Retrospectiva

Retrospectiva 2015 – a volta do shoujo mangá

shoujoShoujos e joseis tiveram um sopro de vida este ano?

Não muito tempo atrás foi criada uma campanha nas redes sociais que tinha por objetivo pedir para as editoras brasileiras de mangás publicarem mais shoujos no Brasil. A justificativa era que de um tempo para cá o número de mangás dessa demografia havia diminuído consideravelmente, comparado a outros anos.

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De fato isso era uma verdade – que podia ser questionada aqui e ali, mas de todo modo uma verdade – e não havia qualquer probabilidade de mudança para breve. Mas a Panini ouviu o público, ouviu os desejos das pessoas da campanha e trouxe para o Brasil Aoharaido, o grande hit shoujo do momento no Japão e que ganhara um grande destaque no Brasil entre os fãs da demografia. Seu anúncio renovou os ânimos e as esperanças de que pudéssemos ter mais shoujos nas bancas.

Aoharaido foi um sucesso absoluto. Teve tiragem esgotada, reimpressão e a procura pelos volumes iniciais continua grande ainda hoje. Para quem gostava da obra provavelmente seu lançamento foi o mais importante do ano, contudo, para os fãs de shoujo  (e joseis) em geral e que não viam o título como prioridade a Panini não foi, nem de longe, a editora que mais investiu em 2015.

Na verdade, se dependêssemos da Panini, os fãs de shoujo teriam um ano extremamente fraco, com quase nada dessa demografia nas bancas. Além de Aoharaido (5 volumes até o momento), o único shoujo publicado no ano foi o spin-off Ataque dos titãs – sem arrependimentos (2 volumes) e, por qualquer ângulo que se olhe, esse título é mais para quem é fã da obra do Hajime Isayama do que para quem é fã de shoujo.

Fora eles, só tivemos um volume de Kimi ni todoke e um volume de Yakumo, totalizando nove tomos de shoujos durante o ano, média de menos de 1 por mês. Convenhamos, isso é muito, mas muito pouco para uma editora que diz ouvir o seu público e trazer o que ele quer ler. A realidade é que fomos entorpecidos e anestesiados pela presença de Aoharaido, e a grande verdade é que neste ano a Panini diminuiu drasticamente a sua carga de shoujos. A nível de comparação, em 2014 a editora lançou mais de 20 volumes, divididas em seis séries diferentes!

Orange 01

Felizmente, no Brasil existem outras editoras e estas sim foram as grandes responsáveis por termos um ano cheio nas bancas, com muitos mangás shoujos e joseis – também pedidos pela campanha – incluindo alguns com temática yaoi. A JBC foi a que mais lançou, tanto em número de volumes (19), quanto em número de títulos diferentes (6 obras novas, além da conclusão de Sailor Moon).

Tivemos pela editora a “rainha do bullying” Keiko Suenobu e suas sensacionais obras Vitamin e Limit; tivemos novamente Clamp com o fofo e até certo ponto surpreendente Wish; tivemos spin-offs de Sailor Moon, Short Stories e Sailor V; e tivemos o mega sucesso Orange, que vem se mostrando um dos melhores(talvez o melhor) mangás em publicação no Brasil atualmente. E Fora isso, a editora JBC ainda nos brindou com a reimpressão de Socrates in love, título lançado pela empresa anos atrás e que estava esgotado até então.

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E o que falar da editora Newpop? Em 2014, a editora já tinha em seu catálogo dois títulos de peso e mega conhecidos do público, os joseis Usagi Drop e Loveless e em 2015 a empresa continuou com a publicação desses títulos, além de começar outros novos, os shoujos No 6 e Alice Hearts.

Ao todo, a Newpop lançou 15 volumes divididos entre essas quatro séries. E se contarmos os três mangás de temática yaoi – aos que não sabem mangás yaoi são da demografia josei -, Croquis, Kamisama Onegai e Calling, esse número sobe para 18, representando quase tantos volumes quanto a JBC. Para 2016, a Newpop já tem 3 séries anunciadas, entre eles um antigo desejo das pessoas, Helter Stelker.

Abril e Nova Sampa? Também tivemos. Em 2015 tivemos pela editora Abril o mangá A princesa Kilala, em 5 volumes, e pela Nova Sampa a conclusão de Dawn Tsumetai-te, com a publicação dos 3 volumes finais da série. Considerando todas as editoras tivemos 20 séries diferentes e 54 volumes em publicação, uma média de 4,5 mangás por mês.

Só para nível de comparação, em 2014 foram publicados cerca de 40 volumes, divididos em poucos mais de 10 séries diferentes, ou seja tivemos quase o dobro de séries diferentes em relação ao ano passado. Quantidade não significa qualidade, mas a grande maioria dos shoujos e joseis publicados este ano foram de primeira linha e muito surpreendentes, mesmo.

Contudo, nem só alegrias tivemos. A qualidade física dos títulos não agradou tanto assim. Tirando os títulos da Newpop e a série Sailor, há que reclamar em quase tudo. Só para citar dois casos exemplares, Aoharaido foi publicado em um péssimo papel jornal, enquanto Orange foi lançado em um offset que o deixou com uma transparência para além do qual estávamos acostumados. Mesmo a Newpop teve problema em seu mangá No 6, cujo primeiro volume veio com defeito de impressão em alguns lotes. Entretanto a editora prontificou-se a reimprimir e realizar a troca do material. Entre mortos e feridos até que foi um bom ano para os shoujos e joseis no Brasil, principalmente pelas péssimas perspectivas iniciais…

***

Enfim, Aoharaido não foi a última chance do shoujo no Brasil, como se pregou por aí no início do ano, mas ele foi um título de grande importância para a campanha Mais Shoujos no Brasil, e, principalmente, para a Panini que percebeu a existência de um público engajado e já anunciou outro título para 2016, o também pedido Lovely Complex, além de ter prometido que virá mais.

Não se pode negar realmente que 2015 foi um ano em que os shoujos ganharam novo fôlego no Brasil, mas é difícil saber até onde tem o dedo da Campanha Mais Shoujos no Brasil. É fácil ver a ligação da campanha com os anúncios da Panini, afinal sem a campanha e sem Aoharaido, talvez não víssemos mais shoujos pela editora italiana.

Mas com os títulos publicados por JBC e Newpop, não vemos essa estreita ligação. Os mangás lançados são obras que “têm a cara” delas e que sairiam por aqui, independente de qualquer campanha. Questões sociais, viagem no tempo e survivor é a JBC atual em essência e não consigo imaginar Alice por outra editora que não a Newpop. Entretanto é difícil não imaginar também que esse aumento significativo não tenha sido por causa do barulho feito pelos fãs da demografia.

Igualmente difícil é saber se haverá manutenção e, até mesmo, crescimento desse nicho de mercado em 2016. Mas, de todo modo, devemos ser positivos^^. A JBC ainda não anunciou nada para o ano que vem, mas é evidente que pelo menos mais um ou dois shoujos sejam publicados. Por parte da Newpop, ela terá suas quatro obras ainda em publicação e já anunciou outros três títulos curtos, garantindo uma boa média novamente para o ano que vem.

Já a Panini terá duas grandes obras nas bancas agora, com Lovely Complex se iniciando em fevereiro, o que aumentará seu número de títulos nas bancas em relação a 2015. E ainda temos as outras editoras, como a Nova Sampa e o seu Malicious Code, que podem vir a nos brindar com novos títulos. Então, amici, o melhor a fazermos é aguardarmos e vermos com o que as editoras nacionais de mangás nos surpreenderão ano que vem^^.

***

Títulos já anunciados para 2016

Lovely Complex (17 volumes) 
Niji no prelude (1 volume)
Café kochijoji de(3 volumes)
Helter Stelker (1 volume)
Malicious Code (4 volumes)

Talvez: Hakuoki. Não há qualquer previsão de quando o título será publicado, pois a editora Nova Sampa ainda está resolvendo pendências com o Japão.

***

Por hoje, era isso. Ainda temos mais retrospectivas para fazer. Aguardem^^. Curta nossa página no facebook e nos siga no twitter para não perder nada.

BIBLIOTECA BRASILEIRA DE MANGÁS

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4 thoughts on “Retrospectiva 2015 – a volta do shoujo mangá”

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