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Impressões – Ninja Slayer, Volume 1

ogp_ninjaslayerUma aposta arriscada ou um teste de mercado?

Recentemente a Panini anunciou um mangá que pouquíssimas pessoas se importaram: Ninja Slayer. O animê não havia feito muito sucesso na época em que foi exibido e provavelmente o anúncio da editora foi o primeiro contato de muitos leitores com a obra.

Ninja Slayer foi publicado originalmente na revista Comptiq, sendo movida posteriormente para a Montly Comp Ace, ambas da Kadokawa Shoten. Conta com história de Bradley Bond e Yoshiaki Tabata, e ilustrações de Yuuki Yogo. Baseado na Novel de mesmo nome, o mangá começou  a ser publicado em 2013 e permanece em andamento, atualmente com 7 volumes.

Como será essa obra? Mas primeiro um alerta para todos os leitores brasileiros! A Biblioteca Brasileira de Mangás adverte: ver a animação da obra antes de ler o mangá tirará toda a sua vontade de comprá-lo.

IMPRESSÕES

O mangá acompanha a cidade Saitama com toda sua correria e… Um atum gigante e flutuante divulgando as marcas mais conhecidas do momento. Parece estranho para você? Acho que é essa a intenção. Dentro dessa cidade de muitas luzes e prédios gigantescos, vivem naturalmente muitos criminosos, tanto que já no início somos apresentados a uma negociação entre dois grupos. O submundo ali tende a ser vasto e a negociação entre eles começa a apresentar problemas, até que somos apresentados ao verdadeiro foco da história: os ninjas. Contudo, mais do que qualquer coisa nessa história, nós aprendemos as mais variadas gírias de gangues japonesas e termos budistas. Até mesmo o foco principal da história se apaga diante de tantos verbetes jogados nos balões.

A verdade é que esse volume inicial não explica absolutamente nada sobre o mundo em que se passa a história, com ele temos apenas uma informação: ninjas. E isso basta? Depende. Podemos notar que a história não tem pretensão alguma de explorar o mundo em que se passa, e isso não parece afetar o divertimento da obra. Na verdade, esse é o ponto: a obra foca em divertir, nada muito maior que isso. Entre esse divertimento, muitas coisas loucas acontecem, como por exemplo uma quadrilha de gêmeos robôs que atiram com perfeita sincronia… Achou isso pouco? Tente a parte em que três mulheres chegam ao orgasmo com uma mísera risada.

O primeiro volume de Ninja Slayer mostrou bem o que promete tratar os demais: cenas de ação com ninjas que pulam de telhado em telhado. Pense nele como uma obra para te distrair, até mesmo por que a leitura é um tanto quanto rápida, mesmo sendo alvo de muitas explicações.

Agora é só acompanhar a guerra entre a máquina de matar, Ninja Slayer, e os demais ninjas e se divertir com as cenas loucas e convenções estranhas que nos são apresentados durante a obra. Convenções estranhas? Provavelmente você não sabia sobre a parte que eles rezam um mantra toda vez que derrotam um inimigo. “Namu Amida Butsu…“, os ninjas valorizam muito as tradições e o respeito, sabem?

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Uma outra particularidade interessante sobre o mangá é que ele é narrado por alguém que até então não faz parte da história, ou aparenta não fazer. Como em um livro, uma voz vai explicando a você todas as convenções, movimentos e pequenas minúcias da história. É essa a experiência de leitura que temos em Ninja Slayer. Vale lembrar que o mangá é a adaptação de uma Novel e talvez por isso tenham escolhido essa forma de narração para a história. Afinal, como explicar uma história que não tem grandes diálogos sem perder a essência daqueles costumes ou mesmo a interação de um narrador que vê tudo com o conhecimento daquele mundo louco? Essa particularidade pode agradar uns e afastar outros, pessoalmente me agradou.

A EDIÇÃO DA PANINI

Ninja Slayer veio no formato 13,7 x 20cm, custando 12,90. A princípio o mangá veio sem qualquer mimo ou tratamento especial referindo-se a questão gráfica, foi basicamente o mesmo que a editora vem fazendo nos últimos anos. Uma edição bem básica. O miolo conta com o velho conhecido do público, o papel jornal.

A princípio, não é surpresa para ninguém que a editora manteve os honoríficos… Só que para piorar eles sequer colocaram notas de rodapé ou explicações em glossário. Ou seja, se você for um leitor novato ou que simplesmente não tenha noção desses termos poderia ficar bastante perdido e se perguntando o que aquelas coisas queriam dizer…

Fora isso, nesse primeiro volume somos iniciados num mundo de costumes completamente desconhecidos, e mais do que isso, a quase toda página termos inerentes daquela cultura surgem. Como dito no início do texto “mais do que qualquer coisa, você aprenderá muitas gírias de gangues japonesas e termos budistas”, eles resolveram não traduzir esses termos. Ao invés disso, colocaram uma nota de rodapé para cada termo desconhecido, e eram muitos e com explicações bem longas, inclusive alguns recorrentes.

Sendo que na segunda vez que um termo já explicado aparecia, não havia a nota de rodapé para ele… Então qual seria a solução? Voltar páginas atrás para relembrar o que significava aquilo. Algo cansativo e que em alguns momentos estraga sua imersão na leitura. O que dizer sobre isso? KAKKENNA KORAH!!!!!*

*“Kakkenna Korah” pode ser adaptado como “Não me vem com merda, porra!”.

Uma particularidade do mangá é que as narrações são feitas em quadrinhos minúsculos, dificultando a colocação de textos. Segundo o editor da Panini, Bruzo Zago, na versão italiana do mangá o texto foi feito “deitado”, mas aqui resolveram fazer diferente, extrapolando os quadros. Quando ele falou a solução parecia ser boa, mas pegando o mangá em mãos vê-se que foi uma escolha equivocada. Em vários momentos você percebe que bastava diminuir um pouco a fonte para caber nos quadros e, no entanto, sabe-se lá por qual razão, não fizeram isso. Esse fato acaba por ser um demérito grave da edição. Vejam a imagem abaixo e tirem a conclusão por vocês mesmos:

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POR QUE NÃO ASSISTIR O ANIMÊ?

Não há muito o que explicar sobre isso. A explicação simples e resumida é: o animê é ruim. Você provavelmente já viu ou até jogou aqueles jogos antigos de Super Nintendo ou até mesmo o famoso Polystation, pois bem, imagine então um animê com aquela qualidade em que os inimigos são pequenos monstros e a história não faz sentido nenhum, contando casos isolados sem qualquer explicação. Você pensou no animê de Ninja Slayer…O que você verá no animê é uma sucessão de computação gráfica em 2D com ocasionais “IÁAA!”…

CONCLUSÃO

Você precisa estar ciente que o mangá não conta uma história mirabolante. É basicamente uma guerra entre o matador de ninjas e os próprios ninjas. As menções incansáveis a cultura inerente aos ninjas pode ser um impedimento para adquirir a obra, afinal são muitos rodapés explicativos… Contudo, apesar disso a história consegue superar esse problema com a distração que proporciona. Às vezes, até mesmo as gírias originais ou os comentários do narrador tornam aquela situação muito mais divertida do que seria de outra maneira. Um misto de riso e ação desenfreada. Quem achou interessante esses ninjas com costumes estranhos, pode dar uma chance ao mangá e ler o primeiro volume.

***

Onde Comprar: Liga HQ

BBM

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4 thoughts on “Impressões – Ninja Slayer, Volume 1”

  1. mas é justamente por isso que gostei do anime:é bizarro demais!não é a toa que deixaram a cargo para o pessoal de Kill la Kill e Panty & Stocking.
    Tá bem na cara que o estilo de animação é proposital,do contrário,South Park seria uma série ruim pelo mesmo motivo,não?

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    1. Não sei se daria para comparar com South Park… South Park é mais como uma “comédia simples”, voltada aos garotos e tal. Nesse caso, Ninja Slayer me parece muito melhor explicado e/ou retratado no mangá.

      Mas claro, se você viu e gostou da animação, provavelmente vai ver uma certa diferença para o mangá (se ainda não leu).

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  2. Li o mangá hoje, e concordo com boa parte do que você falou. Achei bem curioso esse universo dos ninjas mas espero que uma explicação do porque de algumas coisas chegue logo, assumo que fiquei com bastante curiosidade.
    O anime não tenho pretensão de ver agora, para não tirar o climax da leitura quem sabe quando eu concluir todos os volumes um dia pare para ver o anime kkk provavelmente a minha visão será um pouco semelhante, digo isso vendo GANTZ como exemplo. Gosto muito do mangá e li primeiro o mangá, quando fui ler o anime achei uma droga. Porém tenho amigos que curtem pacas o anime.
    https://somaisumaleatorio.wordpress.com/

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