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Dividir mangás “por temporadas” é uma invenção da Nova Sampa?

hajimeNessa vida nada se cria…

Um dos legados da passagem de Marcelo del Greco pela editora Nova Sampa foi a divisão dos mangás “por temporadas”. Se você não sabe o que é isso explicamos: a editora em vez de manter uma sequência numérica como no original, resolveu dividir tal ou qual mangá em temporadas, assim um certo título teria a “1ª temporada” indo do volume 1 ao 6 e a “2ª temporada” indo também do 1 ao 6, em vez do número 7 ao 12.

Essa prática foi alvo de reclamação por parte de muitos fãs que achavam uma “deturpação da obra original” e muitos anunciaram que parariam de comprar por causa disso. “Só no Brasil que uma editora faz esse tipo de coisa”, muitos disseram.

Só que nessa vida nada se cria, tudo se copia. A prática da Nova Sampa (depois levada por MdG para a JBC) não é genuinamente brasileira e outros países ocidentais já a utilizavam antes para demarcar arcos de alguns mangás. O exemplo mais claro e genuíno desse tipo de uso vem da França com um mangá que um monte de gente quer no Brasil: Hajime no Ippo.

Hajime no Ippo é publicado por lá desde 2007 e foi dividido em temporadas, tal qual a Nova Sampa fez com seus mangás. A 1ª temporada teve 30 volumes. A 2ª teve 16, a 3ª 21, e a 4ª tem 21 até o momento. Em cada uma das temporadas, a contagem dos números começa do volume 1. Abaixo você confere a capa do volume 21 da 4ª temporada (o que seria a edição 88 original).

Hajime no ippo frança

No Japão não há essa divisão numérica por temporadas. Ela é sequencial desde o volume 1, encontrando atualmente no 114. Se fosse para ter Hajime no Ippo no Brasil você se importaria de ele ser dividido por temporadas igual acontece na França?

Melhor ter um mangá em nossa língua dividido por temporadas do que nunca ter ele, não é mesmo? Realmente considero uma besteira reclamar desse tipo de prática de uma editora nacional. Se para termos mais e mais mangás no Brasil, as empresas precisem dividir por temporadas que assim seja…

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BBM

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30 thoughts on “Dividir mangás “por temporadas” é uma invenção da Nova Sampa?”

  1. Eu não reclamaria se viesse por temporadas de Hajime no Ippo. Eu até compraria todos as temporadas (ou não, se a crise apertar, né? Ahahah)

    “É melhor ter o mangá dividido por temporadas do que não ter no Brasil”. Concordo!

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  2. Acho que tem casos e casos, por exemplo Pokemon que dá para separar pelas Gerações ou JoJo que cada fase é uma história diferente. Agora, não dá para pegar um One Piece e querer dar uma temporada para cada arco, fica bizarro.

    Até concordo com que diz que fica feio ver na capa aquele “Temporada X” ou as lombadas voltando ao 1 a cada três ou cinco volumes, só que não é nenhum fim de mundo, e como você bem disse, prefiro isso do que não ter o mangá.

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  3. Não ligo que lancem o mangá em temporadas, mas, não precisa fazer essa divisão númerica.
    Lancem Hajime no Ippo da 1 ~ 114 sem mudar os números, só avisem que dessa vez será da 1 a 20, daqui dois anos voltem da 21 a 40…

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      1. Mas ai é que está a questão, lançar por temporadas é uma coisa, lançar no formato de temporada é outra. O Formato de temporada dá muito certo em programas de TV, mas, não vejo sentido ou razão para fazer isso em um mangá.

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        1. Tem todo sentido, na verdade. Acontece que você está pensando só como consumidor e não analisando o mercado como um todo.

          Lembre-se: as editoras precisam vender mangá para o máximo de pessoas possíveis e conquistar mais e mais leitores. Não é feito necessariamente para os fãs antigos.

          Além de recomeçar a numeração, cada temporada de Hajime no Ippo possui um título diferente na França e o motivo disso é conseguir fisgar novos leitores. Seria tipo se a Panini dividisse Naruto por temporada e colocasse a segunda fase como “Naruto Shippuden” para quem quisesse acompanhar apenas essa parte ou se ela quisesse dividir Dragon Ball nas diversas sagas que, convenhamos, daria para fazer perfeitamente e você não precisaria comprar tudo.

          A diferença no caso Nova Sampa é que a editora não colocou nenhum subtítulo novo nas temporadas se eu não me engano, apenas colocou “temporada” e mudou o designer das capas.

          No fim, a questão é a mesma que eu elucidei no início do texto: você preferiria que Hajime no Ippo viesse dividido em temporadas (1 ao 30, e se fizesse sucesso depois 1 ao 16, e assim por diante) ou preferia que nunca viesse? Pois Hajime no Ippo não tem fãs o suficiente para fazer uma editora arriscar em uma obra de 114 volumes.

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  4. Eu não ligaria se Ippo viesse por temporadas, compraria de todo jeito. Mas bem que podiam seguir o modelo da França mesmo com um espaçamento de 1 ou 2 anos entre as “temporadas” ou diminuindo elas pela metade do que a França fez talvez.

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  5. A Panini publicou Conde Cain anos atrás e fez algo parecido, a partir da edição 6 ele vira “God Child” e a numeração volta pro 1, mas se não me engano, na lombada a numeração segue normalmente.

    Não vejo problema em dividir mangás muito longos por partes, como o haag citou, no caso de Jojo e Pokemon que tem arcos mais fechados não afetaria em nada. É só a editora também tomar um cuidado para não poluir a capa com muita informação.

    Só uma pergunta, além do fato de fazer o título parecer mais curto, dividir por temporadas facilita de alguma outra forma a vinda de obras longas?

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    1. Não sei exatamente, mas olhando o caso da Nova Sampa se eu não estou enganado, ela dividiu por “temporadas” para demarcar o número de volumes de cada contrato. Só isso, sem mais pretensão. Já o Savanna Game da JBC é dividido por temporadas para demarcar cada livro original (ele é baseado em light novel). Foi meio sem sentido, na verdade.

      ———–

      Talvez seja um jeito de a editora não se comprometer muito caso um certo título não dê certo. Eles trazem, por exemplo, os primeiros 30 volumes de Hajime no Ippo e se não vender muito, não trazem o resto.

      O caso é que se você divide por temporadas você consegue chamar atenção e fisgar alguns consumidores novos ou desavisados. Vamos imaginar: se a Panini tivesse dividido Naruto por temporadas e, a partir de certo número, chamar de Naruto Shipudden. Isso serviria para fisgar consumidores que viram apenas o animê dessa nova fase. Igual a Conrad fez com Dragon Ball (Z) no passado…

      Na França cada “temporada” de Hajime no Ippo também tem um nome diferente.

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  6. o problema não é a Nova Sampa ter feito isso,e sim o fato de estar completamente parada.Estou me sentindo um idiota por ter comprado todos os números de Ikkitousen até aqui…

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    1. Bem, eu tenho todos os números que saíram de Ikkitousen e, recentemente, ela adquiriu os demais volumes do mangá. Até o presente momento o mangá não foi cancelado. E o fato da editora estar parada há mais de 6 meses é meio preocupante, mesmo.

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  7. E porque não dividir em temporadas , mas com a continuação da numeração ? até porque se trata da mesma história , não é nada diferente da outra publicação , então se mantive se a numeração seria menos prejudicial a lombada e até entendimento da localização do arco !

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    1. Mas aí não haveria motivo de dividir por temporadas. O propósito é justamente recomeçar do volume 1, como se fosse uma série diferente. Veja o exemplo de Hajime no Ippo na França. Cada temporada é tratada como se fosse uma série diferente, com cada parte tendo um título.

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  8. Concordo com a lógica. Mas acho muito desconfortante ter uma coleção com 5 primeiras edições… Algo que me deixa muito incomodado é a lombada, fica horrível na estante. Passo por isso com Savanna Game.
    No mais, é melhor assim do que não ter, realmente. Mas isso não tira exatamente a pergunta: por que dessa forma e não sequencial? Questionar a escolha não faz muito sentido, é como questionar a realidade, mas ainda sim, isso me incomoda.

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    1. É, não é algo que de fato atrapalha, mas acho chato quando a capa fica parecendo poluída, com vários textos com fontes, cores e tamanhos diferentes, por exemplo…

      Nesse sentido, achei que aquelas edições especiais de Jojo, o Jojonium, ficaram legais pois cada saga ficou com uma cor diferente, mas a numeração ficou contínua:


      Mas mesmo que tivessem voltado a numeração pro 1 em cada arco, o design da capa tá tão legal que continuaria bom do mesmo jeito.

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  9. Depois do fiasco de Vagabond, eu nunca mais compro nada dessa editora e muito menos se tiver o dedo do Marcelo Del Greco.
    Eu penso que se for para vir pro Brasil, que venha com um formato decente, com um papel bom, e se possível, com um preço razoável. Mas mesmo com esses detalhes importantes para um mangá, que não venha “deturpado”. One Piece mesmo já está para ser publicado o volume 62 e teve essa história de temporadas? O mesmo caso para Fairy Tail e também para InuYasha que já foi publicado e será relançado no país.

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  10. Este negocio de comprar mangá por causa da lombada pra ficar bonito na estante, acho isso uma bobagem. Do que adianta ter uma lombada toda bonitinha e ainda ficar ao lado de uma outra série de mangá com outro tipo de lombada? Fica desorganizado do mesmo jeito. Nem ligo mais pra isso. O que eu prezo no momento é possuir o mangá, ler e guardar aquela série que você gosta muito. Tipo Hajime no Ippo, Major (de basebal), Jojo e outras séries longas famosas no Japão. Compraria com todo bom gosto.

    Mas há casos de mangás que não dá pra fazer por temporadas. No caso do Kekkaishi, já me dou satisfeito, pelo menos li a história até o fechamento de um arco. Apesar de querer saber mais da história até o fim.

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    1. Acho legal as editoras tentarem deixar o mangá bonito e tals, com um design de capa e lombadas bem feitos, mas realmente, chegar ao ponto de deixar de comprar um mangá por causa que não gostou da lombada é um pouco demais lol! Pior que já vi um cara reclamando na página da Panini por causa disso, que iria parar de comprar Berserk por causa “do descaso em relação às lombadas” xD

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      1. Hunf… Deixar de comprar um mangá porque foi dividido por temporadas e por causa de lombada é frescura. O que realmente não gostei de Ikkitousen, não foi tanto a divisão do mangá em lombadas, mas por terem mexido na capa original do mangá. E quando eu perguntei isso para o Marcelo Del Greco que trabalhava na Nova Sampa na época, ele disse que os japoneses não tinham mandado a capa junto com o mangá original (tá, sei que as capas dos mangás são sobre capas e que isso poderia até acontecer, mas isso é uma piada! E uma baita de uma mentira, pois eles jamais fariam isso, mandar as coisas pela metade). E eu falei, já que é assim, é só pegar as capas originais que estão na internet, editá-las e colocá-las no mangá, pois dá pra achar todas. Eu mesmo achei todas. Mas brasileiro, é HUEBR, mesmo. Infelizmente, pra dar uma resposta ridícula, patética e idiota daquelas pra mim… Grunf… Aff! ¬¬

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    2. Então, eu também acho ridiculo comprar mangá pelo simples fato de ficar bonito na estante. Eu compro aqueles títulos que mais me agradam ou que tenho uma grande curiosidade em ler, ou seja, eu tenho uma certa afinidade por eles. Sendo assim, caso o título não venha de uma forma “apresentável”, com certeza a editora irá perder pontos com os consumidores. É o caso que vimos com Tokyo Ghoul… É um título excepcional? Sim. Os leitores fãs da obra irão deixar de comprar por causa de problemas na lombada ou por que o papel é horrível? Não irão. Mas entra também o fato de que não pagamos barato por nada nesse nosso amado país, e os mangás não são uma exceção, sendo assim, o esperado é que venha algo decente, já que só Deus sabe se essa obra será relançada por aqui.

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      1. Eu não compro mangás com essa finalidade, até porque é muita frescura. Concordo contigo. Mas… Infelizmente estas coisas contam pra muita gente. E o fato de estarmos pagando caro por algo mal feito e de péssima qualidade pesa bastante.

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    1. Hajime no Ippo? Vem não. As duas principais editoras já disseram que é muito difícil por ter volumes demais.

      Poderiam até tentar fazer seguindo esse esquema francês de temporadas, mas até agora nem sinal… O melhor a fazer é aprender japonês ou francês, juntar dinheiro, e importar.

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