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Resenha: o polêmico final de Usagi Drop

usagiHá motivo de reclamação?

Se existe um final polêmico recente esse é o final de Gilmore Girls: um ano para recordar. Produzido nove anos após a conclusão da série original, este especial de quatro episódios buscava encerrar a história das garotas Gilmore conforme a autora originalmente havia idealizado, mas que não pôde concluir na época, pois fora afastada da série um ano antes de seu término. Não se pode negar que os episódios foram dignos da série, porém as quatro palavras finais ditas por uma personagem fazem a história terminar em um cliffhanger que deixou os fãs loucos, xingando a autora e exigindo uma nova temporada que não deve acontecer.

Polêmica, entretanto, não é exclusiva com séries, evidentemente. No nosso mundinho particular dos mangás, o final de várias obras são envoltos em controvérsias diversas entre os fãs (e os não fãs também). Um dos finais mais polêmicos, sem dúvida, é o de Usagi Drop, mangá josei de Unita Yumi.

Mesmo quem não tenha lido a obra na época da serialização no Japão ou agora com o lançamento oficial no Brasil pela editora NewPOP, já deve ter visto alguma discussão e se deparado com um spoiler do, por muitos considerados, “horrendo final”. Mas será um final tão ruim quanto dizem? Ou será que o final é digno e há apenas um desconforto gerado por culturas diferentes? Veremos isso agora…

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I

Regra geral, existem dois tipos de pessoas que odeiam o final de Usagi Drop. Um grupo acha que toda a segunda parte do mangá (iniciada no volume 5 e terminada no volume 9) é ruim e que a autora deveria ter acabado no quarto tomo ou continuado a história de Daikichi cuidando de Rin ainda criança. Outro grupo, por sua vez, diz apenas que o final estragou todo o mangá. Ambos os grupos são bastante radicais e é difícil concordar com essas afirmações…

Grande parte das críticas se refere ao plot twist, à grande virada que ocorre na relação entre Daikichi e Rin e dos questionamentos morais advindos disso. Vivendo como pai e filha há dez anos, Rin descobre-se apaixonada por Daikichi e este acaba por, mesmo relutante inicialmente, aceitar o amor da garota.

Os questionamentos morais surgem exatamente nesse ponto. As pessoas tendem a olhar a obra por um prisma em que tal relacionamento não é socialmente aceito e, portanto, causa repulsa e indignação. Afinal, não faria qualquer sentido um relacionamento entre uma filha postiça de 15 anos e um pai adotivo de 40. Até hoje muitos dizem que a autora enlouqueceu ao criar esse final.

No “nosso mundo”, a história de Daikichi e Rin seria daquelas das mais esquisitas possíveis, gerando programas televisivos e textões no Facebook para discutir o assunto, pois no nosso ver se trataria de algo imoral e reprovável.

A verdade, entretanto, é que isso é um pensamento nosso, ocidental. Nós, e somente nós, é que achamos isso. Para um japonês o final de Usagi Drop não tem nada de polêmico, imoral ou qualquer coisa que costumamos ver. A partir do momento em que se descobre que Rin não é tia de Daikichi, a relação entre os dois torna-se possível, aceitável, de forma bastante natural até.

Um japonês, de modo geral, não se preocupa em julgar a vida privada de duas pessoas, então se Rin e Daikichi resolveram se casar após a garota se formar, para as outras pessoas está tudo bem. Simples, não?^^. O nosso olhar enxerga algo muito questionável e reprovável socialmente, o olhar japonês por outro lado não costuma ver nada demais. Vale lembrar que ainda hoje é comum que jovens se casem com pessoas muito mais velhas no Japão, faz parte da cultura deles. Usagi Drop seria apenas mais um caso desses, diferenciando apenas por eles terem vivido como uma família por anos…

Em outras palavras, os questionamentos morais só existem para quem vê de fora, para os que não estão inseridos na cultura nipônica. Grande parte das críticas, portanto, só fazem sentido se você desconsiderar o modo de pensar japonês, se você ficar julgando a cultura deles. Mas é impossível desconsiderar isso. Tudo aquilo que as civilizações humanas criaram é resultado da combinação de fatores de diversas ordens (políticos, sociais, econômicos, éticos, religiosos, ideológicos, etc) que compõem, em conjunto, o amplo contexto que explica e justifica o produto. Como Usagi Drop trata-se de uma obra feita e pensada para ser consumida pelos japoneses e eles não costumam ver qualquer estranhamento na relação entre Rin e Daikichi, boa parte das críticas ao final do mangá são infundadas, e só ocorrem devido a um embate cultural.

Mas será que o mangá foi mal desenvolvido como dizem outros? Ou essa crítica também é bastante infundada?

II

Apesar de criticada, toda a segunda parte do mangá Usagi Drop é muito bem desenvolvida a meu ver. Vemos, aos poucos, o sentimento de Rin ser manifestado e acompanhamos o passo a passo até Daikichi ficar sabendo de tudo, por meio do intrometido do Kouki, amigo de infância de Rin. Em outras palavras, acompanhamos uma história de amor como outra qualquer com todos os seus percalços existentes, o que muda é apenas os personagens envolvidos e os possíveis impedimentos para que os dois ficassem juntos.

A garota achava que era tia de Daikichi e, portanto, por terem esse laço sanguíneo o relacionamento entre os dois seria impossível. Seu sentimento teria que ser guardado consigo e nunca manifestado. Porém, a partir do momento em que se descobre que os dois não eram parentes a coisa muda de figura totalmente e tudo passa a depender de Daikichi e do que ele quer: se ele veria Rin para sempre apenas e tão somente como sua filha postiça ou se ele conseguiria ver a garota por outros olhos.

Nesse sentido, os dois capítulos finais do mangá soam abruptos e estranhos para nós, brasileiros, como se ali estivesse faltando alguma coisa, um desenvolvimento maior  dos sentimentos de Daikichi. O que vemos é apenas o sujeito dizer para esperar dois anos e, após esse tempo, ele a aceita e todos ficam contentes. Não há como não achar, inicialmente, que a autora perdeu a mão e não soube concluir a história. Talvez até seja isso mesmo, mas se olharmos friamente, veremos que essa atitude de Daikichi é muito comum para os japoneses.

Após uma declaração, os japoneses “calculam” os benefícios de se ter aquela pessoa ao seu lado. E se acharem que vale a pena, elas ficarão juntas, havendo ou não amor. Na verdade, o amor é o de menos nesses casos. O namoro, para os nipônicos, é visto como uma tentativa de uma pessoa vir a gostar de outra. Daikichi provavelmente não amava inicialmente Rin, mas por ela ser uma boa pessoa, ele aceitou ter um relacionamento com ela. O amor, portanto, concentra-se basicamente na jovem garota e não necessariamente no solteirão de quarenta anos. Tanto é assim que Daikichi fica “mordido”, quando Kouki lembra que ele não conseguiu ter um relacionamento com a mãe dele.

Desse modo, fica evidente que estamos mais uma vez diante de um embate entre culturas e que o final, por mais que tenha parecido mal desenvolvido, é apenas novamente resultado dessem embate.

III

É lógico que nós, ocidentais, estranhamos tais atitudes e comportamentos dos japoneses, mas é um estranhamento comum que sempre temos quando nos deparamos com algo diferente. Por mais que possamos achar errado, trata-se apenas de culturas diferentes e só estranhamos justamente por não estarmos inseridos nela. Guardadas as devidas proporções é a mesma coisa de acharmos estranhos eles comerem soja fermentada ou feijão doce. Do mesmo modo, se fôssemos japoneses talvez achássemos completamente estranho vários comportamentos e hábitos alimentares dos brasileiros.

A autora não ficou louca ao produzir esse final e, tampouco, os japoneses são esquisitos, são apenas diferentes de nós, assim como nós somos diferentes aos olhos deles. O resultado de toda essa polêmica, que ainda persiste, em relação ao final de Usagi Drop deixa bastante claro que boa parte das pessoas que dizem gostar ou conhecer a cultura japonesa não sabe absolutamente nada do modo de vida nipônico e o jeito de pensar e agir deles. Muitas coisas para nós são completamente desconhecidas, enquanto outras interpretamos de forma bastante errada quando vemos em um mangá ou animê, como é o caso desse final.

Porém, independente de se saber da cultura japonesa, achar o final de Usagi Drop “horrível” por causa do relacionamento entre Rin e Daikichi não dista muito de reclamar de cenas de estupro em Berserk ou de beijo gay em novelas. No fundo, tudo isso é besteira de pessoas que não sabem apreciar uma obra de ficção e tentam colocar as suas próprias noções de certo e errado em produtos culturais. E quando se trata de culturas diferentes, então, a coisa fica ainda pior…

***

Usagi Drop foi recentemente concluído aqui em nove volumes. Existe ainda o volume 10 que possui histórias extras, mas não há necessidade de adquirir esse volume, apenas se você for muito fã da obra.

Onde Comprar: Amazon / NewPOP Shop

BBM

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14 thoughts on “Resenha: o polêmico final de Usagi Drop”

  1. Li esse volume no final de semana e já está na minha lista de posts também.

    Eu já tinha “tomado” o spoiler antes de começar a ler a série, por isso comecei a ler Usagi Drop já querendo ver como aquilo iria evoluir até esse ponto.

    Honestamente, eu apenas esperava mais. Não é que seja ruim, apenas achei mal resolvido, principalmente por parte do Daikichi. Nós vimos toda a evolução da Rin até chegar nesse sentimento (que ainda tenho minhas duvidas se era amor mesmo), mas no Daikichi pareceu simplesmente que ele aceitou e ponto final.

    Acho que faltou um pouco mais de evolução e debate para mim, mostrar um pouco as consequências que essa mudança vai ter na vida de todos. Acho que até a questão de não serem parentes foi usada de modo meio leviano, apenas como uma justificativa para “reduzir o impacto”.

    Ruim não é, só achei fraco. Não por causa deles ficarem juntos, apenas a forma como chegou nisso.

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    1. Na verdade, eles não serem parentes já estava escrito no volume 2^^. A gente é que não prestou atenção. Mas relendo a parte em que ele lê o testamento do avô fica claro que a Rin não era parente dele.

      Mas assim, se eles fossem parentes de verdade, não poderia haver um relacionamento entre os dois e o final seria diferente. Logo, quem não prestou nas entrelinhas dos volumes iniciais ficou achando que se tratava de um amor proibido e que Rin teria mesmo de se esquecer do Daikichi. Nesse sentido, a “descoberta” de que ela não é tia dele, então, não é para reduzir impacto e sim, na verdade, é para causar impacto. É tipo aquelas reviravoltas inesperadas que fazem algo impossível se tornar possível do nada.

      Nada muito diferente de novelas mexicanas, como Maria do Bairro, por exemplo, em que ocorre algo do tipo. A diferença é que a autora de Usagi Drop fez questão de iludir a gente, isto é iludir o público desatento^^

      Curtido por 1 pessoa

      1. Exatamente, ela descobrir que não é parente não era para aliviar a polêmica, mas um milagre que possibilitou que o amor dela se realizasse, um golpe de sorte.

        Você vê isso nos personagens secundários, olha a mãe, olha o amigo, quando eles “sabem” que eles não são parentes, a coisa muda e todo mundo aceita numa boa. Porque a situação muda totalmente e vira algo perfeitamente aceitável, estranho e incomum, talvez, mas aceitável e legal, entre dois adultos conscientes do que querem.

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  2. Ainda bem que não tomei spoiler, só sabia que o final era polemico… Pra mim foi uma surpresa, mas eu amei o final, achei que a autora foi muito delicada e sutil. Na ultima cena pra mim ficou claro os sentimentos do Daikichi pela Rin, alias toda a cena a partir da hora que ela abre a porta do quarto é linda ♥

    Ocidentais precisam julgar os outros, somos um povo com a mente muito fechada e depois falam que os japoneses são assim 😄 o que não é muito verdade…. E não podemos esquecer que logo nos primeiros volumes nos já sabemos que eles não são parentes… Eu realmente gostei do final e os dois merecem ficarem juntos *-* ❤

    Ahh! Até comentei no vídeo que eu fiz pra Usagi Drop, que eu conheço um caso, aqui no Brasil, de um casal que adotou um adolescente e a mulher se separou do marido para ficar com o filho adotivo 😄 não foi um final fofinho como do mangá, mas algo semelhante acontece e deve acontecer muito por aí, só não ficamos sabemos 😄

    Definitivamente eu amo essa série e estou louca para chegar logo o vol. 10 *___* ❤

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  3. Não li Usagi Drop justamente por ter visto spoilers sobre o final, mas a grande maioria das críticas que vi não tinham tanto a ver com a diferença de idade entre os dois, mas o fato de que a proposta inicial, de que mesmo não havendo ligação sanguínea eles eram sim pai e filha por toda a experiência que passaram juntos, foi jogado por terra na segunda parte do mangá.

    Sobre a aceitação do público japonês, pelo o que vi também não foi assim tão de boa, talvez a repercussão não foi tão grande quanto no ocidente, mas teve gente que criticou sim o final pelos mesmos motivos que no ocidente.

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    1. É claro que houve quem gostou e quem não gostou até mesmo no Japão, esse tipo de “incesto” no Japão é geralmente entre irmãos postiços, a autora “inovou” ao colocar um pai e filha. Mas veja que é as opiniões pessoais de quem não gostou é diferente da ética da população. A história, tendo o japonês criticado ou não o final, não é ilegal e é perfeitamente aceitável na cultura japonesa, prova disso são as dezenas de adaptações em anime, filme e livros em várias línguas. No Brasil, entretanto, se você tentar fazer isso você vai preso por incesto.

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      1. Roses, só um adendo: incesto não é crime no Brasil. Há efeitos no âmbito do direito civil (não é reconhecido como casamento/união estável, por exemplo), mas não há impedimentos no penal.

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        1. Você deve estar correta, confesso que acho que me confundi com a lei americana. Juro que li sobre uma mãe que casou com a filha em algum canto e a justiça barrou. Obrigada 🙂

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    2. “mas o fato de que a proposta inicial, de que mesmo não havendo ligação sanguínea eles eram sim pai e filha por toda a experiência que passaram juntos, foi jogado por terra na segunda parte do mangá”.

      Eu já vi essas reclamações e elas fazem parte justamente das reclamações radicais que são difíceis de concordar. A gente pode questionar e debater que há uma inconsistência narrativa, de que a autora não pensou o final desde o início do mangá (e não pensou mesmo pelo que parece nos paratextos do volume 9) e isso causou um descompasso entre as duas metades da obra, mas falar que toda a relação entre os dois personagens foi jogada fora é ir longe demais.

      Entre o volume 4 e o 5 houve uma mudança brusca de foco sim, mas se for analisar bem o clima existente continua o mesmo. Usagi Drop é muito sobre problemas nas relações interpessoais e os sacrifícios que temos que fazer na vida adulta. Calhou de a obra falar sobre isso usando uma estranha relação de um solteirão obrigado a cuidar de uma criança que supostamente seria sua tia. Problemas interpessoais e sacrifícios continuam a existir na segunda metade da obra. Inclusive a relação Pai x filha está lá presente, mas de uma forma um pouco diferente já que Rin havia crescido e passou ter outras preocupações…

      O que acontece em Usagi Drop é que chega um momento em que Rin “deixa” de gostar do melhor amigo dela e passa a ver Daikichi – seu pai de criação – com outros olhos. E tudo ocorre, no mangá, de forma tão natural, mas tão natural que essas críticas dizendo que tudo foi jogado por terra perdem sentido, ao meu ver. O que de fato acontece é que a obra progride e se transforma em uma história de amor, inicialmente platônico, de Rin por Daikichi.

      Pelo menos essa é a minha visão da obra…

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      1. Bom, como não li o mangá não tenho como opinar sobre como foi essa transição de sentimentos, mas a minha experiência foi pela indicação de alguns amigos que gostaram do anime, sem ter lido o mangá, e me falaram pra eu assistir por se tratar de “um slice sobre um solteirão tentando criar uma criança”; aí quando fomos pesquisar sobre o mangá veio a surpresa rsss! Acho que a repercussão neste caso é mais pelo fato de muita gente ter visto o anime (que pelo o que sei, acaba na primeira parte) ou ter começado a ler o mangá com a ideia de que seria sobre o relacionamento deles como pai/filha, sem nem imaginar que posteriormente teria um romance ali. Muito provavelmente se desde o começo ficasse claro que a proposta era desenvolver um romance, algumas pessoas teriam evitado o título ou pelo menos visto de outra forma desde o início.

        É claro que a autora é livre para desenhar e escrever da forma que ela preferir, mas para os leitores também é decepcionante quando você espera algo de um título e ele toma um rumo completamente diferente. Não tem muita relação, mas eu particularmente gostei muito do anime de Barakamon justamente pela inocência de ver um adulto de personalidade difícil tendo que conviver com crianças pequenas, mudando sua visão das coisas e do clima mais leve da história, então depois que soube de Usagi Drop fiquei até com receio desse mangá tomar um rumo parecido também, porque isso afetaria muito minha visão e o sentimento que tenho pela obra.

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  4. Não vi spoilers nem sou que o final era “polemico”, li por que gostei mesmo. Sobre o final, me causou um certo desconforto por não ter mostrado o desenvovimento por parte do Daikichi, mas depois de guardar o volume 9 na prateleira eu pensei…”poxa, esse final foi muito bom, realmente gostei dos dois juntos”.

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  5. O autor da resenha errou completamente o alvo, a meu ver. O problema não foi terem um relacionamento por causa da diferença de idade ou por não serem parentes sanguíneos – o grande problema, para mim e para meu amigo que me introduziu a história, é que a relação de Daikichi e Rin era de PAI e FILHA! Não importa que ela não era filha do avô dele – ele a criou, educou, deixou sua vida de lado para viver em função dela. Era uma relação puramente paternal.Partir disso para um relacionamento amoroso é extremamente bizarro.Rin poderia desenvolver um sentimento confuso pelo homem que se tornou essencialmente seu pai adotivo, uma vez que ela considerava o avô dele seu verdadeiro pai, mas que isso progrida e Daikichi corresponda é algo que não tem como entrar na cabeça. Talvez o grande choque cultural seja esse: para os japoneses família são aqueles que têm vínculos genéticos; para nós as relações afetivas e emocionais são tão importantes quanto.

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