Desmistificando: Quais as etapas de produção de um mangá?

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Vamos conhecer um pouco dos processos e profissionais envolvidos!

Já pensou quais as etapas na produção de uma mangá em uma editora? Algumas são bem óbvias, outras um pouco menos. Na teoria deveria ser algo fácil de identificar só olhando os editoriais, mas como cada um chama os cargos por um nome e há uma quantidade absurda de informações em alguns deles, na prática só causa confusão.

Vamos tentar explorar um pouco este mundo utilizando as muitas informações e editoriais disponíveis ao longo do tempo!


Preparação e Produção de Texto

Uma das etapas principais é a de texto, é uma das que mais dá problema ou causa polêmica. Envolve desde a tradução aos diversos tipos de revisão e adaptação que o texto pode sofrer. O número de pessoas envolvidas vai depender da empresa, a Panini e JBC, por exemplo, tem várias etapas, enquanto as menores têm o mínimo.

Numa situação perfeita, seu mangá passaria pelos seguintes passos:

Tradução. Obviamente a etapa em que um fluente tradutor de japonês traduz o original para português. No início era um processo feito pelos descendentes japoneses, mas hoje em dia já temos uma variedade de profissionais no meio, alguns até formados na área.

Existem programas, técnicas e teorias mil envolvendo esta etapa, a coisa é bem mais complexa do que parece, ainda mais quando estamos lidando com uma língua como o japonês. Aos interessados sugiro ir se formar em tradução (rs) ou procurar livros técnicos sobre o assunto.

Revisão da Tradução. Processo em que um tradutor experiente (tradutor-chefe) e de bom domínio do japonês revisa aquilo que foi traduzido em busca de erros de tradução ou pedaços pulados, sempre comparando ao original, além de padronizar para o estilo adotado na editora e nos volumes passados.

Revisão de Texto. Etapa em que é revisado a ortografia e gramática, não mais o conteúdo, mas a forma. Geralmente feita por mais de uma pessoa a fim de não deixar passar nada. Este pedaço é geralmente feito após a montagem do livro, mas pode ser feito antes também a depender da empresa e suas preferências.

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Mocinho da Panini descendo a caneta vermelha.

Adaptação. Não é necessariamente uma etapa e é constantemente feita em todas as etapas anteriores, mas pode também ser feita a parte. Em algumas empresas tal pode ser algo decidido pelo tradutor na hora da tradução, ou pelo revisor na hora da revisão, pode ser uma decisão em conjunto da redação ou ditadas por um responsável. Em todo caso alguém toma decisões e as aplica, coisas como: Manter ou não os honoríficos? Deixar o termo em inglês/japonês ou traduzir? Qual o nome do personagem? Usar os valores em iene ou reais? Usar gírias ou não?

São em momentos como este que é decidido, por exemplo, se vai se chamar de Kagome ou Hagome (Inu-Yasha), Kurapika ou Kurapaika (Hunter x Hunter), Light ou Raito (Death Note), Simbá ou Sinbad e Aladim ou Aladdin (Magi). Sim, aparentemente só me lembro de exemplos da JBC…

***

Vale a pena comentar que as diversas revisões podem ser feitas tanto nas versões digitais, quanto nas físicas. Pelas fotos e informações que a JBC e a Panini divulgam é fácil notar como eles revisam no papel, fazendo anotações nas páginas impressas.

Essas versões físicas podem ser bem maiores que o formato em que será impresso, pois o tamanho maior ajuda a identificar erros mais facilmente.

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Mocinha da Panini comparando ao original. Patrocínio Coca-Cola.

***

Não é preciso muito esforço para adivinhar os tipos de erros que podem ocorrer aqui, desde erros de revisão, até traduções e adaptações malfeitas e censuras ou diálogos faltando. Se por um lado certos erros saltam aos olhos, outros são super complicados de identificar sem uma minuciosa comparação com o original.

É o pedaço que mais causa polêmica quando ocorre erros ou pelo tipo de escolha tomada. De forma segura podemos afirmar que é a parte mais valorizada pelo público-leitor e que mais pesa para se julgar um título.


Preparação de Imagens e Montagem do Livro

Parte que quase ninguém lembra, mas de extrema importância. Geralmente é feito por uma mesma pessoa ou um pequeno grupo e envolve as seguintes etapas:

Preparação ou Manipulação de Imagens. Tenha a editora recebido o material digital ou digitalizado ela mesma, às vezes é necessário tratar e preparar as páginas dos mangás. Um exemplo fácil de lembrar são as páginas coloridas que acabam virando preto e branco nas versões nacionais (algo que ocorreu muito no passado). Além de trocar para escala de cinza, o responsável ajeita o contraste e brilho para que a versão preto e branco não fique escura demais ou clara demais (como às vezes acontece).

Limpeza e Reconstrução, às vezes chamado de Edição. Quando o responsável, utilizando programas próprios de manipulação de imagem, “apaga” o texto e narrações do original. No caso de texto sobre ilustrações e padrões, o profissional tem que reconstruir, ou seja, refazer utilizando a arte original como guia.

Esta etapa no passado não era levada a sério e as editoras utilizavam quadros brancos sobre o conteúdo original para poder inserir o texto brasileiro. A técnica e difícil de observar em condições normais, mas muito óbvias em mangás por causa dos fundos cheios de padrões e ilustrações.

Atualmente todas as 3 maiores editoras ativas não utilizam mais desse recurso preguiçoso. Entretanto tal ainda é comum no mercado de mangás e quadrinhos, a L&PM, por exemplo, utiliza isso em todos os seus quadrinhos, desde Garfield aos mangás.

Paginação ou Diagramação. É o processo de se montar o livro. Utilizando um programa específico, o paginista monta digitalmente o volume, encaixando as páginas em seus devidos lugares. No caso de livros mesmo, romances e light novels, o indivíduo copia a tradução e monta o design, adiciona as páginas de capítulos, os números de páginas, definindo margens e tudo mais que você conseguir lembrar.

Nos mangás a coisa é muito, muito diferente. Primeiro o responsável tem que inserir as imagens, as páginas do mangá original limpas. Ao fazê-lo deve ter cuidado com as margens para não cortar balões e pedaços importantes. Qualquer corte e erro de colocação gera depois os famosos diálogos cortados, páginas invertidas, etc. Além da colocação das imagens vem a…

Inserção de Diálogos, às vezes simplificado como Letras. Com a imagem perfeitamente posicionada na página, o profissional agora insere o texto nos lugares corretos de forma centralizada ou bem posicionada. Esse pode ser uma etapa mais difícil do que parece, já que as 3 principais editoras mudam fontes tipográficas, formatações e efeitos a depender do tipo de diálogo e balão. Não podemos esquecer também do trabalho de inserir as onomatopeias.

É com certeza uma das etapas mais importante e menos conhecidas ou reconhecidas pelos consumidores. Um bom letrista transforma o mangá numa coisa harmônica e agradável de ler. Um mal letrista pode deixar a leitura cansativa e o material com aspecto poluído.

Revisão de Diagramação. Assim como há os revisores para a tradução, é comum se ter alguém que revise também o processo de diagramação. Alguém que folheie o livro em busca de erros na hora de inserir o material, pedaços cortados ou malfeitos, etc. Às vezes esse processo é feito ao mesmo tempo da Revisão de Texto ou pode ser feito depois na Revisão Final do Boneco (falaremos mais adiante).

Os próprios programas fazem testes também e buscam erros e problemas no arquivo final. Similar a como os programas de texto (como o Word, BrOffice, LibreOffice, OpenOffice) “reclamam” quando você tenta imprimir algo que exceda a página.

Produção de Capa e Outros. Aqui também entra a produção da capa e páginas de editorial, propaganda, etc. Entra todo aquele processo de aprovações, cálculos de lombada e designs que já comentamos antes. Tem sempre alguém que tem que criar conteúdo, escrever sinopses e coisas assim.

***

Aqui também tem seus erros típicos, como uma má reconstrução, algo que é apenas apagado, más colocações, balões em branco, troca de ordem de balões, cortes nos diálogos, má centralização e formatação, etc. Mais uma vez, alguns dos erros são difíceis de reconhecer sem a comparação cuidadosa com o original.

Teoricamente, em quadrinhos as ilustrações (conteúdo visual) e os diálogos (conteúdo textual) deviam ser igualmente importantes, dois lados da mesma moeda. Contudo, na prática não é isso que vemos, de fato o público não costuma valorizar ou criticar as más adaptações visuais e chegam a considerá-las irrelevantes.

Dificilmente vemos quaisquer menções à qualidade artística do autor, qualidade da adaptação das editoras e erros no conteúdo visual por qualquer um dos dois, mesmo em resenhas e críticas profissionais. (Ninguém comenta, por exemplo, que o autor de Lúcifer e o Martelo é um gigantesco incompetente para desenhar cavalos. Sério, aquilo é um absurdo! Como uma editora permite uma coisa dessas?! Bastava olhar fotos reais na internet…)

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Provas e páginas de teste da JBC.

Finalização e Impressão

Após todos esses processos e adaptações o seu livro está montado e chega a hora de passar para a fase da impressão.

Impressão do Boneco. Aqui a editora ou a gráfica monta um Boneco ou faz Provas de Gráfica. O boneco é um protótipo daquilo que será impresso e é a última chance de se corrigir e checar erros. É especialmente importante para se identificar erros que só surgem na impressão.

O boneco da gráfica é ainda mais seguro, pois assim é possível identificar possíveis erros que venham a acontecer devido a incompatibilidade de programas e sistemas operacionais.

Um caso engraçado da Panini, por exemplo, foi uma fonte que a máquina da gráfica não reconhecia os acentos, tendo sido impresso dessa forma. Felizmente se tratava da fonte usada nos freetalks (colunas onde o autor comenta livremente) e não gerou tantos problemas assim, fora uma meia dúzia de vogais comidas.

Um último adendo é que o boneco é mais que uma versão física, como a que pode ser utilizada nas revisões, o boneco é montado e impresso exatamente como seria em gráfica, às vezes até com o papel e gramatura que será usado no volume, é o protótipo mesmo do livro e não apenas impressão do conteúdo.

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Um boneco da JBC com prova de cores da capa ao fundo.

Revisão Final do Boneco. Como já comentado, a chance de checar eventuais erros que possam ter passado em todas as áreas, além de identificar erros causados pela encadernação, como falas que ficaram ilegíveis devido à lombada. Identificar também qualquer problema de gráfica, impressão ou papel.

Teste de Capa. O boneco geralmente não inclui a capa, no caso da capa é feito um teste próprio para ela, já que usa material diferente, impressão diferente, etc. É um teste especialmente importante por causa da lombada e quantidade de cores.

***

Feitas as alterações aqui, os arquivos finais partem para a gráfica e é a hora de ser impresso em massa.


Os Coadjuvantes

Existe todo um pessoal de suporte aqui que raramente são citados, mas que são imprescindíveis na produção e viabilização das produções.

O pessoal de licenças. Os falantes de japonês e inglês que batalham todos os dias para licenciar a sua série favorita, que passam horas lendo catálogos, discutindo contratos e puxando saco das editoras japonesas.

O pessoal de venda, distribuição e marketing. Responsáveis por fazer os produtos chegarem nos pontos de venda próximos a você. Aqueles que passam o dia carregando caixa de um lado a outro, que recebem e separam pedidos de lojas e livrarias, que mantêm contato e gerencia os envios.

O pessoal do financeiro. Aqueles que vivem no Excel, responsáveis pelos relatórios de venda e cálculo do que é devido aos japoneses e mais outras coisinhas.

Os gerentes. Que mantêm toda essa cambada de gente na linha trabalhando duro, enquanto faz vídeos e vira celebridade otaku.

Brincadeiras a parte, existem vários outros profissionais envolvidos e importantes, mesmo que não estejam diretamente presentes na produção da versão brasileira do mangá.


No fundo como cada uma trabalha, quantas pessoas envolvidas e se há algum processo pulado vai depender de editora para editora. Se quer saber algo específico, sugiro que pergunte diretamente para elas.

Os nomes de cada profissão e etapa vai variar também, muitos Revisores, por exemplo, viram Assistentes de Tradução. Também é comum termos como Assistentes de Arte, Assistentes Editoriais, Capa, etc.

Para finalizar, sugiro assistir o vídeo que o Henshin fez sobre o processo deles da JBC na produção de Sailor Moon. Lembrando que todas as imagens usadas no post foram publicadas pelas próprias editoras em seus canais sociais!

Extra (05/08/2016): Aqui um vídeo apresentando várias coisas na redação da Panini.

À propósito, no vídeo a moça não soube explicar e acabou sendo passado, mas cadernos impressos é na verdade a folha original devidamente impressa, dobrada, recortada e unida. Nas gráficas as folhas são imensas, cabem várias páginas do mangá em cada verso, esse folhão depois de impresso passa por todo esse processo acima e vira o chamado “caderno” que você viu no vídeo e nas imagens de boneco acima.

O tamanho e quantidade de páginas no caderno vai depender do formato do mangá e do tamanho da folha original, mas geralmente acaba sendo múltiplo de 6 e 8, significando que são impressas 6 ou 8 páginas em cada folhão. Diga-se de passagem, quando os editores dizem que colocaram extras porque sobrou páginas, é exatamente porque tem que ser um certo múltiplo e não é possível fazer mais ou menos páginas, a única saída acaba sendo adicionar algo. Fim do Extra.


Desmistificando é uma coluna semanal, lançada nas quintas-feiras, sobre o mercado e mangás brasileiros e internacionais. Você pode ver todas as outras postagens anteriores desta coluna aqui. Sugestões e comentários também são sempre bem-vindos!:)

Sobre Roses

“But he who dares not grasp the thorn Should never crave the rose.” ― Anne Brontë
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19 respostas para Desmistificando: Quais as etapas de produção de um mangá?

  1. Bruno disse:

    De acordo com o Cassius, no começo, na época da Conrad, eles traduziam Dragon Ball do espanhol

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    • STX disse:

      E na JBC, parece que Tenjho Tenge e Fairy tail era do ingles

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      • Eder disse:

        Foi o Guilherme Briggs que traduziu os primeiros volume de Fairy Tail. Aí, a publicação brasileira alcançou a norte-americana e a JBC chamou o Luiz Kobayashi para traduzir do japonês. Tenjho Tenge não posso afirmar, mas dizem que também foi traduzido do inglês pelo Briggs.

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  2. STX disse:

    Que cavalo mais tosco! xD

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  3. Fabio Rattis disse:

    Muito bom esse post, muitas informações, fiquei impressionado com a quantidade de passos, e ainda fazem um manga de tamanho diferente do outro (deixei de comprar death note versao normal, por causa disso), ou lombadas tortas kkkkk. me pergunto como q os japas fazem tão perfeito os mangas lá.

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  4. Eder disse:

    Bacana o post. Depois de alguns anos lendo mangás, passei a ter curiosidade sobre o processo de produção. O Diário Sailor Moon foi uma ideia interessante da JBC, mas nesse vídeo só mostraram as etapas, sem muita explicação.

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  5. Marcos Sakata disse:

    Po, o Satoshi realmente não é um dos melhores desenhistas que eu conheço HAHAHAHAHA Mas os desenhos dele eu relevo porque acho que o cara desenvolve muito bem as suas histórias e acabo não ligando pro cavalo alienígena deformado que fica aparecendo na história, mas é só porque sou muito fã do cara mesmo. Já outros mangás, como Ataque dos Titãs, eu já não consigo comprar por causa da arte.

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  6. JPM disse:

    Roses, tenho uma pergunta um tanto quanto burra assim que eu te deixar a par da situação. Eu estou abrindo uma editora com foco em mangas e apesar de ja saber todo o processo de produção e ja ter reunido uma equipe, eu ainda nao consegui contato com as editoras japonesas. Você teria alguma ideia de como entrar em contato com as editoras (kodansha sueisha etc.) para a area de negociação de licenças??

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    • Roses disse:

      Olha, não sei o quão sério isso é, mas Kodansha, Shueisha e Kadokawa dificilmente licencia para editoras novas. O caminho que todas as novatas passam é começar com as editoras pequenas como a Gentosha. Até mesmo para pegar experiência e saber negociar e provar vendas e tal.

      Para contactar qualquer editora você precisa de um falante de japonês ou inglês fluente, no site de todas as editoras há informações de como e onde entrar em contato, algumas com catálogos e tal.

      Nunca tentei fazer isso, mas imagino eu que basta entrar em contato pedindo mais informações.

      Confesso que fiquei curiosa com o que diabos você está aprontando, existem várias coisas para se ter em mente ao abrir uma editora, como distribuição e tiragem, que são importantíssimas. Me pergunto se você teve o cuidado de achar consultores para te guiar nessa área desconhecida (se não me engano você também já me perguntou de papel, não?).

      Quando for abrir uma vaga para consultoria, me fale que mando meu currículo. (?)

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      • JPM disse:

        Sim , fui eu quem te perguntou sobre papel, estou impressionado com a sua lembrança. Eu fiz um grande estudo de mercado, principalmente na parte de tiragem, periodicidade e distribuição, me baseei muito na panini, jbc e new pop e nos erros que eu acredito que todas cometeram ou cometem, também já tinha pesquisado bastante sobre a produção, a unica coisa que ainda não estava sabendo muito sobre era como negociar com as japonesas, irei tentar algo com elas desde as menores até as maiores (sonho em ainda publicar jojo nesse pais haha). Pode deixar que assim que estiver tudo pronto irei te avisar para que mande seu currículo. Obrigado por responder, se tiver mais duvidas virei perguntar, acompanho o blog diariamente =)

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  7. Roses disse:

    Só cuidado com esse “pesquisei”, não é incomum que editoras coloquem flores e exagerem no que elas dizem. As informações na internet e até mesmo as que eu consigo aqui e ali são extremamente falhas já que de fato as editoras liberam pouquíssimo. Logo devem ser recebidas a caráter de curiosidade com muito ceticismo.

    Existem entretanto empresas de consultoria que trabalham ou já trabalharam com editoras e sabem passar não só valores de tiragens, como ajudam a calcular preço e ONDE vender (porque você tem que saber para onde mandar mais e onde mandar menos!).

    Quando se entra em algo novo, você precisar ter esse tipo de contato e pagar mesmo até aprender. Ou corre o risco de cometer erros que te custarão não só o dinheiro, com seu sonho.

    E existem vários tipos de consultorias, tem a consultoria de vendas, consultoria de licenças (existem empresas que trabalham com isso, no Japão também, elas fazem a ponte entre os dois), consultoria de produção e adaptação.

    Mangá pode parecer simples, mas é apenas porque as pessoas não reconhecem o trabalho por traz daquilo. Reconstrução e diagramação, por exemplo, é super complexo e requer uma pessoa experiente (ou vai acabar ficando igual aquele trabalho horrível da L&PM). O mesmo vale para adaptação, se você pega um tradutor inexperiente ele cometerá vários erros que uma pessoa experiente sabe como evitar. O mesmo vale para revisores, todos eles. Sempre há aquele revisor ou responsável que terá que ler tudo sobre aquela série, identificar os problemas e maiores reclamações dos fãs, assistir aos animes e tal, ler todos os volumes disponíveis, criar um profundo entendimento da série e seu mundo. É bastante coisa e você realmente precisa de uma equipe pois é impossível uma pessoa só identifique e faça tudo aquilo.

    Se não levar a sério isso, não só passarão erros de todos os tipos, como haverá más adaptações ocasionadas pelas escolhas malfeitas devido à falta de informações. Muita gente não liga pra isso, mas os fãs que ligam notarão.

    Eu diria que esse é o principal motivos dos problemas e erros das editoras atualmente, ou falta de pessoas qualificadas ou falta de pessoas mesmo. A JBC no início da vida era formada por jornalistas, o que jornalistas sabem sobre edição de imagem e tradução?! Resultado? Obras de qualidade terrível!!!! Marcelo del Greco (jornalista) se achando o máximo foi para a Nova Sampa e cometeu uma cacetada de erros, de todo tipo, o mais absurdo sendo o relançamento de Vagabond. Na Nova Sampa aparentemente era apenas ele, com um revisor e tradutor freelancers. A qualidade de tudo lançado por eles é medíocre, com erros de todo tipo. Isso não é um defeito apenas da NS, todas as editoras apresentam problemas. A menos atualmente é a Panini, mas que ainda assim é “controlada” por ex-desenhistas (Elza Keiko, Beth Kodama) que embora sejam ótimas no que fazem, não tem (ou não tinha, faz tempo que não checo a equipe deles) ninguém formado em TRADUÇÃO para guiá-los. Logo eles cometem ou proliferam várias manias que são absolutamente condenadas pela comunidade profissional (por motivos concretos, com estudos do por quê aquilo funciona ou não, testes e pesquisas).

    Basicamente, se você tem pessoas experientes e competentes naquela área, você não precisa aprender nada do zero, elas já trazem toda a bagagem que você precisa. Infelizmente no Brasil todas as pequenas editoras fazem o contrário, começam sem ninguém e fazem de qualquer jeito até reclamarem. A Panini, JBC, NewPOP, Savana, L&PM, Nova Sampa, todos eles começaram de forma medíocre e foram aprendendo. Atualmente JBC e Panini chegaram muito longe, mas ainda tem o que melhorar pontualmente. As outras em geral falham miseravelmente em alguns aspectos, muito longe do que seria até aceitável.

    Isso virou um resmungo e bitching absurdo… Acho que vou apagar depois… 😄

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    • JPM disse:

      Então a principio, não sei se é um erro ou não, eu e me sócio optamos por contratar pessoas na area de letras japonês para tradução e letras português para revisão. De forma alguma eu acho que será fácil e sei que tem muito oque fazer ainda para lançar o primeiro manga, mas tentarei lança-lo na melhor qualidade possível, afinal eu coleciono mangas e sei como é horrível mangas com falhas como as falhas nas paginas do hitman da NS onde alguns quadros estão pela metade. É com esse pensamento que quero entrar no mercado com algo de qualidade e que seja acessivel (como os da panini atualmente que na minha opinião tem feito um ótimo trabalho no quesito qualidade- preço). E eu nao busquei muitos números além de médias de tiragem, fiz uma analise focada principalmente na parte de como o mercado se comporta com o peso e o tamanho dos titulos.

      Obrigado por me alertar sobre empresas que prestam assessoria sobre tiragem, irei atras para ver exatamente quantas cópias são feitas e como é feito o calculo para cada titulo.

      E assim, eu nao menosprezei a dificuldade de ser fazer um manga, eu sei como deve ser complicado entao nao acho que será simples.

      Mas é uma ideia (sonho) a ser amadurecido um pouco mais, mas temos planos de lançar no começo do ano que vem, caso de tudo certo.

      Se gostar da ideia e quiser ajudar desde já, mas ainda não estamos pagando pois estamos só planejando as coisas haha

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      • Roses disse:

        De assessoria eu conheço a EdiCase, se quiser ir atrás. Tiragem é muito importante, sério, é em cima de tiragem que você calcula o preço de capa e até a viabilidade das coisas. Se digamos que um mangá na verdade venda 6 mil unidades por volume e você produzir 30 mil, isso significa que você não vai conseguir se pagar e terá defit. Mas se você sabe que é 6 mil e faz 8 mil, o preço estará adequado para uma tiragem dessas com uma sobra saudável que venderá aos poucos nos próximos meses. Essa relação de tiragem e público-consumidor é o grande X da questão.

        Você pode sempre tentar parceria com outras editoras, como a Lumus e a NewPOP fizeram no passado. Você pode também terceirizar certos aspectos, como a Savana terceirizava a revisão pela Lumus. Editoras pequenas costumam fazer esse tipo de coisa o tempo todo.

        O maior problema de todos para pequenas editoras é sempre a grana, o motivo das pequenas não lançarem 15 mangás ao mês é exatamente não ter o dinheiro para arcar com a impressão de 15 títulos, as coisas não se pagam imediatamente. Agora se você tem uma grana e quer mesmo lançar algo, às vezes a opção de fazê-lo via uma editora preexistente é muito melhor. Existem vários custos de se manter uma empresa, como impostos e contadores, mas que ao fazer um contrato com uma existente você economiza nisso. A empresa também terá contatos e facilidades no meio, saberá como te ajudar. É a mesma lógica de um escritor ou desenhista BR que busca uma editora para lançar seu produto, também é muito menos arriscado.

        Honestamente não sei quais empresas topariam algo assim, mas é algo que a se considerar. Nova Sampa anda mais pra lá que para cá, NP não sei se ainda fariam, quais outras pequenas? HQM, Zarabatana, hummm…

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        • JPM disse:

          Obrigado roses, agente está levando muito a sério, uma ideia que tivemos para o começo, é publicar obras de autores brasileiros, eu mesmo conheço 2 pessoas que estão escrevendo web novels e livros mesmo, entrando no mercado e ganhando uma estabilidade.

          Sobre o calculo da tiragem, depende muito do titulo certo? Se de alguma forma consiga um titulo mais famoso a tiragem é feita em maior numero do que de um manga mais desconhecido, certo?

          E sobre a parceria ou terceirização, quando agente estava estudando quantas pessoas contratar de inicio saia mais caro terceirizar com freelancers do que contratar funcionários fixos, mas ainda é algo a ser estudado.

          E reforço meu convite, se quiser fazer parte dessa empreitada, é só dizer que eu passo meu contato ou visse versa e conversamos.

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          • Roses disse:

            Livros e quadrinhos são bem diferentes, o esforço de revisão em livro é muito maior, mas também difere em preço, distribuição e tiragem. Tem livros aqui no Brasil de tiragens de 1-4 mil edições.

            A tiragem sempre dependerá do título, não é uma questão apenas de fama, um título não-famoso pode estourar em vendas no Brasil, simplesmente porque agradou o público. Da mesma forma um famosíssimo pode vender nadinha. Até onde eu sei, a média da tiragem é a mesma para qualquer título, sendo que alguns passam disso, como Fairy Tail, Naruto, Dragon Ball, Vagabond, etc.
            Os únicos que ouvi falar com tiragem limitada desde o início são os que vão para as livrarias, zero eterno, Tezukas, etc. mas isso não é algo que você vai descobrir só na internet.

            Não sei que conta maluca é essa, mas contratar é imensamente mais caro. A quantidade de impostos que você paga é imensa. A única situação em que o contratado é mais barato é quando ele passa literalmente o dia todo trabalhando em ritmo integral. Um tradutor, revisor, editor, diagramador, etc, trabalhando em ritmo integral significa uma quantidade absurda de material sendo lançado todos os meses. Apenas editoras grandes têm pessoal contratado, Panini, JBC, Abril, etc.

            Pense assim, no começo você vai lançar um volume aqui e ali. Esse volume vai ter que pagar o custo integral de todos os salários e impostos das pessoas envolvidas. Enquanto isso, uma editora como a JBC e a Panini divide todos esses custos entre todos os volumes lançados naquele mês.

            Ou seja, sim, contratado é mais barato se ele for usado integralmente, mas contratar alguém para ficar olhando pro teto sai muito mais caro!!

            Não me entenda mal, mas vocês estão muitoooo verdes. É meio assustador. O fato de buscar respostas na internet e oferecer um “trabalho” para alguém na internet assim sem nem olhar currículo e tal também mostra uma ingenuidade. E se eu for uma menina de 10 anos? Amadureça a sua ideia primeiro, estude o assunto, faça curso no SENAE (?), aí quem sabe um dia eu mando um currículo e você terá a chance de mandar eu ir me fuder. Imperdível! 🙂

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  8. Eder disse:

    Saiu um vídeo do canal All Blue mostrando a redação da Panini e um pouco do processo de produção dos mangás: https://youtu.be/CQm0yUv9_W0

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    • Roses disse:

      Já vi, inclusive notei como eles não conseguiram explicar o que são os cadernos impressos da gráfica e estava me coçando para explicar, mas é tããããão off-topic, hehehe. Obrigada pelo aviso mesmo assim, honrados de ter se lembrado da gente. 😀

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