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Resenha: Cowboy Bebop

cowboy bebopUma narrativa bem divertida…

Cowboy Bebop nasceu como um animê transmitido na televisão japonesa entre 1998 e 1999. Por trás do animê estava nada mais nada menos do que o hoje famoso diretor Shinichiro Watanabe, conhecido justamente por Bebop e também por Samurai Champloo. Cowboy Bebop foi um sucesso absoluto e ainda hoje é lembrado como um ícone dos animes dos anos 1990. A obra chegou a ganhar duas versões em mangá: Cowboy Bebop (3 volumes) e Cowboy Bebop: Shooting Star (2 volumes).

Aqui no Brasil, o animê foi exibido na televisão por assinatura no início dos anos 2000 e angariou uma parcela de fãs considerável. Um dos mangás (Cowboy Bebop) chegou ao Brasil em 2004 pelas mãos da editora JBC. Na época os três volumes originais foram divididos em seis tomos e publicados na então inédita – e ainda hoje única no Brasil tratando-se de mangás – periodicidade semanal.

Todavia, o mangá Cowboy Bebop é diferente de obras como Puella Magi Madoka Mágica e Ano Hana. Estas duas apresentam adaptações de suas versões originais em animê, já Cowboy Bebop apresenta novas histórias dos caçadores de recompensas. Essa diferença faz muita gente torcer o nariz para esse mangá e dizer que ele é muito ruim. Mas será que esse mangá é tão ruim como dizem? Ou ele é divertido e as pessoas são levadas a pensarem mal por causa do bom animê?

Cowboy bebop 01

Preâmbulos

O mangá Cowboy Bebop é de autoria de Yutaka Nanten foi serializado entre 1999 e 2000 na revista shoujo Asuka Dx, da Kadokawa Shoten.

Na obra acompanhamos aventuras inéditas de Spike Spiegel, Jet Black, Faye Falentine, os famosos caçadores de recompensa, e Ed (e suas habilidades com o computador) à borbo da nave Bebop no ano 2071. Sempre em busca de dinheiro, os cowboys do espaço (?) se metem em muitas encrencas e aventuras.

Desenvolvimento

Cowboy Bebop é um mangá diferente da ampla maioria dos quadrinhos japoneses publicados no Brasil. Ele não é uma serialização em que você começa do volume 1 e precisa ler todos os volumes para saber sua conclusão. Você pode comprar qualquer volume e ler qualquer capítulo aleatoriamente sem que isso interfira em sua experiência. É quase como você ler Turma da Mônica ou Tio Patinhas. Mesmo que você não saiba dos conflitos que existem entre Mônica e o Cebolinha ou não saiba quem é o pato mais rico do mundo, você acabará apreciando a história da mesma forma e, com o tempo, irá formando a personalidade de cada um dos personagens.

Cada volume do mangá possui entre uma e duas histórias distintas e cada história costuma ter como foco um dos caçadores de recompensa: em uma narrativa o foco é no ex-tira Jet Black, em outra temos uma história centrada na vigarista Faye Valentine e em mais outra no fumante Spike Spiegel, até Ed tem sua narrativa própria. Nada impede, no entanto, que todos sejam protagonistas em uma ou outra história.

Ao contrário do que se costuma dizer o mangá é bem divertido e cada capítulo apresenta uma trama que consegue nos prender e fazer rir. Ler Cowboy Bebop é quase como ver o capítulo de uma série ou de um desenho americano como Três espiãs demais: um conflito acontece, os caçadores de recompensa começam a caçar sua presa e depois de uma mirabolante aventura eles conseguem resolver o problema, seja ganhando ou não ganhando dinheiro.

É evidente que Cowboy Bebop não é o suprassumo da perfeição e nem é essa a ideia do mangá. Cowboy Bebop é apenas uma mangá descontraído para você ler de forma mais despreocupada possível, justamente como se lesse uma revista do Tio Patinhas ou da Turma da Mônica, sempre com um final divertido ou com uma moralzinha juvenil.

A edição nacional

Comprei Cowboy Bebop recentemente em um sebo de minha cidade. A edição era bem sofrível, papel jornal, super-fino. Para um título tão despretensioso como esse mangá, sequer consegui imaginar ele em um volume melhorado.

O interessante, no entanto, fica a cargo da adaptação feita pela JBC. Ela é cheia de referências e piadas que hoje fariam os otakus mais puristas xingarem a editora até não poder mais (se bem que já fazem isso^^). Tem de tudo na adaptação. Há frases comuns de filmes policiais dublados, inclusive chamando os policias de “tiras”; Há um apresentador de televisão negro que se utiliza de palavras que lembram claramente o Mussum de os trapalhões; e quem mais utilizaria um “suspeitei desde o princípio” que não o Chapolin? Também temos referências a personalidades brasileiras, com um “parece a Dercy”, a falecida atriz Dercy Gonçalves.

Não nos incomoda esse tipo de coisa. Acho muito divertido e é bem melhor fazer essas adaptações do que deixar referências originais que não seriam entendidas sem notas. É claro que isso tem problemas quando paramos de ler e passamos a refletir um pouco. Em alguns momentos a editora também tacou referência a animes dos anos 1990, como Sailor Moon, e é difícil saber se essa é uma referência original ou feita pela própria editora.

Hoje a JBC não faz mais isso, ou pelo menos diminuiu bastante. Basta comparar, por exemplo, as duas edições de Chobits e notar que a versão antiga é cheia de referências alteradas e na nova são mantidas as referências originais. Por exemplo, na versão antiga a JBC alterou a versão original e citou VG (referenciado o mangá Video Girl da própria JBC), e na nova versão manteve a citação original a Doraemon (do animê da Netflix).  Então se Cowboy Bebop fosse relançado, decerto ele seria todo traduzido e adaptado de novo…

Veredicto

Vamos à revelação: eu não vi o animê de Cowboy Bebop. Sim, eu sei que isso tira muitos pontos de minha carteira de otaku, mas nunca tive vontade. À época eu não tinha televisão por assinatura e depois jamais tive vontade de ir atrás na internet porque, em teoria, era um tema que não me apetecia.

Por não ver o animê eu não tenho como comparar e dizer se o mangá é ruim comparado à versão animada. A única coisa que posso dizer é que o mangá é bom e muito divertido e a leitura dele me fez querer ir assistir ao animê.

Então, sim, Cowboy Bebop é um bom mangá e vale a pena ter ele na coleção.

BBM

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1 thought on “Resenha: Cowboy Bebop”

  1. Se não me engano, tenho o volume 3 desse mangá. E é como você disse, ele é muito fininho mesmo, deve ter nem 80 páginas por volume. Com o anúncio da pesquisa pra republicação, CB de certa forma é um dos menos vantajosos a se relançar.

    Por outro lado, acho que os 6 meio-tankos caberiam facilmente em um só volume da Versão BIG, sendo assim, acho que muita gente se arriscaria a comprar. ^_^

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