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Os raros mangás com sobrecapa no Brasil

vagabond-conradPouco utilizado…

I

Creio que todos sabem que no Japão é muito comum que os mangás possuam uma sobrecapa (também chamada jacket). Aos que não saibam, trata-se de uma capa protetora removível que envolvem os volumes das obras. Infelizmente, quando os mangás começaram a ser licenciados em outros países, essa prática se perdeu em muitos lugares, tornando-se bastante rara ou mesmo inexistente.

Aqui na América do sul, temos um contraste bastante interessante nesse sentido. Enquanto na Argentina uma parte considerável dos mangás publicados possuem sobrecapa, no Brasil praticamente nenhum deles vem com esse acessório. Os dois principais motivos alegados pelas editoras brasileiras para isso é a possibilidade delas serem danificadas no transporte para as bancas de revista e, também, o aumento de preço ocasionado pela inserção desse acessório.

Para dizer a verdade, pouca gente sente falta disso, afinal não faz parte da nossa cultura ter jackets em qualquer tipo de publicação. Por exemplo, chega a ser difícil ir em uma livraria e encontrar algum livro que contenha uma capa removível. Entretanto os colecionadores de mangás mais puristas anseiam por sobrecapas, volta e meia incomodando as editoras com pedidos. Mesmo aqui no blog, eu já comentei em uma postagem que seria muito bom se as editoras nacionais seguissem as estrangeiras e utilizassem sobrecapa em seus produtos. Porém, a gente fica a ver navios já que nenhuma empresa costuma ter iniciativa de publicar títulos com capas removíveis. Pelo menos ERA assim. Agora existe uma expectativa de mudança…

II

Recentemente, a editora JBC têm investido em sobrecapas que viram pôster em diversos mangás como Knights of Sidonia, Fullmetal Alchemist, Anohana, My Hero Academia e Saintia Shô. Em 2015, a NewPOP, por sua vez, distribuiu algumas sobrecapas japonesas de No. 6. Todavia, tanto no caso da JBC, quanto da NewPOP essas sobrecapas foram restritas a apenas 1 volume do mangá e só foram distribuídas em eventos ou dados para quem fez assinatura ou comprou em algumas lojas especializadas. Ou seja, eram brindes e não parte do produto vendido.

Contudo, mais recentemente ainda, um outro passo parece ter sido dado. A JBC anunciou a publicação do mangá Blame! e, surpreendendo a todos, ele terá sobrecapa em todas as edições. Obviamente ninguém esperava por isso, afinal essas capas removíveis por aqui são tão raras, mas tão raras, que você pode contar nos dedos o número de mangás que tiveram o acessório.

Se você for pegar toda a história dos mangás do Brasil verá que foram publicados menos de 500 títulos diferentes e destes um número ínfimo tiveram sobrecapas, boa parte deles acabaram descontinuados. Em 2005, por exemplo, a Conrad começou a lançar Vagabond em uma edição de colecionador com sobrecapa e tudo, mas ela foi descontinuada após o volume 14. Quando a Nova Sampa assumiu o título não houve esse acessório e tampouco a nova edição da Panini o possui, infelizmente. No mesmo ano, a editora Conrad lançou um volume de Neon Genesis Evangelion com um acabamento diferenciado, incluindo sobrecapa. Infelizmente só durou um volume mesmo e foi descontinuado.

E como não falar em mangás descontinuados se não lembrarmos da editora Savana (saiba mais sobre a editora). A empresa publicou três títulos com sobrecapas entre 2009 e 2010 (Aflame Inferno, Unordinary Life e Tokyo Toy Box), mas todos terminaram por só ter um volume lançado. Em todos esses casos não foi a “capa removível” o causador do cancelamento do mangá, porém meio-que ficou no ar a ideia de que jackets não geram vendas.

o-livro-do-vento
O livro do vento (Panini)

Alguns outros mangás também tiveram sobrecapa no Brasil, como os de Jiro Taniguchi O livro do vento (2006, Panini) e Gourmet (2008, Conrad), mas ambos só possuíam um volume. O único mangá mais longo que temos conhecimento a ser concluído foi Gunnm (JBC), com 18 tomos, e, mesmo assim, a editora não publicou mais nenhum título com jacket até 2016.

III

Como podem ver não houve uma tentativa mais a fundo de investir em mangás com sobrecapas no Brasil e há seis anos não víamos uma publicação em nosso país que contenha esse acessório. Mas o mercado parece estar mudando e testes estão sendo feitos. Quem imaginaria que a Panini começaria a publicar alguns mangás em offset e com orelhas? Quem imaginaria que a JBC lançaria mangás em formato BIG, um artbook, um Kanzenban em capa dura e iniciaria um projeto de mangás digitais? Tudo isso indica uma mudança ou tentativa de mudança positiva.

Agora com o lançamento de um mangá com sobrecapa começamos a ter muito expectativa de que outros venham a aparecer. Se Blame! der muito certo e outros títulos vierem nesse mesmo formato é fácil visualizar outras editoras apostando em mangás com jacket também.

Talvez seja sonhar demais, mas me permito isso por ora^^.

[Atualização 07/09/2017]

E desde que essa postagem foi publicada, outras obras com sobrecapa começaram a aparecer \o/. Pela JBC vieram The Ghost In The Shell e o databook da obra, chamado Perfect book e Akira. A grande surpresa, no entanto, foi o mangá Great Teacher Onizuka, pela editora NewPOP, também publicado com sobrecapa, o primeiro mangá da editora a ter esse acessório. A entrada da Devir no mercado de mangás também trouxe O homem que passeia.

Confesso que eu não esperava tantas obras assim em tão pouco tempo. Surpreendente…

***

Resumo de mangás com sobrecapa publicados no Brasil (em negrito os concluídos):

2003 – Gunnm (JBC)

2004 – O vampiro que ri (Conrad)

2005 – Vagabond, Neon Genesis Evangelion, Na prisão, Ero-goru (todos pela Conrad)

2006 – O livro do vento (Panini), Paraíso – o sorriso do vampiro (Conrad)

2008 – Gourmet (Conrad) ; Death Note 13 How To Read – databook da série (JBC)

2009/10 – Aflame Inferno, Unordinary Life, Tokyo Toy Box (todos pela Savana)

2015 – No 6 (NewPOP – brinde limitado)

2016 – Knighst of Sidonia, Fullmetal Alchemist, Anohana, My hero academia, Saintia Shô (todos pela JBC – brinde limitado), Blame! e The Ghost In The Shell (também pela JBC),

2017 – Ghost in The Shell – Perfect book e Akira (JBC), Great Teacher Onizuka (NewPOP), O homem que passeia (Devir)

*Talvez exista um ou outro mangá que tenha ganhado jacket e eu não tenha conhecimento, mas dentre os títulos que colecionei e as pesquisas que fiz só resultaram nesses mangás. Se você souber de outro nos avise que atualizaremos a postagem.

***

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38 thoughts on “Os raros mangás com sobrecapa no Brasil”

    1. Cara, onde que sobrecapas são de plástico? Em que lugar do mundo? Porque eu tenho mangás japoneses aqui em casa e as sobrecapas que neles vieram é de um material semelhante ao utilizado pela JBC. Sobrecapas de plástico, rá! Que viagem! ¬¬

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        1. Rá! Ah, é? São japoneses ou brasileiros, estes mangás que você citou? Porque se for tratamento diferenciado, não são todas as editoras que são assim, só pra você saber.

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        2. E? Quem disse que as sobrecapas são de plástico, sem dizer de que editora é? Fala sério! Você não especifica nada, claro que eu vou achar que viagem sua… Mané!

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  1. Gostei bastante da retomada desses acessórios pela Jbc. Mesmo eu, não gostando de sobrecapa(seja mangá, livro, etc.), vou colecionar BLAME!(não só pelo autor ou sua arte – ou pelo vídeo do Pewdiepie), pra ver se essa tendência aumentará nos próximos anos. Farei o mesmo com o Kanzenban de Saint Seiya. Kyon, eu sei que sobrecapa eleva o preço do mangá, mas gostaria de saber se a tendência pelo não-uso de sobrecapas, foi influenciado também pelas edições americanas, já que pelo que eu soube, algumas editoras utilizavam as edições americanas(a pedido de algumas editoras japonesas, ou para facilitar na hora de traduzir) para a adaptação e publicação da obra, assim como o formato BiG foi em terras tupiniquins.

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  2. Kyon, sobre essa história de sobrecapa uma pergunta:Como a jbc conseguiu a proeza de trazer um mangá com sobrecapa a “apenas” 23,90?!E ainda com luz cream?!Tipo, eu sempre pensei que algo desse tipo fosse custar uns 30,00 no mínimo!O cão que guarda as estrelas por exemplo não tinha sobrecapa, tinha lux cream, menos páginas que blame e custava exatamente isso, 23,90, sendo que foi lançado a dois anos!!!Como é possível?!

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    1. Não temos como saber uma coisa dessa. Mas temos suposições como todo mundo:

      -A primeira coisa que me vem à mente é gramatura do papel. Talvez a JBC use uma menor (sei que existe Lux Cream 70g e 80g e acho que tem 90g, mas não tenho certeza).

      -A segunda coisa é a tiragem. Se o mangá for para bancas de revistas saberemos que o mangá tem uma tiragem muito maior do que O cão que guarda as estrelas. Como a JBC já disse algumas vezes se a tiragem for maior, o custo unitário será menor, justificando o preço “baixo”.

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    2. Preço está muito relacionado a tiragens e tipo de venda. Não é uma porção de preços fixos, mas uma porção de preços variáveis. Se O Cão que Guardava as Estrelas tiver tido uma quantidade muito menor de volume impressos isso poderia ser a causa da diferença, fora que Blame não tem páginas coloridas, impressão a cores é bem mais custosa. Também conseidere que Blame não é assim tão volumoso, com cerca de 200 páginas cada volume.

      E, sim, existem as gramaturas 60, 65, 70, 80 e 90. Não sei qual a JBC usa.

      A gente fez um texto sobre “custos envolvidos nos mangás”, pesquisa ali *preguiçosa* XD

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  3. É um acessório totalmente dispensável para mim. A única utilidade que eu vejo para a sobrecapa é a de proteger um pouco a capa e a lombada do mangá, mas mesmo assim ele peca por ser um papel bastante frágil. Tenho a coleção do Suehiro Maruo, Na Prisão e Gourmet e todas as sobrecapas são frágeis, além de ser necessário ter um cuidado maior para não amassar ou rasgar nas bordas.
    Espero que as editoras não cometam a besteira de aumentar o valor dos mangás sob a alegação do uso das sobrecapas, porque aí já vira palhaçada!

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    1. Acontece que o não uso das sobrecapas é justamente o fato de que, se as editoras a utilizarem, o valor do mangá vai subir sumariamente. E a JBC já disse isso, como está descrito na matéria.

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      1. Me equivoquei. O que de fato eu quis dizer é que espero que isso não vire uma tendência, porque ninguém é obrigado a pagar mais caro só porque tal mangá “X” acompanha sobrecapa. É um item totalmente dispensável.
        O que eu percebo é que está rolando uma “gourmetização” nos mangás. Eu já me daria por satisfeito se a JBC focasse apenas em melhorar a gramatura do papel dos seus títulos.

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    2. Na verdade, a sobrecapa japonesa tem como função propaganda. Não sei se vocês já viram as capas REAIS dos mangás, são iguais a capas de livros, geralmente de uma cor só com o título centralizado. Ali em cima tem um exemplo d’O Livro do Vento, aquela é até muito colorida. Confesso que não sei porque eles insistem em fazer capas minimalistas imitando aqueles livros antigos, mas a jacket é exatamente para fazer propaganda da obra com imagens chamativas. Em alguns casos ainda há uma segunda jacket parcial com propagandas de outras séries, de outros lançamentos do autor, coisas como “do autor de”, “do anime de”, “vai virar filme”, etc.

      Curtido por 2 pessoas

  4. Sinceramente, acho sobrecapas completamente dispensável. Elas não protegem a capa tanto assim e exigem muito cuidado no manuseio. Vc precisa dobrar o cuidado com elas tanto na hora q for ler quanto pra guardar. Eu, pessoalmente, não faço a menor questão

    Curtido por 1 pessoa

  5. Bem, quando eu vou ler o mangá que contém sobre capa, eu tiro mesma para poder ler o mangá. E, quando termino… Eu a coloco de volta, pois não é algo prático e, sim, bastante desconfortável.

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  6. Concordo de não ser prático…Fica bonito e tudo mais…Fico satisfeito com capa com orelhas, é prático e não tem que tirar pra ler. Pra mim é dispensável.

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  7. Sinceramente, detesto sobrecapas.
    É um mimo bobo que aumenta custos que poderia ser usar noutra coisa, como paginas coloridas, capa melhor, etc.
    Além disto fica ruim para guardar, qualquer coisa já danifica, e fica meio chato para ler e manuseiar.
    Fora que fica meio chato para comprar da mão de outros colecionadores, lembro que eu tinha o Gunnm completo e em perfeito estado, mas tive problemas financeiros e o coloquei no prego, foi vendido, paguei umas dividas,um ano depois eu estava em condições melhoras e advinha quem eu acho no sebo? O meu Gunnm, eu ia reave-lo, mas eis que noto que sumiram com a sobrecapa da edição 11, deixei pra lá.

    Curtido por 1 pessoa

  8. os mangas japoneses são infinitamente mais bonitos que os brasileiros. e a sobrecapa é um item original de la. quando publicamos aqui sem ela estamos descaracterizando um pouco da obra. dragon bal e yuyu hakusho por exemplo, vc pega a ediçao japonesa que é linda e pega a brasileira que é descaracterizada e muito menos bonita. a começar pelo logo. até o logotipo da letra dragon ball foi mudada aqui no brasil. a original japonesa é azul que é a original e é muito mais bonita. o pessoal aqui fica falando que sobrecapa é o de menos? porra aquilo é uma arte, uma coisa linda que o autor colocou. ate as ediçoes argentinas sao mais bonitas que as brasileiras. akira só saiu aqui com sobrecapa por que os japoneses exigiram, senao ia ficar igual yu yu hakusho aonde descaracterizaram a capa lombada e o caralho.. yu yu halusho capa branca e foda. brasileiro gosta de inventar o que nao precisa. uma coisa que acho desnecesseraio aqui é colocar o manga em sentido contrario.

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