Resenha: Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban #01

kanzenbanDe novo começaram as lendas de uma nova era no Brasil.

Em dezembro, pela quarta vez começou a ser publicado em nosso país o mangá Cavaleiros do Zodíaco, de Masami Kurumada. Anteriormente o título havia saído em duas oportunidades pela editora Conrad (2000, em papel offset; 2004, em papel jornal) em 48 volumes e em uma pela JBC (2012, papel jornal) em 28 números, seguindo o número de volumes originais. O novo lançamento segue a edição kanzenban (edição definitiva) japonesa, que diminui os 28 volumes originais para apenas 22.

Com capa dura, páginas coloridas e um papel diferenciado, a obra foi lançada na Comic Con Experience em meio a a alegria dos fanáticos pela série e os gritos de que o preço (R$ 64,90) estaria completamente fora da realidade do brasileiro. Adquirimos o primeiro volume e hoje viemos mostrar nossas impressões sobre o mangá e o trabalho realizado pela editora JBC.

CdZ - Kanzenban


CAPA DURA


Ver uma edição de Capa Dura de mangá no Brasil é um realização para um fanático por livros. Sempre que eu olhava para a minha coleção eu ficava imaginando o quão seria legal se houvesse mangá assim também, mas as pessoas diziam que era impossível no Brasil ou que mesmo no Japão não era comum existir mangás em capa dura. Ainda que eu não seja fanático por Cavaleiros do Zodíaco, ter a edição em mãos é algo para ser comemorado.

E a edição está muito boa, sim. Nada tenho a reclamar. A capa dura parece mais bem resistente e não notei qualquer falha em sua encadernação. É possível abrir a edição em 180º sem causar qualquer avaria e sem qualquer medo de que a edição fique amassada ou caiam páginas. Não dista em nada de qualquer livro em capa dura.

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CAPAS INTERNAS E MINI-PÔSTER


As capas internas foram feito em um papel de cor vermelha e ainda há a presença de um mini-pôster encartado. O mini-Pôster é bem esquisito com quase tudo tendo sido deixado em japonês O_o

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Não vi a JBC comentando o motivo de ter deixado no idioma original, mas imagino que tenha sido uma escolha da editora e não uma imposição japonesa, embora não possa dar 100% de certeza disso…


FORMATO (DIMENSÕES)


A primeira coisa que chama a atenção no kanzenban são suas dimensões maiores do que os mangás da JBC, perdendo apenas em tamanho para The Ghost In The Shell e o Artbook de The Lost Canvas. Entretanto foi anunciado que o mangá teria o formato 14 x 21 cm, mesmo de O cão que guarda as estrelas, por exemplo, mas kanzenban não segue essas especificações. Ele é ligeiramente maior tanto em altura, quanto em largura. Provavelmente 15 x 22 cm. O motivo disso é a capa.

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Kanzenban e os três formatos padrão da JBC: 12 x 18 (Sailor Moom), 13,5 x 20,5 cm (Limit) e 14 x 21 cm (O cão que guarda as estrelas)

As informações especificadas pela JBC são apenas as da área do miolo. Em mangás ou livros brochura, as especificações baterão perfeitamente, pois a capa possui rigorosamente as mesmas dimensões do miolo, nos em capa dura não, já que há um espaço extra de capa para a proteção das páginas.

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Espaço entre a capa e as páginas do miolo.

Ser maior do que o divulgado não é um demérito da edição. Pelo contrário, ser maiorzinho dá um destaque extra ao produto, mas em minha opinião a editora deveria ter avisado que existiria essa diferença. Embora nada mude de forma prática, a informação é imprecisa e pode causar leves transtornos em consumidores com TOC que gostam de arrumar seus mangás pelo tamanho^^.


O PAPEL


O papel utilizado no kanzenban é o Lux Cream, aquele bonitão utilizado em Blame!. Não há dúvidas de que ele é um dos melhores papéis para quadrinhos, mas não consegui gostar muito dele nesse mangá. Não é que tenha fica ruim, mas ele não passou aquele algo a mais que a edição deveria ter.

Em Blame!  uso do Lux Cream realçou a arte do mangá, em Cavaleiros do Zodíaco nada disso aconteceu. Isso fica bastante claro com a questão das páginas coloridas, muitas delas um tanto quanto esquisitas, como as em tom verde e vermelho. Não chega a ser ruim, mas decerto ficaria melhor em couchê.

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Em resumo, o papel está bom, branquinho, ótimo para a leitura, não há qualquer problema de transparência e não reflete a luz, mas em minha opinião não apresenta aquele algo mais que se esperaria de uma edição mais luxuosa.


MELHORIA NA EDIÇÃO DE IMAGENS


As edições kanzenbans dos mangás costumam ter uma qualidade de imagem melhor do que a edição em tankobon. O kanzenban nacional contém exatamente isso, uma qualidade de imagem superior às edições anteriores publicadas no Brasil.

A edição da Conrad de 2004 (infelizmente não possuo a de 2000) possui uma qualidade de imagem tão ruim, mas tão ruim que alguns detalhes de alguns quadros simplesmente não existem. Talvez tenham se apagado com o tempo ou mesmo não tenham existido mesmo. Vejam uma comparação abaixo. Clique nas imagens para ampliar.

01

Conrad, 2004. Primeiro quadro sem a estrela brilhando.

02

JBC, 2012. Estrelas aparecendo ao lado de Saori no primeiro quadro.

03

JBC, 2016. Imagem mais nítida.

No primeiro quadro, em que aparece a Saori, há um diferença nítida entre as versões da Conrad (2004), JBC (2012) e JBC atual. Na versão da Conrad, Saori aparece sozinha em um quadro branco. Nas versões da JBC há imagens de estrelas brilhando. Embora pareçam iguais, a versão do kanzenban é bem mais nítida do que a versão do tanko lançado em 2012.  Detalhes assim se repetem ao longo do mangá e fazem o kanzenban ser, de fato, a melhor entre as versões publicadas no Brasil.


REVISÃO DO TEXTO


Em uma leitura rápida não encontrei problema de revisão. Apenas uma ou outra escolha de palavras me chamou a atenção (como o não uso de artigo em uma passagem), mas que devem passar despercebidas pela maioria das pessoas…


ADAPTAÇÃO E ESCOLHAS EDITORIAIS


Adaptar Cavaleiros do Zodíaco parece algo bem mais complicado do que parece. Devido ao histórico da série em nosso país (e alguns fãs hardcore que implicam com bobagens, como a velha tese de que “nome não se muda”, mesmo a realidade provando que eles estão errados), várias escolhas precisam ser feitas para tentar agradar ao máximo possível de pessoas. Nesta edição, a JBC optou por uma adaptação mais básica.

Pegasus e Athena, costumeiramente usados, viraram Pégaso e Atena, mantendo a forma normal em português. Outros nomes, contudo, mantiveram suas formas corriqueiras, como Shina (em vez de Shaina, no original) e Mino (em vez de Miho), por serem de maior conhecimento do público.

Alguns golpes conhecidos, entretanto, tiveram alteração. Por exemplo, na edição de 2012, a JBC chamou o golpe do Seiya de “Me dê sua força, Pégasus”, seguindo a dublagem do animê. No kanzenban, a empresa utilizou “Meteoro de pégaso”, sendo mais fiel ao nome do golpe original. Para quase todas essas mudanças (ou manutenções), a editora colocou uma nota de rodapé para explicar a situação.

Houve mudanças de outro tipo também. Na edição de 2012, quando Hyoga ia visitar sua mãe, ele recitava palavras em russo e a JBC colocou nota. Na edição de 2016, a empresa traduziu diretamente, colocando o tradicional sinal < > para indicar que se trata de outro idioma. Há também várias mudanças menores de texto aqui e ali, mas nada que mude a interpretação.

De um modo geral, todas as adaptações e escolhas foram muito bem feitas e só mesmo aqueles que implicam demais, que acham que existe um “jeito certo” de fazer as coisas é que não irão gostar.


VEREDICTO


Depois disso tudo, qual o veredicto final sobre a edição? A edição da JBC está muito boa e a empresa se superou. De verdade. E agora eu quero uma edição de Card Captor Sakura assim^^. Embora o papel não tenha me agradado totalmente, toda a edição está muito bem feita e decerto boa parte dos fãs de Cavaleiros do Zodíaco adorarão o kanzenban.

Seu valor, porém, é extremamente alto. Embora sua faixa de preço seja a mesma de livros que sequer possuem capa dura, a quantidade de volumes fazem com que a aquisição seja realmente pesada. Se você é um fanático por Cavaleiros do Zodíaco e tem dinheiro sobrando, vá em frente^^ e sempre poderá contar com os descontos de Amazon e Saraiva. Se não tem, as outras três edições do mangá publicadas anteriormente ainda podem ser encontradas com um pouquinho de esforço em algumas lojas ou sebos…

***

Ficha Técnica

Título: Saint Seiya Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban

Autor: Masami Kurumada

Editora: JBC

Acabamento: Capa dura. Miolo em papel Lux Cream. Média de 240 páginas, sendo algumas coloridas.

Número de volumes: 22

Periodicidade no Brasil: Bimestral

Preço: R$ 64,90

Onde Comprar: Amazon / Saraiva

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Sobre Kyon_45

Criador do BBM. É fã de Haruhi Suzumiya e das obras do grupo CLAMP.
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16 respostas para Resenha: Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban #01

  1. renatomotta disse:

    Cara a edição de CDZ está em outro nivel, outro patamar de qualidade. Já garanti a minha por miseros R$ 39,00 dada a qualidade da edição, se eu já havia me surpreendido com blame, com CDZ meu queixo caiu. Agora estou ansioso pra ver como ficou GITS que tambem comprei por R$ 39,00. Como vai ficar lindo esse kanzenban na estante *o*

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  2. Roses disse:

    Sobre “MELHORIA NA EDIÇÃO DE IMAGENS”, existem várias ferramentas que trabalham isso, e é parte do tratamento da imagem, você define os tons de cinza, branco e preto da imagem. Se isso é mal feito, os tons de cinza muito claros ficam tão brancos que simplesmente desaparecem, o mesmo ocorre com os pretos. Claramente no da Conrad, a soma da impressão e tons da imagem ficou imensamente claro, isso é possível de ver não só pela perda de detalhes como pelo cabelo cinza 50-50 que ficou clarinho.

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  3. Bruno disse:

    Só achei curioso o texto naquele quadro ser mais parecido com o da Conrad de 2004 do que o da própria JBC

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  4. Aquariano disse:

    Esse kanzenban tá botando minha dúvida nas alturas… Estou contando com os descontos da Saraiva, mas não faço ideia se terei condições de colecionar (já tive de dar outra selecionada no que colecionar ou não dada a quantidade de lançamentos), só jesus na causa mesmo @.@’

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  5. guilherme disse:

    Kyon, sobre o que vc falou sobre o papel não realçar a arte como em blame, eu acho que isso se deveu principalmente porque a arte do kurumada não é como a do nihei, blame possui muitos detalhes, os cenários e objetos são mais detalhados e cdz tem uma arte bem mais simples,os cenários não são tão detalhados, então eu sinceramente acho que não te muita coisa pra realçar…

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  6. manolo reis disse:

    Dispenso lixo.

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  7. Só eu achei estranho que até agora a JBC não tenha divulgado nada sobre o número dois?

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  8. TDA disse:

    CDZ eu vou passar, já tenho mangá demais pra comprar e dinheiro de menos.

    Cavaleiros em mangá não me chama muito a atenção não, prefiro o anime. Não gosto muito da arte do Kurumada, apesar dele ter melhorado ao longo do tempo, mas o que não me desce pela goela são as armaduras. No anime as armaduras são muito bonitas e dão aquela sensação de serem mais clássicas com o capacete fechado e as saias. No mangá são estranhas e quase todo cavaleiro veste branco, qualé… Os personagens no anime são muito mais bem desenhados do que no mangá, o Seiya parece um pivete e as proporções no geral são péssimas.

    Agora é inegável que esse kanzenban está muito bonito e com ótima qualidade, fico imaginando a coleção completa em uma estante como deve ser bela.

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  9. Ribeiro disse:

    Ótimo texto, me senti velho pois coleciono desde de 2000 e tinha essa edição da Editora Conrad e a vendi. A edição ficou linda, mas como é um titulo que não mais interessa deixarei passar.

    Qual será outros títulos que teria chances de serem lançados em kanzeban pela JBC?

    Sakura Card Captors seria um boa opção, Rurouni Kenshin também seria mais difícil pois pode se encontrar todos os volumes para a venda. Fullmetal Alchemist infelizmente não veio neste formato, Saint Seiya: The Lost Canvas teria chances já que tem alguns volumes impossíveis de se encontrar.

    Adoraria Neon Genesis Evangelion, mas me parece que vendeu pouco o relançamento pela JBC ou Nausicaä of the Valley of the Wind. Não custa nada sonhar.

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  10. bartts disse:

    Comprei o volume 1 mas ainda não tenho certeza se vou continuar a coleção ou não. Sou um grande fã de CDZ mesmo sabendo de todos os furos e da arte horrível do Kurumada, mas mesmo assim gosto bastante. A questão é mesmo o preço de cada volume e a quantidade deles, que no total daria por volta de R$880 pagando mais ou menos R$40 cada volume, bem carinha a coleção.

    Meu volume ainda não chegou mas pelo que vi na CCXP o material está impecável, está realmente lindo. Ansioso para ter o meu em mãos e poder conferir certinho todo o trabalho da JBC.

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  11. Sagitarius disse:

    Comprei o volume 01 e realmente tá linda a coleção. Pretendo continuá-la, mas irei deixar acumular alguns volumes antes de pegar os próximos.

    Quanto a tradução, adorei a mudança para “Pégaso” e “Atena” (apesar de ter ficado um pouco estranho pro lado da JBC, já que em Santia Shô, que acabou de sair, eles mantiveram “Pegasus” e “Athena”), e a retirada da influência da dublagem em alguns golpes.

    Só gostaria muito de ver uma edição de Saint Seiya no Brasil com os termos originais, como “Santos” em vez de “Cavaleiros” e “Papa” no lugar de “Grande Mestre”, mas sei que isso é quase impossível de ocorrer. Mas isso é apenas um gosto pessoal meu; a edição não ficou pior por não ter feito isso.

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