Desmistificando

Desmistificando: Como a forma de publicação interfere nos mangás

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A inconsistência dos mangás…

Mangá é uma coisinha toda especial, cheia de características, algumas próprias dos mangás, outras da demografia, outras da cultura e língua japonesa, mas tem algumas que são frutos da forma que mangás são produzidos e serializados.

Serialização dos mangás no Japão

Pra quem não sabe, a grande maioria dos mangás no Japão são serializados em revistas periódicas – desde semanais, bimensais, mensais, bimestrais e até semestrais e anuais. Esses capítulos são então revisados e compilados num volume próprio.

Existem diversas revistas que trabalham de formas diferentes, mas na grandíssima maioria os capítulos dos mangás são feitos com pouquíssima antecedência, cerca de um a três meses.

Várias das revistas e mangás também têm formulários de pesquisa de satisfação, onde você dá nota, critica, mostra erros, etc. Em algumas esse “ranking” é uma verdadeira competição e as séries últimas colocadas são canceladas. Uma das mais icônicas é a Weekly Shounen Jump da editora Shueisha.

Como isso interfere nas histórias

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1 – Inconsistências

Por causa desse caráter imediatista, são poucos os autores que pensam com antecedência a história completa. Na verdade, em muitas séries, principalmente as juvenis, o que vemos é inconsistência. As histórias mudam de rumo e foco, personagens são mortos ou abandonados, tudo para agradar o público imediato e conquistar mais votos. Se aquele “inimigo” não agradou, rapidamente se dá um jeito na criatura. Se por outro lado agradou, dá-se um jeito de revivê-lo ou imitá-lo o máximo possível.

Essa inconsistência e mudança de rumo é comum em todos, mas muito mais óbvio nos mangás longos. Geralmente os primeiros capítulos de um mangá longo não tem nada a ver com a cara atual do mangá. Grandes exemplos disso no Brasil são Dragon Ball, Berserk e Gantz.

Os arcos também mostram claramente a montanha-russa criada pelos votos e opinião dos leitores. Alguns são estendidos por uma eternidade, outros acabam em alguns capítulos, como ocorreu em Inu-yasha. Em Gantz então a história se transforma e se recomeça tantas vezes que fazer uma sinopse que abranja toda a história é impossível.

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Mas as inconsistências vão além disso tudo, assim como a história muda de rumo, personagens mudam de aparência e personalidade do nada. Seja por estar se adequando melhor ao que o público quer ou por evolução de traço do autor.

Um exemplo clássico é o Sesshoumaru, meio-irmão de Inu-Yasha, que no mangá inicialmente aparece com um aspecto infantil e rapidamente evolui para uma aparência adulta e séria.https://i0.wp.com/s24.postimg.org/yw6wqiy3p/Art_Evolution.jpg

Algumas séries japonesas são conhecidas por mudanças ainda mais agressivas, principalmente com relação às personalidades, a Bulma de Dragon Ball é um bom exemplo disso, além dos muitos personagens que se transformam em Gantz.

***

Isso interfere também nos títulos. O autor tem que criar um título logo no primeiro capítulo com base em uma ideia que pode se transformar em algo muito diferente. Um exemplo clássico é, novamente, Dragon Ball – no início a caça às Dragon Balls é o centro da história, mas após alguns volumes as esferas do dragão não passam de parte do universo e ninguém dá muita bola para elas. O mesmo pode ser visto em Card Captor Sakura, onde após o primeiro arco não há mais captura nenhuma de cartas.

Ou seja, a forma como é publicado limita e até torna os títulos “mentirosos”, na verdade, os títulos perdem e muito sua importância. É difícil encontrar nos mangás títulos “inteligentes”, títulos que estejam de alguma forma conectados ou crie expectativa. Que sentimento uma obra com títulos como Inu-Yasha, Naruto, One Piece, Sailor Moon te passa? Seria como se Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey) se chamasse “Christian Grey”, ou Um Estudo em Vermelho (A Study in Scarlet) se chamasse “Sherlock Holmes”.

Pense consigo mesmo, quantos títulos japoneses você já viu com um nome criativo e enigmático? Uma metáfora, uma alusão, uma pergunta? Se compararmos os nomes de livros com os mangás, dá para ver fácil como são super sem-graças ou até meio viajados demais.

Não quer dizer que todos os livros tenham títulos criativos, existem vários que seguem a mesma fórmula óbvia, como Helena, Romeu e Julieta. Agora, achar um mangá com um título bem pensado… Títulos interessantes em mangás geralmente vêm das obras originais, como Cinco centímetros por segundo ou Um litro de lágrimas.

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São todos assim? Não, não são. Existem diferentes editoras com diferentes formas de trabalhar os seus títulos e obras. Há autores que fazem roteiros e pré-definem mais ou menos um início e fim. Há até mangás que são lançados direto em formato volume/livro mesmo, sem passar por nenhuma revista. Há editoras que permitem a mudança de nome, por exemplo, da obra ao se encadernar. Há autores que reescrevem e redesenham os capítulos iniciais. Ou seja, existe um pouco de tudo.

Geralmente quando as obras têm roteiristas ou são baseadas em outras obras, elas tendem a ter uma maior estabilidade e consistência. Obras mais adultas (para a meia-idade) também tendem a ser bem estáveis e pensadas, talvez por causa da maturidade e exigência do público mais velho. Mas quando o assunto são as histórias juvenis…

Uma das franquias mais conhecida pela total inconsistência é a Jump, desde a Shounen até a Seinen. Talvez exatamente por causa da idade e foco no entretenimento. Afinal, Naruto não é menos divertido por ser inconstante.

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Vale a pena comentar que isso não acontece apenas nos mangás. As tirinhas ocidentais sofrem a mesma coisa, Garfield mesmo se contradiz o tempo todo, afinal o importante é ter graça, não consistência.

Na televisão é a mesma coisa, os sitcoms ocidentais também são totalmente inconstantes. Na internet você encontra listas e mais listas de informações controversas ou mudanças de personalidade nos sitcoms mais famosos como Two and a Half Man, Friends, The Big Bang Theory e How I Met Your Mother.

Ou seja, se por um lado algumas obras prezam a continuidade e isso é importante para criar o mistério e sacadas na série, outras são mais imediatistas e alteram e moldam a história para atingir a risada e diversão.

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2 – No capítulo anterior…

Outra consequência marcante da forma de publicação dos mangás são os constantes diálogos e narrações sobre os acontecimentos dos capítulos anteriores, ou reapresentação dos personagens e sinopse.

Geralmente nas versões em revista há nas bordas várias informações e mensagens dos autores. Algumas delas possuem quadros com sinopses e apresentação dos personagem a cada folha, mas que são cortados fora quando é encadernado (ou adaptado e colocado no início do volume). Outros utilizam a primeira página do capítulo para incluir um “no capítulo anterior” e informações sobre a série (como novos volumes) ou acontecimentos importantes, estes também acabam sendo excluídos na versão final.

Já alguns autores preferem incluir essas informações através de narrações, diálogos ou até mesmo fragmentos de outros capítulos e repetição das últimas páginas. E estes aqui acabam no volume final. Um exemplo clássico é a quantidade de vezes em que Sakura, de Card Captor Sakura, se apresenta, diz sua idade e sua missão. Sailor Moon é outra obra que parece ter sido escrita para pessoas completamente desmemoriadas.

Alguns deles são tão óbvios e repetitivos que chega a ser irritante, especialmente em capítulo de obras semanais, que em sua maioria são curtos. Felizmente isso tende a acontecer cada vez menos conforme a série se populariza, mas até chegar lá, se prepare para ser informado de nomes, idades, missões e objetivos todo santo capítulo.

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3 – Quantidade exaustiva de capítulos

Na verdade, capítulos têm uma utilidade muito importante em histórias e textos, seja para delimitar assuntos, pedaços da trama, acontecimentos, dias, etc; seja para facilitar a leitura casual, delimitando pedaços menores do texto para que o leitor tenha bons lugares para parar sua leitura sem causar confusão.

Mas, no caso dos mangás, os capítulos são um certo valor predeterminado de páginas baseado nos lançamentos das revistas. Uma revista de periodicidade mais rápida acaba com capítulos até confusos de pouquíssimas páginas, que quando são encadernados representam uma enorme quantidade de paradas desnecessárias que até quebram o clímax e emoção do capítulo.

São poucos os mangakás que têm a sutileza de alterar e reestruturar os capítulos na versão encadernada. Alguns, por exemplo, lançam capítulos com “partes”, que no volume viram um único capítulo, Hellsing teve disso. Uma quantidade menor ainda de autores realmente reestruturam e até reorganizam os capítulos, criando e redesenhando páginas para “corrigir” os buracos.

Ainda existem os autores que são conhecidos por retirar todos os capítulos e lançar os volumes sem nenhuma ou quase nenhuma parada. Alguns desses de forma tão perfeita que é um verdadeiro desafio identificar onde seria os começos e fins dos capítulos originais.

Ou seja, enquanto alguns autores investem em adaptar o que é lançado nas revistas para um volume, reconhecendo que são mídias diferentes, outros não têm esse cuidado, às vezes causando uma quantidade exaustiva de inícios e fins de capítulo que só quebram a leitura.


Essas foram algumas das coisas em que a forma de publicação interfere nos mangás. E a você, leitor? Te incomoda essa coisas? Consegue perceber quais autores têm um cuidado maior e quais não? 🙂

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29 thoughts on “Desmistificando: Como a forma de publicação interfere nos mangás”

  1. Essa materia resume a opiniao pessoal e particular da autora nao? Eu discordo quase que com tudo… mas dois pontos me causaram repulsa:

    1. A mudança do traço é vista de maneria negativa? Eu penso exatamente o contrário, mostra maturidade e naturalidade – uma evolução necessária… um exemplo de traço merda que se mantem merda é Saint Seiya, mantem a “constância” mas é um coco…. Attack of Titans tb tem um traço horroroso e ate onde li n vi mudanças fortes… Traços que n mudam não evoluem como arte…

    2. A evolução da historia, de mudar de água para vinho, eu vejo de maneira incrivel. As pessoas evoluem, o autor evolui e a historia tb evolui… NADA começa e termina igual… Ate me pergunto se isso existe, essa nao evolução. Que o mercado dita regras eu entendo mesmo, mas a historia ainda é uma produção unica e particular do autor, ele vai imprimir o que ele quiser. E eu não leria uma historia que nao evolui e que n se desenvolva…

    3. Gantz a ideia do autor original era :”Humanos usando armas dos ets para atacas outros ets” e ele manteve a filosofia ate o fim. Claro que n precisa ser mto genial para notar diversos furos e coisas mal explicadas, mas o fato é que a “constância” foi mantida…
    O que voce confunde, em meu ver é a filosofia da obra com o desenrolar dela… Se One Piece, a ideia é “pirataria”, o manga sair dessa vertente nao teria nada a ver mesmo… Qual é a ideia central de Dragon Ball? “Esferas que realizam desejos”… e isso no manga é mantido! Pode ser da forma que for, mas as esferas estão SEMPRE presentes no enredo…. A ideia central de Berseker? “Lutar contra demônios”… Guts passa de um cuzao para um cara legal e isso é foda de ler!

    Enfim, achei bem mal escrito e mal pensado. Se for sua opiniao pessoal legal, é seu direito nao gostar dessas inconstancias… mas um blog tao legal e tao bem feito n precisa disso… Dá para ser mais profissional nas analises e mais coerente…

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    1. Rafaga, você está lendo o texto como crítica e reclamações, mas em momento algum foi dito que isso é ruim. A proposta do texto é mostrar como a forma de publicação interfere em como as histórias são criadas e como tem consequências.

      1. Não é negativo, é inconstante. Várias séries longas mudam, Turma da Mônica mudou bastante, Garfield mudou bastante, etc. Por outro lado, existe séries onde a mudança é muito pouca, talvez pela maturidade do autor. Mas é uma questão de criação de identidade. Garfield mudou até chegar à forma atual e permaneceu daquele jeito até o final, por exemplo. Uma coisa é evolução de traço e estabilização do personagem, outra coisa é troca totalmente a aparência do personagem. Sesshoumaru, por exemplo, trocou de personalidade, deixou de ser o pivete arrogante e virou o sério assassino. Isso não é evolução de traço, é?

      2. Como assim a história não permanece igual? A história em si vai sendo contada, mas o mundo, a trama, a ideia central não costuma mudar. Pegue livros bem longos, como a saga de Hercule Poirot, do primeiro ao último livro Poirot tinha a mesma personalidade, mesmas manias, mesmos amigos, eram novas aventuras e casos do mesmo personagem. Poirot não virou um espião russo que foi abduzido por alienígenas e passou a desvendar casos de assassinatos em Marte. O universo da história em mangás constantemente muda e se transforma de forma a negar ou transformar o universo inicial.
      Evolução e desenvolvimento não tem a ver com constância e inconstância. A Sga de Star Wars se transforma, evolui e desenvolve, mas o universo é o mesmo do início ao meio ao fim. Não aparece de repente um super jedijin que depois de muito esforço vira um super super jedijin. A história evolui sem alterar o universo.
      DB, por exemplo, não é evolução, é recriação. Toda nova saga aparece mais alguém mais poderoso, apesar do último ter sido o mais poderoso até então, e os protagonistas ficam cada vez mais forte ilimitadamente. Contradizendo afirmações e a própria historia inicial. Esse tipo de inconsistência é criada quando se não planeja a história, logo a única forma de continuá-la é expandir o universo.

      3. Na verdade, os primeiros capítulos de Gantz não são sobre matança ou luta para salvar a humanidade, é uma história de survival e romance, onde o mocinho fará de tudo para ganhar e salvar a menina. Não deu fama e o autor teve a ideia de, bem, matar os personagens que não estavam fazendo sucesso e ir mudar a ideia. “Humanos usando armas dos ets para atacar ets” é um tema, uma categoria, isso não é de forma alguma o foco de uma história. É o mesmo que dizer que One Piece tinha como objetivo “aventuras de piratas com super poderes”. Isso são ideias e algumas dessas como “drama samurai de vingança” vai englobar uma porção de obras. O que é impossível fazer em Gantz é algo como a seguir:
      “Turma da Mônica: Dia a dia de Mônica e seus vizinhos e amigos, que se provocam, se divertem, se conhecem e aprontam juntos.” Existe algum capítulo de Mônica em que isso não seja verdade? Agora o seu exemplo “Esferas que realizam desejos”, depois dos primeiros arcos as esferas só aparecem para ressuscitar todo mundo que morreu. Passam-se capítulos e mais capítulos de Freeza, Androids e todos os que seguem sem que ninguém lembre ou se fale de esperas. Se alguém começar a assistir o anime na parte do gordão rosa que vai te comer, o cara vai se perguntar “Por que o anime se chama esferas do dragão?”. Só no final ou em pedaços específicos ele vai descobrir o que são elas. Compare isso ao primeiro arco, onde todo capítulo eles estão atrás das esferas e entram em muitos apuros procurando-as. Nos últimos capítulos a Bulma tem uns gadgets e imediatamente aparece com todas elas. Consegue ver a mudança da coisa? A inconsistência? Se você chamar DB de “aventuras de Goku e amigos atrás das esferas” isso não funciona para os arcos dele mais velho. Se você chamar de “aventuras de Goku e amigos para proteger a Terra”, isso não funciona para o primeiro arco dele mais novo.

      O que estamos chamando atenção aqui é que essas inconsistências são típicas dos mangás por causa da forma como se produz aquilo. Não quer dizer que todos são assim, Death Note é bem consistente: “História de Raito/light que encontra um Death Note que permite o assassinato de indivíduos se souber seu rosto e nome correto e passa a utilizá-lo para criar seu mundo perfeito e daqueles que farão de tudo para impedi-lo”. Note que a minha descrição é imensa mas cheia de ‘E”, esse parágrafo enorme é verdadeiro do capítulo 1 ao capítulo final. Sempre foi a história do Kira e seu mundo perfeito contra aqueles que não concordam. Isso quer dizer que Death Note não evolui ou se desenvolve? Muito pelo contrário, o personagem se desenvolve, se transforma, seus “inimigos” também, acontecimentos se desenrolam e se somam à trama. No final todos os 12 volumes são parte imprescindível do total.

      Dá para ver uma reação muito defensiva da sua parte, em momento algum eu disse se gosto ou não delas. Elas estão lá, o objetivo do texto foi mostrá-la. Ser profissional não significa não ter opinião, o que no caso não é opinião de qualquer forma. E coerência não significa agradá-lo. É muito desagradável que as pessoas insistam em discordar denegrindo o trabalho do outro. E utilizar termos como “repulsa”, honestamente, que falta de educação.

      Eu imagino talvez que você possa estar tendo dificuldades de assimilar o que eu quis dizer por: 1. incompetência minha; 2. falta de experiência, aka leitura. Muita coisa no mundo dos mangá e animes ficam óbvios quando comparamos com outras obras, com os quadrinhos americanos, com romances e obras literárias, com quadrinhos europeus, etc.

      No fundo, você discordando ou não dessas “inconsistências” não muda o fato de sua existência. Na verdade existe muito texto sobre isso e muita crítica também ao sistema Jump por causa disso. Rumiko Takahashi em uma entrevista disse que não considerava essas inconsistências algo ruim, muito pelo contrário, ela diz que isso é parte do estilo mangá, poder escrever e ir alterando e modelando até se transformar em algo totalmente diferente. Ela considerou isso um dos grandes diferenciais entre mangá e comics e admitiu ela mesma nunca fazer roteiro algum e evoluir sua história conforme ela “sentia” no momento.

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      1. Excelente coluna e um ponto de vista deveras sério. Sempre acompanho o site e acredito ser o portal mais atualizado das obras publicadas no Brasil, contando com redatores extremamente dedicados e competentes. Admiro o trabalho de vocês e espero que cresçam como pessoas e como profissionais, nunca deixando de lado esse espaço tão agradável que criaram.

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      2. Show! Eu li e re-li tudo e creio que a unica coisa em que concordamos é que discordamos! rs

        Realmente me causa repulsa ler algo da qual eu não concordo com quase nada, não consigo não ser sincero com que sinto e por me causar nojo, eu precisei falar… logo vou evitar seus escritos e não me indispor mais.

        Claro que muita coisa de fato existe, o mundo comercial de mangas é ditado por uma maquina e os autores sao engolidos de certa forma. Há uma necessidade de repetição, de pressão, de produção em massa – que dita claro que como o manga chega a nós. Acho que outro exemplo bom seria Yu Yu Hakusho disso…

        Releia a forma como vc escreveu e veja se vc nao imprimiu uma conotação negativa em sua escrita… É isso o que mais me causa gastura – não existe um certo ou errado, simplesmente existe. Ainda sim mangas são arte, e arte não tem certo, errado, inconstância, bem, mal, positivo ou negativo…. não existe juizo de valores, quando é arte!
        Mas não na forma como escreveu… A escrita também revela a alma e o espirito do autor, tanto na minha quanto na sua….(A Auraticidade de Walter Benjamin, caso vc se interesse mais 😛 )

        Enfim, vc tem meu respeito por escrever e ditar sua opiniao. Porém não consigo concordar e obviamente não mais irei ler suas materias, das quais acho nocivas aos espirito.

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        1. Se existe uma coisa que considero nocivo é essa ideia de “arte acima de tudo”, onde nada é errado, nada é bom ou mal, praticamente colocando acima do Universo, de Deus ou qualquer outra grandiosidade que obviamente é superior a arte. Tanto que essa ideia é contraditoria pois, escrita é uma arte de expressão humana tanto quanto outros modelos de arte como mangás e afins e só de depreciar esse texto (que concordando ou não com seu conteudo, é um tipo de arte) contradiz com sua ideia de não existir juizo de valores para a arte.

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        2. “não existe um certo ou errado, simplesmente existe. Ainda sim mangas são arte, e arte não tem certo, errado, inconstância, bem, mal, positivo ou negativo…. não existe juizo de valores, quando é arte!”

          Vish, os críticos literários de toda a história acabaram de se remexer em suas covas depois dessa. Amigo, a arte é dependente da crítica. Em toda a história, foram criadas até escolas com a tarefa específica de criticar a literatura. Formalismo Russo, Neocrítica, e inclusive aqui no Brasil, através de autores como Massaud Moisés, Enrique Anderson Imbert e etc. Eles diziam que há uma dependência mútua entre o autor e o crítico, já que, ao autor, interessa a divulgação e o alcance de sua obra através das críticas, enquanto que, ao crítico, interessa a obra em si. Arte sem crítica fica banalizada ^^

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        3. Só preciso comentar uma coisa. Uma pessoa que sente nojo, repulsa e que acha nocivo à própria alma que alguém discorda dele ou que leia algo que não concorde… Procure ajuda.

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      3. O caso de Dragon Ball é a pressão dos editores, os caras fizeram o cara escrever quando ele já não queria mais
        Ele queria terminar no Freeza, até ali a história teria se mantido como a Busca Pelas Esferas, mas aí queriam ganhar mais e mais dinheiro em cima da obra

        E eu acho os comics americanos bem pior, Mangás a arte evolui com o tempo, nos comics eles simplesmente pegam outro desenhista que faz do jeito que ele quer, tu pega um personagem, e ele muda de aparência conforme as edições
        lendo Bleach por exemplo não dá pra notar em que momento o traço muda

        e outra coisa nas comics, os caras simplesmente inventam que os universos e galáxias colidem, aí o mundo muda totalmente e eles simplesmente negam acontecimentos passados e pronto

        enquanto Mangás mudam gradualmente, Comics mudam drasticamente

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        1. Sim, exatamente, a pressão editorial é parte da forma de publicação e também é causa, sim, de inconstâncias.

          No caso de Comics o que eles fazem na verdade é Multiverso, é os mesmos personagens recontados de forma diferente. Tem gente que odeia, tem gente que adora, é o estilo dos comics. Mas não é exatamente inconstância, cada versão é um mundo paralelo. Um exemplo bobo, é igual novel, mangá e anime, pode ser da mesma obra, mas eles variam e às vezes mudam bastante.

          É claro que não significa que não haja erros e inconstâncias também, mas isso de desenhistas diferentes e universos diferentes é parte do estilo comics da Marvel e DC. Se gosta ou não, aí vai de cada um. Inclusive, ter o personagem em diversos estilos e traços mostra o quão forte é aquele design. É bem fácil de identificar o Wolverine, não é? Seja em forma de pessoa, desenho, animado ou jogos. 🙂

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        2. O que eles fazem dos comics é muito zoado, não existe identificação com o autor e a obra, já que ela é da editora e não do autor. Os personagens mudam de personalidade e desejo ao bel prazer da editora mais do que qualquer mangá conhecido, acho q isso é falta de respeito à arte dos quadrinhos, é comercial demais (existem muitos bons, claro, mas falo dos mais mainstream)

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          1. Frabricio a mesma coisa acontece com as franquias de sucesso, como Madoka, Code Geass e Blood+. A Sayaka, Lelouch e Madoka trocam de personalidade, história e traço para todo lado.

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  2. É por isso que os mangás mensais acabam sendo a maioria dos meus favoritos. Eles tem mais tempo pra trabalhar e assim a história acaba ficando muito mais consistente. Com o tamanho dos capítulos também da pra contar cenas maiores sem quebrar o ritmo. O único ponto ruim é esperar um fucking mês para o próximo D:

    Ótima essa coluna, continue com ela 🙂

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    1. Nem sempre é assim, meu maldito Ajin lança 15 páginas por mês e juro que essas 15 não contam nada… Todo mês me estresso e xingo o autor! haha

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      1. Sim claro, nem sempre é assim, mas Ajin foi só esse último capítulo que saiu dividido, não? Geralmente eles tem entre 30-40 páginas. E juro que elas contam sim :X

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        1. Kauê, eles me deixam mais encucada que respondem algo!! Mas até aí, só em dezembro que alcancei o último volume e comecei a acompanhar. Posso ter dado má sorte! 🙂

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  3. Naruto Clássico era mais sombrio e sério, embora mostrasse alguns momentos cómicos, mas Naruto Shippuden é só um fight que aumenta poderes incoerentes com o início da série. Shippuden não tem uma pegada psicológica de solidão como antes, e no clássico tinha personagens com seus conflitos, igual o Rock Lee que tinha que se esforçar para vencer o talento natural, Gaara sofrendo o mesmo problema do Naruto. Depois alguém vai dizer que no Shippuden tem essas coisas, sim ele mostra essa ideia do clássico, mas não tem a mesma qualidade, mostrando de forma genérica. Muitos personagens apareceram em Shippuden, mas foram desperdiçados, um exemplo são os jinshuurikis sem graça que foram derrotadas sem uma luta emocionante, e os personagens antigos não tem mais uma história legal em Shippuden. Claro que tem coisas boas como a ideia do Pain com seu poder, a origem da Akatsuki, e o motivo do Itachi exterminar o clã.

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  4. “Pense consigo mesmo, quantos títulos japoneses você já viu com um nome criativo e enigmático? Uma metáfora, uma alusão, uma pergunta? ”

    Sakamoto desu ka?

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  5. “Ainda existem os autores que são conhecidos por retirar todos os capítulos e lançar os volumes sem nenhuma ou quase nenhuma parada.” Pensei no Kurumada com Cavaleiros do Zodíaco, que possui uns 40 capítulos dando a impressão que era mensal ou bimestral, sei lá.

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    1. Minto! 40 não, uns 100, segundo acabei de ver na Enciclopédia de CDZ. (Como não consegui apagar a mensagem, preciso corrigi-la com outra mensagem :P)

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