$ 16,90 por edição

Onde Comprar: Amazon / Fnac Saraiva

***

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12 thoughts on “Resenha: Chobits (comparação de edições)”

  1. Eu comprei a versão de 2015 e depois resolvi vender a minha coleção.
    O papel, avaliando toda coleção, o classifico como é transparente mas não atrapalha a leitura, você vai ver que tem mas não vai lhe atrapalhar, exceto quando são usados aqueles efeitos de “purpurina” no plano de fundo, esses sim são prejudicados pela transparência.
    O principal fator que me fez vender a história é porque ela é datada, envelheceu mal. Chobits se passa em uma época antes da nossa atual, se passa no início da internet onde as possibilidades que o personagem principal cita não aconteceram, já ocorreram ou ainda estão longe de acontecer. Isso fez com que Chobits ficasse preso em seu próprio tempo, pois ao trazermos para a atualidade tem coisas que não aconteceram, algumas já foram criadas, mas agora são antigas, tem outras que ainda utilizamos até hoje e tem aquelas que talvez só existam no futuro.

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    1. Então… eu demorei uns 5 anos para conseguir encontrar o volume 1 por menos de 10 reais. Nunca desisti e deu certo^^.

      Por isso não me livro da minha primeira versão de jeito nenhum e mantenho as duas edições. Mas acho que quase ninguém faz isso^^.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Eu só tenho a primeira versão, que eu guardo com carinho também. Ela pode ser inferior, mas ainda é uma coleção boa. Só que fica um vazio no coração de saber que depois que você deu duro de procurar os volumes e fechar, decidem reimprimi-la…É da hora, mas o bolso chega até gemer.

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    2. O valor de cada coisa que possuímos somos nos que damos. Levando isso em consideração, a sua coleção antiga parece ter mais valor do que essa nova e, possivelmente, é mais superior também.
      Ps. A sua foto de perfil é da banda Gorillaz?

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