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O atual mercado de mangás na Argentina

argentinaConheça um pouco mais sobre as editoras que atuam no país vizinho…

Assim como vários países do mundo, a Argentina também viveu o seu boom de produções japonesas na década de 1990, especialmente alavancadas pelas versões animadas de Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e Sailor Moon. Os argentinos já tinham tido contato com mangá antes, mas foram essas três séries as grandes responsáveis por levar empreendedores a publicar e a difundir as histórias em quadrinhos japonesas no país vizinho.

Como era de se esperar, nem tudo são flores. Existiam muitas barreiras e quem se arriscava a empreender podia facilmente ser chamado de louco. A Ivrea, principal editora de mangás na Argentina, em seu comunicado de fim de ano, não deixou de falar dos desafios de se iniciar no mercado e de tudo o que ouviram nos primórdios, com descrenças de que a empresa não iria longe (muitas editoras de quadrinhos não duravam nem dez anos no país) e de que os mangás locais não teriam aceitação, pois o povo estava acostumado a consumir produtos em espanhol de outros países e não gostariam de algo feito no dialeto local, entre outros.

O tempo provou que nem todos os “loucos” eram desprovidos de razão e os mangás continuam a ser produzidos na Argentina até hoje, ainda que tenham tido muitas limitações durante anos. Dentre as limitações está o não licenciamento de obras. Com diversos problemas econômicos e medidas adotadas por seu governantes, o país sofreu uma espécie “boicote” de algumas editoras japonesas, especialmente Kodansha e Square Enix, que se recusavam a licenciar as obras para o país devido à instabilidade e à falta de confiança que elas tinham com a Argentina.

O resultado disso é que títulos de peso como Fairy Tail, Ataque dos titãs e Fullmetal Alchemist ficaram impossibilitados de sair na Argentina durante anos e por mais que houvesse tentativa de negociação não havia mudança de posição por parte dos japoneses. Esse “boicote” durou cerca de quinze anos e só foi abolido em 2016, após o início de um governo de oposição que acabou com algumas barreiras econômicas que existiam no país vizinho.

Além disso, é bastante comum que as empresas locais sofram concorrência ilegal de mangás espanhóis, já que algumas lojas especializadas importam os produtos para vender ao moradores locais, algo similar ao que acontece com os portugueses que importam mangás do Brasil, por exemplo. Em outras palavras, para o produto argentino fazer sucesso ele deveria ser competitivo (em preço e qualidade) com os mangás espanhóis.

Se essa prática de importação pode ser prejudicial ao desenvolvimento das empresas locais, a Ivrea, porém, não deixou de utilizá-la para seu proveito. Possuindo uma filial espanhola, a empresa conseguiu a permissão para importar e comercializar de modo oficial e legalmente alguns produtos que seriam difíceis de ser publicados na Argentina. O primeiro Artbook a ser lançado oficialmente na Argentina, por exemplo, foi importado da Espanha. Outros títulos como o Vagabond e o Kanzenban de Slam Dunk também. Hoje, a Ivrea prefere unicamente editar volumes argentinos e só importa as séries antigas que ainda não foram concluídas.

Nesse turbilhão de coisas, aos poucos o meio-tanko (também adotado inicialmente no país vizinho) foi sendo extinto e publicações de melhor acabamento foram sendo adotados com o tempo. Hoje, na Argentina, você encontra mangá em diversos formatos, alguns com sobrecapa, outros sem, alguns com orelha e outros não e assim vai. Mesmo mangás com capas espelhadas é possível encontrar, ainda que pareça ser bastante raro atualmente.

Em termos de títulos diferenciados, a Argentina é um mercado bastante pequeno. A grande maioria dos mangás lançados por lá, já foram publicados por aqui também. Há vários inéditos, entretanto, como Citrus. Em relação às novels, elas não costumam aparecer e a única que se tem notícia é Haruhi Suzumiya. Databooks e artbooks também são mais raros do que no Brasil.

O porquê de o mercado argentino ser pequeno é difícil dizer sem estar no país e conhecer detalhadamente sua história, então é preferível não entrar nesse mérito. O único fato palpável é a recusa da Kodansha e Square Enix por conta da economia argentina. Se elas tivessem licenciado suas obras durante os anos, a variedade de títulos no país provavelmente seria bem maior do que é hoje e, talvez, tivesse conseguido criar mais consumidores e uma maior concorrência entre as empresas locais. Sim, pois esse é um problema grande que o mercado argentino sofreu, a quase inexistência de concorrência.

Na Argentina só há uma editora de grande importância, a já referida Ivrea, e pode-se dizer sem problemas de que durante muitos anos havia um monopólio. Várias outras empresas publicaram títulos aqui e ali, mas nenhuma em tamanha quantidade quanto ela. Mesmo quando ganhou a concorrência permanente da Larp Editores em 2008, esse “monopólio” praticamente não deixou de existir. Para você ter uma ideia do que representa o poder da Ivrea, se somarmos todos os mangás lançados pelas concorrentes da editora, não chegaremos nem a 50% do que a Ivrea já lançou em solo argentino e isso porque estamos extrapolando demais os números, talvez não chegue nem a 25% O_o.

Há um resquício de mudança atualmente, com a entrada de uma editora que há alguns anos publicava comics no país vizinho e agora passou a investir nos mangás, a Ovni Press. Agora a Ivrea tem mais uma empresa em seu encalço, o que pode indicar que o mercado argentino está crescendo. A Ivrea não se sente incomodada pela concorrência. Pelo contrário, a empresa acha que é até benéfico. Segundo ela, existir concorrência é muito importante, pois ajuda no licenciamento com algumas editoras japonesas que se decidiriam mais rápido, caso tivessem mais de uma proposta, evitando que algum título de sucesso só fosse lançado bem mais tarde, quando a “febre” dele já tivesse passado. A empresa, porém, não informou quais editoras japonesas seriam essas…

No país, ainda existe uma quarta empresa, a Utopia que poderíamos facilmente assimilar como uma “NewPOP” de seus primeiros tempos, com publicações raras e esparsas. Vejamos detalhadamente um pouco mais sobre cada uma das editoras de mangás na Argentina, suas características, curiosidades e alguns títulos lançados^^.


Ivrea Editorial


A Ivrea é a maior editora argentina do ramo de mangás. Lançando quadrinhos japoneses desde 1997, a editora nasceu em solo argentino e se expandiu possuindo hoje duas filiais, uma na Espanha e outra na Finlândia, em ambas publicando mangás. A empresa orgulha-se de ter publicado os dois pilares dos mangás na Argentina, Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, e de ter finalmente conseguido a publicação de Sailor Moon, obra que a editora desejava desde sua fundação. Segue as palavras da editora:

Con esta serie [Sailor Moon] se completa finalmente la triada de versiones manga de las series que iniciaron la gran oleada de anime en Argentina en los 90s, que catapultó a las obras de origen japonés a la fama y popularidad, y sentó las bases para la masificación que vivimos hoy en día. Si hoy en día tienen todo lo que tienen y acceso a todo lo que hay, es en parte gracias a Dragon Ball, Caballeros del Zodiaco y Sailor Moon. Todos publicados por Ivrea en Argentina.

Hoje, a Ivrea já possui em seu catálogo mais de 100 mangás contando publicações próprias (em espanhol argentino) e publicações de sua filial (da Espanha) que a empresa importava. Atualmente, a empresa parece estar em expansão chegando a divulgar até mesmo, em seu Facebook, que começou a contratar novos tradutores de japonês e profissionais para editar mangás.

Por sua longevidade, é a empresa mais organizada, publicando os títulos o mais regularmente possível. Entretanto, não raras vezes, quando uma série não vende bem, a editora paralisa sua publicação por um tempo, voltando ela com periodicidade mais espaçada, de modo a diluir os prejuízos que uma publicação contínua causaria. A empresa faz de tudo para não cancelar obras.

No passado, ela ainda editava uma revista chamada Lazer que trazia informações sobre animês, mangás e comics em geral. A publicação, entretanto, teve de ser encerrada em 2009, sob pena de a empresa perder todas as suas licenças da Shueisha e da Shogakukan, pois para eles a revista utilizava imagens de forma irregular.

A Ivrea possui ainda muitos diferenciais em relação às editoras brasileiras no modo de tratar seus produtos e seu público. Primeiro que seu site é extremamente organizado, de fazer inveja aos de JBC, NewPOP e Panini. Ao clicar neste link, por exemplo, você pode ver a lista de todas as obras que a editora anunciou, já ao clicar neste você vê uma indicação de quando o próximo volume de um mangá será publicado. Em outras palavras, você simplesmente não precisa tem um perfil no Facebook, pois basta acessar o site da empresa e estará tudo lá para você^^.

Outro diferencial da editora é sua política de reimpressão. O primeiro mangá da editora foi Ranma 1/2 lançado em 1997 e, até hoje, a editora ainda reimprime alguns volumes esgotados. Isso não quer dizer, entretanto, que a empresa não faça novas edições. Hellsing, por exemplo, foi reeditado recentemente possuindo como único diferencial em relação à edição anterior, a presença de sobrecapa. Pelas nossas pesquisas, algumas séries com mais de uma versão conseguem ter reimpressão de ambas, enquanto outros a editora se foca apenas na reimpressão da versão mais nova. Obviamente, entretanto, que existem volumes esgotados ou, mesmo, séries inteiras, que a empresa não consegue reimprimir por uma série de motivos, como fim do contrato. Sakura Card Captors, por exemplo, sequer consta no site da editora, mas sabe-se que a empresa o publicou no passado, antes do ‘boicote” da Kodansha.

A Ivrea possui ainda uma política de ser aberta e contar coisas para seu público. Se uma série não vende bem, a editora fala. Se ela vende, também fala. Se um mangá tem chance de reedição, a editora diz. Se não tem, a editora também diz e explica o porquê, tudo de uma forma bem didática. Shoujo, não vende bem, então eles não arriscam tanto. Mangás de esporte também não e assim vai. Vejam algumas perguntas provenientes do blog de perguntas e repostas da empresa que já comentamos em uma postagem anterior:

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Esqueça Haikyuu na Argentina
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Séries mais vendidas na Argentina

A Ivrea, obviamente, não é perfeita. Há várias reclamações de erros que a empresa cometeu durante os anos, dos mais diversos tipos, como publicar volumes de um mesmo mangá com tamanhos muito diferente um do outro O_o. Além disso, o modo como edita seus mangás volta e meia é alvo de contestação. Ainda assim, a Ivrea se destaca por estar há 20 anos no mercado de mangás na Argentina e se existe um mercado no país vizinho, a Ivrea é a grande responsável por isso.

***

A Ivrea edita seus mangás de uma forma que facilmente incomodaria os otakus brasileiros mais puristas. As onomatopeias, por exemplo, costumam ser todas alteradas, isto é, eles apagam as onomatopeias japonesas e transformam em onomatopeias ocidentais. Confiram abaixo uma comparação da versão argentina com a versão brasileira de uma cena de Fullmetal Alchemist:

Além das onomatopeias, a Ivrea costuma usar gírias argentinas e regionalismos em seus mangás e, volta e meia, é criticada pelos consumidores locais e alguns estrangeiros que importam os produtos. A justificativa da empresa é a mais plausível e correta possível: usam gírias locais (argentinas), quando as há no original. Simples e correto.

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Outra característica dos mangás da editora é a inexistência de honoríficos (aqueles sufixos -san, -kun, etc), o que também costuma causar horrores em alguns otakus hardcore. Porém, como aqui no Brasil só a Panini tem usado honoríficos com frequência, um mangá da Ivrea não seria tão diferente dos nossos assim.

Confiram o preview de algumas obras da editora e vejam por si mesmo as características editoriais dos mangás da Ivrea: Fullmetal Alchemist, Puella Magi Madoka Mágica, Danganronpa, Erased, Fairy Tail e Ajin.

Por fim, fisicamente, a editora costuma publicar mangás em diversos tamanhos, mas todos eles menores que os brasileiros. Alguns mangás da editora possuem sobrecapa, enquanto outros, não.

-Títulos em publicação pela editora: Bleach, Cavaleiros do zodíaco – Next Dimension, Fairy Tail, Fullmetal Alchemist, Akuma no Riddle, Bakuman, Blue Exorcist, D.Gray Man, Dangaronpa the Animation, Deadman wonderland, Haruhi Suzumiya, Ikkitousen, Diário do futuro, Shaman King, Trinity Seven, Trinity Blood, World of Narue, KUROGANE NO LINEBARRELS, RESIDENT EVIL Marhawa DesireFruits Basket, Karekano, Erase una vez nosostros, Nana, Ajin, Erased, Tokyo Ghoul, BTOOOM!, Gantz, I am a Hero, Inuyashiki, Neon Genesis Evangelion: proyecto de crianza de Shinji Ikari, Tenjho Tenge, Zetman, Junjo Romântica e Citrus.

-Títulos anunciados: Sailor Moon, Akame ga KiLL!, Black Butler, Black Bullet, Highschool DxD, Sword Art Online Aincrad, Inobu, 17-SAI KISS TO DILEMMA, Puella Magi Madoka Magica The different Story,

Veja no vídeo um pouco mais sobre um dos mangás da Ivrea:


Ovni Press


A Ovni Press é uma editora de quadrinhos argentina, fundada em 2008. A empresa se notabilizou por trazer algumas obras da Marvel e da Dark Horse, além de outros quadrinhos ocidentais. Consolidada no mercado argentino, o único contato com os mangás que a empresa tinha é a venda dos mangás da Larp editores (falaremos adiante) em seu site, mas em 2016 ela surpreendeu e anunciou a publicação de Ataque dos titãs.

A publicação de Ataque dos titãs era uma dupla surpresa. Primeiro porque a editora nunca tinha publicado mangás e segundo porque, como dissemos, a Kodansha (editora original) não licenciava mangás para a Argentina fazia anos e o mangá de Hajime Isayama acabou sendo o primeiro…

A editora vem publicando o mangá regularmente, em periodicidade mensal. Apesar de ter sofrido um aumento de preço recentemente (aumento normal devido à inflação argentina) o mangá parece estar vendendo bem, pois a editora foi atrás de outras obras e, no fim de 2016, anunciou novos mangás para 2017, Soul Eater, The Ghost In The Shell (e suas continuações) e Ataque dos titãs – antes da queda (este último de uma forma singular, respondendo a comentários de leitores. Aos que se perguntam, a edição argentina de The Ghost In The Shell também não terá duas páginas, igual a edição brasileira. A explicação da editora é a mesma, o autor não deixa que se publiquem essas páginas.

Enquanto a Ivrea tem mais de 30 títulos em publicação e quase 10 anunciados, a Ovni Press é a novata com 01 em andamento e três outros prometidos…

***

Ovni Press não disponibilizou preview de Ataque dos titãs e, também, não possuímos a edição física do mangá para fazer uma análise própria do trabalho da empresa. Porém, conseguimos algumas informações por meio de resenhas, vídeos e mesmo diretamente da editora.

Diferentemente da Ivrea, a Ovni Press evita regionalismos e utiliza-se de um espanhol considerado “neutro”. Segundo algumas resenhas, o Ataque dos titãs da Ovni Press poderia ser lido por qualquer pessoa que saiba em espanhol, em qualquer país do mundo, sem estranhamento.

Sobre honoríficos nenhuma das resenhas que lemos mencionava o fato, mas a editora gentilmente nos respondeu e nesse quesito eles seguem o mesmo que a Ivrea, fazem a tradução:

ovni-pressAcerca das onomatopeias, a Ovni Press utiliza o esquema utilizado pelas editoras brasileiras, ou seja, mantém a onomatopeia em japonês e coloca uma legenda. Abaixo uma comparação entre uma página do volume do Ataque dos titãs argentino (a imagem foi pega em um vídeo) e uma página do Ataque dos titãs brasileiro.

Atentem-se ao último quadro, nele dá para ver de modo claro que as duas fizeram exatamente igual, colocaram uma legenda ocidental, ao lado da onomatopeia. A diferença é o modo como colocaram. A Ovni Press fez a legenda bem maior, enquanto a Panini colocou pequenina.

Já fisicamente, a edição de Ataque dos titãs é bastante elogiada, até mesmo em comparação com versões europeias. Um grande diferencial dela é a presença de enormes orelhas, formando um mapa na parte interna do mangá. Confiram isso no vídeo abaixo, em espanhol:


Larp Editores


Assim como a Ovni Press, a Larp Editores foi fundada em 2008, mas ao contrário da primeira, a Larp é dedicada a publicação de mangás e desde sua estreia lança quadrinhos japoneses. Sua primeira obra foi Cuentos de Sirenas, de Rumiko Takahashi. Mesmo sendo uma novata, logo em seguida, a editora já possuía em seu catálogo, Naruto, One Piece e Death Note. Ao que parece, as séries foram dadas à Larp, pois a Shueisha gostaria que a Ivrea tivesse uma concorrente em solo argentino O_o.

No mais, a empresa conseguiu algumas outras séries famosas como Inu-Yasha e Monster. Apesar disso, a Larp não conseguiu ser a concorrente que a Ivrea precisava no mercado…

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Monster, da Larp Editores. (Sem capas espelhadas^^). Foto retirada do Mercado Livre Argentina.

Apesar de estar atuando desde 2008, a editora possui muito poucos títulos em seu catálogo. Na verdade, atualmente, as duas únicas séries que saem regularmente são Naruto e One Piece, sim só isso. Todo o resto está paralisado, alguns há cerca de dois anos, como Inu-Yasha.

Algumas das séries paralisadas, a editora busca a renovação de contrato, segundo resposta da empresa dada a seus leitores em final de dezembro. Curiosamente, mesmo sem ter volumes novos de Inu-Yasha há tempos, a empresa busca a reimpressão dos volumes esgotados, o que indica que a editora não desistiu da publicação da obra.

A Larp é constantemente criticada por causa dessas pausas intermináveis, do mesmo modo que a Panini é por causa de sua “geladeira”. Além disso, sua política de preços, bem mais elevada do que as de suas concorrentes, é alvo igual de queixas por parte dos consumidores. Os mangás da editora não costumam ter sobrecapas e nem orelhas e, mesmo assim, os preços são mais altos. Alguns acham extremamente prejudicial ao mercado, pois as pessoas poderiam ver que é melhor importar uma versão estrangeira do que comprar o produto local.

É preciso entender isso por um prisma diferente do que se poderia pensar no Brasil. Aqui algumas pessoas dizem preferir importar outras versões, mas existe a barreira do idioma. Nem todos falam inglês ou espanhol, por exemplo. Na Argentina, a coisa é diferente, pois eles têm o idioma em comum com a Espanha e se o produto local for de pior qualidade e com pior preço do que o espanhol, logicamente que haverá uma predileção pelo produto estrangeiro, causando problemas para o mercado argentino.

A Larp vive respondendo a essas críticas, argumentando que a questão das tiragens e tudo mais, mas o público dificilmente ouve, obviamente.

***

Assim como suas concorrentes, a Larp não utiliza honoríficos em seus mangás. Perguntada sobre isso, a editora deu uma resposta forte e verdadeira. Não há razão para manter termos japoneses que podem ser traduzidos^^.

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Em relação às onomatopeias, a editora parece seguir a Ivrea e utilizar elas no modo ocidental. Infelizmente não conseguimos uma imagem para ilustrar.

***

Até o momento em que esta postagem vai ao ar,  a editora não anunciou títulos novos para 2017, mas diz estar negociando. Abaixo você confere a lista de títulos publicados pela Larp e a situação deles na Argentina:

Cuentos de Sirenas – 3 de 3 (Completo)
Naruto – 40 de 72 (Em publicação)
One Piece – 35 de 83 + (Em publicação)
Death Note – 12 de 12 (Completo)
Death Note How To Read – databook da série 01 de 01 (Completo)
Monster – 12 de 18 (Paralisado)
Inu-Yasha – 12 de 56 (Paralisado)
Ouran High School Host Club 08 de 18 (Paralisado)
Trigun 02 de 02 (completo)
Trigun Maximum 02 de 14 (Paralisado)
Vampire Knight 09 de 19 (Paralisado)

Confiram no vídeo abaixo um pouco sobre um dos mangás da Larp. Está em espanhol.


Utopia Editorial


A mais novata no mercado. A editora Utopia nasceu em outubro de 2014 e, desde então, publica alguns quadrinhos como o conhecido Saga. Nos mangás seu primeiro título foi Hetalia Axis Power, mas a sua publicação é tão enrolada quanto a publicação brasileira^^. Desde que a obra foi lançada, em novembro de 2014, apenas dois volumes foram publicados. Segundo a editora o terceiro está previsto para este mês de janeiro de 2017.

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Hetalia, da Utopia Editorial. Foto retirada do blog Manga-Abierto.

Segundo o blog Manga-Abierto, a licencia de Hetalia não se confina na Argentina e se estende também para outros dois países sulamericanos, Peru e Chile. Pelo espanto da pessoa que descreveu isso, esse fato deve ser uma completa raridade para os padrões argentinos.

Ainda segundo o mesmo blog, o mangá inteiro é feito em papel ilustração (em uma qualidade parecida usada nos comics), possui capa espelhada e a tradução é muito ruim com várias piadas sendo perdidas, por exemplo. Não conseguimos saber mais detalhes da edição, pois faltam fotos e vídeos e a única análise decente que encontramos foi a do Manga-abierto. Para quem tem curiosidade, você pode ver mais fotos da edição Argentina de Hetalia e saber um pouco mais sobre ele, clicando aqui.

***

No fim de 2016, a Utopia fez alguns anúncios de novos mangás, são eles Insect Cage, série em 6 volumes de Kachou Hashimoto, e  Crueler than Dead, série em andamento com 2 volumes, de Tsukasa Saimura e Kôzô Takahashi. Dados esses títulos completamente desconhecidos, como podem ver, a Utopia é uma editora bem de nicho, publicando obras completamente não comerciais.

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Insect Cage, foto retirada do Facebook.

Insect Cage começou a sair em dezembro de 2016 e veio com sobrecapa e marcador de página. Até o momento, as pessoas que compraram elogiaram a edição. Crueler Than Dead sairá em 2017, provavelmente em fevereiro.

Por ser um lançamento recente, também não conseguimos informação sobre o trabalho da editora, se eles usam honoríficos ou não, como eles tratam as onomatopeias, etc. Até perguntamos à empresa, mas não obtivemos resposta. Por ora, ficaremos devendo.


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Ivrea, Larp, Ovni Press e Utopia são as quatro editoras de mangás na Argentina atualmente. No passado houve outras, mas que faliram ou deixaram de publicar quadrinhos japoneses. Uma das empresas é o Deux Stúdio. Ela lançava alguns quadrinhos orientais, como o coreano Tarot Café, e os japoneses Astro Boy e Gravitation, entre outros. O Deux Stúdio aparentemente ainda existe e ajudou a Utopia na publicação de Hetalia, porém não parece estar publicando mais nenhuma obra.

Não encontramos informações sobre multinacionais no país vizinho. A Panini, obviamente, atua por lá também, mas não publica mangás. Aparentemente a empresa se concentra em revistinha e álbuns de figurinhas. Só.

No mais, há prenúncios de dias melhores para o mercado de mangás na Argentina. Pelas notícias, mesmo com a mudança de governo e com as medidas adotadas, a economia argentina ainda não vai bem, a inflação ainda é alta, os índices de pobreza crescem e não há uma perspectiva clara de melhora. Entretanto, para o mundinho particular dos mangás parece que mais empresas estão se arriscando, as pessoas estão comprando, e talvez isso faça o mercado argentino crescer.

Além disso, 2017 marca, no país, talvez a melhor época para se colecionar, em questão de popularidade e diversidade, com a presença de Sailor Moon, The Ghost In The Shell, Fullmetal Alchemist, Soul Eater e várias outras obras bastante famosas e que ainda não haviam ganhado espaço no país vizinho.

A grande questão é o quanto a Ovni Press irá investir a partir de agora. A empresa parará com suas quatro séries ou continuará a investir e finalmente haverá uma grande concorrência para a Ivrea? Tudo indica que a Ovni Press investirá, sim. A Ivrea chegou a comentar que por pouco não perderam Fullmetal Alchemist para essa Ovni. Então há chances reais de a Argentina ter pelo menos duas editoras com grandes poderes. Quanto a Larp, ela tem que passar a publicar novas séries. Já a Utopia precisa manter uma regularidade. Se todas essas coisas acontecerem, quem sabe o mercado argentino não cresça, ganhe novos consumidores e passe a ter um número maior de lançamentos….

***

Em tempo: mangás na Argentina são vendidos praticamente do mesmo modo que no Brasil: em bancas de jornais, em lojas especializadas e em livrarias, físicas e onlines. Não pesquisamos sobre o funcionamento da distribuição na Argentina, fica para uma próxima postagem…

Leia também:

Os Raros mangás em Portugal

Lista de editoras brasileiras que publicam ou publicaram mangás

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24 thoughts on “O atual mercado de mangás na Argentina”

  1. Achei bem bacana esse Monster da Larp, parece estar com uma ótima qualidade, fiquei curioso para ver ele pessoalmente.

    Mas duas coisas, principalmente na Larp, me chamaram a atenção.

    A primeira é essa questão da Shueisha liberar One Piece e Naruto para uma novata só para aumentar a concorrência no país. É interessante isso, talvez os japoneses tenham visto na argentina um bom mercado, e por isso tentam incentivar mais editoras por lá?

    Outro ponto, esse mais negativo, é a questão das paralisações. Estão renegociando o contrato? Algumas dessas obras são completas a muito tempo, não era mais fácil já ter negociado inteira? É no mínimo diferente, mas claro, lá é outro pensamento e tal.

    Sobre as onomatopeias, eu sou meio direto nisso: As editoras brasileiras não traduzem por culpa dos leitores. Bem simples. Essa mania que os otakinhos brasileiros de querem tudo o mais próximo do japonês, como se isso fosse tornar eles orientais. Quantas vezes já vimos gente reclamando que traduziram onomatopeias, nomes ou honoríficos??

    Curtido por 1 pessoa

    1. “Outro ponto, esse mais negativo, é a questão das paralisações. Estão renegociando o contrato? Algumas dessas obras são completas a muito tempo, não era mais fácil já ter negociado inteira? É no mínimo diferente, mas claro, lá é outro pensamento e tal.”

      Acho que não foi negociado inteiro por justamente não terem dinheiro pra isso.

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    2. Na verdade, penso que é uma questão mais…. comercial.

      Concorrência dentro de um país pode ser melhor para os japoneses também, fazendo-os ganhar mais no futuro, afinal terão mais de uma proposta em mãos para decidir. Além do que pode existir aqueles famosos “leilões”, aumentando ainda mais o lucro nipônico…

      ——

      Não necessariamente o melhor a fazer é negociar tudo de uma vez, pois uma série pode não vender bem, no fim das contas. Mas, enfim, a editora não diz aos seus leitores exatamente o porquê da demora, quais os empecilhos que os japoneses estão colocando, etc. Decerto não é só uma renovação simples, deve ter alguns entraves, envolvendo renegociação de royalties, por exemplo.

      Talvez algumas das séries tenham vendido tão mal que a editora tenha demorado a conseguir o suficiente para pagar o que deve aos japoneses, por exemplo. Mas isso tudo é especulação minha…

      Curtido por 1 pessoa

      1. Óbvio que vamos ficar sempre na especulação, não temos as informações necessárias para afirmar. 😛

        Sobre a questão da concorrência, o que mais me chama a atenção é que tipo, vimos várias vezes a NewPOP falar em palestras como eras difícil para eles negociarem na Shueisha, mas na Argentina vemos One Piece e Naruto irem para uma editora novata. Claro, envolve muito dinheiro esse tipo de coisa, mas ao mesmo tempo é no mínimo curioso essa diferença entre os países.

        Mas como você disse, não podemos fazer nada além de especular.

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        1. Nesse caso, eu acho que é por causa do mercado ser pequeno.
          Aqui no Brasil também tivemos séries da Shueisha para editoras novatas, CdZ e Dragon Ball para a Conrad, Samurai X e Video Girl Ai, para a JBC. Está certo que Conrad e JBC não eram novatas, publicavam revistinhas e tal, mas também não tinham experiência com mangás. Mas como o mercado era pequeno…

          Eu não sei se a Shueisha daria uma série para uma editora novata hoje em dia na Argentina. A Ovni Press mesmo só conseguiu licenças da Square Enix e da Kodansha (as duas que não licenciavam há anos pro país), mas nada da Shueisha até agora…

          Curtido por 1 pessoa

    3. Olha, eu prefiro as onomatopeias originais, não gosto dos honoríficos e tal. Motivo? Onomatopeias em geral são desenhadas a mão pelo autor, não é como as americanas que são quase fontes tipográficas. Isso significa que há toda uma arte envolvida a depender da pessoa em questão, e elas não só passam um significado, sua forma e vários fatores passam sentido, direção, força.
      Pegue o exemplo assim de Ataque dos Titãs, note como o Chomp é posicionado ao redor da boca, isso é uma ideia de espaço, para dar a ideia de que o som te envolve,que seria alto e vindo de todo o lugar, o “tsuzinho” no final indica um som de parada brusca. O Glup por sua vez, tem exatamente a direção de onde ficaria a garganta do coiso, com um começo maior e um final mais contínuo que indica o movimento de engolir.
      É impossível de se traduzir? Não, mas requer um esforço muito grande de alguém “sensível” que criasse designs equivalentes. O que vimos ser feito aqui no Brasil foi um trabalho porco, de simplesmente tacar a tradução em qualquer fonte tipográfica do maior tamanho possível e boa, não muito diferente de como fazem com as legendinhas.
      Tá certo que muita gente não percebe essas nuances, nem lê as legendinhas, mas para quem lê, quem se interessa, não é uma questão de frescura. Essas On’yus são parte do design, do cálculo de espaço, do equilíbrio da cena. Faz diferença e é parte da “arte”. É igual qualquer arte, há quem veja um quadro e em 2 segundos passe adiante, há quem olhe um quadro e realmente mergulhe nas técnicas e harmonia da obra. Não é uma questão de frescura, mas de apreciação.

      Curtido por 2 pessoas

      1. Roses, sabe o que me incomoda nisso, realmente? É tradução ficar no tamanho da onomatopeia original. E isso gera uma poluição visual tremenda. A única que não faz isso é a Panini. O resto… Fala sério!

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        1. A NewPOP faz isso? Eu acho o deles pequenos, inclusive em alguns volumes as fontes das legendas mudam com o tipo de onomatopeia.
          A JBC realmente sempre me incomodou, especialmente a época do Del Greco, que ele colocava elas sempre na horizontal no meio do quadro todo e às vezes super exagerados, uns Vrrrruuuuummmmmmmmmmm

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          1. A NewPOP faz isso, e muito! Sério, isso atrapalha bastante! Se tem a onomatopeia grande, original, pra que fazer a tradução no mesmo tamanho? Aff! Que raiva! A JBC tem feito isso também, principalmente agora que o Marcelo Deu Greco voltou pra editora. você encontra isso nos mangás que ele cuida, como To Love-Ru! ¬¬

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          2. Você parece bem mais sensível do que eu, deve sofrer, coitado. Mas tem lados ruins às vezes de onomatopeias muito pequenas, uma pessoa que não reconhece as letras japonesas pode ter dificuldade de achar todas as onomatopeias e uma legendazinha muito mínima pode acabar passando :/

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          1. TDA, é somente os mangás que o Marcelo Del Greco inventa de cuidar. Sai umas coisas bem toscas, sinceramente. Os que os outros pegam, não ficam com as traduções da onomatopeias do tamanho da original, não. Ao controlo dele, os outros têm um mínimo de bom senso.

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          2. Não sei pq mas não consigo responder abaixo do seu comentário lol
            Entendi, então acho que dei sorte de só pegar obras editadas pelo Cassius rsrs pois pra mim são normais os tamanhos das onomatopeias e olha que sou bem incomodado com detalhes.

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  2. No se me da tan bien escribir en portugues como el leerlo.
    Me siento muy halagado por que usaran mis videos y mi blog de noticias, muy bien ilustrado post. Felicidades.
    Sobre algunos detalles que no mencionan sobre las editoriales.
    – Editorial Ivrea desde finales de 2014 publica absolutamente todas sus nuevas series con sobrecubiertas. Entre los anuncios de 2016 hay casos destacables como que Fullmetal Alchemist tiene hotstamping metalizado en el título, Last Hero Inuyashiki tiene laca (barniz) sectorizado en el logo y tanto este como I am a hero usan una tinta de cuarto color metalizada en la sobrecubierta.
    – LARP Editores traduce y edita las onomatopeyas de la misma manera que lo hace editorial Ivrea.
    – El caso de Hetalia es muy especial, porque la licencia pertenece a la editorial Deuxstudio Editora, pero llegó a un acuerdo con Utopia para que ellos hicieran el trabajo de edición y lo publicaran. Por esta razón la negociación de tomos siguientes es muy extensa.
    – Argentina tiene 3 grandes canales de distribución:
    *Comiquerías o tiendas de comics. Son el lugar donde se puede encontrar el catalogo completo de todas las editoriales disponible todo el tiempo, ya que constantemente hacen reposición de stock. La distribución en comiquerías llega a todas las tiendas de este tipo que hay en el pais.
    *Quioscos de diarios y revistas: Son puestos callejeros donde se venden diarios, revistas y publicaciones de este tipo. Y por supuesto manga y comics. La desventaja es que el encargado del quiosco en muchas ocasiones deja de traer lo que no vende, y solo tiene disponible los últimos numeros que salieron a la venta ya que los anteriores se los devuelve al distribuidor. La distribución en quioscos de diarios es solo en grandes ciudades como Ciudad de Buenos aires (Y toda el area metropolitana), Ciudad de La plata y en menor medida Cuidad de Cordoba y Ciudad de Rosario.
    *Cadenas de librerías: En el último año tanto Ivrea como LARP y Ovni Press empezaron a vender sus títulos en grandes cadenas de librerias como Yenny, El Ateneo, Cuspide o La boutique del libro. Estas cadenas tienen sucursales en varios puntos del país, y es una alternativa para lugares donde no hay comiquerías o puestos de diarios. La desventaja de este medio es que las novedades pueden tardar semanas en llegar a estas librerias, supongo que por las politicas propias de estas cadenas a la hora de entrar nuevo material.
    Las empresas que distribuyen manga son: SD Distribuciones Argentina (Ivrea, LARP, Ovni y Utopia) y Plan T (Ovni).

    Tu página me parece excelente, les mando un fuerte abrazo desde Argentina.

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  3. as publicaçoes argentinas sao lindas. elas chegam muito amis perto da original japonesa do que as brasileiras. e só vc comparar yu yu hakusho, dragon ball e avngelion por exemplo. todas lindas com sobrecapas..

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