Retrospectiva

Retrospectiva 2016 – Uma nova perspectiva para shoujos e joseis no Brasil?

helterO ano foi bom para os fãs dessas demografias?

I

O ano só termina semana que vem, mas o mercado brasileiro de mangás não deve ter muitas novidades durante os dias que restam para o fim de 2016. Pensando nisso, hoje o blog começará a postar algumas matérias para revermos e repensarmos o que aconteceu durante esse ano que se encerra.

Para iniciar essa série de postagens, falaremos hoje de um tema muito propício que é a presença de mangás shoujos e joseis em nosso mercado. Em 2015, fizemos uma postagem em que falamos sobre a “volta do mangá shoujo” para o Brasil. Na ocasião, dissemos o quanto o ano foi positivo com obras sendo publicadas por várias editoras diferentes e com diversas temáticas diferentes, tivemos shoujo Disney, shoujo de romance, shoujo de sobrevivência, shoujo que virou seinen ^^, etc.

Naquela postagem, falamos da iniciativa da Panini em publicar Aoharaido após pedidos de uma campanha denominada Mais Shoujos no Brasil e até pegamos no pé da empresa por não ter publicado mais^^.  O motivo é que em 2015, se dependêssemos apenas da Panini não teríamos quase nada de shoujo nas bancas, visto que a empresa publicou apenas 9 volumes de mangás, considerando Aoharaido e as demais obras da empresa.

Em 2016, a coisa mudou de figura e a Panini tornou-se protagonista em todos os sentidos possíveis. A empresa lançou as obras mais populares e pedidas, Lovely Complex e Ore monogatari!!, e ainda teve um grande número de tomos publicados no total. A empresa publicou ao todo 18 volumes até o momento (o dobro do ano passado), discriminados a seguir:

05 de Lovely Complex
03 de Ore monogatari!!
06 de Aoharaido
03 de Kimi ni todoke
01 de Psychic Detective Yakumo.

Considerando o checklist de dezembro – a sair até o dia 10 de janeiro – teremos ainda mais dois volumes (um de Lovely Complex e um de Ore Monogatari!!) totalizando 20 tomos de shoujos publicados. Um número excepcional.

the wedding eveMas a editora não apostou apenas em shoujos. Para a surpresa de muita gente, a Panini começou a diversificar um pouco mais o seu catálogo e trouxe para o Brasil um mangá josei de volume único, intitulado The Wedding Eve – a véspera do casamento e outras histórias. Fazia anos que a editora não publicava um josei.  É claro que um mangá de um volume pode ser considerado muito pouco, mas para quem não tinha nada, um título já é motivo de comemoração, pois mostra-se como uma promessa de que outros podem vir também.

No todo, foi um ano bem positivo para os shoujos e joseis pela editora Panini, com 6 títulos em publicação (sendo 3 lançamentos) e 21 volumes no total. Sem dúvida alguma, muito melhor do que foi 2015. Não há como pensar 2016 sem ser positivamente, não é? Não é?…

II

A verdade é que “depende”. E depende muito. Acaba sendo tudo uma questão de perspectiva e do que você considera importante. Se compararmos todo o nosso mercado em 2016 com 2015, a coisa não foi tão boa assim. Enquanto a Panini teve um ano de expansão (foi a única a conseguir isso), as demais editoras padeceram de problemas e viram o ritmo de suas publicações diminuir. Isso se fez sentir também nas publicações shoujos e joseis…

Ano passado, tivemos shoujos e joseis por Abril, JBC, NewPOP, Nova Sampa e Panini. Em 2016, apenas a NewPOP e Panini publicaram mangás dessas demografias. E perto da Panini, a NewPOP não foi nada em termos numéricos.

Em todo o ano, tivemos apenas duas novidades pela NewPOP, o premiado josei Helter Skelter e o yaoi Fallen Moon, ambos de apenas um volume. Sim, só isso. Contando com as séries antigas, a empresa publicou apenas 8 volumes de obras shoujo/joseis (yaoi incluso),  discriminados a seguir:

01 de Nº 6 (shoujo)
01 de Alice Hearts (shoujo)
03 volumes de Usagi Drop (josei)
01 de Loveless (josei)
01 de Helter Skleter (josei)
01 de Fallen Moon (yaoi)

Esses números representam uma perda de mais de 50% em relação ao ano passado. Em 2015, a empresa começou a publicar dois shoujos e lançou três yaois de volume único, publicando, ao todo, 18 volumes de mangás shoujos, joseis e yaoi.

Dentre as demais editoras, a Abril lançou pouca coisa durante o ano e parece ter desistido por ora dos mangás. A Nova Sampa, por outro lado, sumiu e não publicou um único mangá o ano inteiro e ainda não sabemos se ela faliu ou não. Já a JBC só lançou os três volumes finais de Orange, mangá que nasceu shoujo e, posteriormente, foi transferido para uma revista seinen. Foi a primeira vez, desde 2006, que a editora deixou de começar a lançar pelo menos um mangá shoujo durante o ano.

É meio óbvio o motivo dessa diminuição. Como dito as editoras passaram por problemas. A JBC já admitiu que foi um ano difícil, inclusive diminuindo o número de lançamentos. A NewPOP também passou por problemas e diminuiu bastante o número de publicações em geral também. Em vista disso, os números tornaram-se baixos e são eles que ficarão para marcar o ano…

III

Estamos falando de números. Vamos ver mais alguns:

1 – Em 2015, considerando todas as editoras tivemos 20 séries diferentes e 54 volumes em publicação, uma média de 4,5 mangás por mês. Dessas 20 séries, 14 foram lançamentos, sendo 10 shoujos, 1 shoujo que virou seinen e 3 yaois.

2 – Em 2016, por outro lado, tivemos 12 séries diferentes e 29 volumes em publicação, uma média de 2,4 mangás por mês, isso considerando os dois títulos do checklist de dezembro da Panini que devem ser lançados até 10 de janeiro. Dessas 12 séries, apenas 5 foram lançamentos, 2 shoujos, 2 joseis, 1 yaoi.

Os números totais representam uma queda de quase 50% de um ano para outro. Se for ver o número de shoujos, a situação é pior, o número caiu de 10 títulos novos para apenas 2. Só tivemos aumento no número de publicações de joseis, com 2 volumes únicos.

Se esse dado por si só não parece assustador, ainda há mais. Para se ter uma ideia do que isso representa, mesmo se contássemos os volumes de Orange como shoujo, 2016 ainda assim seria um ano pior do que 2014. Nesse ano, foram publicados 40 volumes por cerca de 10 séries diferentes. Dessas 10 séries diferentes, 6 delas eram lançamentos, sendo 3 shoujos e 3 joseis… Em outras palavras, os números mostram que 2016 foi um ano pior do que em 2014 em quase tudo e tivemos até mesmo menos lançamentos.

Aos que não se lembram, 2014 foi o ano em que a campanha Mais Shoujos no Brasil estava no ápice, chamando a atenção da Panini, e culminando com o anúncio de Aoharaido. Hoje, entretanto, mesmo tendo menos mangás em circulação e menos lançamentos de títulos novos, não parece mais haver uma cobrança e a campanha por mais shoujos parece ter esfriado. Pelo menos não temos visto mais gente pedindo tanto…

O motivo principal parece bem claro. Talvez, a maioria das séries de 2014 e 2015 não fossem exatamente o que as pessoas queriam. Ainda que títulos como Limit e Vitamin sejam muito bons, elas não faziam parte dos shoujos mais apreciados. Hoje, entretanto, as séries mais populares já estão em publicação por aqui e as pessoas têm esperança de que, assim que uma acabar, outra entrará no lugar automaticamente. Ou pelo menos virão um tempo depois.

Porém estamos chegando no final do ano e a editora Panini não anunciou nenhum shoujo novo, mesmo com Aoharaido previsto para ser concluído em março. A JBC também não tem nada previsto. A NewPOP tem alguns títulos já conhecidos, mas sem previsão. A Nova Sampa idem, mas nem sabemos se ela voltará ao mercado. Alto Astral e L&PM não parecem interessadas nesse tipo de publicação. O máximo de diferente que já se sabe que vai ter ano que vem é um mangá de terror pela Darkside, que saiu em uma revista josei.

Questões ficam no ar. Será que a Panini já obteve a licença de alguns e só está esperando o momento certo para anunciar? Ou será que a editora mudou o foco e quer abraçar o público que gosta de romance escolar com mangás que não são shoujos, mas que possuam um pouco dessa temática, como One Week Friends e Your Lie In April? E será que a JBC abandonou de vez as publicações shoujo?

São apenas questões para se pensar e refletir. Entretanto, não se deve ter alarmismo. Ainda é muito, mas muito cedo para se pensar em uma diminuição definitiva dos shoujos e joseis no Brasil. Primeiro que as editoras nacionais não têm o costume de revelar todo o planejamento para o ano seguinte, então muitas novidades podem estar guardadas, segundo que os números são firmes e fortes, mas também são frios e podem levar a análises equivocadas…

IV

Sim, os números apresentados aqui são frios. E como dizem por aí, hoje em dia com números pode se tentar provar qualquer coisa e não necessariamente essa “prova” pode ser uma verdade. É perceptível que houve de verdade uma diminuição de volumes em publicação e no número de títulos novos, e isso é algo que não se pode ignorar. Dependendo do andamento do mercado de mangás em 2017, isso pode se tornar uma tendência, talvez pior do que aquela que gerou a criação da campanha Mais Shoujos no Brasil.

Entretanto, os números por si mesmos não podem servir para dizer que 2016 foi um ano ruim. É impossível considerar 2016 como um ano fraco se tivemos em circulação um josei premiado (Helter Skelter), três dos mangás shoujos recentes mais populares (Kimi ni todoke, Aoharaido e Ore monogatari!!), além de obras de renome como Lovely Complex e Usagi Drop. Pelo contrário, por essa perspectiva, assim como 2015, 2016 foi um ano muito bom para shoujos e joseis no Brasil, com a publicação de obras bastante apreciadas pelo público.

O problema é que se 2017 for um ano ruim para JBC e NewPOP e as empresas continuem a lançar poucas coisas, se Nova Sampa não voltar ao mercado e se outras editoras não publicarem shoujos e joseis, as coisas tendem a ficar realmente ruins e aí sim a gente deverá se preocupar de verdade, pois a variedade de shoujos tenderá a diminuir ainda mais em 2018 se a Panini não “abocanhar” o mercado…

***

Para concluir, abaixo você verá os mangás shoujos / josei anunciados para 2017 (ou outros anos). Na retrospectiva de 2015, tínhamos seis obras anunciadas e dessas apenas duas foram publicadas. As outras quatro se repetem abaixo e se reúnem ao título anunciado este ano: Fragments of Horror.

Fragments of horror – 1 volume, mangá josei de terror (Darkside Books)
Niji no prelude – 1 volume (NewPOP)
Café kochijoji de – 3 volumes (NewPOP)
Malicious Code – 4 volumes (Nova Sampa)
Hakuoki – 4 volumes (Nova Sampa)

BBM

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15 thoughts on “Retrospectiva 2016 – Uma nova perspectiva para shoujos e joseis no Brasil?”

  1. 2017 será um ano negro para os mangás no Brasil, Nova sampa sumiu, newpop e JBC se retrairam para sobreviver e a panini esta tentando abraçar o mundo a ultima vez que isso ocorreu a conrad virou historia. Acho que em 2017 teremos algumas obras canceladas pela panini e um mercado ainda mais frio que esse ano para as outras editoras. E devido a isso a tendencia é cada vez menos shoujos, e apostas nas obras mais hypadas.

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  2. Cara acho que vc tá sendo muito negativo e pessimista, apesar dos problemas acho que esse ano foi muito bom em vários aspectos, jbc por exemplo diminuiu o número de lança mentos mas melhorou a qualidade e eles falaram que ano que vem vão apostar mais em produtos voltados para livraria e lojas especializadas, a panini tá investindo em mangás com acabamento melhor como slam dunk, vagabond e lobo solitário, a newpop foi mais apagada mas acho que ano que vem eles devem vir com tudo além da entrada da darkside no mercado…

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    1. Apesar deste ano meio bagunçado, também estou otimista para 2017. Espero que a NP consiga se reorganizar e voltar a lançar mais coisas por mês, que a Panini invista nesses formatos em sulfite e que a JBC continue fazendo mais mangás esses formatos mais caprichados para livraria. Seria bom se a Nova Sampa ressuscitasse também, mas pelo jeito a coisa tá mais complicada pro lado deles…

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  3. Forçando um pouco a barra, dá pra considerar Nisekoi, One Week Friends e Your Lie in April shoujos (ou no mínimo mangás que possivelmente agradarão às mulheres, EU ACHO).

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  4. Pra mim, essas demografias em 2017 dependerão mais da panini do que das demais. E pelo planejamento atual da JBC, acho que se vier shoujo em One Shot ja é muito.

    ah, e forçando a barra, daria pra considerar Anohana um “shoujo” tbm

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    1. Foi escolhido um único caminho ao longo do texto: mostrar dois lados^^.

      Os números não mentem: diminuiu e muito as publicações de shoujo e joseis.

      Por outro lado, as obras mais populares e algumas de renome estão no mercado.

      Há como dizer que foi ruim? Os números podem significar uma coisa para os próximos anos, mas qualquer afirmação mais contundente seria alarmista demais, neste momento.

      Curtido por 1 pessoa

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