Desmistificando: Por que às vezes a editora demora tanto para começar a publicação?

AkiraRust Blaster, Ghost In The Shell, a lista é imensa…

Abril de 2015: a JBC convida a todos a assistir a live do Omelete no Youtube. O motivo? Será feito um anúncio de um título da editora. E, de repente, o anúncio era Akira. Passaram-se meses, um ano inteiro e nada do título ser lançado. Akira não foi o único caso e várias outras obras das mais diferentes editoras demoraram a iniciar suas publicações.  Mas por que essas demoras acontecem? Na verdade a resposta exata dessa pergunta vai depender de cada título e editora, afinal cada caso é um caso. Entretanto, podemos destacar alguns das principais “desculpas”.

Atrasos e problemas diversos

Para começo de conversa, precisamos lembrar que as editoras dependem de materiais e volumes japoneses para começar a trabalhar em uma certa obra. Mesmo em arquivo digital, já foi dito que tais DVDs são também enviados via correio… O atraso disso por sua vez atrasa a publicação, que foi o caso de Akira e Ghost in the Shell segundo a JBC, e do último volume de Hetalia segundo a NewPOP.

As empresas também dependem de tradutores de japonês, que são freelancers, o atraso ou mancada de um tradutor avacalha a publicação toda consideravelmente, já que traduções levam um certo tempo para serem feitas (especialmente de livros). Essa desculpa já foi usada pela NewPOP e Nova Sampa.

Ainda existem os atrasos relacionados com as aprovações de formatos, capas e títulos que podem ser problemáticos, principalmente no volume 1 quando a empresa tem que criar logos, designs e definir padrões e nomenclaturas. Aparentemente o problema de Slam Dunk da Panini e novamente de Akira e Ghost in the Shell da JBC. Esse questão de “aprovação de capa” também é a coisa mais comum que ouvimos como desculpa de adiamentos.

Por fim, as editoras também já culparam crises, mudanças internas, cargas de papel, problemas com gráficas e vários outros problemas aleatórios fora de seus controles. O que em geral são mesmo acasos que podem acontecer já que há bastantes terceiros envolvidos: gráfica, distribuidora, fornecedores de papel e outros materiais, fora as coisas que podem acontecer à empresa e suas instalações.

No Japão, por exemplo, terremotos, maremotos e tornados são causas de diversas paradas e atrasos, tais geralmente não atrapalham as coisas por aqui, mas se algo desastroso acontecesse em Tóquio, com certeza todas as aprovações seriam congeladas.

Anúncios prematuros

Entretanto, independente dos motivos, não podemos ignorar a forma como o anúncio é feito. Muitas vezes não são as editoras que divulgam um lançamento, mas terceiros, como lojas onlines, editoras originais, autores e aquelas notícias que “vazam”. Um exemplo clássico disso ocorreu com Gate 7, quando a própria CLAMP divulgou em abril de 2011 que a NewPOP possuía os direitos da série, a obra em si só começou a ser publicada em junho de 2013. Coisas assim estão fora do controle da editora, que tem seu próprio cronograma e planejamento. Ou seja, não é a editora que demorou, o anúncio que saiu prematuramente.

Só que às vezes a responsabilidade do anúncio prematuro é das próprias editoras, que se animam demais e divulgam mais do que dão conta ou outras oportunidades vão surgindo e aquilo é deixado de lado. Ou seja, acaba sendo uma falta de organização ou programação, abrindo deixa para reclamações dos clientes e constante pressão, muitas vezes indesejadas. Talvez se não tivessem sido divulgados, podiam até ter o contrato cancelado sem que ninguém nunca nem soubesse. Mas, já que divulgou, alguma hora vai ter que lançar, rs!

No passado as editoras eram mais cuidadosas e apenas divulgavam quando estavam prestes a lançar. No caso da JBC eles lançavam releases um mês antes, quanto à Panini, as informações saiam através das lojas e pré-vendas. Em algum momento todas elas passaram a divulgar os lançamentos prematuramente, começando pela NewPOP, que na época era supercriticada. Mas atualmente todas elas se encontram com anúncios pendentes, desde a imensa Panini, até as mais casuais como a L&PM.

Deem uma olhadinha na quantidade de séries sem previsão no nosso mais recente calendário. O número é imenso não só por quantidade de obras, mas também no total de volumes a serem lançados. Ou seja, passou de ser a marca registrada da NewPOP, atualmente a lista de “futuros” de todas as editoras é grande! Embora, para sermos justos, a NewPOP ainda é a única que consegue ter “atrasos” de 4 anos; JBC, Nova Sampa e L&PM estão beirando 2 anos.

Ao que parece todas elas passaram a utilizar anúncios para chamar atenção e se promover nos eventos e dias festivos. Infelizmente o ritmo de anúncios parece superar o ritmo nos lançamentos, causando esse sentimento de “anuncia e não lança” e de demora. Ou seja, é uma situação muitas vezes criada por elas mesmas, tirando-lhes toda a razão de achar “desagradável” as constantes cobranças e perguntas por novidades.

Diga-se de passagem, uma estratégia questionável, já que não são poucos os leitores que não acompanham e são pegos de surpresa na hora do lançamento. Prova disso foi uma enquete feita pelo Gyabbo, onde o relançamento mais pedido já havia sido oficialmente confirmado para um futuro próximo dezenas de vezes. Ou a quantidade de gente pedindo coisas licenciadas e até já publicadas na ala do Onegai-desu. Ou a quantidade de comentários surpresos nas redes sociais quando as editoras comentam alguma novidade em relação ao que será lançado.

Talvez, em vez de querer chamar a atenção de um público mais “engajado” que acompanha essas redes sociais e anúncios, a editora devesse se focar em garantir que todo o público leitor sabe o que ela está lançando. Faz mais sentido… Afinal, não é responsabilidade do cliente adivinhar ou checar Facebook todo dia, é a editora que tem que chegar até o consumidor, já falamos sobre isso semana passada.

De certa forma, ter um bando de séries “prometidas” pode ser prejudicial para a empresa, não só por causa da negatividade e descontentamento do cliente que quer o produto imediatamente em mãos, mas por “diluir” a atenção do público. Pegue a JBC, por exemplo, quanto tempo gasto falando sobre Akira, tempo esse que não está realmente gerando qualquer lucro, já que não é possível comprar o produto. Será mesmo que todo esse esforço para responder e manter as pessoas atualizadas sobre a situação lenta não seria melhor aproveitada dando foco para alguma série atual e sendo lançada?

Atrasos para trazer os volumes mais recentes

Vale a pena comentar também sobre a “demora” para chegar novos volumes. Precisamos entender que a editora inicia uma obra com um contrato que estipula formatos, tiragens e vários detalhes, para adquirir mais volumes e alterar alguns detalhes a editora precisa renegociar o título.

Empresas como a JBC ativamente renegociam e se mantêm muito próximos das edições japonesas, embora atualmente esteja bem atrasada, algumas série acumulam 2 a 3 volumes antes de sair um aqui. Já a Panini trabalhava com pacotes, criando longas pausa, seguidas de lançamento periódico e mais longas pausas. Atualmente isso mudou um pouco, eles têm renovado antes de alcançar o último negociado e trazido por volume. Embora ainda existam séries desaparecidas e nem tão antigas assim, como Tiger & Bunny de 2014.

Na verdade, no Brasil temos muitas pausas, muito mais que nos Estados Unidos até por causa da nossa periodicidade rápida, mensal e bimestral. Não é à toa que alcançamos e até os passamos o tempo todo, mesmo sendo lançado no Brasil com anos de diferença. Ou seja, essa demora de renegociamento é algo bem típico nosso.

Conclusão

Não é difícil notar como é um assunto complicado e até complexo, mas no geral a demora acontece por simples motivos: ou a impossibilidade técnica/física ou simplesmente por não ser o momento certo na opinião daqueles profissionais.

A nós só cabe esperar pacientemente e ter fé de que eles sabem o que estão fazendo (o que pode ser bem difícil, haha). Você já esperou tanto tempo que alguma editora trouxesse aquele título, qual o mal de esperar um pouco mais, agora ciente de que finalmente sai? Porque vai sair, né? Né? Nova Sampa? Você está viva? *cutuca*


Desmistificando é uma coluna semanal, lançada nas quintas-feiras, sobre o mercado e mangás brasileiros e internacionais. Você pode ver todas as outras postagens anteriores desta coluna aqui. Sugestões e comentários também são sempre bem-vindos! 🙂

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Sobre Roses

“But he who dares not grasp the thorn Should never crave the rose.” ― Anne Brontë
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27 respostas para Desmistificando: Por que às vezes a editora demora tanto para começar a publicação?

  1. Bruno disse:

    Se Hokuto no Ken sair pela JBC, então seria um pequeno amadurecimento nesta questão, porque o boato foi vazado já faz muito tempo

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  2. anon disse:

    Até que não ligo muito para esses anúncios que demoram para serem lançados, no caso de Akira e GITS também teve o fato de que os japoneses resolveram mandar um material melhor, que ainda estava sendo produzido ou algo assim, não?
    Pelo menos dá pra ir se programando e colocar as coleções atuais em dia enquanto isso, se bem que por enquanto, como todas as editoras estão com uma lista razoável de títulos esperando para começar a publicação, acho que o ideal é esperar um pouco antes de anunciar coisa nova ^^’

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    • Mr. Robot disse:

      Pela edição que estava a mostra nos Henshis da JBC, a editora deve estar trabalhando na nova edição de Akira que foi lançada no Japão, fora que a Kodansha é muito cuidadosa com Akira e Ghost In The Shell.

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  3. binho disse:

    O que me incomodou bastante foi essa política recente da JBC “congelar” os lançamentos, ENQUANTO ESTÃO CHEIOS DE ANÚNCIOS NÃO PUBLICADOS.
    Vieram com uma de “vamos lançar um por mês para não pesar no bolso de vocês”, mas no fim ficavam um mês sem novidades e tal. Isso meio que “congela” a editora por um tempo, e é o único caso em que me incomodou… Embora agora em outubro parece que eles meio que voltaram atrás nessa “estratégia” (se é que posso chamar assim).
    Mas Ghost in the Shell não me incomoda a demora. Só me faz ficar ansioso mesmo pelo lançamento. :]

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    • Kyon_45 disse:

      “CHEIOS DE ANÚNCIOS NÃO PUBLICADOS” = menos da metade do que a NewPOP tem anunciado.^^. Podemos interpretar sua fala como: você esperava muito pelos mangás da JBC e não liga para os da NewPOP. Rsrsrsrs

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      • Roses disse:

        Por outro lado, os da NP são pequenininhos, se você somar os volumes, a JBC e a Panini está “atrasando” coisas que poderiam demorar mais 5 anos para serem concluídos. É um pouco mais assustador na minha opinião.

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      • binho disse:

        Não necessariamente. Dos anunciados da JBC, os únicos que me interessam além do que foi publicado esse mês são Ghost in the Shell e Nijigahara Holograph, em meio a 9? Acho que são 9. Em meio a 9 títulos anunciados, 2 não é exatamente muito. Sem falar que como eu já disse acima, não me importo de esperar por Ghost in the Shell tanto quanto por Nijigahara. No meu caso, só cria um hype mesmo…
        A questão são duas: primeiro, como a roses mencionou, a maioria das séries deles são longas e demorarão anos para serem concluídas (ainda mais agora com a adoção da periodicidade bimestral). E segundo, enquanto eles não lançarem o que já tem, não correrão atrás de novos títulos. Por isso eu disse que “congelou” a empresa. Porque sem lançamentos, ela sai um pouco da “mídia”, ou melhor, para de ser mencionada, e enquanto a concorrente se mantém ativa e com novidades, ela acaba engatinhando. Penso, provavelmente, como muitos leitores que querem que alguma obra em questão apareça por aqui, e nesse ritmo, só em 2020. Uma comparação meio idiota é a Nova Sampa, que só aparece em eventos, mas nunca lança nada (claro que, no caso da JBC, eles estão seguindo os títulos que já tem, mas sem “novidades”, por isso disse que foi uma comparação bosta).

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        • Roses disse:

          E segundo, enquanto eles não lançarem o que já tem, não correrão atrás de novos títulos.
          << Isso não é verdade. Vários deles já comentaram como estão sempre pegando coisas novas e negociando séries. Se contratos podem demorar anos e anos, como Sailor Moon, CDZ Kanzenban, etc, não faz sentido a editora apenas se mover quando estiver finalizando algo. Tenho certeza que mesmo agora a JBC está licenciando e negociando diversas coisas, o mesmo vale para a NP, que mesmo com aquela quantidade, ainda estão pegando mais coisas, o Júnior vive "anunciando" que conseguiu coisas "legais" via face.

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        • binho disse:

          Roses, Então, nesse caso entre na questão do tempo. Por mais que eles já estejam negociando, eles mesmo disseram que não iriam anunciar um título novo enquanto não lançassem os que já anunciaram. Como eu disse, não quer dizer que eles não estão atrás, só que com a velocidade deles, provavelmente vai ficar só para 2020…

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          • Roses disse:

            Nisso você tem razão, embora nada impeça que eles mudem duas coisas para bimestral ou três para trimestral e abram vagas. Que foi exatamente o que fizeram da última vez. Coisas como Zetman que não deviam vender bem, foram colocados em segundo plano, abrindo espaço para mensais mais “fortes”. Digamos que Saintia Sho e FMA venham a vender mal (o que duvido, mas imaginemos isso), eles podem juntar os dois em bimestral e lançar Inu-Yasha mensal. Entende? Há sim espaço para mobilidade e coisas nova, basta rearranjar suas periodicidades.

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  4. AmigoDoPovo disse:

    Muitos conhecidos lerem Akira na Internet por causa do hype que a JBC criou.

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    • Roses disse:

      Eu pensei nisso, eu mesma leio na “net” e nem sempre compro. Mas só leio pela necessidade de falar sobre e poder fazer sinopses. Se a editora tivesse lançando, teria comprado o dela no lugar. Será que não estariam perdendo público?

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      • guilherme disse:

        Mas a jbc ao meu ver não tem culpa, o processo de produção e aprovação de Akira e GITS os próprios japoneses falaram que ia ser demorado, por serem mangás antigos que precisaram ser “remasterizados”, fora o longo processo de aprovação de material, inclusive isso vem acontecendo na França onde a glenat inclusive lançou recentemente uma nota no site deles se desculpando pela demora com Akira, que em junho lançou o vol 1 e até agora nada do 2…

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        • Roses disse:

          Elas tem culpa sim, se os próprios japoneses alertaram que ia ser demorado, porque anunciaram sem NEM TEREM RECEBIDO O MATERIAL?!
          Por que não seguraram a informação até receberem e conseguirem aprovar o primeiro volume, para aí então divulgarem o lançamento com data prevista?

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        • Bruno disse:

          Seria um bom anúncio pra CCXP 2016

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        • guilherme disse:

          Entendo o que quer dizer, realmente podiam ter feito isso sim, mas o que quero dizer é que eles não “atrasaram” o processo eles mesmos, talvez eles quisessem atrair atenção do público, talvez não soubessem na época que fosse demorar tanto, mas o anúncio realmente foi prematuro….

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      • AmigoDoPovo disse:

        Se considerar que perder duas vendas é um numero expressivo, sim. Estão perdendo.

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        • Roses disse:

          Duas vendas que você conheça… O motivo de eu não ter tocado no assunto é exatamente por não ser possível provar ou fazer um estudo sobre isso. Tenho certeza que muitos mais olharam na internet, mas irão eles comprar?
          Lembro uma vez que um amigo que traduzia Gantz comentou que o volume 1 foi baixado 10 mil vezes de repente em questão de semanas após o licenciamento pela Panini. Quantos desses compraram depois? Será que se não houvesse esses volumes na net esses 10 mil teriam no lugar comprado o volume 1 para conferir se curtem? 10 mil é um número expressivo. Mas é impossível discutir esse tipo de coisa… Você precisaria fazer uma puta pesquisa absurda. É a mesma história se scanlation é benéfico como propaganda ou se “roubam” vendas das editoras. Uma resposta decisiva é bem impossível para pessoas como nós.

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    • Filipe disse:

      Eu não leio mangá nenhum pela internet.

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    • Canoa Furada disse:

      Haha, eu sou um desses. Mas depois que leio on-line eu me sinto na obrigação de comprar. Ainda bem que muita coisa que leio não saiu por aqui ainda.

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  5. Filipe disse:

    A parte boa de anunciarem certos mangás bem antes é que me permite saber da necessidade de economizar dinheiro para comprá-los.

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    • Roses disse:

      Filipe, existe uma diferença entre anunciar com uma certa antecedência e anunciar para lançar 2~4 anos depois. Fora que, tirando coisas muito caras, anúncio adiantado para “salvar grana” é meio absurdo… um mangá de 18 reais com 30 volumes, você salvaria 540 reais para poder comprá-los? Se é bimestral, isso indica ter que ter 18 reais a cada dois meses, salvar durante meses para comprar o primeiro é absurdo. Por outro lado, se for um volume único de luxo ou um volume semestral/anual de luxo de seus 50-100 reais, isso de guardar dinheiro faz mais sentido. Mas, novamente, sendo anual/semestral, isso significa ter um puta tempo para levantar o dinheiro e comprar. Pode não dar para comprar na estreia, mas dá quando economizar a grana, 2 meses depois, por exemplo.

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  6. Canoa Furada disse:

    Esses anúncios prematuros parecem ser a melhor resposta na maioria dos casos. E ainda fica uma briguinha de anúncios entre as editoras.

    A expectativa criada acaba se transformando em frustração, e não em satisfação ou vendas.

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