Desmistificando

Desmistificando: Seriam os mangás no Brasil caros?

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Como definir algo assim?

Você já deve ter se deparado em algum momento com pessoas discutindo se o mangá está caro ou barato, se os preços valem seu custo-benefício, se é um roubo ou não. Com pessoas citando as diferentes características como provas e argumentos para defender ou atacar editoras. Na verdade, basta começar a falar de preços, aumentos ou lançamentos que inevitavelmente veremos comentários desse tipo. Mas de fato, seriam os mangás caros no Brasil?

Caro e Barato, Alto e Baixo

A primeira coisa que qualquer um discutindo preços tem que entender é que existem duas coisas totalmente diferentes, o valor e a “justiça” do preço.

O valor é óbvio e podemos definir se é um valor alto ou baixo em comparação um com o outro, assim um bilhão de reais é um valor alto, um centavo é um valor baixo. Sozinho o valor não significa muito e pode ser ao mesmo tempo alto e baixo a depender dos valores sendo comparados, por exemplo, um bilhão é baixo perto de um trilhão.

Às vezes a comparação não é feita com o valor de dois produtos, mas entre o produto e um referencial pessoal seu, como salário, o salário mínimo, o custo de vida e outros tipos de valores. Dessa forma alguém pode considerar 20 um valor alto, em comparação aos seus custos de vida, já outro usar notas de 100 como papel higiênico.

Para comparar dois valores, basta eleger um de referencial ou diferentes produtos. Assim, dentro dos mangás, pode-se afirmar que Knights of Sidonia tem um preço alto, R$17,50, e Blood Blockade Battlefront um preço baixo, R$13,90. As características deles nada influenciam em ser baixo ou alto, é uma mera questão de números, R$17,50 é maior que R$13,90. Não importa a comparação que escolher, no final a decisão de alto e baixo é a mesma para qualquer pessoa, pois independe da sua opinião, é pura matemática.

O que irá variar é o que você considera uma comparação condizente. Por exemplo, seria justo comparar um lançamento de offset com um de papel jornal? Um volume de luxo com um econômico? Um volume de mangá com o preço da cesta básica? E é aí que entra a ideia de “justiça” e da “justiça do preço”.

Quando falamos justiça do preço, de caro e barato, a coisa lembra muito o anterior, precisamos de comparações ou referencial, mas aqui entra o que torna ambos muitíssimo diferentes: a subjetividade. “Justiça” não é um valor matemático que possa ser comparado, algo justo ou injusto é definido de acordo com a sua perspectiva e ponto de vista. É como você interpreta todas as características vs. o preço, definindo se aquilo é um preço justo, caro ou baixo. Da mesma forma que você interpreta as características para definir a justiça das comparações.

Assim, se você não dá a mínima para tipos de papel, todos os mangás de preço mais alto que a média são caros, o benefício do papel não vale o aumento de preço na sua opinião, ou não vale aquele aumento de preço em específico. O mesmo pode acontecer quando a qualidade está tão aquém do que você quer que o preço, mesmo baixo, não vale a pena, o velho “não quero nem de graça”. Por causa da sua interpretação e o que você valoriza mais, a mesma coisa pode ser vista de forma diferente por pessoas diferentes, o valor do preço em si em nada interfere. É uma questão de custo-benefício. Compare, por exemplo, um mangá de 200 reais a um carro zero de 5 mil; o mangá tem preço baixo e é caro, o carro tem preço alto e é barato.

Sendo assim, podemos definir um universo, os mangás no Brasil, e colocá-los em ordem de preços altos e baixos facilmente, e todas as nossas listas terão a mesma ordem (Ghost in the Shell, CdZ – Kanzenban, Eden e Blade com os preços mais altos, Yo-kai Watch e One Piece com os preços mais baixos). Mas mesmo definindo o universo, é impossível listar de barato a caro, seria o mesmo que listar quais os gerentes mais atraentes (Medauar, Beth, Júnior, Del Greco, etc) e esperar que todos chegassem à mesma ordem, isto porque o valor que nós, pessoalmente, damos ao dinheiro, às características, às obras, à história, ao autor, ao formato, à aparência… é o que define se um mangá tem preço justo, caro ou barato. Logo de fato não é possível definir se o preço de um mangá é caro, barato ou justo sem incluir a sua opinião.

Ou seja, “Seriam os mangás no Brasil caros?” é uma pergunta sem uma resposta única, uma pergunta impossível de ser respondida. A pergunta correta seria: “O que você acha do custo-benefício dos mangás?”, “Você acha que mangás são caros?”.

O mais próximo que dá para fazer é discutirmos o preço em relação à variação de preço de outras áreas semelhantes, como o dos livros e revistas. Mas mesmo assim o resultado disso tudo pode não significar nada se você achar que um deles é superior ao outro, que o livro vale mais a pena que o mangá, por exemplo, que 50 reais num livro são muito mais bem gastos que 50 em um mangá.

Assim como cada um terá uma resposta a depender do que valoriza, não vale a pena discutir a justiça do preço ou afirmar categoricamente de estar caro. Ao invés, tente identificar o porquê dessa sua opinião e expressá-la, sempre respeitando o ponto de vista alheio, afinal não há certo e errado em gostar ou não de algo. É sempre importante mantermos em mente que o mundo não é feito para nós e, às vezes, algo que odiamos ferrenhamente é muito amado e comprado por outros, azar é o nosso de sermos a exceção.

Elitização

Se por um lado não dá para chegar num consenso quanto ao preço ser caro ou barato, dá para julgá-lo de acordo com quem consegue consumi-lo. Por exemplo, se diz um produto de “preço popular” aquele que pode ser comprado pelas massas, ou seja, que é acessível para a grandíssima maioria da população, especialmente para aqueles de renda mínima. E se diz ser um produto “elitizado” quando apenas uma faixa mais rica da população consegue consumi-los.

Como esse tipo de classificação utiliza o preço em relação ao poder de compra dos cidadãos, não há tanta subjetividade. De fato, mangás, mesmo os de preço mais baixo são produtos elitizados, assim como os livros e revistas do país. Vários estudos mostram repetidamente que quem consome publicações são a classe média mais alta para cima (famílias que ganham a partir de 2 salários mínimos) o que já exclui 66% da população (dado de 2013 do IBGE).

As próprias bancas são elitizadas (assim como as livrarias), segundo dados do IBGE e distribuidoras bancas de jornais andam fechando uma atrás da outra e agora se concentram mais nas áreas mais ricas, com várias cidades sem nenhuma banca sequer. Isso é algo que particularmente vi ao vivo, na minha região (no estado de São Paulo), nos 10 anos que vivo aqui, de 5 bancas passou para apenas uma, num distrito com mais de 45 mil habitantes, entre zonas humildes e zonas elitizadas.

Seja como for, aqueles 34% que conseguiriam consumir mangás foi drasticamente diminuído desde 2013, deles 16% estavam na faixa de 2 a 4 salários mínimos e com a crise econômica muitos acabaram pulando para baixo, diminuindo os possíveis consumidores e seus poderes de compra. A diminuição do poder de compra e o aumento dos preços devido à inflação e aumentos de custos parece criar ainda mais exclusividade daquilo que já era elitizado.

Com os lançamentos de valores bem mais altos que a média, como o artbook e kanzenban de CDZ, os formatos Big e outros materiais de luxo, principalmente pela editora JBC, essa polêmica de preços e elitização volta à tona. Mas com um significado ruim, como se um produto elitizado fosse o demônio em pessoa. Ser elitizado ou não é uma mera constatação de poder de compra, às vezes muito mais por culpa da situação financeira do país do que o preço do produto em si. Um livro de 20 reais é elitizado no Brasil exatamente porque sua classe média e baixa pode ganhar menos de um salário mínimo de renda familiar.

Ao mesmo tempo, a editora ou qualquer empresa é livre para lançar o que quiser e pelo preço que quiser, independente da sua visão de justiça de valor. Não existe um “direito” de poder consumir mangá, tal é reservado para o que se considera necessidades básicas, como água, luz, comidas da cesta básica e por isso mesmo existe o salário mínimo que deveria cobrir tais custos.

Muitas vezes para a empresa, ter menos consumidores é melhor que ter mais, assumindo que o montante pago pelo menor público supere o montante que o segundo pagaria. É assim que vivem várias lojas etilizadas e exclusivas, assim como vários restaurantes “gourmet”. Não há nada de errado se uma editora decide se “elitizar” ainda mais, o objetivo dela é gerar lucro, se elitizar gera mais, então elitize.

Se você não pode mais consumir aquilo, paciência, é assim que funciona o capitalismo, se você quer algo, se vire para conseguir dinheiro e pagar por aquilo. No fundo chorar por não poder comprar o kanzenban de CdZ não é nem um pouco diferente de chorar por não poder comprar uma BMW. A BMW está pouco se lixando, você não é o consumidor dela.


Desmistificando é uma coluna semanal, lançada nas quintas-feiras, sobre o mercado e mangás brasileiros e internacionais. Você pode ver todas as outras postagens anteriores desta coluna aqui. Sugestões e comentários também são sempre bem-vindos! 🙂

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21 thoughts on “Desmistificando: Seriam os mangás no Brasil caros?”

  1. Concordo com boa parte do texto,mas mantendo minha lógica do Consumo Consciente, acredito que é sim importante o consumidor fazer campanhas alertando que o produto está caro, estimulando uma consciência de consumo que o país não tem, nestes países mesmo pessoas com maior poder aquisitivo param de comprar coisas se perceberem um aumento que extrapola o custo do produto.

    No Brasil várias empresas trabalham com margem de lucros maiores que em países desenvolvidos, e isso não vinha ocorrendo ainda no setor de mangás. É bom lembrar que a falta do consumo consciente não é ruim apenas para quem não consegue comprar, mas para todos, afinal várias empresas tentam encarecer seu produto ao mesmo tempo, não apenas as editoras de mangás.Tal medida acaba por atingir mesmo a classe mais elitizada pela inflação, a própria classe média se ve forçada a aumentar o preço de seus produtos, para manter o padrão de vida.
    O resultado é que o aumento não é bom para ninguém. Nem para quem aumentou o preço.

    O aumento de preços de supérfluos é o que mais pode ser controlado pela população. É muito mais difícil, fazer o consumo consciente em insumos básicos, sendo o supérfluo o produto ideal para isso. E aqui eu faço um ALERTA, cada grupo de consumidores de supérfluos DEVE CUIDAR do seu nicho. E na verdade é o que se torna melhor para nós OTAKUS, é que nós agimos muito em comunidades, nós efetivamente podemos fazer campanhas contra aumentos e protestar pela margem de lucro menor das editoras, e essas campanhas tem sim, mais chance de surtir efeito. Somos mais unidos e por isso podemos mais, Poucos grupos tem esse poder, geralmente outros consumidores não tem poder de mobilização, e os preços demoram mais para se estabilizar, e o consumidor está a depender por demais das empresas. “dividir e conquistar”.

    Por isso discordo da conclusão final do texto, e acredito que sim, reclamar do preço talvez individualmente tenha um efeito tão inútil quanto não poder comprar uma BMW, mas que uma reclamação coletiva é sim muito importante para o Consumo Consciente, e para a manutenção dos preços, de forma que todos ganhem.

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    1. Afinal, se a empresa perceber que o lucro das vendas no geral aumenta, quando o lucro pela venda do produto individual diminui, encontrará a estabilidade do preço.

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    2. Pois é, o problema disso tudo, amigo, é achar que está caro. Você assume que essa é a opinião de todo mundo. No caso de GiTS não se trata só de um aumento de preço, mas um produto totalmente novo. A qualidade do produto bate com o preço alto. Em comparação com outros produtos de luxo o preço não é caro, mas condizente. É exatamente isso que questionamos aqui, preço alto não indica ser caro. Produtos de luxo tem preço alto. Se você quer reclamar de algo, não seria do preço alto, mas do fato da editora lançar em formato de luxo. Caro e barato não tem lugar algum nessa discussão, se você acha caro mesmo assim é por não valorizar de maneira alguma o formato de luxo e considerá-lo completamente desnecessário, logo você na veria ganhos, apenas aumento. Essa, entretanto, é a sua opinião de um produto de luxo. Você tem que entender que há quem queira produtos de luxo e se você não quer, o produto não foi feito para você.

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      1. Não falei de GiTS nem de nenhum produto específico. Acredito que o consumidor pode opinar da forma que quiser, e que uma no mercado uma andorinha só não faz verão. Se o consumidor quiser aderir a uma campanha de consumo consciente faz se quiser. Se o consumidor quiser reclamar dos preços, tem o direito de reclamar. O que acho estranho é outro consumidor se doer porque alguém reclama dos preços. Deixe reclamar, se não concorda ignore e compre. Parece que existe um medo irracional do consumidor de produtos de luxo, nas conscientização dos preços por parte do consumidor.

        Acho que o consumidor pode mostrar sua insatisfação e fazer campanhas, pois o encarecimento não é de um produto, é de toda uma cadeia, a inflação dos produtos não é boa para ninguém.

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        1. Você falou de GiTS a partir do momento que comentou que mantinha a mesma opinião no post sobre o assunto, rs. Nunca disse que não pode opinar, a ideia é saber fazê-lo e não apenas reclamar indiscriminadamente de forma às vezes absurda. Comentei isso no próprio texto, ao invés de ficar preso em coisas como “caro”, que é subjetivo, saber identificar o que está incomodando e se expressar.
          Também saber identificar que o consumo não é um direito, o consumidor pode e deve mostrar sua opinião e feedback, boycotts, por exemplo, é a melhor forma de mostrar a sua opinião. Por outro lado, o consumidor não tem o direito de definir como uma empresa deve agir ou trabalhar, isso também é importante. O maior direito do consumidor é o de não consumir, não o de fazer campanhas de ódio, atacar Facebook de empresa, etc. A empresa trabalha com a margem de lucro que quiser, quem definirá se isso funciona ou não é exatamente o fato de você consumir mesmo assim ou não. Não é preciso campanha alguma, apenas não compre. Fazer campanha e comprar só vai dizer para a empresa que você reclama, mas compra mesmo assim.

          Consumidor consciente não tem nada a ver com campanha, mas com compra consciente. É comprar das empresas que você “apoia” e boicotar as que não te interessam. Dar feedback dificilmente é uma questão de conscientização, mas uma questão de querer que aquele produto fique ainda do jeito que você quer, usando seu ponto de vista e subjetividade, o que VOCÊ acha melhor.

          E ninguém está “doído”, a intenção é abrir a cabeça das pessoas e fazê-las questionarem. Mas existe sim razões muito boas de se questionar a “reclamação” de outro consumidor: o ruído. Se um grupo muito grande começa a reclamar de algo não condizente, isso cria um ruído que impede as reclamações condizentes de alcançarem a empresa. Até pode criar um bloqueio na comunicação. É muito mais fácil alcançar a empresa quando não há uma horda de pessoas atacando a editora no Facebook e a sua mensagem vira mais uma no meio dessa onda. Isso também cria uma atmosfera desagradável na própria comunidade. Tem uma hora que ler e ouvir tanto absurdo cansa e começa a irritar, se torna frustração. E não tem nada a ver com defesa da empresa em si, particularmente não consumo nenhum título da JBC faz anos, odeio o trabalho de adaptação deles, mas reconheço seu direito de fazer como querem fazer e não da forma que eu gosto. Não vou ficar reclamando porque não está como eu gosto, não sou egoísta a esse ponto.

          As críticas são exatamente para reclamações conscientes, não reclamações de ódio por motivos totalmente pessoais, quase como crianças fazendo birra porque não tinha o pirulito do sabor que ela queria. Existem limites do que você pode e deveria fazer, saber ponderar isso é parte de ser consciente.

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    3. Está tirando do bolso o argumento de que as editoras estão aumentando a margem de lucro. Como pode confirmar isso? Você tem informações sobre? Sabe qual curta o metro quadrado do papel que eles compram? Sabe o valor dos contratos? E a logística, que é influenciada pelo preço do diesel e da condição das estradas?

      Você está aplicando uma realidade em outras áreas do Brasil (automóveis e eletrônicos) nos mangás, o que não faz sentido algum. Não possuímos nenhum dado sobre o lucro das empresas de mangás.

      Olhe a inflação do país, e comparem com os valores do mangá de papel jornal. A inflação oficial em 2015 ficou em 10,67%. Supondo valores da JBC, mangás de 12,90 passaram para 13,90, o que dá um aumento de menos de 10%. Você acha que ficou “mais caro” mesmo? O aumento foi menor que a inflação, mas você está dizendo que os mangás ficaram mais caros.

      Mas se você dizer que o seu “ficar mais caros” se refere a mangás como Vagabond, Blade, CdZ Kanzenban e Blame, saiba que está errado. Pois são formatos completamente novos, então não há base de referência para você fazer a justiça de valor citada no texto.

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  2. “Por outro lado, o consumidor não tem o direito de definir como uma empresa deve agir ou trabalhar, isso também é importante.”

    Direito não tem o direito mas pode SIM controlar o que a empresa produz. Basta diminuir seu consumo, o que inviabilizaria margens maiores de lucro.

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    1. Exato, você não tem o direito, mas o seu consumo define e muito como a empresa irá agir. Não é controle, mas com certeza é um limitador, uma linha de guia. Uma empresa pode vender arroz por 200 reais o saco, isso não quer dizer que alguém compre. 🙂

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  3. Nossa, Ghost in the Shell abriu várias parênteses aqui no blog, achei tanto a postagem do Kyon quanto da Roses esclarecedoras, e uma complementa a outra. Essa discussão não implica só o GITS, mas também nos próximos mangás que provavelmente virão em Kazenban.
    Outro dia trabalhei num evento vendendo mangás, e percebi que há bastante pessoas que vieram fazer AQUELA senhora compra, eu perguntei para uma dessas pessoas sobre a quantidade de mangás que ela estava levando, e ela disse que economizou o ano inteiro para poder comprar essa quantidade.
    Analisei também que houve pessoas achando Fullmetal bem caro. Então o preço é bem relativo para pessoas. E é como a Roses disse, “valor” é diferente de “preço”.
    Ghost in the Shell tem um “valor” muito grande nesse mercado de mangás, por ele ter toda essa papelaria adicional e estar perto do lançamento do filme live action implica muito no preço dele porque o valor do mangá se intensifica com essas coisas. E como aquele moço disse, tem que economizar para ter esse mangá, se você tiver um dinheirinho sobrando.

    Como assim já diziam os Titãs:
    A gente não quer só comida
    A gente quer comida, diversão e arte
    A gente não quer só comida
    A gente quer saída para qualquer parte

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  4. Concordo com boa parte do texto Roses, acho que compra quem quer e quem tem dinheiro.

    Mas acho que esse caminho é bem ruim para industria de mangás, pois vai para o mesmo caminho do que aconteceu com as HQs, antigamente a maioria dos encadernados era em capa cartonada com uma qualidade boa e preço condizente e só os melhores arcos e mais famosos eram disponibilizados em capa dura, mas começou a aparecer os tarados por capa dura que pedia tudo mas tudo em capa dura.

    Hoje em dia são 13 encadernados em capa dura para 3 capa cartonada, fora que ultimamente todo e qualquer lixo eles jogam em capa dura e jogam o preço lá em cima pois sabe que tem gente que compra ..

    Fora a coleção da salvat e eaglemoss que tem ente que so compra por causa da lombada.

    Espero que realmente isso nao aconteca com os mangas, deixa os classicos como luxo e o resto normal.

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    1. Não acho que isso vá ocorrer.

      Veja que a Panini embora tenha começado a lançar várias obras em offset, ainda lança a grande maioria em papel jornal para manter o preço o mais acessível possível. Mesma coisa a JBC. Embora tenha lançado esses materiais mais caros, ainda tem lançado vários mangás em papel jornal.

      Então não precisa se preocupar muito com isso^^.

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  5. concordo e discordo, o formato big e gits estão muito além da propria realidade, vimos um manga que tem o mesmo papel de ghost e sobrecapa tbm por 23 reais, agora gits com um tamanho maior e 60 paginas coloridas se n me engano, quase triplica esse valor…é muito fora da realidade, e outra, o papel que se é muito discutido, é um papel pouco melhor que o offset, se for lançar material de luxo a preço de luxo, lance com papel de luxo e hardcover pfv, temos tantos exemplos de hqs em formato americano que mesmo n sendo hardcover tem ao menos capa dura papel coche e todas as paginas coloridas (sempre em torno de 200 pgs) custando 25 reais a menos que esse manga, e essas tbm so vao pra livraria e lojas especializadas, sinceramente acho que ta na hr da gente pensar o que estão empurrando nos leitores.
    Lembrando que no caso da jbc preço alto n significa qualidade, vemos isso com todos os bigs com papel transparente e nijigahara que custa 25 reais mas mal vale 17 pelo papel de baixa qualidade

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    1. Blame! custa R$ 23,90 com sobrecapa e 200 páginas em média, além do papel luxcream. O formato é 13,5×20,5.

      Já GITS custará R$ 64,90 com sobrecapa, 352 páginas, papel luxcream (não sabemos se a gramatura será a mesma ainda), 62 páginas coloridas, a tal da “cor especial” na capa e ainda formato 17×24 (o que dá 50% a mais de gasto de papel por página).

      Você REALMENTE acha que é tão caro assim? Nós ao menos já temos o produto em mãos para sequer fazer um julgamento de custo benefício?

      Fora da realidade é comparar GITS com HQ hardcover impressa fora do país.

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    2. Já que foi feita uma comparação, gostaria de colocar algumas comparações bobas aqui também^^:

      -Há um ano mais ou menos a Del Prado lançou uma coleção de Graphic Novels que adaptam Obras literárias. A coleção possuía capa dura, miolo couchê e, claro, era tudo colorido. Preço R$ 25. Barato, né? Não exatamente. As duas edições que comprei tinham menos de 60 páginas. Pense nisso, R$ 25 por 60 páginas.

      -Persépolis Completo (quadrinho franco-iraniano) possui o mesmo tamanho que terá GITS e o mesmo número de páginas (352). Porém Persépolis não tem nenhuma página colorida e nem sobrecapa. O papel usado é o offset, daqueles bem finos e a capa é simples com orelhas. Preço R$ 49,90.

      -Agora vejamos o checklist do site Planeta GIbi de novembro com os lançamentos de quadrinhos de diferentes editoras(http://www.planetagibi.com.br/2016/11/checklist-novembro-2016.html)

      -Temos obras de 84 páginas por R$ 32 em capa simples.
      -Obras de menos de 200 páginas variando de 39,90R$ a R$ 74,90, a depender da quantidade de páginas e editora. Algumas são com e outra sem capa dura.
      -Obras de cerca de 200 páginas em capa dura variando de R$ 80 a R$ 170.
      -Entre diversas outras faixas de preço.

      ——————-

      Eu não consigo ver todos esses preços e olhar para o de GITS e não achar que está dentro da realidade do mercado. R$ 64,90 é muito caro para mim, mas é um preço dentro do normal praticado em outros quadrinhos com diferentes qualidades. E, bem, mangá é quadrinho como outro qualquer…

      Meio que fica claro (apenas baseando-se apenas e tão somente por esses preços) que se ele fosse publicado em super luxo, com miolo couchê e capa dura, GITS não sairia por menos de R$ 100.

      Curtido por 1 pessoa

  6. Cara, a idéia de vc movimentando contra o aumento de preço do mangá é no mínimo hilária. Cara, o mangá no Brasil é caro por que o público que consome mangá é um nicho. Um nicho pequeninho. Quando vc faz um trabalho editorial e não espera vender muito, vc faz uma tiragem menor e aumento o preço, pra compensar os custos. Quem já trabalhou com serviços gráficos (alías, qualquer produto, gráfico ou não) sabe que quanto maior for a tiragem, menor o preço por peça. Independente do material em que é produzido. Quanto menor, maior é o preço por peça. Como o público de mangá aqui é um nichinho de nada, não precisa ser um gênio pra saber que as editoras não vão apostar em tiragens muito grandes, e consequentemente, o preço do mangá será mais elevado. Os trabalho nacionais, por exemplo, são bem mais caros, por que são produzidos em escalar ainda menor.
    Para que os mangás ficarem mais baratos eles precisam se massificarem dinovo. E no Brasil, infelizmente não tá tendo cenário pra isso.
    Os japoneses apostam em quadrinhos como cultura de massa: aqui é coisa de nicho, e só quem é especializado mesmo que conhece, vai atrás.
    Quando se começou a publicar a mangá aqui, os animes foram grandes afianciaram os primeiros mangás. Com o tempo, e a especialização do mercado de mangá aqui, junto com a baixa dos animes, o que aconteceu é que o publico de mangá tornou-se um público fechado em si mesmo, igual o ao público de comics.

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  7. Não vou entrar no mérito da discussão sobre preços porque acho que vocês já esmiuçaram o assunto muito bem. Queria dizer apenas parabéns pelo conteúdo do site. Descobri vocês a poucas semanas e o Biblioteca Brasileira de Mangás já se tornou meu lugar de referência sobre mangás. Ótimas matérias, muito bem escritas e com discussões muito pertinentes a todos nós leitores. Dá pra ver que vocês tratam do assunto com o respeito e profissionalismo devido. Talvez seja justamente isso o que falta ao nosso pequeno nicho.
    Muito obrigado por serem uma voz sensata em meio ao turbilhão de bobagens infantis nessa área.
    Abraço!

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