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Resenha: Fullmetal Alchemist – volume 01

Shorewood Blu-ray OcardEm busca da pedra filosofal

鋼の錬金術師 ou Fullmetal Alchemist (ou ainda Alquimista de aço) é um mangá escrito e desenhado por Hiromu Arakawa que foi publicado entre 2001 e 2010 nas páginas da revista Shonen Gangan, da Square Enix, rendendo um total de 27 tomos. A obra foi um sucesso estrondoso, ganhando duas adaptações para desenho animado, um filme de animação, jogos e uma infinidade de produtos.

O Brasil não ficou fora do sucesso. O mangá chegou ao Brasil pelas mãos da editora JBC em 2007. Lançado inicialmente em formato pocket e com metade do número de páginas do original japonês, a obra foi concluída anos depois em 54 edições. O sucesso foi tanto que a editora ainda trouxe os três databooks da série.

Os dois animês da obra também vieram ao Brasil e ambos tiveram envolvimento do pessoal da JBC, chegando a render para a empresa até mesmo o antigo prêmio Yamato, conhecido como o Óscar da dublagem, pelo trabalho de tradução, considerado excelente.

Ainda hoje, Fullmetal Alchemist é considerado como um dos mangás shonen mais bem construídos e o público da obra ainda cresce, sendo o relançamento mais pedido para a editora JBC nos últimos anos. Anunciado no dia 1º de abril, o mangá teve seu lançamento em julho, com direito até mesmo a um evento especial. Hoje viemos falar exatamente desse mangá e de nossas impressões do primeiro volume.

A história de Fullmetal Alchemist

A história de FMA segue os alquimistas e irmãos Edward e Alphonse Elric e a sua busca pela pedra filosofal, o artefato mais poderoso da alquimia e capaz de romper as barreiras e limitações dessa ciência. O objetivo dos irmãos é conseguirem recuperar os próprios corpos (ou partes dele no caso do Ed) que eles perderam ao tentarem ressuscitar a própria mãe.

Em um mundo em que a alquimia é uma ciência altamente desenvolvida e o país é controlado por militares, Edward se torna um alquimista federal aos 12 anos de idade justamente para conseguir reaver o que ele e seu irmão perderam. Será que conseguirão?

Expectativa enquanto leitor

A história de Fullmetal Alchemist, como um todo, é muito emocionante e com o avançar da narrativa mais você quer descobrir os segredos daquele mundo e ver como (ou se) os irmãos Elric conseguirão reaver os corpos ao mesmo tempo em que buscam salvar o país da destruição. Tanto o primeiro, quanto o segundo animê, trazem histórias com  um desenvolvimento muito bom, embora se note uma má escolha aqui e outra ali em ambos. Porém, mesmo distintos, não há como não gostar dos dois.

Obviamente que, sendo uma história tão boa e que tanto me agradou, seria impossível não querer o mangá em minha coleção, tanto que não pensei duas vezes em fazer a assinatura de Fullmetal Alchemist. Contudo, eu ainda não o havia lido. Ele fazia parte da lista dos mangás populares que eu nunca tinha lido e agora tive a oportunidade de finalmente conseguir ler e, desde esse primeiro volume, eu já noto que ele tem muito mais pontos positivos do que suas adaptações em desenhos animados, muito embora eu não tenha gostado de uma coisa ou outra nesse volume inicial…

Fullmetal Alchemist
Fullmetal Alchemist

O primeiro volume – pontos positivos e negativos

O tomo inicial de Fullmetal Alchemist é composto por quatro capítulos em que estão dispostas três histórias (quase) distintas. Basicamente o volume se apresenta como se a obra fosse uma narrativa episódica em que as histórias não possuem uma relação clara entre si. Nos dois primeiros capítulos Edward e Alphonse estão em uma cidade “governada” por um líder religioso que dizem fazer milagres, no terceiro capítulo estão em uma vila que vive das minas de carvão em que os moradores são oprimidos por um péssimo administrador e, por fim, no capítulo quatro os irmãos resolvem o caso de um sequestro de um trem.

Embora exista uma sequência temporal, as narrativas parecem demais independentes e não passa ao leitor uma sensação de continuidade. Aparenta que a autora resolveu contar uma história, depois outra e outra. Não é ruim, porém ao mesmo tempo não é bom. Por esse estilo inicial de narrativa, não dá para visualizar o brilhantismo da obra que todos falam. É  convencional demais e isso não me agrada muito. É claro que existe o peso de ser FMA e qualquer coisa abaixo de bom já soa estranho para o fã, mas  o fato inegável é que o mangá não começa com todo o ímpeto que se esperaria de uma obra aclamada.

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Sobre-capa disponibilizada pela JBC para os assinantes…

Há uma razão para isso, entretanto. A história não nos introduz no universo, ela já nos joga nele com uma boa parte das cartas dadas. Ed e Al já tentaram ressuscitar a mãe, Ed já se tornou o alquimista de aço, os pecados capitais já estão agindo, etc. Somente aos poucos, em pequenos flashbacks, vamos sabendo o que aconteceu no passado com os dois irmãos.

A narrativa é feita para pegar o leitor pela ação logo de cara e fazê-lo ver que aquela história terá lutas interessantes e que você não se arrependerá de acompanhar. Não é um tipo de história que me agrada, mas Fullmetal Alchemist não é simplesmente a luta pela luta. Ele tem um algo mais, uma história mais densa e profunda que nos faz querer acompanhar. Os personagens são cativantes e todos eles parecem únicos e divertidos.

Apesar de eu não ter gostado do modo como o primeiro volume foi encaminhado, há vários pontos específicos que mostram claramente que o mangá é bom e que, pelo menos, deve ser melhor que suas versões animadas. Algumas referências que nos animês ou serão mostradas apenas depois de muitos episódios ou acontecem do nada, já se mostraram presentes no primeiro volume, como a o medo dos irmãos Elric “daquela pessoa” que ensinou alquimia a eles ou o fato de existir alguém por trás dos pecados capitais.

Fora isso, as cenas em que Edward fica furioso por terem chamado ele de baixinho são bem mais engraçadas no mangá, pois os quadrinhos permitem que apreciemos por mais tempo a indignação do alquimista federal^^.

No todo, apesar de convencional, o primeiro volume consegue agradar bastante e nos mostra que história tem realmente muita coisa a oferecer…

A edição nacional

Fullmetal Alchemist foi publicado no formato 13,5 x 20,5 cm, cerca de 200 páginas e miolo em papel offset. A edição é idêntica a Yuyu Hakusho, ou seja nada de páginas ou capas internas coloridas. Entretanto nada disso é um demérito e a edição está boa a meu ver.

Fora isso, a propaganda da JBC diz que existe uma “cor especial” na capa, dispostas nas partes em cinza. Sinceramente não vi nada de especial nas letras da capa, praticamente inútil. Porém o efeito nota-se bastante na quarta-capa, ficando realmente muito bonito e um contraste bem interessante.

A adaptação da JBC como sempre é ótima, mantendo uma fluidez no texto impecável. Gostei bastante, também, de terem mantido o nome dos pecados capitais em língua portuguesa e só estranhei um pouco terem mudado o nome de Cidade Central para Central City, mas nada que atrapalhasse a leitura ou a compreensão do texto.

O único demérito mesmo que encontrei foi na quarta-capa, quando a JBC escreveu “deus” com inicial maiúscula para se referir ao “Letoísmo”, sendo que pelas convenções da nossa língua, “deus” só pode ser escrito com inicial maiúscula quando estiver se referindo à Deus, do cristianismo e do judaísmo. Está certo que quase ninguém irá notar, mas fica o toque.

O preço do mangá está na média das publicações da editora custando R$ 16,90 (mesmo preço de Chobits, Parasyte e Hellsing) e terá, ao todo, 27 edições sendo publicado mensalmente.

Veredicto

O primeiro volume mostrou que Fullmetal Alchemist possui uma história envolvente e os personagens são cativantes, tal qual em suas versões animadas. Embora o tomo de estreia seja mais para quem é fanático por battle shonens e queira ver lutas interessantes, a obra claramente irá evoluir e se tornará muito mais do que isso. É uma obra que tem potencial e, sem sombra de dúvidas, é uma daquelas histórias indispensáveis para se ler e (ter na estante) para reler quantas vezes quiser…

***

Onde Comprar:

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BBM

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13 thoughts on “Resenha: Fullmetal Alchemist – volume 01”

  1. Bem, a lógica do D maiúsculo é que Deus é nome próprio, o nome do deus católico/judeu é Deus. Se qualquer outra religião fizer o mesmo o D maiúsculo pode ser utilizado. Inclusive alguns muçulmanos também escrevem Deus, já que Allah é exatamente a palavra para deus em árabe.

    Só não me lembro se esse é o caso da religião fantasiosa do FMA. Se for, a escolha não estaria extamente errada, seria mais uma liberdade autoral?

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  2. Kyon, voce fechou a assinatura da JBC, voce poderia seila me falar, se presta ? se vale a pena assinar a obra inteira ?
    eu estava interessado, mas tenho meio q um medo de comprar tudo kkkkkk

    eu vi nas redes sociais muitas pessoas reclamando da demora pra chegar os mangás.

    obs. eu moro em são paulo sp. não sei se da problema no frete aqui.

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    1. Eu diria o seguinte: você conhece e gosta de Fullmetal Alchemist? Assine sem medo.
      Você está conhecendo agora? eu não sei se é uma boa. Por mais que seja um bom mangá, há pessoas que acabam não gostando, por um motivo ou outro.

      Financeiramente é muito bom assinar todos os 27 volumes e ter os 20% de desconto. Acredite se quiser: com esse desconto da assinatura você terá todos os volumes de FMA por um valor mais baixo do que quem comprou em banca anos atrás aquela edição em meio-tanko ruinzinha.

      Então é algo a se pensar que pode valer muito a pena….

      ——–
      Assinaturas da JBC não tem muito disso de demora. Quer dizer, pode acontecer uma vez ou outra por causa dos Correios, mas em geral é super rápida. Aqui no meu estado algumas vezes os mangás da assinatura costumam chegar antes mesmo de chegar nas bancas de revista. Aí em São Paulo eu acho que não é assim, mas não deve demorar tanto.

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  3. Deus como substantivo próprio é sempre com a letra D maiúscula, independente de ser o judaico -cristão. Se na estrutura do texto ele aparece como subst. comum deve ser escrito com minúscula.

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