Opinião

O que as editoras brasileiras poderiam aprender com as editoras estrangeiras?

o que as editoras

Às vezes é bom olhar para fora…

Olá, navegantes. Como toda segunda-feira, hoje é dia de uma nova postagem no blog… Em nossa postagem falaremos mal do Brasil… Melhor dizendo, falaremos bem dos outros países… bem… mais ou menos…

Acredito que uma boa forma de melhorar o mercado brasileiro de mangás seria as editoras brasileiras começarem a olhar mais para fora e verificar a forma como outros países publicam seus mangás e a estratégia utilizada por eles para vender seus produtos. A postagem de hoje é justamente isso:  O que as editoras brasileiras poderiam aprender com as editoras estrangeiras? Quais práticas já deveriam estar implantadas aqui, mas que, por algum motivo, ainda nem estão nos planos? Vamos expor aqui cinco práticas que JBC, Panini e Newpop já deveriam ao menos ter pensado em implementar…

Vale lembrar que as editoras brasileira JÁ utilizam algumas estratégias inspiradas no que as estrangeiras fazem. O Onegai Desu, da Panini, é nitidamente inspirado na estratégia que a editora Norma, na Espanha, adota desde 2008. E o formato BIG da JBC é abertamente inspirado no formato americano idealizado pela Viz. Mas há muito mais coisas que as editoras brasileiras poderiam aprender com as estrangeiras.

***

5. Mangás digitais

viz média

As editoras brasileiras deviam aprender com a Viz (nos EUA) que resolveu disponibilizar todo o seu catálogo em forma digital, ou com a Panini (na Itália) e outras editoras pelo mundo que também oferecem seus títulos em formato digital. Embora em número bem pequeno há, no Brasil, pessoas que estão dispostas a pagar pelo produto nessa mídia, porém nenhuma editora nacional oferece e nem tem o desejo de oferecer a curto prazo. Após a mesa redonda com as editoras no Anime Friends ficamos com a ideia de que elas ainda estão muito presas ao passado e não tem qualquer estimativa de pensar no futuro.

Compreendemos perfeitamente as editoras, sabemos da dificuldades e acreditamos piamente nelas, mas isso não impede de acharmos que já era hora de alguma delas ter estudado mais afundo o tema e ido atrás da publicação de títulos digitais. Não digo tanto de um sistema de simulcast como Crunchyroll ou a publicação da Shonen Jump digital que ocorre nos Estados Unidos, mas sim da disponibilização de seus mangás também em versão digital em uma Amazon, por exemplo, ou mesmo no próprio Crunchyroll.

É lógico que o mercado brasileiro é bem diferente do americano, mas há realmente quem prefira o título digital em algumas situações, por diversos motivos possíveis. Não sei se a licença é cara, não sei se daria lucro, mas ao menos um estudo mais enfático para investir nessa área já deveria ter sido feito há muito tempo. Recentemente, a editora Newpop realizou uma pesquisa com o seu público e nela uma das perguntas era justamente sobre o formato digital. É um passo interessante e eu espero que com essa pesquisa a editora resolva investir também nessa área, porém ainda sou bastante cético quanto a isso…

4. Sobrecapas e capa dura

livrea

Mangás digitais têm minha apreciação, mas também não troco as publicações em papel de jeito nenhum e ainda mais publicações com qualidade acima da média. Considero sobrecapas muito interessantes, pois servem para a proteção dos mangás, além de agregar um valor maior a eles. Porém não vemos nenhum mangá com essas características por aqui. A gente sabe que já existiu, no passado, com mangás com sobrecapas, porém acreditamos que elas deviam ser uma constante, ao menos em edições de luxo. Um Zero Eterno ou um Planetes com sobrecapas ficariam muito melhores do que já são.

As editoras já disseram que sobrecapas encarecem o produto e por isso não é viável sua colocação. Acredito nas editoras, sei que dizem a verdade, afinal elas não têm qualquer razão para mentir sobre essa questão, mas o problema é que as editoras estrangeiras fazem isso. A editora Ivrea, aqui do lado na Argentina, por exemplo, publica alguns títulos com sobrecapa. Então porque as editoras não seguem o exemplo de nossos vizinhos? O título ficará mais caro? Com certeza, mas dava para arriscar em um título aqui e outro ali…

Se já é raro mangás com sobrecapas, imagine com capa dura? Se não estamos enganados, nenhum mangá publicado no Brasil já teve esse tipo de acabamento. Uma edição especial de colecionador em capa dura seria muito interessante de ser ter por aqui, tal qual ocorre em outros países. Há alguns casos nos Estados Unidos de um mangá ter sido lançado em uma versão comum e, ao mesmo tempo, uma versão de luxo com capa dura. Será que não dava para repetir essa estratégia por aqui?

3. Avisar quais títulos estão fora do catálogo

norma

Em 2007, a Panini publicou o mangá O estranho mundo de Jack. O título se encontrava esgotado e era vendido a um preço bem alto no Mercado Livre e em grupos de venda. Mas aí surgiu uma nova edição em 2015, não pela multinacional italiana, mas sim pela Abril. A Panini sequer avisou que não tinha mais os direitos da obra, assim como nenhuma outra editora nacional o faz quando o contrato cessa. A única exceção é o da Conrad, quando ela perdeu os direitos de vários de seus mangás…

E no exterior? Existem editoras estrangeiras que fazem isso. Recentemente, a Norma, da Espanha, anunciou que iria retirar de seu catálogo 25 títulos e ainda explicou aos seus leitores o motivo pelo qual as obras sairiam dele. Consideramos a atitude da editora Norma sensacional e achamos que as editoras brasileiras deviam fazer isso em relação a seus títulos.

Se olharmos no site da Panini, veremos que vários mangás publicados por ela não se encontram listados em seu catálogo, incluindo títulos de renome como Lobo solitário e Crying Freeman. Será que eles não têm mais os direitos de publicação? Será que os títulos que não se encontram lá podem ser adquiridos sem problemas por outras editoras? Nunca saberemos…

Em tempo: o editor da Panini Levi Trindade disse recentemente em duas entrevistas que a editora tem interesse em Lobo solitário e estavam tentando trazer o título novamente. Contudo, ele ressaltou que, como a publicação aconteceu há muito tempo, a negociação teria que começar do zero, dando a entender que existiam outras editoras interessadas no título.

2. Checklists antecipados

star comics

Checklists da Nova Sampa? Temos que caçar aqui e ali para descobrir o que foi lançado. Newpop? Basicamente a editora só coloca seus lançamentos no facebook e raramente os coloca de uma vez. JBC e Panini são mais certinhas e disponibilizam seus checklists mensais nas datas certas.

Mas e se eu disser que isso não é suficiente? Nenhuma dessas quatro editoras chega ao nível de sofisticação das maiores editoras italianas, por exemplo. A editora Star Comics e a Panini italiana divulgam a prévia dos seus checklists com pelo menos DOIS MESES de antecedência, ajudando os leitores a preparar o orçamento e saber exatamente o quanto vai gastar em cada mês.

Não me parece uma medida de difícil realização também no Brasil, afinal as editoras têm planejamento para vários meses em sequência. O problema seria apenas conseguir cumprir os checklists. Não sabemos quais diferenças existem entre o mercado italiano e o mercado brasileiro. Por exemplo, será que na Itália as editoras imprimem seus títulos com antecedência e estocam? E no Brasil, como é? Essa e outras questões podem influenciar na divulgação e na não divulgação dos checklists antecipados e pode não ser viável no Brasil. Todavia acho que pelo menos a multinacional Panini deveria seguir os passos de sua matriz italiana e tentar implementar essa melhoria para o bem dos leitores. Não seria ótimo saber exatamente se, quando uma editora anunciasse um título, ele já dissesse o mês em que ele vai sair?

1. Investir em propaganda

propagandaQuando a JBC lançou Sailor Moon, ela colocou propaganda no metrô de São Paulo. Quando a Panini lançou Kuroko no basket e Assassination Classroom colocaram propaganda na televisão por assinatura. Essas atitudes são muito positivas, porém isoladas demais.

Nenhuma editora nacional consegue trabalhar o marketing de maneira adequada e nem fazer campanhas diferenciadas que chamem pessoas “de fora”. As editoras, especialmente a JBC, vem se utilizando da internet como forma de divulgação, porém por mais que a internet seja um meio que a cada dia vem se consolidando mais e mais, faltam ações por parte das empresas brasileiras para expandir seu mercado para fora do nicho habitual de consumidores. É preciso algum tipo de campanha mais maciça que convide essas pessoas a iniciar uma coleção de quadrinhos.

As editoras estrangeiras dão o exemplo. Como mostra uma matéria do blog Shoujo-café, a editora francesa Kana utilizou-se de um expediente muito interessante para aumentar as vendas: quem comprasse um kit com dois volumes de qualquer mangá shoujo recebia como brinde um conjunto volta às aulas, com caderno, caneta, etc. Venhamos e convenhamos: as editoras japonesas seriam tão mesquinhas ao ponto de não deixar uma editora brasileira fazer uma campanha parecida? Tenho certeza que uma ou outra editora nipônica aceitaria de bom grado. Se, por exemplo, a Shogakukan deixou fazer mangá em formato gibi, porque não uma campanha publicitária desse nível?

Todos sabem, mas é necessário repetir: não basta vender mangá apenas para quem já é fã de mangá. É preciso que as editoras pensem mais a fundo nisso e comecem a querer expandir o mercado, pois uma hora ou outra pode haver uma queda brusca nas vendas e aí será tarde demais para tentar conquistar um outro público. Compreendo perfeitamente o lado das editoras e que o retorno feito com uma propaganda mais maciça pode não compensar o investimento feito, mas será que não haveria situações específicas em que se pudesse tentar mais?

***

Com essa alta do dólar é meio difícil querer que as editoras implementem todas essas coisas, mas fica o nosso desejo de que alguma editora realize os nossos desejos… você, leitor, conhece alguma medida que as editoras brasileiras poderiam aprender com as estrangeiras? Discorda de alguma de nossas colocações? Os comentários estão abertos para uma discussão…

Biblioteca Brasileira de Mangás

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33 thoughts on “O que as editoras brasileiras poderiam aprender com as editoras estrangeiras?”

  1. Adorei o post!
    Engraçado q, com o tempo, acabamos nos acostumando com o q as editoras brasileiras nos oferecem em seus produtos e ficamos um pouco “anestesiados” pra algumas mudanças q são normais no exterior e poderiam se fazer presente por aqui…
    Capa dura e/ou contracapa em versões especiais deveriam ser uma obrigação! Os títulos q são exclusivos de livraria/lojas especializadas mereciam esses extras…
    Sobre brindes, se a Panini tivesse conversado com a Copag, podiam ter feito uma campanha com o manga de pokemon incluindo no primeiro volume um card (ou até um booster inteiro), compensando q o primeiro volume era mais fino… Não mudaria tanto o nicho, mas já incentivaria o pessoal q só joga a acompanhar o manga!
    Os mangas de Sakura podiam ter marcadores especiais com o desenho de algumas cartas Clow…

    Enfim, idéias com certeza não faltam, mas realmente temos q entender a situação atual do país, onde qualquer 1 real a mais faz diferença pra muitos 😦

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  2. Concordo com quase tudo no seu post Kyon, só tenho uma pergunta: Você realmente acredita que mangás digitais venderiam no Brasil?
    Primeiro que o brasileiro adora um “jeitinho”, se hoje já vemos gente dizendo “porque vou comprar mangá tal se posso ler por scan”, imagina então se isso for digital. Infelizmente é um pouco da mentalidade do brasileiro (e até me incluo nisso), porque pagar algo que posso baixar de graça?
    Sem contar que isso pode prejudicar as vendas fisicas também. Um exemplo que vejo é na Jambo, a série 20 Deuses está disponível para leitura online (assim como Ledd) e sempre que vou na loja da Jambo, vejo pilhas de volumes da primeira edição de 20 Deuses lá. A vendedora uma vez me disse, ninguém compra se já leu online.
    Por fim, se a JBC já não consegue nem mesmo colocar uma loja virtual no ar, imagina então vender mangás digitais.
    Eu acho que esse mercado ainda não daria certo no Brasil.
    De resto concordo com você em tudo, principalmente nas sobrecapas. Isso poderia até mesmo corrigir erros como a lombada de Nanatsu.

    https://itadakimasuanimes.wordpress.com

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    1. Em breve haverá uma postagem específica sobre esse assunto. Já está escrita e programada para uma segunda-feira daqui a algumas semanas.

      Mas o que eu posso dizer agora é o seguinte: esquema Netflix. Comprar produto digital pode ser algo difícil de se imaginar, afinal o preço costuma ser bem elevado, porém o esquema de pagar mensalidade para ter acesso a vários títulos é algo que pode dar certo. Netflix e Crunchyroll estão aí para provar que esse sistema funciona.

      O Crunchyroll já oferece mangás em formato digital (apenas em inglês) e eu defendo a ideia de que as editoras brasileiras poderiam realizar um esquema parecido ou mesmo uma parceria com o site e colocar a versão digital de seus mangás nele. Pagar apenas 15 reais por mês para ter acesso aos títulos que eu não compraria na banca por falta de dinheiro é algo que vale muito a pena e, com certeza, terá adeptos.

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      1. Opa, vou esperar esse seu post segunda então. Mas concordo que um esquema no “estilo Netflix” poderia dar muito certo, e poderia até mesmo abrir as portas para outros mangás que ficariam “impossíveis” de publicar no formato fisico por terem vários volumes e tal. Realmente seria bem interessante.

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  3. Então, sobre as coisas que vc comentou, as sobrecapas, se vc lembra até a jbc colocava em alguns mangás, a conrad fez isso em algumas edições de luxo como Vagabond, mas ao que parece não deu certo, então hoje as editoras devem querer evitar pra não repetir o ”erro” da conrad.Sobre o que vc falou da ivrea, eu já vi alguns argentinos comentando que eles só oferecem essa qualidade porque eles também atuam na Espanha, um mercado beeeem mais exigente em termos de qualidade, por isso eles podem se dar esse luxo, porque ei já vi mangás de uma editora argentina que só atua na Argentina e a qualidade dos mangás deles é bem parecida com o nosso, bem simplizinha, sem sobrecapa, meio fininhos, papel mais-ou-menos, então considero a ivrea um casoo a parte.Sobre os outros quesitos que vc falou, pode até soar meio cliche mais vou falar mesmo assim: nosso mercado NÃO É TÃO GRANDE E AS EDITORAS NÃO SÃO TÃO RICAS A PONTO DE FAZEREM ESSES INVESTIMENTOS, não dá pra comparar o mercado brasileiro com o americano ou mesmo os principais europeus, lá as editoras faturam muito mais que as nossas por isso elas tem condições de investirem em marketing ou midia digital, então acho que é algo que não veremos aqui tão cedo.Só se nosso mercado crescer e se desenvolver…
    Ps:Ah, sobre as capas duras, como a newpop fez aquela pesquisa, dava pra ver que perguntavam se queríamos capas duras nos mangás dela, então acho que há ALGUMA possibilidade de fazerem isso em um futuro próximo, se fizerem, eu compro o mangá mesmo que não goste dele hahaha!!!

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  4. Não concordo e nem discordo, muito pelo contrário, hehe!
    então vamos aos pontos.

    5. O Social Comics é a mais nova plataforma de quadrinhos digitais no Brasil e “parece” estar fazendo “barulho”, não posso afirmar sobre sucesso. Eles afirmam que tem apoio da JBC como uma das editoras que acreditam no projeto. Se a JBC vai entrar nessa, ninguem realmente sabe e pagar licença com os japoneses pra arriscar no mercado digital é meio complicado, se até pro mercado fisico ta ficando feia a coisa.

    4. Na boa, poucos colecionadores realmente estão fazendo questão disso. Eu sou um e não vejo vantagem nesse tipo de “mimo” nessa epoca de crise, tanto que sou totalmente contra o uso de laminação fosca nessa epoca de crise, que sempre aumenta de 2 a 3 reais no preço de capa comparado aos outros. Imagina capa dura ou sobrecapa.

    3. Eu acho que é estrategia das editoras. Se eles não avisam e a concorrencia não procura saber, melhor pra eles se quiserem tentar denovo xD.

    2. Eu acho que isso só faz diferença pra quem ta entrando no mundo de compra de mangás agora, porque quem não sabe qual manga deve sair daqui a 2 meses (como, quem compra Terra Formars hoje em dia sabe que em dois meses tem o 5 no checklist). lançamentos pode até ser, mas com essa geração mimizenta que reclama de atraso de um mês, eu acho que as editoras brazucas prefeririam evitar a fadiga!

    1. Topico polêmico e complicado. Mesmo comics quase não tem marketing e com esse lance de publicações por fases complica mais. Seria bem chato eu como morador da fase 2 da JBC ver propaganda de um mangá que eu teria que esperar 4 meses para aparecer na banca (se bem que já é chato saber disso na net, imagina um comprador que vê uma propaganda por ai e não usa redes sociais pra entender isso), isso SE o manga aparecer na banca (o que faltam bastante). E o marketing que a JBC e Panini fizeram deve ter sido um termometro pra ver se compensa e não parece que compensou.

    http://toonsfera.com.br/

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    1. Cara, na boa, vc tem o direito de pensar o que quiser, mas sendo bem sincero com vc, é por causa desse seu pensamento em parte que o brasil está TÃO ATRASADo em termos de qualidade, vc dizer que não ve vantagem, simplismente é um produto de mais qualidade e mais durável, e não sei quanto a vc, mas o que as editoras br deixam de faturar por falta de investimentos é absurdo, o quanto de gente que é OBRIGADA a recorrer a produtos importados(inclusive eu) para ter acesso a produtos de real qualidade, do tipo que as páginas não vão amarelar ou cair, sério, vc tá sendo muito pão-duro, o brasileiro tem que deixar de ser pão-duro se quiser ter produtos de qualidade melhor, ou então continuar pagando pouco e ter produtos de qualidade porcaria, enquanto os americanos europeus e japoneses com seus álbuns de luxo, riem da nossa cara…

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      1. Ainda bem que eu posso pensar como quiser, mas sou obrigado a dizer que pontos de vista como os seus que são irreiais! Pão durismo? Nós ja temos um pais que é FRACO em leitura geral e que precisa de incentivos pra ler. Agora a pouco a Nova Sampa relatou na sua pagina que se existisse mais leitores, eles poderiam imprimir mais e vender mangas mais baratos, mas são obrigados a ter tiragem baixa (principalmente comparados aos mercados japoneses, europeus e americanos, paises muito menores que o Brasil territorialmente e com muito menos pessoas) por falta de gente que compra e mesmo compradores mais regulares ja tem que escolher bem o que comprar exatamente por causa da crise e você vem com esse papo de pão durismo? faça o favor! O mercado precisa expandir e pra isso, preços baixos são sim um fator que pesa muito. Seria otimo materiais que rivalizasse com outros paises em qualidade? claro que sim! Mas num pais que pagamos uma gasolina, alimentos e outras coisas mais caro do que paises “menores”, ficar exigindo qualidade a torto e direito é pensar só no próprio umbigo e que isso sim é um atraso! É como querer uma parabolica encima de uma casa sem telhado!

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      2. Stx, entendo o que vc quer dizer, realmente não dá pra comparar o nosso mercado com o americano,europeu ou japones, mas o que eu quero, e muita gente quer é o mínimo de qualidade, é pedir muito um papel decente, é pedi muito páginas que não descolem??Poxa, eu já vi hqs independentes que usam papel MUITO MELHOR que esses da jbc, panini ou nova sampa, custa de vez em quando colocar uma sobrecapa em uma edição ÚNICA?Eu acho que não mata ninguém…

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      3. Guilherme, Quanto ao papel, concordo que deveria ter mais qualidade, mas uma qualidade basica como Magi tinha no inicio (em questão de papel), mas coisas como sobre-capa e outras coisas, creio que deveriam ser mais em edições definitivas, depois de uma edição comum sair, deixando opção para vários tipos de consumidores.

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    2. Você discordou praticamente de tudo o que falei no texto, Rs.
      Tenho considerações sobre dois pontos:

      Sobre o ponto 4

      Eu penso que edições de colecionador mereciam ser muito melhores do que são e Capa dura e sobrecapas são apenas uma das coisas que eu desejaria realmente que tivesse.

      Mas sabe o que seria bom de verdade? As editoras lançarem uma edição baratinha dos mangás para todo mundo comprar e depois lançarem uma edição mais luxuosa de colecionador com papel couchè e, quem sabe, sobrecapa e capadura, para quem realmente for colecionador comprar.

      Sobre o ponto 1

      não se pode comparar com Comics. Não entendo muito desse ramo, mas pelo que sei boa parte dos personagens são conhecidos e estão no imaginário coletivo, não necessitando de propaganda para vender a públicos novos. Mesmo porque os filmes têm feito esse papel. Rs

      E os mangás? Como fazer a pessoa que assistiu No game; no life no anitube saber que os livros estão sendo publicados no Brasil? Como fazer a pessoa que assistiu Nanatsu no Taizai saber que o mangá já está em publicação? Como fazer essa pessoa que só vê anime se interessar por comprar mangá? É necessário que haja propaganda para atrair e despertar o desejo desses possíveis consumidores.

      Se não se quer sair da internet, pelo menos as editoras poderiam fazer uma propaganda no Youtube (aquelas que aparecem antes dos vídeos), afinal muita gente que só vê animê vai ao youtube procurar aberturas e montagens sobre as séries que gostam. Ao ver a propaganda, a pessoa poderia ser fisgada…

      A respeito do que você disse sobre distribuição, realmente é um problema, sou morador de cidade de fase 2 e sei dos problemas desses atrasos, mas hoje em dia existem lojas online para adquirir os produtos. Algumas com frete bem baratinho, então em parte não haveria esse problema. E veja, novos consumidores podem não estar acostumados com a vida de ir em bancas de revistas, então não sentiriam problema em se adaptar com comprar online….

      Mas eu compreendo perfeitamente o lado das editoras, sei que é arriscado, sei que pode não dar certo e tal, mas realmente seria uma atitude interessante para expandir mercado, conseguir novos consumidores e, com o tempo, conseguir até mesmo abaixar o preço dos mangás… (é, eu sei que é sonho, mas me permita sonhar^^).

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      1. hehe, então, olha o problema que tá tendo em a JBC anunciar a edição BIG de AYNK. Uma pilha de gente reclamando. Eu tenho sérias duvidas de que o Brasil está preparado para edições comuns e de luxo, mas eu concordo que seria bom os dois tipos, mas tudo na possibilidade do pais tambem.

        Dos comics, ainda há personagens e historias tão obscuras quanto os dos mangás nas bancas, apesar do publico ser meio que diferente, muitos são desconhecidos da grande massa ainda, sem séries ou filmes (novos ou antigos).

        Propagandas no youtube são complicadas e não são lá muito baratas. Se não existisse o Adblock, que muita gente usa, podia até ser viavel, Mas continuemos sonhando com o melhor 🙂

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  5. Ótimo texto e realmente muito válido para tentarmos analisar e quem sabe algum dia o mercado venha a melhorar. Vou deixar aqui em baixo meu comentário, com algumas coisas que eu concordo outras não.

    5 – Seria realmente algo bom de ser implementado na teoria, mas ainda assim não sei o retorno que geraria. Pois, infelizmente, querendo ou não o brasileiro pensa que se tem de graça pra que pagar. A verdade, é que os mangás físicos vendidos hoje no Brasil, são em sua grande maioria para pessoas que querem colecionar, colocar na estante, na escrivaninha, na mesa. Se for só pra ler, as pessoas ainda preferem não pagar. Mesmo com o esquema do Crunchyroll, o que acho que teria mais chance, ainda assim sou pessimista. Pq é só olharmos a quantidade de visualização que um episódio no anitube tem e compararmos com as curtidas na pagina do facebook do crunchyroll por exemplo, para vermos a diferença.

    4 – Capa dura eu (opinião completamente própria) não ligo muito não. Parece algo mais pra comics. E posso estar enganado, mas além dos EUA ainda não soube de nenhuma editora em outro país que tenha usado em mangá. Já nas sobrecapas sou mais a favor, e acho que não encareceria tanto o mangá. Agora é interessante analisarmos que nos EUA, por exemplo temos capa dura, mas nos mangás americanos importados que cheguei a ver em livrarias nenhum tinha sobrecapa. Já nos da Espanha, que eu vejo que praticamente todos tem sobrecapas, ainda não vi lançamento em capa dura na página das editoras, nem pesquisando no google. Ou seja, nenhum dos dois países tem os 2 fatores juntos.

    3 – Isso eu já não sei se é uma estratégia pessoal das mesmas, mas realmente acho que poderia ser dado o aviso, até pro pessoal não ficar com esperanças de reimpressão. Saber que se voltar, só volta numa nova edição.

    2 – Isso, eu tbm acho que poderia ser de ajuda. Mas não me faz tanta falta assim e o pessoal já cairia em cima se tivesse um atraso.

    1 – Isso sim acho que teria que ser investido de forma mais plena. Propaganda no youtube, parcerias com outras mídias, como por exemplo de jogos onde só pra citar a Bandai Namco Brasil que traz jogos de Naruto, One Piece e Sword Art Online, talvez dando um volume do mangá da mesma franquia do jogo na pré-venda ou no lançamento do jogo. Mais propagandas em estações de trem e metro, aqui no Rio tem as barcas tbm. Até em ônibus de grandes metrópoles, poderia tentar botar aqueles cartazes pequenos, que colam no vidro atrás do motorista. Aqui onde moro, eventos de animes relativamente pequenos fazem esse tipo de propaganda quando ta chegando perto.

    No geral, acho que tem bastante coisas a melhorar, mas as editoras de outros países tem uma outra realidade e uma outra economia. Pra mim o principal que as editoras brasileiras tinham que melhorar é no papel, onde no mínimo fosse usado um offset igual o da New Pop, e em obras mais famosas um de mais qualidade, talvez couché, polén ou aquele de livro que acabei de esquecer o nome.

    Mas, pra pesar na balança tbm podemos citar coisas que as editoras estrangeiras fazem, e não agradariam o público aqui, como o formato que os mangás de lá são publicados que são sempre “pockets”. E quando sai um “pocket” por aqui o pessoal reclama muuuuuuuuuuito. Ou até a periodicidade que nos EUA pela Yen Press ou na Espanha pela Ivrea que às vezes chegam a ser de 3 ou 4 meses. E existem fracassos nesses mercados tbm, como Gintama na Espanha que vendeu só cerca de 600 exemplares por volume e nos Estados Unidos que foi cancelado por volta do volume (o que me deixa triste por estar refletindo na não-publicação aqui). E na Espanha tbm, onde a Ivrea já afirmou que To-love-ru darkness não ta vendendo nada (o que eu tenho medo que possa acontecer aqui), e o que era pra ser trimestral não sai novo volume por lá desde Fevereiro. Tem também tutor hitman reborn, que foi cancelado nos EUA e por aqui aparenta estar indo dentro do esperado pela Panini.

    O Brasil está longe dos EUA ou da Europa, mas quando comparamos com países que tem uma realidade mais próxima à nossa, como Argentina e México, nós temos um mercado bem maior. Esses dias mesmo na página da Ivrea Argentina pediram Akame ga kill e Sailor Moon e a afirmação da editora foi de que a editora japonesa não negocia com a Argentina, já aqui no Brasil teremos e temos respectivamente esses títulos mesmo com a nossa economia indo pro fundo do poço.

    Desculpe pelo texto, mas no geral eu concordo em grande parte com o que disse, mas tbm existem certos lados ruins das editoras lá fora, que ngm nunca fala, mas quando uma brasileira faz é considerado o fim do mundo, talvez porque nós sintamos na pele. E apesar de achar que seria legal termos certos mimos, nesse momento de crise eu me contentaria com uma boa encadernação e uma melhora no papel, principalmente no caso da Panini e no caso de alguns offsets da JBC. Espero que haja uma melhor transparência com o leitor, e que mesmo que de forma mais lenta graças a essa crise no nosso amado país o mercado de mangás continue melhorando e evoluindo, mas vai ser difícil.

    Ps.: Eu posso estar errado e é realmente uma dúvida tbm, mas se não me engano a Ivrea Argentina importa mangás da Ivrea Espanha e são esses que vem com sobrecapa. Os da própria Ivrea Argentina, acho que não possuem sobrecapa.

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    1. Vc falou certo, e sim ivrea geralmente traz o seus mangá da espanha e vende na argentona por.um prwço um pouco maior, então acho que podemo considerarbisso um caso especial. Quanto aos espanois, realmente lá todos tem sobrecapa,mas também não vi nenhum com capa dura, nos eua, alguns tem tanto capada dura quanto sobrecapa, são aquelas edições de luxo da yen press, na minha opinião as melhore em termos de qualidade que já vi.A editora argentina que vc citou é a larp, e eles realmente tem uma realidade bem diferente da ivrea, que é uma multinacional, já vi videos mostrando os mangás deles, e a qualidade é bem.simplizinha como a nossa, nada de sobrecapa, nem capadura, muito simples, e sim, lá na argentina nenhum mangá do catalogo das editoras kodansha ou square enix pode ser publicado, e isso acontece porque essas editoras alegam que o mercado deles é muito pequeno e instável para se obter um bom lucro, então vendo isso eu acho que as vezes nos brasileiros reclamamos d .barriga cheia, nosso mercado está crescendo, sim ainda temos nossos.problemas que não são poucos mas eu acho que devemos dar um passo de cada vez, vai sair akira, ghost in the shell, titulos que eu achei que nunca iria poder colecionar em portugues…

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      1. Guilherme, comentei mais pra dizer q, ao menos estes q comprei, não foram importados da Espanha e sim impressos no próprio país (no caso, na Argentina)! Não sei dizer sobre gírias e expressões pq não tenho tanto conhecimento das diferenças entre os países da América Latina 😦

        Somente por curiosidade, estive em Malta e os mangás q comprei por lá foram todos impressos nos EUA (são da VIZ media), então, creio q muitos países de língua inglesa e espanhola (talvez até de língua francesa) possuam somente mangás importados de outros países maiores e mais fortes nesse setor 😮

        Pergunto por curiosidade também, mas alguém tem referências dos mangás em Portugal?

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      1. O difícil não é imprimir lá, e sim a acessibilidade ao material, que a ivrea pela sua condição financeira e experiencia tem e a sua concorrente que só atua na argentina não tem.Ah, e não sei se é bom pegar mangas da ivrea argentina, o pessoal de outros paises da america do sul reclamam muito que eles usam girias e expressões tipicas argentinas que eles não conseguem entender…

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    1. Não generalize, tem muitas editoras por aqui que fazem um trabalho excepcional, claro que depende do que cada um compra, mas já vi vários livros de editoras br com qualidade EXATAMENTE igual as gringas, claro que tem editoras ruins mas não acho que estejamos tão em falta de trabalhos competentes,um exemplo que cito é o trabalho que a Mythos anda fazendo com as biografias de grandes nomes dos quadrinhos, a qualidade é exatamente igual aos originais…

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  6. Bem, primeira consideração é que cada país é uma “realidade” diferente. Não só pela economia e público, como pelo nível de acesso, tamanho, distribuição, etc.

    >>>>>Mangás Digitais
    Tem um ponto muito importante aqui. Quando se licencia uma obra, você faz um contrato e o contrato estipula que tipo de mídia, língua e país/região você pode lançar ou não. Uma mesma obra pode ter um mais de um contrato para diferentes mídias, línguas e regiões. Exemplo, o “Ataque dos Titãs” é licenciado por duas empresas na verdade, pela Panini no formato impresso e em português e pelo Crunchyroll no formato digital e em inglês para o território nacional. Isso significa que lançar em outra mídia é mais complexo do que parece. Um contrato para mais de uma mídia pode custar mais caro, ao ponto de que arriscar o meio digital seja bem perigoso.
    Agora, pensando no Brasil, quantas pessoas consomem e-books? A Amazon brasileira finalmente chegou ao Brasil e começou vender títulos brasileiros digitais, mas quantas pessoas que você conhece tem um Kindle ou similar?

    Mangá é ainda mais desafiante para transformar em digital por causa das páginas fixas (e é uma porcaria de ler em Kindle). Se for para aparecer algo digital, eu apostaria nas novels.

    >>>>>Sobrecapas e capa dura
    Acho eu que o problema aqui é mais embaixo. Ignore mangás, quantos livros você compra com mais de uma capa? Só aqueles de luxo para virem com essas coisas. Os normais e mais acessíveis (tipo pocket ou aqueles mais simples) não possuem nada dessas coisas. Me pergunto então se as gráficas estão equipadas para trabalhar com isso, se não existe um problema mais técnico envolvido. Assim como a JBC alegou que não ia pintar de preto as bordas de Death Note porque não dava no Brasil.

    A Argentina é um país que lê muito mais que nós, quem sabe lá, trabalhar com sobrecapa é básico, logo não há um aumento excessivo de preço envolvido. Sei que no Japao também, sobrecapa é padrão, até os livretos mais idiotas tem isso. Mas como disse, realidades diferentes.
    E Capa Dura, nem no Japão… Mentira, tem versões SUPER de luxo com capa dura, sim. Eu mesma tenho dois de aniversário de 50 anos de uma editora que é absolutamente luxuoso, mas caro de vender o rim. Mas aí acaba sendo mais o ponto: Por que não vender mangá de luxo? Mas aí já é outra história.

    >>>>>Avisar quais títulos estão fora do catálogo
    Eu acho muito engraçado reclamar de catálogo quando empresas nem trabalham com reimpressão. Que diferença faz se a Panini perdeu ou não certo título se eles NUNCA reimprimem? A NewPOP é uma das poucas que já vi que faz reimpressão e redistribuição (como no caso de Grimms Mangá, Madoka, Hetalia e Gate 7).

    Lembro-me do dia fatídico num AnimeFriends (quando a JBC ainda fazia stands) quando um funcionário gritou “Cabou Sakura #1”. E quando chega mais? Nunca. Dez anos depois vem a história dos relançamentos, como se fosse a coisa mais inédita. E sabe por que parece inédito? Porque foi totalmente abandonado por dez anos. Para quê catálogo se as empresas jamais reimprimem, com ou sem direitos?

    Mas fugindo um pouco da revolta, falar de catálogo abertamente pode ser perigoso por uma questão de competição. No Brasil, simplesmente assuma que terminado a serialização, as empresas abandonarão aquela obra.

    >>>>>Checklists antecipados
    Gosto de falar deste assunto!
    Pessoal adora ver as editoras brasileiras como empresas enormes e ricas, super poderosas (cof cof). A verdade é que são todas, tirando a Panini, empresinhas pequenas e imediatistas. Isso é óbvio de ver só pelos comentários de “atraso na aprovação de capa”. Quanto tempo você acha que é preciso para uma capa ser aprovada? O fato de ter atrasado e ter interrompido a produção mostra que o mangá acabou de ser feito. Nenhum japonês fica três meses com uma capa no e-mail empurrando com a barriga, eles também tem interesse na venda do mangá, sabe? Até mesmo a Panini, a grande Panini, dava para ver (safadamente) quando os mangás tinham sido feitos, duas formas: 1. tinha o mês no editorial, e sempre era 1 ou 2 meses atrás; 2. a Karen (tradutora) quando colocava valores de iene, escrevia também a cotação da época, algo como “R$ 145 em 15/5/13”. Eu não compro mangá brasileiro faz um tempo e não sei se isso AINDA acontece, mas na época era claro um buraco de cerca de 3 meses. A Panini também tinha um canal onde ficava comentando qual o volume que eles estavam editando e era entre 1~2 meses de diferença também.

    Por causa desse imediatismo, checklist antecipado é suicídio. Qualquer merda e é adiado, imagina a quantidade de adiamento que um checklist super antecipado passaria?! Ia ser uma piada. Difícil? As empresas nunca conseguiram passar 1 ano sem nenhum adiamento, até mesmo a Panini.

    Em outros países, como nos Estados Unidos, os títulos são informados com uma antecedência absurda. Olha, por exemplo:
    Puella Magi Madoka Magica: The Movie -Rebellion-, Vol. 1 Dec 15, 2015
    Puella Magi Madoka Magica: The Movie -Rebellion-, Vol. 2 Jan 19, 2016
    Puella Magi Madoka Magica: The Movie -Rebellion-, Vol. 3 Feb 23, 2016
    Mas lá, existe um público muito maior, as empresas são muito maiores, a própria editora japonesa Kodansha (foi ela, né?) fez uma sede lá……
    E tem mais um detalhe que muita gente desconhece! Pois é, amiguinhos, muito mangá atualmente é impresso na China, literalmente. E por ser impresso tão longe, eles imprimem em “montes” para economizar no transporte. Muito provável que todos esses 3 volumes de Madoka foram impressos no mesmo período e estão num navio cargueiro nos mares do pacífico para as beaches californianas. De novo, realidades diferentes!

    O caso da Italiana, eu não sei, mas considerando a proximidade deles com países mais pobretões, eu não me surpreenderia em saber que as impressões vem de trem de algum outro canto… No nosso caso, como a gente já é cheio de gente fodida, basta pagar mal brasileiro mesmo, não precisa ir para a China. Hohoho.

    >>>Investir em propaganda
    Puis bem. Vejo muita gente falando sobre este tipo de coisa. Sempre que alguém reclama de cancelamento diz que é culpa da editora por falta de propaganda. Mas… Acho que muita gente não percebe o nível da coisa… Não estamos falando de um Ben 10 que vende milhões de materiais escolares, estamos falando de obras com tiragens de 10 a 50 mil (ignore os narutos da vida). A quantidade de recurso que essa empresa tem é pouca. Agora una ao fato de que: 1. O país é imenso; 2. São 200 milhões de habitantes e talvez 1% tenha algum interesse em cultura japonesa; 3. É um país que só assiste TV e vê celular; 4. Seu produto não tem apelo suficiente para gerar comercio paralelo (aka material escolar e tal). Que tipo de propaganda esta empresa pode fazer para atingir todos esses 1% com uma verba tão limitada? Internet, metrô, evento. O que você esperava?

    Mas as empresas não fazem propaganda? Isso é mentira. Como qualquer empresa pequena e de nicho, as empresas fazem o mais lógico, eles vão até o público de forma mais pessoal. Eles estão no Facebook, no Twitter, eles entram em contato com blogs, eles vão nos eventos, fazem stands chamativos. O público alvo de uma editora de mangá sempre será os “assistidores” de anime. Quantos aqui não começaram com anime? É por isso que muito mangá de anime aparece e vende. Essa é a maior propaganda de mangá que você pode fazer. Faça o naruteiro ler o naruto mangá, faça ele gostar do negócio, agora, naruteiro, que tão um Assassination Classroom, huh?

    Uma empresa pequena tem que ser esperta e focar seu esforço onde ele sabe que há maior chance de sucesso: Fãs de Anime. “Ah, mas assim não chama as pessoas ‘de fora’.” Meu querido, mangá (principalmente por causa dos fãs malditos, eu inclusa) são muito exclusivos por si só. Veja você, esta merda tá cheia de palavras esquisitas, cheia de notas e trecos nos nomes, não dá para pronunciar a miséria daqueles nomes, é tudo ao contrário e em ordens loucas, é todo preto e branco, cheio de uns risquinhos japoneses desenhados para todo lado (aka onomatopeias 8D), tem um monte de mania e personagens desenhados com uns cabeções, a cultura e cotidiano deles não bate em nada com os nossos e ainda por cima meu jornaleiro não entende do que porra eu tô falando e insiste em me apontar Naruto. MANGÁ NÃO É FEITO PARA PESSOAS DE FORA. E a culpa é sua!! Você insiste em querer coisas super “originais” ao invés de adaptá-las de forma que um público maior possa entender mais facilmente. “Que ABSURDO, colocaram como Kurapaika!! SACRILÉGIO!”. “Ai, a Panini traduziu o nome do mangá, PORRA, é Shingeki no Kyojin!!!”.

    Mais e mais as empresas fazem um produto ininteligível, se eu der esta miséria para 90% do Brasil, eles não entendem bulhunfas. A ÚNICA pessoa que entende mangá é………………………… FÃ DE ANIME!! Porque o fã de anime fez curso, tá entendendo? Ele já conhece metade das esquisitices japonesa e ele tem um estimulo para sobreviver a outra metade.

    E, pelamordedieus, comparar com a França e Estados Unidos, dois países com uma cultura de quadrinho ENORME, com uma população leitora ENORME. Os leitores potenciais de quadrinho ali são tão grandes. Aqui… Te garanto que a maioria da população tem apenas duas (se tiver) experiências com quadrinho: 1. Turma da Mônica; 2. Tirinha nos jornais. É tão patético, mas tão patético, que nem rir dá vontade. E é por isso mesmo que a maioria da população “sabe” que quadrinho é algo bobo e para criança. E não é uma propaganda de uma empresa no porão de casa que vai mudar essa concepção. Se nem os belíssimos clássico americanos e europeus vendem, o que dirá o antissocial do mangá?! Há! Faça-me rir!

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    1. É verdade, o mangá no br hoje e feito exclusivamente para os otakinhos radicais, é como se fosse um de.fã pra.fã, se bobear daqui a pouco é capaz até deles exigirem que o mangá venha todo em japones!
      Todos os problemas que falou são verdade, mas eu sou mais otimista do que vc, não no sentido de que um dia todo mundo nesse país vai ler mangá, não, isso é utopia demais, mas que os mangás vão ser melhor tratados pelas editoras, que os produtos sejam de melhor qualidade, é possível sim, a newpop tá aí pra mostrar isso, pode me chamar de.louco se quiser, mas eu acho que dias melhores virão.Se até a Nova sampa, digo, a SAMPA tá querendo melhorar, então não duvido de mais nada…

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    2. Sensacional o seu comentário. Muito lúcido, concordo com quase tudo o que você disse, mas assim como o Guilherme sou mais otimista. Acho que há meios para mudança, sim.

      Existe alguns pontos que quero considerar:

      Sobre Avisar títulos que estão fora de catálogo:

      Atualmente as editoras têm feito reimpressão sim. A Newpop quase não deixa seus produtos esgotarem. A JBC vem, aos poucos, reimprimindo vários títulos esgotados (recentemente reimprimiram três) e até mesmo a Abril reimprimiu alguns volumes de Kingdom Hearts. Só a Panini que não costuma avisar de reimpressões mesmo…

      Sobre o ponto que você falou, pode ser estratégia e tal, mas se você retirou o título de seu catálogo é porque pode não ter mais interesse nele.

      Sobre Propagandas

      Eu não acho que mangás devam ser apenas para quem é de dentro. Não acho que devam ser apenas para o nicho otaku. Eu sei que atualmente são, mas não deveriam ser. Acho ridículo pessoas reclamando que traduziram o título, acho ridículo as pessoas exigirem honoríficos, acho ridículos as pessoas deixarem de comprar mangá por causa de uma adaptação. O otaku médio é ridículo mesmo e não tem como fugir disso. A JBC é duramente criticada por não fazer as coisas do jeito que o otaku quer, mesmo alguns blogs famosos da “imprensa especializada” pegam no pé da editora por causa disso… O Shoujo Café que eu citei no texto é um exemplo: volta e meia, quando dá notícia de título novo da editora fala dos “vícios” da jbc. E que vícios são esses? Ausência de honoríficos, adaptação para o maior número de pessoas conseguirem entender, etc, etc.

      Agora, o problema de não se fazer propaganda é que, muitas vezes, nem a quem vê animê as informações chegam. Por mais que as pessoas estejam sempre ligadas na internet as informações não chegam sem propaganda adequada. Ainda hoje há pessoas pedindo para a Panini lançar No game; no life (Sendo que a Newpop está lançando desde o ano passado e trouxe até o autor para o Brasil). Esse é só um exemplo, mas é recorrente e ocorre com vários títulos…

      Porém, eu acho que deveria ser feita uma propaganda para atingir um público de fora também.

      Ex: “Não perca das mesmas criadoras de Sakura Card Captors, Wish, o novo mangá da JBC. Nas bancas e livrarias mais perto de vocÊ”.

      Será que uma propaganda (uma paga no youtube, um outdoor na cidade de São Paulo, ou sei lá outros meios) não conseguiria fisgar algumas pessoas que assistiam Sakura na televisão e nunca compraram um mangá na vida? Nem todo mundo que assistia Animê na tv aberta se tornou otaku comprador de mangá, mas será que esse tipo de propaganda não poderia chamar umas pessoas?

      Eu sei e entendo o lado das editoras, sei que não dá para arriscar assim, mas acho que poderiam tentar mais…

      Em tempo:

      comparar com países mais desenvolvidos é sempre frutífero como forma de nos espelhar. Não devemos exigir, por exemplo, que tenhamos o mesmo volume de mangás em publicação que nos Estados Unidos (afinal não temos público consumidor para tanto), porém podemos olhar algumas práticas e copiar. O formato Big taí, foi idealizado em outro país e apareceu no Brasil. Se espelhar para melhorar é sempre frutífero.

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      1. Na questão da propaganda, eu acho que deveria existir mais. Ao menos no meio otaku como o Kyon comentou. Até pq, eu me cito como exemplo de quem sempre curtiu anime e jogos nesse estilo anime e só soube que existia um mercado de mangás no Brasil há +ou- 1 ano e meio completamente por acaso através de uma pesquisa no google sobre k-on e descobri que o mangá tinha sido publicado aqui, e por isso comecei a pesquisar por conta própria redes sociais e etc. Antes disso não fazia ideia do que era JBC, New Pop e Nova Sampa. E Panini sempre me remetia a Turma da Mônica. Talvez se eu soubesse que existia esse mercado, tivesse começado a colecionar antes.
        Com relação ao nicho, acho que as empresas tinham que ser mais criteriosas, nem um extremo como da Panini que usa honorífico em tudo, nem outro extremo como da JBC que não usa em nada.
        Por exemplo, acho que a Panini ter traduzido o nome de Ataque dos titãs foi uma grande sacada, pq é um mangá que agrada fora do nicho. Até meu pai de 50 anos na cara, que vira e mexe me sacaneia quando assisto anime Moe, dizendo que to assistindo Barbie japonesa kkkk, curtiu Ataque dos titãs. Nesse tipo de mangá eu sou a favor da tradução de nomes, o não uso de honorífico, e a maior adaptação pro público em geral.
        Agora, quando é um mangá cheio de Moe, fanservice ou um monte da japonesada que só quem é do meio vai comprar, acho que é melhor manter as otakisses, já que é destinado aquele público de qualquer forma, e dificilmente alguém de fora vai na banca comprar madoka magica, k-on, triage x por exemplo.
        Acho que teria que avaliar quem é o público alvo, e ver a melhor forma de publicação. Mas parece que as editoras são 8 ou 80.
        E outro fator é que mesmo que só entre 0,5% da população brasileira leia mangá (número completamente ao acaso só para exemplificar) são 1 milhão de possíveis compradores.
        Então acho que ainda é um fator a se melhorar no futuro.

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    3. Não sou negativa, sou realista. Não adianta nada escolher um objetivo astronômico e criticar as empresas por não o alcançarem.

      Mantenha em mente que o objetivo principal da editora não é fazer um produto benfeito (por mais que eles digam isso), é vender e ganhar lucro. Se fazer um produto porcamente vende bastante, então façamos assim. Se melhorar a qualidade vende mais, pois então que melhoremos. Colocar capa dura, sobrecapa, edições de luxo, dentre outros vende mais? Não.

      Será que trocar o papel fará Naruto vender mais? A empresa acha que não e ela não tem motivos para tentar isso, ela está feliz com o lucro dela, confortável. Não há mudança se não há problemas. Sim, elas param no tempo. Quem muda paradigmas nunca é o grandão confortável, é a pequena barulhenta. Por que a NewPOP tem tanto “diferencial”? Hentai, yaoi, páginas brancas, miolo costurado, novels, etc? Se um produto como esse vendesse e vendesse mais a NewPOP estaria lançando os grandes nomes. O único motivo para a NewPOP não ter um “Ataque dos titãs” ou é por falta de capital ou é por oferecer menos que as concorrentes. E se depois de todo esse diferencial, ela ainda vende menos e pode oferecer menos, isso mostra que a “qualidade superior” não é um fator tão importante assim nas vendas.

      O que acontece na verdade, é que as grandes estão estabilizadas em seu jeito de ser que vende, enquanto a pequena dança em volta pegando o que lhe resta, aquilo que é ignorado pelas grandes. E o que resta é, sim, resto. A pequena só sobrevive inovando e chamando a atenção.

      Isso é assim no Japão também, claro. A grande JUMP é a mesma “bosta” desde o ápice com Samurai X e Slam Dunk. Mesmo tipo de produto, um bando de mangá igual pregando a mesma coisa. E mudar para quê? Vende, oras! Jump não tem quase nenhum acesso digital, por exemplo. Já a Enterbrain, uma editorazinha de fundo de quintal japonês é uma NewPOP. Suas magazines são com papel bom, páginas bem impressas, capas extravagantes, conteúdo diferente e inovador. Eu compro todo e qualquer mangá dela via ebook, tá tudo lá. Compro no lançamento, leio com os japinhas mesmo. Mando e-mail em inglês, me respondem.

      Às vezes uma grande muda um pouco. Como a JBC em seus Bigs, a Panini em seu Berzerk, mas sempre seguindo algo já estabelecido ou tentado anteriormente. A JBC provavelmente nunca teria tentado Big se não fosse pelo Death Note Black Edition e nunca teria tentado black edition se Death Note não tivesse vendido bem, que por sua vez nunca teria sido lançado se não fosse o sucesso dos Jump no Brasil. A JBC também nunca teria caprichado no papel de algumas edições se não fosse o exemplo da NewPOP, se não tivesse visto que não tem perigo. Ache uma coisa na JBC que tenha sido inovação exclusiva e inédita? Quer saber uma? A única? Foi quem lançou tankoubons no Brasil e na ordem japonesa de leitura. Quando foi isso? Quando ela era uma empresa pequena de meia-tigela. Uma inovação da Panini? Boa sorte procurando. Conrad foi cheia de inovações, igualmente, era uma empresa meia-boca e só se atreveu por causa da venda absurda de Dragon Ball. Se não fosse Dragon Ball, quando o Brasil teria visto se primeiro Kanzenban?

      Meu ponto aqui é que mudança não é algo que você devia esperar. Não é uma questão de positividade, otimismo aqui é inocência. Seus mangá vão continuar a descolar, como descolam faz 15 anos. O papel vai ser jornal como é há 15 anos. E vão jogar na banca e esperar resultado como fazem há 15 anos.

      Compro mangá desde o começo, colecionei Sakura nas bancas como todos os outros. E quando olho para X, o primeiro tankoubon do Brasil e o último volume da Panini, sabe o que vejo? A mesma coisa. Porque é isso que vende. A única coisa que vai fazer uma empresa mudar é quando machucar o bolso, e doer feio.

      Até lá, reclamações, otimismo, barulho em blogs não farão diferenças, eu já gritei e gritei muito. Mas… Nossas páginas ainda caem. Pois é…

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      1. Bom, eu não sei vc mina filha, mas já faz muito tempo que eu não vejo uma página sequer de um mangá br caindo.Então, eu acho que ainda há luz no fim do túnel, senhorita pessimista…Ah, e sò pra que saibas, pessimismo e realismo são coisas muito diferentes, se todos aqueles que se dizem realistas fossem também pessimistas, eu acho que a humanidade não teria alcançado os avanços que alcançou.Dito isso, encerro minha participação nessa conversa longa e cansativa.Boa sorte a todos, seja lá no que forem fazer…

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      2. Opa, faz tempo? Peraí!

        18 de setembro de 2015, pobre coitado comprou e já tá tudo caindo.

        4 de julho de 2015, tiozinho informa no facebook:
        “(…) pq os mangás de One Piece e databooks e tbm os databooks de Naruto veio tudo bosta….qual a graça de comprar a merda de um mangá q vem com as paginas caindo? ou que depois de pouco tempo começa a cair? ¬¬”

        Não é coisa do passado não. Após emprestar demais meus mangás de 3 anos de idade, estão todos caindo. Que dúvida de que os de hoje daqui a 3 anos estarão aos pedaços? Enquanto isso, meu GRIMMS MANGÁ de quase 10 anos não está nem amarelo, nem caindo.

        Não digo que não há como mudar, eu disse que não é algo que se DEVE esperar. Sentar e esperar que a empresa milagrosamente decida que tá na hora de mudar a cola. Isso não vai acontecer.

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    4. Por mais otimista que eu seja, eu sei que não devo esperar mudanças, tanto que o meu texto nem é tão positivo. Eu só descrevo práticas que eu acho que realmente deviam ser seguidas pelas empresas brasileiras, mas a verdade é que é mais fácil o Crunchyroll conseguir licença para mangás digitais em português do que uma das editoras de mangás querer realizar isso, infelizmente.

      Eu realmente queria que as editoras mudassem e melhorassem, que todas tivessem uma loja online, que todas fizessem mangás com qualidade, que uma vez ou outra usassem sobrecapa ou capa dura, etc, mas eu sei que as coisas não funcionam assim. Mas por que eu ainda sou otimista e ainda acho que há espaço para mudanças? Justamente porque algumas coisas tem mudado, aos poucos.

      Ainda há problemas físicos graves – as folhas ultra transparentes atuais, por exemplo – mas temos vistos micro-mudanças, algumas das quais você citou. Agora se uma editora já foi atrás do formato big por causa de um sucesso, porque não pode ir atrás de uma capa dura pelo mesmo motivo? Não tenho esperanças de que ocorra mudanças por agora, mas sou otimista de que possam ocorrer no futuro.

      Eu concordo muito com o que você diz, PHAMMY, acho que você está muito certa mesmo, mas minha ingenuidade acaba sendo mais forte para alguns casos…

      Se você for quem eu estou pensando, volte a escrever para o Jbox, eu adorava seus textos lá^^.

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      1. Mas co–… Avatar maldito, você me delatou?! Não curto mais fazer o que fazia. Aparentemente prefiro ficar avacalhando comentário dos outros. Hohoho.

        E JBox nunca mais, Deus que me livre.

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    5. Só que tem algo interessante que a Panini faz em relação ao vocabulário japonês que só otaku entende – glossário. Ficaria muito feliz se todas as editoras também tivessem essa prática. Pode não atrair uma legião de fãs, mas quem pega um mangá da Panini (que tem glossário) pela primeira vez rapidamente começa a se acostumar com os kun, san, chan da vida. Limitar apenas a internet e eventos é um erro e a falta de animes em tv aberta no Brasil atrapalha e muito. Se eu perguntar pra minha mãe quem é o Pikachu ela sabe, agora se eu perguntar pra ela quem é o Ichigo ela não vai fazer a mínima ideia.

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