Desmistificando: Quanto tempo leva para licenciar um mangá?

assinatura-contratoOu: as coisas não são tão simples quanto você pensa…

Não são poucos os leitores que acham que licenças são fáceis e rápidas de serem adquiridas, alguns até reclamam que as editoras demoram muito para acatar suas sugestões e ficam revoltados. (Alguns até abrindo “fábrica de mangás” piratas para chamar a atenção das editoras).

A verdade é que licenças podem ser rápidas, como podem levar décadas ou simplesmente nunca acontecerem, isso porque a editora original não é obrigada a licenciar suas obras, não é uma questão de quem pede primeiro. Às vezes o autor ou editora não coloca fé na empresa que quer licenciar, no país ou formato e simplesmente diz não, quem sabe mais tarde ela mude de ideia?

Há casos de disputas jurídicas também que impedem publicações como a de Sailor Moon. Ou editoras que não querem saber de certos países, como foi o caso na Argentina e da Kodansha. Sem mencionar que negociações podem ser iniciadas desde muito cedo, algo como uma editora mostrando interesse, sendo lançado e divulgado apenas quando é a “hora certa”.

Caso como o de Gate 7, por exemplo, que já pertencia à editora NewPOP em abril de 2011, quando não havia nenhum volume lançado no Japão (descoberto graças ao vazamento no site da CLAMP). E só foi publicado no Brasil quando a série alcançou seu quarto volume e entrou em hiato.

Outros exemplos são as séries que começam no Brasil ao mesmo tempo que seus animes (aqui você encontra um guia cheio de exemplos, não deixe de conferir) ou séries que começam a ser lançadas aqui sendo concluída logo depois (como Ore Monogatari!!, Assassination Classroom e Ajin pela Panini).

Tudo isso é planejado com muita antecedência e as editoras disputam ferozmente (ou é o que dizem) várias séries desde o início do sucesso. Por esse motivo não é preciso nem dizer a importância que é uma editora estar a par dos lançamentos e fama dos quadrinhos japoneses, sempre observando e procurando aqueles quadrinhos que mostram potencial.

Dessa forma fica difícil de determinar quando foi de fato o licenciamento ou o início da conversa, mas volta e meia os editores-chefes comentam sobre essas demoras e processos. Também devido ao fato de serem negociações, o tempo não é uma regra e vai depender e variar de caso a caso.

Mas em que condições uma licença é rápida? Oras, se algo de uma certa franquia vende muito bem, conseguir o resto dela é brincadeira de criança. Que empresa negaria licenças quando se tem provas do lucro que vai gerar e do potencial real da publicação?

Um caso óbvio é Madoka da NewPOP, a editora claramente não tem problema algum para adquirir uma montanha delas (que não acaba nunca), Naruto, com suas várias versões da Panini, e Cavaleiros do Zodíaco, atualmente pela JBC. Outros exemplos, mas com mangakás, são o desenhista de Another, Hiro Kiyohara, os autores de Death NoteTsugumi Ohba e Takeshi Obata, e a autora de Vampire Knight, Matsuri Hino, que tiveram quase todas as suas obras lançadas uma atrás da outra pela JBC e Panini. No passado, a Conrad fez o mesmo com as obras de Akira Toriyama.

Em geral, quanto maior e mais famosa é a editora japonesa, mais burocrático é adquirir as licenças, afinal elas podem se dar ao luxo, séries de sucesso avassalador então… A competição pela mesma série também pode ser um fator que aumente ainda mais a demora nas aquisições.

Por isso, leitor, quando for pedir uma série para as editoras não adianta cobrar e exigir para ontem que a coisa não funciona assim. Petições e campanhas só mostrarão resultado meses depois, talvez anos, como a campanha de mais shoujos no Brasil. Se der resultado imediato, não foi a sua campanha que fez a publicação acontecer e, sim, uma simples coincidência, pois a editora já havia começado o processo de negociação bem antes.

E você não precisa acreditar na minha palavra, basta ouvir as próprias editoras quando elas falam das aquisições de séries muito pedidas como Sailor Moon, Akira, Usagi Drop, Loveless, Aoharaido, Love*Com, One-Punch Man e muitas outras.


Desmistificando é uma coluna semanal, lançada nas quintas-feiras, sobre o mercado e mangás brasileiros e internacionais. Você pode ver todas as outras postagens anteriores desta coluna aqui. Sugestões e comentários também são sempre bem-vindos! 🙂

Sobre Roses

“But he who dares not grasp the thorn Should never crave the rose.” ― Anne Brontë
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12 respostas para Desmistificando: Quanto tempo leva para licenciar um mangá?

  1. Bruno disse:

    A gente provavelmente vai ver como é demorado com Inuyasha

    de acordo com o Cassius, só depois da votação que começaram a ir atrás da licença, que com certeza vai demorar

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  2. Foxx disse:

    Um bom exemplo de demora foi Pandora Hearts, que há anos pedíamos para trazerem pra cá e graças a Deus chegou este ano. Foi tarde, mas chegou.

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  3. Foxx disse:

    Um bom exemplo de demora foi Pandora Hearts, que há anos pedíamos para trazerem pra cá e graças a Deus chegou este ano. Foi tarde, mas chegou.

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  4. binho disse:

    Ri muito com esse mito que decidiu “punir” as editoras brasileiras…

    Sobre a matéria, é variante essa questão de contrato. Um contrato pode ser firmado no ato, ou demorar meses ou anos para chegar a mútuo acordo. Ótima matéria.

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  5. Fabio Rattis disse:

    é não adianta nada, umonte de pessoas pedir, e nao comprarem, vejo varias series boas de mangas, sendo vendidas a um preço abaixo do original. mas vamos la. tomará q cresça mais esse mercado de mangas no brasil.

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  6. The Fool disse:

    Alguma ideia de quanto custa licenciar uma obra?

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  7. “séries que começam a ser lançadas aqui sendo concluída logo depois (como Ore Monogatari!!, Assassination Classroom e Ajin pela Panini).”
    Como assim? Ajin ainda não foi concluído.

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    • Kyon_45 disse:

      E quando o texto foi ao ar Ore Monogatari!! também não, mas já se sabia que estaria terminando.

      No caso, a Panini anunciou Ajin e disse que foi comentado pelos licenciantes que o título devia acabar por volta do volume 10.

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