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Resenha: Blame! # 01

blamePor dentro de uma estrutura difícil….

Não há dúvidas de que Tsutomu Nihei tornou-se conhecido no Brasil após a popularização de Knights of Sidonia. Embora já tivéssemos tido obras dele por aqui (Abara e Wolverine: Snikt), apenas meia dúzia de gatos pingados conhecia e apreciava realmente o trabalho do autor. Eu mesmo sou um dos fãs que o conheceram por Sidonia e, aos poucos, vou desbravando o mundo do autor.

Com uma narrativa até certo ponto difícil, Nihei não dá colher de chá e pouco explica as coisas, ficando para o leitor juntar as informações e preencher as lacunas. Em Blame! isso se mostra de uma forma bem mais clara do que em Knights of Sidonia, fazendo o leitor ter que interpretar várias e várias coisas não ditas.

Completo em 10 volumes, o título foi publicado originalmente no Japão entre 1996 e 2003, nas páginas da revista Afternoon, da Kodansha. No Brasil, o mangá começou a ser lançado em dezembro de 2016, pela editora JBC. Será que esse mangá é bom? Será que agradará todo mundo? Confira agora na resenha…

Blame!

Sinopse Oficial

Em um futuro no qual a humanidade foi quase toda dizimada, Killy é um aventureiro que vive um uma superestrutura vertical repleta de corredores, escadarias e até cavernas. Ele passa seus dias lutando para sobreviver, enfrentando ciborgues assassinos e monstros mutantes ao mesmo tempo em que tenta acessar a rede de computadores para localizar a informação necessária para salvar os seres humanos restantes.

História  e desenvolvimento

Knights of Sidonia é uma obra fácil. Ainda que tenha uma estrutura narrativa diferente, ele é um mangá de boa compreensão para o público leitor. É uma obra “popular”. Blame!, por outro lado, é uma obra mais densa. Em ambas, algumas informações são jogadas para serem respondidas depois, mas em Blame! tudo é muito mais complicado.

Se alguém disser que Blame! é um mangá espetacular, acredite que ele está dizendo a verdade sim e se anime com a obra, porém tenha cuidado para não se decepcionar^^. Blame! não é um mangá para qualquer um ou para ler em um momento de distração, é um mangá para você sentar e se concentrar na leitura, de modo a decifrar o que o autor quer lhe passar.

A obra acontece em algum lugar (talvez na Terra, talvez no futuro) em que todo o mundo é formado por uma estrutura vertical de milhares de níveis (que poderíamos entender como andares) e nela há a presença de máquinas, monstros e uns poucos humanos.

No primeiro volume iremos conhecer Killy, protagonista da história, um típico personagem herói, super forte, à lá Nagate Tanikaze (de Knights of Sidonia), que está sempre sendo atacado e, mesmo assim, sai ileso das situações. Seu objetivo é simples: ele precisa encontrar um gene que será capaz de salvar a humanidade da extinção, os “genes de antigamente que não foram alterados”. A narrativa é basicamente simples neste primeiro volume, acompanhamos Killy indo de lugar em lugar, conhecendo pessoas e derrotando inimigos. Só isso.

Entretanto, nessa simplicidade esconde-se toda a trama confusa do autor. Você passará páginas e mais páginas sem ter um único diálogo, uma única frase. Boa parte do desenvolvimento do mangá passa unicamente pelos desenhos, pela movimentação e sequência de cenas feitas pelo autor. Mesmo o ambiente lhe parecerá confuso. Somente aos poucos você irá percebendo que aquele mundo é como uma espécie de um grande prédio com milhares de andares, talvez sem fim.

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Não temos muitas explicações. Killy está sempre sendo atacado e atacando. Há “vigilantes”, uma “agência moderadora” (o inimigo “desde sempre”), “vidas de silício” e um personagem que aparece e desaparece do nada (e que você não entende se ele é assassinado e ressurge posteriormente). É difícil ligar os pontos e compreender realmente o que está acontecendo. Qual é a relação de cada um dos seres humanos, com as vidas de silício e com a agência moderadora? E onde Killy entra nisso tudo? Por que ele deseja encontrar esse gene e salvar a humanidade? Qual sua motivação? Nada está respondido e tudo é extremamente confuso nesse início.

É fácil não gostar, pois a obra não é usual. Basicamente somos jogados no meio de uma história e quase nada é revelado. Somos “obrigados” a nos acostumar com uma narrativa sem palavras e explicações e isso não é para todo mundo mesmo.

Entretanto, também é fácil gostar. O fato de ter uma narrativa simples (o personagem ir lutando a cada capítulo) faz com que você consiga acompanhar as batalhas e, até mesmo, se divertir com a obra. Em uma comparação simples, Blame! seria como um filme de ação, com várias cenas de luta e pouco diálogo. Esse não é o único ponto positivo. A obra não possui passagens inúteis. Em Sidonia, várias vezes o autor tenta “fazer graça” e coloca, por exemplo, o protagonista vendo uma mulher sem roupa sem querer. Em Blame! não existe nada disso e toda a obra é feita para vermos aquele clima sombrio, de um mundo em que se acabou. Vejam a imagem abaixo:

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Killy descansando após uma batalha. Enquanto isso, chove “insetos” gigantes.

Não há felicidade, não há alegria, as pessoas apenas tentam sobreviver e nada mais. E isso, por si só, não é uma tarefa fácil. Mesmo momentos de descanso são feitos para mostrar a calamidade do mundo, em que situações completamente esquisitas como uma “chuva de insetos” é natural.

Entretanto, mesmo em um mundo que se acabou ainda há esperança. Ainda há humanos que sonham, que acreditam que existem “curandeiros”. E também exitem humanos malvados que desconfiam de tudo e de todos…

Não há dúvidas de que Nihei soube criar um mundo fantástico. E isso se mostra não só pela história, como também pelos desenhos. Arquiteto que era Nihei transporta todo o seu conhecimento para a arte do mangá, ao ponto de você achar que aqueles ambientes são perfeitos e que, se existisse de verdade, seriam daquele jeito. Em Sidonia já víamos um pouco disso, mas na distopia de Blame! tudo fica muito melhor e, por que não, mais realista.

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***

Em resumo, Blame! possui um mundo rico e uma arte diferenciada, além de uma narrativa simples, com muita ação e aventura. Porém ao mesmo tempo é uma obra muito confusa e com quase nada sendo explicado. Gostar ou não gostar vai depender bastante do quanto você aprecia a arte do mangá e a maneira com o que o autor produz suas histórias. Sem dúvida, é uma obra que eu não imaginaria sendo publicada no Brasil, pois ela facilmente afasta as pessoase isso é bastante natural…

Edição física

A edição física do mangá está impecável, digna de todos os elogios possíveis. A escolha do papel do miolo ser em Lux Cream não poderia ser mais acertada. Além de encorpar a edição (o mangá ficou bem grosso), tornou o produto leve e maleável, fazendo com que a leitura fosse bem mais cômoda. A título de comparação, Blame! possui a mesma grossura de Vagabond #01, mesmo possuindo menos páginas do que o mangá da Panini, e sendo também mais leve que ele.

Além disso, o papel também serviu para destacar bem o desenho do autor e seus minuciosos detalhes, ora parecendo que tinham sido feitos a lápis minutos antes. Talvez em um offset ou outro tipo de papel, não ficasse tão bom quanto ficou em Lux Cream.

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Cena parece ter sido feita a lápis na hora…

 A edição de Blame! ainda teve o diferencial de vir com sobrecapa, coisa rara no Brasil, que dá um charme a mais na publicação, mostrando-se sem igual em relação à maioria das publicações no país. Vejam uma sequência de fotos abaixo:

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Adaptação e revisão

Há pouco texto no mangá, então não há muito o que se falar sobre adaptação. Não há nenhuma frase que eu considere mal construída e a leitura flui naturalmente. Não há notas de rodapé e, tampouco, glossário. Não é um mangá que precisasse nada disso.

Em termos de revisão, o único ponto negativa se deu justamente na sobrecapa. Na sinopse, a editora deixou passar um “Extição” em vez de “Extinção”. Nada muito grave, mas que não deveria acontecer de jeito nenhum, ainda mais em uma sinopse.

Veredicto

Como dissemos, Blame! não é um mangá para qualquer um. Sua narrativa pouco usual facilmente desagradará quem está acostumado a narrativas com extensos diálogos ou com muitas explicações. Não há comédia, não há nada, apenas ação e falta de explicação.

Mesmo assim é uma obra que vale a pena dar uma olhada com carinho, pois possui uma narrativa intrigante, com um mundo rico, que o fará ficar o tempo todo se perguntando o que está acontecendo e para onde vai esta história. Quem sabe, leitor, você não é fisgado pela obra?

Ficha Técnica

Título: Blame!

Autor: Tsutomu Nihei

Editora: JBC

Acabamento: Capa com sobrecapa. Miolo em Papel Lux Cream. 

Número de volumes: 10

Periodicidade no Brasil: Bimestral

Preço: R$ 23,90

Onde Comprar: Amazon / FnacSaraiva

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13 thoughts on “Resenha: Blame! # 01”

  1. A primeira coisa que percebi nessa mangá é justamente esse ponto mais comentado: tem que prestar atenção.

    Não pode ser feito numa leitura despretensiosa, tem que ser uma leitura madura, onde o sujeito vai ter que usar bastante a cabeça para encaixar as peças e parar por longos segundos numa pagina sem texto para compreender todo o acontecimento daquele desenho.

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    1. o fogo é os degustadores de papel kkkkk, como eu vi comentário lixo na pagina da JBC no FACE, mesmo antes do mangá lançar. é revoltante. pessoal q não ve o conjunto da obra inteira antes de julgar.

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  2. Estou bem ansioso para a chegada da minha edição, basta esperar a vontade da FNAC. Quando anunciaram tentei dar uma lida por scans para saber como é a história e não sei se foi porque a scan era meio ruim mas eu não conseguia identificar as imagens, daí decidi comprar para tirar minhas dúvidas com a edição física. Pelo que pude ver na CCXP está muito bem feita e realmente muito linda. Agora uma opinião mais concreta mesmo, só depois que tiver em mãos, o que acho que ainda vai demorar um pouco, infelizmente.

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  3. Ótima resenha Kyon, parabéns!

    Eu já conhecia o Nihei antes do Sidonia no Kishi, acho que da época do Abara que comecei a ler por scan e acabei dropando, mais pela qualidade ruim das imagens do que pela obra em si.
    Sobre o Blame!, a edição está fantástica em termos de qualidade, um verdadeiro mangá japonês feito no br, perfeito. Finalmente a JBC resolveu usar um papel não transparente, fiquei surpreso quando soube que seria lux cream. A encadernação está perfeita e esse foi o mangá que mais tive facilidade de ler e manusear, realmente deu gosto ler Blame!
    Sobre a arte e o enredo, não tenho nem o que falar, a matéria foi perfeita. Blame! é tudo isso que está no texto e diga-se de passagem, tem praticamente todas as características que aprecio num mangá, arte linda em uma atmosfera densa e completamente diferente um mundo envolvente e a história sem explicações deixando que o leitor faça sua própria interpretação. Um mangá que não é para todos os públicos, ou seja, Blame! não tenta agradar a todos e faz aquela salada de estilos e clichês, Blame! é assim e quem quiser que se vire pra entender e pra gostar.

    Estou torcendo muito para que Blame! venda bem e a JBC possa investir em outros mangás com o mesmo padrão de qualidade. O custo/benefício dessa obra foi muito bom por causa da ótima qualidade sem contar o enredo maravilhoso.

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  4. Caramba Kyon, eu queria comprar, e desistir por culpa da falta de grana, e dos mangás q estava acompanhando, só vou seguir com FMA e Sidonia, mas a sua resenha me deixo louco pra comprar esse mangá; kkkkkkk conheci o Autor em Sidonia tbm, e achei a obra dele o máximo, imagina Blame, q parece ser melhor. bom post como sempre , Parabéns .

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    1. Eu sinceramente achei péssimo esse mangá, ele te leva do nada para lugar nenhum.

      Só um monte de cena de ação e que eu achei confusa por sinal.

      O personagem parece invencível.

      Sinceramente não gostei.

      A edição é fantástica, a sobre capa da um charme e as páginas são ótimas.

      Acho um erro a Jbc lançar blame nesse formato, pois não é uma manga que todos vão gostar e se não vender bem, acaba atrapalhando os lançamentos de outros mangas nesse formato.

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